Embrulhos
Agora, que vimos de uma época em que muitos passaram horas a embrulhar presentes, podemos deter-nos por alguns instantes nos «embrulhos» dos livros em 2014. Não falo obviamente daqueles que oferecemos aos familiares e amigos e que, provavelmente, foram envolvidos em papel e fita da loja em que foram comprados. Falo, sim, das capas – da maneira de embrulhar cada livro de forma a torná-lo apetecível nos escaparates, concorrendo com centenas de outros, sem trair, porém, o seu conteúdo e o seu público. Descubro um artigo do New York Times sobre a matéria, uma espécie de eleição das melhores capas do ano transacto; e, embora muitos destes livros não sejam conhecidos dos portugueses nem estejam cá publicados, a verdade é que se afigura especialmente interessante a ligação entre o respectivo título e o design aplicado. Algumas destas capas são verdadeiras obras de arte. Outras terão a simplicidade que lhes convém. Numa delas, o desenho ganha tal protagonismo que são omitidos o título e o autor, como se a imagem fosse tão forte que obrigasse o potencial leitor a afastar a capa para ver de que livro se trata. Enfim, uma amostra do que se fez bem (segundo o New York Times, pelo menos) em 2014. Dêem uma espreitadela ao site, se vos interessa o assunto e gostam de coisas bonitas.
gosto de livros com capas que nos chamem a atenção.
ResponderEliminarpenso que elas deverão ser o seu rosto, sempre.
noto que quando os autores são famosos, as capas passam para segundo plano, normalmente todas iguais. nunca percebi porquê...
cada livro deve ter uma identidade própria.
Luis : a minha percepção é que é mesmo para criar essa identidade própria, quase como se estivéssemos no mundo do coleccionismo e das regularidades. Sempre adorei as capas do Saramago, não só as anteriores como as actuais. O marketing aqui não se engana!
EliminarAs capas dos livros portugueses são, regra geral, medonhas... Mais algumas muito bonitas deste ano aqui.
ResponderEliminarhttp:/ www.bookdepository.com /best-book-covers-2014?utm_source=NL-Body&utm_medium=email-Newsletter&utm_term=btn-text&utm_content=PurpleSection&utm_campaign=NL-Dec-BookCovers-2014
O princípio de que "os olhos comem primeiro" é uma regra do merchandising!
ResponderEliminarNo tocante à indústria livreira acredito que haja mesmo uma "capalogia" ou "caping", a ciência da capa!
Uma capa é apelativa e um bom cartão de visita, que atrai o potencial comprador como uma lâmpada as traças!
Mas, reparem que digo "comprador" o que me parece diferente de "leitor". Ignoro se ainda se venderão aqueles frisos decorativos a imitar lombadas de livros, com os títulos e tudo, que se viam em certas salas de visitas...
No meu caso, como já referi, adoro as lombadas duras de tecido e cartão prensado mas sobretudo as encadernações de coiro com as lombadas em relevo... não sei explicar porquê, parece que têm uma sensualidade e não sei como Freud entenderia a coisa, mas o prazer de ver e passar as mãos por estes livros deve ter conotação sexual!
A capa é parte integrante do livro e pode ser considerada uma arte complementar, não acham? E daí também o cuidado e a atenção que lhes parecem dar as editoras, sobretudo pela tal atracção que exercem.
O problema será de facto a repercussão no preço de venda... e isso leva-me a olhar para centos de livros que possuo, com capas de papel, simples e sem qualquer tipo de distinção artística... alguns uma simples imagem gravada, outros nem isso, apenas o título e o autor - os tais livros ou colecções "de cordel".
Perdem com isso? Para mim não... sou sincero, e, na falta das tais encadernações em coiro, pois no que menos reparo é na capa. Quando vou às livrarias os meus olhos vão para o título e autor, primeiro, para o grafismo só depois, quase sempre após pegar nele e ler a sinopse.
Mas posso não ter um comportamento comum, já confessei o meu desvio pelas capas de coiro, compensado pelo total desinteresse pelas outras capas, vou logo ao miolo!
Saudações papeleiras cá do Bairro Ribatejano!
“Hoje em dia, a capa de um livro tem mais que ver com a representação de um determinado público do que propriamente com o seu conteúdo.” As palavras, que reproduzo com a devida vénia ao Blogtailors, não são minhas; foram ditas pelo Jorge Silva, designer e criador do selo comemorativo dos 90 anos de José Saramago (no caso de certos autores famosos, como sublinha o Luís Eme, julgo que aquela frase se esvazia).
ResponderEliminarMas Jorge Silva diz mais, diz que nem é forçoso que o designer conheça o livro, ou o autor, ou tenha, sequer, acesso a uma sinopse. Tudo isto foi corajosamente afirmado num encontro que juntou três criativos na Fundação Saramago. Os restantes eram o Rui Garrido, diretor gráfico do grupo LeYa, e o Manuel Estrada, designer espanhol que produziu para a Alfaguara algumas capas (e outras ilustrações, julgo eu) do nosso último Nobel.
É curioso, dá que pensar.
Já tinha passado muito tempo à volta do artigo que a Rosário divulga hoje. É capaz de ter piada olhar para aquelas capas à luz das citações lá de cima.
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Entretanto, fico a torcer para que o António Luíz descubra ao certo com que conota o afago das encadernações antigas, até porque, confesso, delirando eu com as capas de couro, nunca me haviam ocorrido razões impuras.
Hum... quem sabe se não tendemos para calças de cabedal, chicotes... ahahah!
EliminarUm grande abraço, entre apreciadores de coiro!
Aprecio as capas. E estas que o NYT nos apresenta são realmente bonitas (para mim).
ResponderEliminarMas tudo isto é relativo (tudo isto as capas, claro) - é que na semana passada num hipermercado, vasculhando os livros (enquanto a minha mulher escolhia tomates) encontrei com 50% de desconto, um com uma capa horrenda, um livro que meti logo no meio dos tomates, "RAPOSAS DE FOGO" de Joyce Carol Oates .
Mas, lá está, poderia apostar que o autocolante em que constava o desconto, de tão grande, fazia as vezes de capa; o que nos leva ao mesmo.
EliminarE, se me permite, cuidado com as câmaras de vigilância.
Ahahah!
EliminarÓ Severino... já andas a gamar? Isso é da crise...
Mas ou usas as calças muito largas ou o livro era pequeno...
Ahahah!
Mas qual autocolante...o livro (algumas dezenas do mesmo título) estava num caixote e tinha uma tabuleta com o preço e anunciava 50% de desconto directo.
EliminarMas quais câmaras de vigilância...então na caixa a leitura do preço não se faz por código de barras...estamos no século XXI, meu caro amigo.
Não faça caso. Pensei que estaria a falar daqueles autocolantes, normalmente redondos e colocados sem cuidado, que chegam a cobrir o nome do autor ou outras informações relevantes.
EliminarGostei das três primeiras capas. Simples e bonitas.Porém, continuo fiel às que Sophia escolhia. Todas iguais, pois. E até concordo que os autores consagrados escolham um modelo e publiquem com ele. É a sua marca; que a diferença é de ler:). Não vejo porque há-de cada livro ser diferente.
ResponderEliminarAs lombadas em pele fazem-me lembrar enciclopédias da Verbo. Mas, por exemplo a quem faz encadernação dão jeito, sempre é um bocadinho mais caro e permite ganhar alguma coisa. Razão porque tenho coisas encadernadas que não lembram ao diabo:) - o pendor freudiano não me parece que tenha entrado (só se entrou sorrateiro e não dei por ele).
E pronto. BOM ANO PARA TODOS NÓS
Interessante: o NYT indica que a moda das capas é dominada pelo caligrafismo.
ResponderEliminarNós por cá já tivemos uma recente nova edição dos livros do Saramago (Porto Editora) com os títulos escritos na capa com a caligrafia de outros autores.
Eu continuo prefiro as capas de sobriedade "à francesa": de uma só cor e apenas com o nome do autor e o título em carateres tipográficos (como acontecia, por exemplo, com as primeiras edições dos livros do Saramago na Caminho).
É interessante o grafismo dessa recente série das obras de Saramago pela Porto Editora.
EliminarUma particularidade é comum aos títulos em manuscrito – o hífen.
A
viagem
do ele-
fante
A ca-
verna
Ensaio
sobre
a luci-
dez
Só é pena que alguns dos títulos não obedeçam à regra.
Mas isso, se calhar, é até uma home-
nagem a Saramago.
Bem observado !
EliminarA verdade é que esses títulos são desenhados por pessoas que gostavam de Saramago (e vice-versa), cada livro seu calígrafo. E por isso o haver ou não hífen deve depender do comprimento do título e também da caligrafia de cada pessoa.
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