Inspiração e transpiração

Há quem defenda que, para escrever, tem de se estar inspirado – e que esta inspiração é claramente algo transcendente e externo ao escritor que nem sempre aparece. Sim, acredito que haja para cada pessoa um momento ou um tempo mental mais propício à escrita, embora não tenha a certeza de que as mãos sejam guiadas (como Lobo Antunes diz que lhe acontece) por qualquer força divina ou energia desconhecida. Por outro lado, alguns alegam que é tudo trabalho (transpiração versus respiração), mas conheço muitos pretensos escritores que são perseverantes e disciplinados e que, ainda assim, não produzem nada de notável. Michael Cunningham, o norte-americano que escreveu As Horas, esse belíssimo e premiado livro, esteve recentemente em Lisboa e diz que a única coisa que sabe é que não há regras para se escrever. Mas adianta que um escritor tem de estar em contacto com a escrita (seja do que for) todos os dias – vá lá, descansar ao domingo, quando muito. E contou que o truque é sentar-se à secretária e escrever a mesma frase uma dezena de vezes ou mais até parecer que não está assim tão mal. É verdade que é esta oficina que torna um mero escrevente um escritor, o problema é que há muita gente com pressa de acabar um livro e não se dá a «transpirações». Pior ainda se não tiver «inspiração», digo eu.

Comentários

  1. "A inspiração existe, mas tem de te encontrar a trabalhar" Picasso

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  2. ( não sei se a frase é exactamente assim, mas a ideia é essa)

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  3. Ouso fazer uma comparação com o futebol:

    para se ser jogador (não se aprende porque é um dom com que se nasce), mas:

    -terá de haver trabalho (e gosto)
    -terá de haver perseverança
    -terá de haver sorte

    Saudações Literárias e Leoninas

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    1. Concordo contigo!
      Não sou entendido em futebol, mas tenho ouvido dizer a quem entende que o C.Ronaldo é um produto feito a partir de um garoto com habilidade natural (ou nunca chegaria onde chegou), mas que depois trabalhou afincadamente e treina tudo aquilo que faz! Já o Lionel Messi é um caso de habilidade pura, de genialidade, e não um produto de horas de treino intenso.

      Penso eu, que se aplica a tudo... desde que haja uma base natural, para que de facto se atinja essa perfeição! Mas acho que será inútil pegar num garoto, e pô-lo a jogar à força, treinando-o... talvez se obtenha um jogador médio e até eficaz, mas nunca atingirá o escalão de um Messi ou Ronaldo!

      Saudações futebolísticas do Bairro Ribatejano!

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    2. Extraordinário Pacheco, Messi não é só inspiração.

      começou a treinar nas escolas do Barcelona onde de certeza aprendeu muito do que sabe. claro que fisicamente é pequeno e franzino, não pode evoluir muito.

      mas há ali toda uma vida passada a treinar. :)

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    3. Não chega LM (nos anos 60, LM foi uma marca de cigarros), se não houver um dom natural não chega porque o futebol não se aprende, nasce, quanto muito poderá aperfeiçoar-se!

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    4. claro, Severino.

      o que eu queria dizer que o Messi não é 100 % talento, também há ali muito trabalho de formação, numa das melhores escolas do mundo.

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  4. É curioso vir aqui este tema!
    Comecei ontem mesmo a ler "Quem disser o contrário é porque tem razão", e já vou a meio... pois sentei-me à lareira depois do jantar e achei que era a leitura mais indicada para a ocasião... isto depois de ter trazido uma sacada de livros da Bertrand, fora os que aí tenho recebidos pelos CTT!

    Continuo a achar que por muito que se escreva, por mais que se ensaie, e a despeito de se atingir a tal técnica, sem a genialidade que nasce com o autor e faz dele um artista e não um técnico (é a sublime diferença entre um engenheiro e um arquitecto) não haverá Obra, a tal obra que alguns produzem e outros não... a facilidade em produzir obra não tem tanto a ver com a genialidade da mesma, creio eu... por isso há aquilo que se chama de Obra-Prima, e que é portanto a Excelência realizada ou atingida.

    Já agora, da leitura do livro de Mário de Carvalho, ressalta-me sobretudo uma grande miscelânea de conceitos que me confunde, confesso... e não está a ser até agora, o que esperava... mas aguardemos pelos próximos capítulos!

    Saudações bucólicas do Bairro Ribatejano!

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  5. Uma partilha de traça literária, só para quem quiser... estão dispensados da leitura deste comentário os demais!

    - Já escrevi muita coisa, sobretudo artigos técnicos, de divulgação e mesmo relatos de viagem, usando apenas a técnica. Poderei dizer que foram feitos sem inspiração? Creio que não... pois essa tem sempre de lá estar e creio que faz a diferença para os leitores, diferença essa que sentia na aceitação dos mesmos.

    - Por outro lado, quando decidi escrever um romance, foi aos 55 anos! Depois de 25 de escrita ligeira, reportagens, histórias, relatos, alguns contos... e também, este livro andava a ser escrito na cabeça, aos poucos, os personagens recolhidos e compostos um aqui e outro ali, no mínimo há uns 30 anos... foi quando senti que era então ou nunca, que me sentei por ano inteirinho, diante do computador e escrevi dia e noite, dedicando-me quase só a essa tarefa.

    Não sei explicar, e certamente que aqui haverá entre os Extraordinários, literatos, editores, tradutores,, estudiosos, académicos e gente ligada ao Mundo da Escrita, quem o saiba explicar e até me possa ajudar nessa demanda.

    Saudações literárias e descansadas do Bairro Ribatejano.

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  6. a inspiração é o mais importante para quem escreve. sempre.

    olhar os outros, tudo o que nos rodeia, é uma das melhores inspirações para escrever, tal como a leitura e o cinema.

    também não acredito na escrita como trabalho das nove às cinco, embora parece que resulte com alguns autores (Saramago era um deles...).

    a transpiração não escreve livros. pelo menos livros bons. :)

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    1. Ó Caro LM isso parece-me um insulto à genialidade de Saramago e ao dom com que ele nasceu (não aprendeu-nasceu!).

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    2. ai que a gente hoje não se entende, Severino. :))

      eu não me referia ao génio de Saramago, mas sim ao facto de ele ter horários para escrever, ser extremamente disciplinado, não estar à espera da inspiração.

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  7. Claudia da Silva Tomazi10 de dezembro de 2014 às 04:17

    Virgínia Wolf, o romance "As Horas" retrata a vida desta escritora inquietante e a ambição no processo literário e editorial do século XX.


    Quanto ao doce Lobo Antunes (the best).

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  8. Não gosto da escrita de ficção mecanicista: essa guardo-a para a escrita técnica, mesmo se esta precisa, para além de muita transpiração, de alguma inspiração.
    Na ficção gosto da escrita inspirada, da escrita telúrica, da escrita interior com os olhos postos na vida, vinda da alegria, do sofrimento, da observação, de muita, muita reflexão, da escrita de almas sensíveis capazes de ver movimento, horror ou beleza onde porventura nada disso lá esteja. Acabei de escrever o meu décimo original em pouco mais de três anos: os dois primeiros, primários e inacabados, serviram-me como rascunho, apresentando-os a uma editora e duas ou três pessoas, mesmo toscos e não revistos, para percepcionar reacções imediatas e outros olhares críticos, criando uma base, um ponto de partida para novos desafios.
    Os outros, senti-os como essas provas para superar os anteriores; e comecei já a não chamar-lhes rascunhos, mas originais, ou mesmo livros, sabendo no entanto que um livro só está completo depois da sua edição por um Editor.
    Mas como não tive essa sorte, que mais não é do que o fruto de uma enorme combinação de factores onde se mistura sorte com o ajuste do gosto, etc., poderei sempre pensar que poderiam ser atletas transpirados a quem não lhes correu a cem por cento as provas.
    Falta de inspiração? Talvez! Ou talvez mais excesso de liberdade e urgência de partir para um novo desafio.
    Foi necessária muita transpiração? Alguma, mais não seja dos nadegueiros das horas esquecidas.
    Mas, acima de tudo, foi necessário sonho, sonhar acordado, cruzar experiências e dias devotados aquele ecrã rectangular onde se inscrevem tantos sonhos e tantas combinações.

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  9. E há ainda outra coisa: a maneira como se olha para as palavras, como se sente as palavras. Escrever é sobretudo uma relação com as palavras.

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    1. Sem dúvida, Maria Almira Soares. Como se olha, como se sente e como se brinca com as palavras. E nada como se ser libertário no modo como as manipulamos.

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  10. A respeito de António Lobo Antunes, não obstante a metafísica que ele às vezes usa para explicar o seu processo, a verdade é que em outros momentos - por exemplo as entrevistas que concedeu a María Luisa Blanco - ele se assume como um homem que escreve todos os dias, às vezes 12 horas diárias, em qualquer lugar, em qualquer parte do mundo, quer esteja em casa, no escritório ou em quartos de hotel quando viaja. E rescreve muito. Lobo Antunes pode usar o vocabulário romântico da inspiração, da musa, do inconsciente, etc., mas nada na escrita dele é natural, ele é um puro artesão. É tudo trabalhado, cinzelado, excisado e por fim tolerado como o melhor que consegue fazer, apesar de nunca ficar totalmente satisfeito com o resultado. Ele certamente não é desses gurus das oficinas de escrita criativa que dizem, irresponsavelmente , que o aluno se deve satisfazer com a primeira versão da frase porque é natural, porque é espontânea, porque é autêntica, porque é o que melhor exprime a sua auto-expressão. Lobo Antunes tem plena consciência de que toda a escrita é reescrita, e reescrita de reescrita rumo à perfeição.

    Grandes livros não se escrevem em 3 meses, apesar do que João Tordo, paladino dos cursos de escrita criativa, possa pensar; e infelizmente pratica o que pensa. Nem eu acredito que Gonçalo M. Tavares, que já despachou mais de 30 livros em 15 anos, alguma vez tenha escrito algo de jeito, pelo menos os 2 que li dele não me levaram a pensar isso. Reflictam por um momento que isto é mais do que Vladimir Nabokov, um dos mais exigentes estilistas do século XX, escreveu em décadas e décadas de carreira. Só Lolita consumiu 7 anos de trabalho. Mais de 30 livros em menos de 15 anos? Tretas!

    A ética de trabalho dos nossos escritores, fora a de Lobo Antunes, não vale nada, não é exigente, é facilista, assim como a crítica é demasiado tolerante porque quer, contra as evidências da realidade, acreditar que temos uma geração de ouro. No outro dia abri um novo livro de GMT, a primeira frase de um capítulo deixou-me repugnado: ele usa a palavra 'mão' três vezes num curto parágrafo. Nunca deve ter ouvido falar em tautologia. O Lobo Antunes evitaria tais redundâncias, mas ele reescreve e tais detalhes só se eliminam na reescrita, conceito que o autor de Histórias Falsas, e antigo aluno de curso de escrita criativa, desconhece.

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    1. Claudia da Silva Tomazi10 de dezembro de 2014 às 07:18

      Prezado Miguel, gostaria de acenar "Histórias Falsas" com um assunto no mínimo curioso e no máximo constante, estou ler a tradução de um espanhol (inclusive premiado) embora traduzido a semelhança de estilo lembrava-me alguém, mas, quem?! Então percebi a avançada técnica poderia ter o argumento a escrita do Nobel Saramago e, independente de vosso agrado há escritores que são referenciais e servem de modelo, certamente este espanhol (não vou o expor ao ridículo) deveria sobretudo ser motivo de orgulho mas, falta-lho descobrir a criatividade de quando diz-se: beber da fonte, leva-se a sério.

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    2. Cláudia, não percebi patavina do que escreveu; a sua sintaxe não faz sentido nenhum, e não encontrei nenhuma ideia apresentada coerente, cogente e logicamente. Pode reformular?

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    3. Claudia da Silva Tomazi10 de dezembro de 2014 às 08:27

      Há um (1) espanhol contemporâneo que imita a escrita o estilo de José Saramago.

      Não e uma acusação de plágio; é uma (pequena) observação.

      Simples, Miguel.

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    4. Caríssimo Miguel Nada pior do que generalizar. Porque nem a literatura é uma ciência exacta, nem a generalização uma arma dos sábios. Rever obviamente é necessário. Mas se há autores que são artesãos da palavra e a palavra se conjuga perto do palato, há outros que escrevem mais perto do coração. E depois o tempo da escrita depende de múltiplos factores, como o tipo de trabalho do autor, o tipo de ficção, a riqueza das suas experiências, a própria rudeza ou macieza das suas palavras. Um livro demorar três meses é possível? Claro que é possível, na sua formatação inicial. Mas claro que se demorar três anos a ser reescrito, revisto, reescrito novamente, poderá ficar melhor, mesmo que esse livro já não seja o inicial. E Miguel: gostos não se discutem. Sendo um académico e um geómetra da palavra, a escrita diferenciada de G. Tavares prima pela qualidade. Não gostou da viagem à Índia? Não! É uma questão de gosto. Não gostamos cada um de nós do mesmo, nem mesmo em tempos diferentes, nem sequer em dias mais chuvosos ou mais soalheiros.

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    5. Cristina, o que é que isso tem que ver com este assunto?

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    6. - "Mas se há autores que são artesãos da palavra e a palavra se conjuga perto do palato, há outros que escrevem mais perto do coração."

      O coração é uma bomba que bombeia sangue pelo corpo, mais nada. As emoções, que presumo que seja disso que esteja a falar, encontram-se no cérebro também. Essa dicotomia é falsa e um apêndice idiomático derivado da ignorância em que medicina clássica se rebuçava. Leia um livro sobre neurociência, houve evoluções desde Galeno, sabia?

      - "Sendo um académico e um geómetra da palavra, a escrita diferenciada de G. Tavares prima pela qualidade."

      Qual qualidade? O homem não sabe inventar metáforas, símiles ou metonímias surpreendentes. Figuras de estilo simplesmente não existem. A estrutura sintáxica é simplista e foge de orações coordenadas, são puramente declarativas e telegráficas. Comparadas com os virtuosismos linguísticos de Lobo Antunes, que maneja tempos e vozes díspares em longas frases, as de Tavares são infantis. Ele escreve como jornalistas, sem atenção para a beleza, para a musicalidade, apenas empilha factos uns a seguir aos outros como se estivesse a redigir um artigo ou um ensaio. O vocabulário dele é reduzido, ao nível do de alunos primários. É uma literatura de pobreza estética, feita à medida do leitor moderno, que quer livros curtos, fáceis e simples. Eu, não. É por isso que não li Viagem à Índia, porque depois de 2 já percebi o que ele vale.

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    7. ahaha ! A sua resposta é estupenda, Miguel e tem muitos aspectos com que concordo... até dizer que não leu a Viagem à Índia e que os livros de Tavares são curtos, fáceis e simples!

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    8. Claudia da Silva Tomazi10 de dezembro de 2014 às 12:19

      Cristina?

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    9. "...a primeira frase de um capítulo deixou-me repugnado: ele usa a palavra 'mão' três vezes num curto parágrafo."

      A sério?! Aaaaaai...
      Sabe que a mim me aconteceu o mesmo? Só que foi com o solilóquio dessa miúda gira, a Molly Bloom. O Joyce é tramado, não lhe parece?

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    10. Vê o que me fez, Miguel? Até me induz a escrever pronomes a mais! Redundante, mas sem querer; perdoe.

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    11. Eu li 2 livros dele, achei-os péssimos porque haveria de ler mais? Mas se quer tanto a minha opinião sobre a Viagem, fica aqui uma amostra baseada num rápido folhear semanas atrás: é terrível também! Um pseudo-poema épico feito às três pancadas. Acho que um dos primeiros versos, se não me falha a memória, é simplesmente o verbo "acontecer." Camões, põe-te a pau, os teus decassílabos heróicos cheios de aliterações não chegam aos calcanhares de tanto virtuosismo! O Tavares é um verdadeiro mestre dos jogos de palavras.

      A escrever "versos" assim tão eu escrevo o meu poema épico...

      Quanto ao ser curto, bem, mostre-me um livro dele que tenha, sei lá, mais de 300 páginas. Os dois que li nem às 100 chegam; e os cadernos do Bairro são panfletos basicamente. O Klaus Kump e o Robert Walser dele são tão pequenos que vêm junto na mesma edição, que eu infelizmente possuo e um dia lerei. Portanto, sim, curtos.

      Quanto ao fácil e simples; bem, nunca tive de ir ao dicionário por causa dele; nunca tive de reler uma frase dele. Nunca perdi o fio à meada do texto. Não sei em que dificuldades o Pedro tropeçou, mas eu pelos vistos saltei por cima delas. Quer-me falar sobre elas?

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    12. Cláudia, confundi-a com a outra Extraordinária assídua. Peço desculpa pelo lapso. Continuo porém curioso de saber porque menciona Saramago no seguimento do meu texto.

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    13. O Joyce é um génio que enfiou quase toda a Língua Inglesa no Ulysses . O seu fôlego lexical deixa-me assombrado, coisa que Tavares nunca me deixou em relação à Língua Portuguesa. O irlandês pode dar-se ao luxo de repetir palavras, especialmente quando elas assistem a técnica da corrente de pensamento que requer repetição. Saibamos distinguir as coisas.

      O Tavares estava apenas a narrar factos, de forma monótona e imemorável. Não me lembro da frase concreta, mas era algo como: "Ele colocou a mão dela na mão dele. A mão dela estava húmida." Quer mesmo comparar esta insignificância com as piruetas verbais do solilóquio de Molly Bloom ? Num texto de blogue ninguém chamaria genial à frase; mas num livro de Tavares passa a ser? Por favor, não andemos a praticar demasiado dois pesoss e duas medidas.

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    14. Use redundâncias à vontade, se o seu vocabulário não lhe permite mais; vocé é um zé-cuecas anónimo na internet que não escreve livros. E eu sou um leitor que adora ler pantólogos que ostentam anterologia, cataglotismo, acribologia e frases sesquipedais, como Lobo Antunes, Saramago, Aquilino, William Gass, Alexander Theroux, William Gaddis e Nabokov.

      Por que razões é muito improvável que os nossos destinos se cruzem fora desta cascata de comentários. Portanto está tudo bem no mundo.

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    15. Caro Miguel,

      Os meus parabéns pela exigência. Parece coisa pouca, mas nos tempos que correm, ser minimamente exigente já não é nada mau. O mínimo de exigência permite distinguir os maus escritores dos medianos, já para não falar dos extraordinários. E o mínimo de exigência é suficiente para perceber que GMT é um escrifor horrível. Há uns meses, um colega escreveu no blogue que partilhamos um texto sobre um livro de GMT que talvez gostasse de ler. Deixo-lhe o link abaixo.

      Quanto à questão em discussão, fico sempre com a sensação de que quem acredita em inspiração é quem percebe que não a tem e precisa da consolação de acreditar que foi coisa com a qual, por azar, não nasceu. Isso do talento e da inspiração é uma parvoíce pegada. A excelência é resultado de labor e de muita preparação prévia, e não há uma mente genial que o fosse sem errar muito, sem corrigir muito, sem se aprender muito. Aquilo que normalmente se considera que é o talento é fruto exclusivo do trabalho anterior. Essa ideia da criação automática e espontânea é história de gente preguiçosa e de imbecis que acham que podem chegar aos calcanhares dos grandes mestres só porque estão convencidos de que sentem o mundo de uma maneira especial. No fundo, é gente que precisa de acreditar que há por aí alguém que, sem nunca ter jogado uma partida de xadrez, é capaz de jogar tão bem como o Kasparov ou que o próprio Kasparov podia ser o jogador que foi sem ter jogado a quantidade de jogos que jogou e sem ter estudado como estudou para atingir a perfeição. É gente que precisa de acreditar que só não se tornou grande porque teve azar.

      http://sed5contra.blogspot.pt/2014/05/sed-contra-3-tavares-ainda-nao-perdeu-o.html

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    16. Ó Miguel Lacerda, você parece-me ser daqueles que acredita que uma idéia repetidamente afirmada se torna verdade!

      A inspiração não é TUDO, para se ser escritor - ou o que quer que seja - mas é um fator importante!

      Tanto quanto o possuir o génio, a habilidade, o dom se quiser perceber o significado da palavra sem tergiversar para a magia!

      A excelência é óbviamente fruto de trabalho, e chega-se lá suando, ninguém o negou nunca.
      Mas não é tudo... porque se assim fosse qualquer um que trabalhasse muito para isso podia ser um mestre na escrita, e tal não é verdade!

      Repare... GMT tem a técnica, como têm outros de quem você não gosta! Mas para si é um mau escritor, apesar de ser apreciado por muita gente.

      Logo, quem gosta da escrita de GMT, para si é um imbecil! E assim se compõe o seu Mundo:
      - Os inteligentes que são os que partilham os seus gostos e os imbecis, que são os que divergem!
      Sabe, acho que isso é apenas prova de intolerância (para não ser malcriado... e por respeito a este espaço), e foi por intolerância que se queimaram livros na Noite de Cristal e em autos de fé! Foi por essa intolerância que se perseguiu, torturou, oprimiu e matou gente.
      Era capaz de ser altura de pensar nisso.

      Há muita gente que gosta de coisas diferentes das suas, convença-se e aprenda a viver com isso... olhe eu não sou grande fã de Saramago, não gosto de Lobo Antunes e nem de GMT, mas percebo e aceito duas coisas:
      1º Que tanta gente que gosta não pode estar errada!
      2º Que eles escrevem bem, têm a tal técnica que lhes permite atingir aquele patamar, mas não me tocam a alma, não me inspiram por aí além e por isso ainda que os leia, isso não faz de mim nem seu leitor nem me põe a louvá-los.

      Não tenho a sua cultura literária, e Deus me livre se for para ter as suas atitudes! Porém possuo cerca de 5 milhares de livros dos quais já li mais de metade ao longo dos 53 anos que levo de saber ler, e penso, gosto de ficar a analisar e a pensar nas coisas sem as recusar liminarmente, usando as minhas funções de seleção e síntese. É por isso que faço esta afirmação, que não tem a pretensão de ser uma lei, postulado ou sequer norma, é apenas resultado do meu pensar e sentir - diferente do seu mas igualmente válido porque assenta na reflexão:

      - Aquilo de que se trata, é do que o escritor transmite aos outros, combinando a técnica que lhe permite compor a obra com o que ela inspira a quem a lê e que já o inspirou a ele!
      A uns atinge mais, a outros menos... mas a genialidade mede-se pela grande quantidade das pessoas a quem inspira? Esta a questão que se segue.

      Não o saúdo, pois não o merece. Fique-se no alto da sua soberba e prosápia, a pensar em como me atacar... mas deixo-lhe uma pista: ter usado a idade e o número de livros que possuo, como arma para o intimidar! Ahahah!

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    17. Certeiro António Luiz. Vivemos um tempo cada vez mais intolerante feito do magister dixit do antigamente. «São mestres, senhor, são mestres» diria a rainha santa para o brutamontes do rex Dinis que hoje seria acusado de violência doméstica.

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    18. Não, António, vou atacá-lo desta forma. Antes de mais, os Nazis não queimaram livros por estarem mal escritos, mas por os considerarem perniciosos. A estética, que para mim é o princípio basilar da literatura, não teve nada que ver com o assunto. Os Nazis, salvo a posição oposta, não diferem dos turiferários que celebram os livros de GMT : tanto para uns como para os outros o que importa são as ideias. Nunca vi nenhum discutir a beleza de uma frase de GMT , a riqueza do seu vocabulário - só falam de ideias, como se ele fosse um filósofo ou cientista e não um escritor. Ora, um filósofo pode dar-se ao luxo de ser um escritor medíocre; a maioria é; eu não espero grandes metáforas ou jogos de palavras de Eduardo Lourenço ou José Gil; mas de GMT , sim. Caso contrário não é um escritor, é apenas um tipo que subordinou a literatura a outras coisas. E eu oponho-me essa visão de que a literatura não passa de um apêndice da filosofia, ou sociologia, ou psicologia. Não, para mim ela é autónoma e deve ter as suas características. E isso significa um exigente trabalho de linguagem. Se GMT escreve como um articulista de jornal, então não preciso dele para nada; vou mas é ler o jornal.

      Segundo, o argumento dos números é absurdo; só porque muita gente gosta, então não está errado? Eu acho estranho ler isso de alguém que acabou de me comparar aos Nazis. Também não acha que havia muita gente que gostava de pegar fogo a livros no Terceiro Reich? As multidões são ignaras; o que importa é o indivíduo. As multidões lêem Paulo Coelho, Dan Brown e José Rodrigues dos Santos; são as multidões que os tornam em sucessos. Os indivíduos não vão atrás de modas, e por isso descobrem os escritores bons mas obscuros, os que ficam à margem porque dão trabalho, exigem muito e não tocam o tal coração e alma de que tanto fala. Prefiro os que me tocam a mente, e é por isso que GMT não me é nada.

      Vivo numa democracia, aceito-a enquanto plano para organizar uma sociedade, mas não como roteiro para a literatura. A democratização da arte, com o seu facilitismo e nivelamento por baixo, e apelo aos sentimentos, são os inimigos da arte. E essa corrosão depois demonstra-se nos políticos que elegemos, na capacidade de gestão dos nossos chefes que arruinam empresas, na obsessão actual por gratificação imediata, nos alunos que saem da escola e da faculdade sem saberem ler um livro. Os livros de GMT são feitos à medida dessa mentalidade de democratização da mediocridade, de aniquilação do esforço. Lê-lo é como ver a Casa dos Segredos: é rápido, é fácil, deixa uma pessoa satisfeita imediatamente, não pede muito do nosso tempo nem do nosso intelecto. Se isso o satisfaz, António, então continue a pertencer às multidões em que se resguarda mas que não hesitariam em linchá-lo se um líder lhos ordenasse. E quando isso acontecer, pergunte-se de que lhe serviu amar as multidões.

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    19. Caro António,

      Não me confunda com o Miguel, se não fico sem saber se me está a responder a mim, se a ele. É por isso que vou apenas falar de gostos. Gostar de GMT não é como gostar de ananás. Gostar de ananás não se discute. Gostar de GMT sim. O argumento pateta de que não se pode dizer mal de GMT porque isso são gostos é falacioso. Se eu fizer três riscos numa folha, pinto um quadro? Não, pois não? Então não me venha dizer que as pessoas que gostam dos três riscos têm o direito de gostar deles, porque não têm. Ou melhor, podem gostar, desde que percebam que, enquanto obra de arte, não é muito bom. Um livro de GMT até pode comover muita gente, mas isso não significa que seja bom. Um filme pornográfico produz mais efeitos nas pessoas do que outros filmes, mas isso não significa que seja melhor. Não meça a qualidade das coisas pelos efeitos que produz nas pessoas, nem pela quantidade de gente que os aprecia, que isso não é critério. E agora vá lá buscar uma lagosta para ir roendo enquanto pensa na próxima parvoíce.

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    20. Há aí alguma confusão, caro Miguel... eu não me dirigi a si com sugestão de intolerância e sim ao Francisco Lacerda!

      No que si respeita, não discordo com o que diz e até consigo sempre aprender algo! Não me parece que seja dos que dividem o Mundo entre "os que pensam como eu" e "os que não pensam como eu!". E aí está a prova...

      Depois sobre o número de leitores, eu ponho a questão, pergunto, não afirmo!
      Creio que não me entendeu ou eu não me expliquei capazmente.
      Volto a questionar, se o facto de livros como D. Quixote, as obras de Shakespeare e outros como Guerra e Paz, etc, terem sido lidos milhões de vezes, ao longo de décadas, por todo o Mundo, em todos os estratos sociais e culturais, não será o que confirma essa genialidade? Não confundir com o José Rodrigues dos Santos que é lido por muita gente mas só entre nós... logo está fora do âmbito que antes refiro.

      Também, deixe-me fazer-lhe a observação de que os Nazis queimaram livros por intolerância, pura e simples e foi essa a razão! A mesma intolerância que demonstram aqueles que dividem o Mundo em "os que pensam como eu - os bons" e "os que não pensam como eu - os maus". Não tem a ver com estética, óbviamente, nem qualidade e nem eu disse tal coisa, o que referi foi que os queimaram porque diziam coisas diferentes daquilo que defendiam - logo por intolerância!

      Quanto ao resto, tranquilize-se, e não confunda a minha tolerância com fraqueza ou permissividade, e muito pelo contrário lhe garanto... sou um homem de causas e que acredita em lutar pelo que acho certo ou contra o que acho errado, apenas procuro ser esclarecido, ou seja quem é que me garante que aquilo que eu ache certo seja mesmo? Ou que o que eu acho errado também o seja? Talvez o facto de conviver muito e por muito tempo com pessoas tão diferentes de mim, de outras culturas e até opostas, me tenham feito passar a ter essas dúvidas... porque estou como o outro, ter certezas absolutas é perigoso e pode ser um erro grave!

      É por isso que não gostando de alguns autores, só os leio para me informar, abstenho-me de dizer mal ou pelo menos tento fazê-lo por respeito aos que gostam e a eles mesmo... afinal é a diversidade, e esta para mim é a maravilha do pensamento humano! O que não me impede de ter espírito crítico e saber quando um livro é uma porcaria (O fisionomista) ou é bom, mesmo que eu não goste por razões de inspiração (Jerusalém).

      Saudações espontâneas e sinceras cá do Bairro Ribatejano.

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    21. Peço desculpa ao Miguel por ter misturado os nomes...

      Quanto a si, Francisco Lacerda, uma vez mais lhe sai um ror de coisa nenhuma, um vazio de idéias, cheio de palavras que pretende rebuscado mas não responde nem esclarece!
      Faz como sempre um exercício para si mesmo, de onde sobressai apenas a sua enorme arrogância e convencimento pessoal... para além da ofensa em que persiste. Mas olhe que já cá estou e pode calhar tropeçar comigo... depois queixe-se!

      Olhe, como no Bairro Ribatejano não há lagostas, fui sim à procura de uma perdiz... esta manhã.

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    22. Gosto de homens que ameaçam os outros pela internet. É desta verve que se fez a gloriosa pátria portuguesa! Muito bem, António!

      Quanto à cegueira que o faz achar que não digo nada no comentário anterior não posso fazer nada. Está lá o argumento kantiano acerca de juízo estético. Se não o percebeu, não sou eu que lho vou explicar.

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    23. Homens que ameaçam outros pela internet, são a resposta aos que insultam outros pela internet...

      Não é óbvio?

      E nada tem de glorioso e nem patriótico... é mesmo a única forma de tratar gente como você, que insulta e apouca à distância! Vê-se que está habituado a tal e a sair impune... só que eu não sou um tímido literato de peito afundado, sei que a única maneira de tratar fanfarrões do intelecto é com umas bengaladas (vide "Os Maias").

      Por isso...

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    24. Outra coisa de que gosto muito, António, é de gente que começa a insultar os outros e depois termina a dizer que foram insultados. Também foi assim que o Dâmaso se desculpou pelas ofensas ao Carlos, por isso parece-me bem lembrado o caso dos Maias. A diferença é que eu não preciso de pôr o António a escrever uma carta a pedir desculpas por ser gordo e feio. Divirto-me a ler os seus disparates e a contemplar a sua falsa modéstia.

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    25. Mas eu não sou gordo e feio! Ora essa... onde é que foi buscar tal idéia????

      Você delira... definitivamente! Então chama-me de estúpido a cobarde, tolo, imbecil, etc. em posts anteriores, onde me trata ainda por hipócrita, por falso, e uma série de outros mimos, e agora quando e porque reajo, eu é que o ofendi?

      Sabe, você afinal não é um mero rufia internético, nem o iconoclasta que gosta de parecer que é... é um caso patológico!

      Trate-se meu caro.

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    26. António, que você ainda não tinha esquecido a discussão do outro dia, já eu tinha percebido. Foi de tal forma que, mesmo sem estar a falar consigo nesta caixa de comentários, você teve a necessidade de me atacar e ainda imaginou que eu e o Miguel éramos a mesma pessoa. Seja como for, vá ver quem é que começou a insultar quem dessa vez e depois venha-me cá falar dizer que é o ofendido.

      Sobre o gordo e feio, é uma analogia com o Dâmaso, homem... É preciso explicar tudo?

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    27. Ó Francisco Lacerda, a ver se a gente se entende, como crescidinhos... não se vitimize agora lá porque eu reagi - sim, reagi, não agi, não provoquei e nem criei nada, só reagi ao seu tratamento impróprio e que eu não admito.
      Tenha a honestidade de voltar atrás e de ver quem começou com as ofensas... foi você.
      Porquê? pois porque eu discordei de si... tive essa ousadia! E depois veio o chorrilho das falsas modéstias, etc. Tudo porque eu me atrevi a contrapôr e a questionar o seu elevado pensamento e certezas!

      Não sei quem é e nem o que faz, mas palpita-me que seja professor de literatura, ou crítico ou algo assim e que é daqueles que está habituado a dizer o que pensa, sem sequer pensar nas consequências pois se acha acima de tudo e de todos... agredindo e abusando da sua posição.
      Só que eu não preciso de si e nem estou de modo algum dependente, aliás ignoro quem seja ou o que faz e nem quero saber... só me interessa uma coisa que verifiquei: ou se pensa como você, ou é-se um imbecil! Ora com gente assim não se fala e nem discute, só bengaladas, repito!

      Não se dê a si próprio o crédito de achar que me incomodou a nossa discussão, a despeito de que podia ter sido interessante para mim, se você tivesse sido capaz de não passar imediatamente à ofensa, classificando-me de estúpido, etc. , porque o contrariei... ou melhor contrariei aquilo que você acha que sabe porque leu algures e assumiu como sabedoria própria.

      Finalmente vou esclarecer que lhe chamei Miguel em vez de Francisco, porque tenho um velho amigo chamado Miguel Lacerda, só por isso... pode procurar saber quem é, pois encontra-o facilmente no Google pelas suas iniciativas e empreendimentos, sendo o último o Mergulho para Todos, que desenvolve com a câmara de Cascais. É um homem do mar, viajante, mergulhador e velejador que deu a volta ao Mundo e tem livros editados sobre isso, enfim num género para si desprezível ou inexistente, pelo que nunca deve ter ouvido falar, mas como lhe disse encontra-o no Google.

      Por agora é tudo.

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    28. António, se há coisa que não me viu fazer foi a vitimizar-me. Não é do meu feitio, e não me adiantaria muito. Mas, como você não se calava com o "você insultou primeiro", tive que lhe dizer que está enganado. Tal como o Dâmaso, você assumiu que podia começar a ofender-me porque se convenceu de que eu o ofendi primeiro, mas isso não é verdade. Tal como o Carlos, cuja única ofensa foi ter começado a frequentar a casa dos Castro Gomes e ter-se aproximado de Maria Eduarda, aquilo por que o Damasosinho que o António é se sentiu ofendido não foi propriamente uma ofensa, mas uma chamada à razão. Dizer que está enganado, senhor Salcede, é diferente de ofender. Já lhe tinha dito antes que você se abespinhara precisamente por eu lhe ter dito que estava enganado, e acho, por isso, admirável que venha agora dizer que eu é que comecei a insultá-lo por você não concordar comigo. Eis mais uma reacção, como lhe disse na altura, puramente infantil, e absolutamente consistente com todas as suas outras reacções.

      Se quer saber, até gosto que discordem de mim. Mas gosto que o façam com argumentos. E argumentos é coisa que você não sabe o que são. Diz uns disparates, contra os quais facilmente se argumenta, e, quando não tem outra maneira de responder, diz que perdeu o interesse na conversa, queixa-se de estar a ser ofendido, recorre a criancices ou estipula que tem razão porque correu mundo, porque recebe um bom salário, ou simplesmente porque é o Dâmaso Salcede e ninguém o pode contrariar.

      Tem razão numa coisa: eu realmente acho-o estúpido. Mas isso não é diferente do que você acha de mim, o que aliás fez questão de deixar claro muito antes de eu o ter dito ou sequer ter chegado a essa conclusão. A diferença entre nós é que eu, além de achar que o senhor Salcede é estúpido, já o mostrei, como se mostra tudo, justificando-o. Já você a única coisa que fez foi dizer que eu era estúpido, repeti-lo e dizer com mais força, achando que uma crença se justifica pelas vezes que é repetida e pela força com que é expressa. Mas não é. É com justificações. E como você não sabe o que são justificações, o que aliás denota logo quem é que é realmente o estúpido nisto tudo, a única coisa que conseguiu mostrar foi que acha que eu sou estúpido, o que não mostra nada a meu respeito. Como vê, repete-se a história dos Maias: quem sai derrotado desta história toda é o Damasosinho. Olhe, não terá, tal como o Dâmaso, um Palma Cavalão na sua colecção de amigos? Se tiver, não perdeu tudo. Pode sempre contentar-se com as espanholas dele. Ou com isso ou com um serão a ver filmes acompanhado. Vai dar ao mesmo.

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    29. E pronto... falta-lhe apenas o QED!

      Nós discordámos, o que é verdade.
      Porém, você enveredou imediatamente não só pela contra-argumentação mas pela vertente de declarar que quem não concordasse com os seus argumentos era estúpido, etc. Tudo por uma óbvia suposição de presunção da sua parte de que é superior.
      O que o faz ainda intolerante, como já afirmei.

      Repito e prova-se, que foi você quem começou as ofensas, a que eu não reagi do mesmo modo! Só bem depois e pela continuação dessa sua postura que comecei a achar abusada e já lhe disse que tratarei de tirar satisfações - pode contar com isso!

      Creio que foi você quem ficou melindrado sim, pela rebuscada ironia e pelo trabalho a que se dá, pensando esmagar-me com a sua superioridade intelectual. A mim dá-me apenas para encolher os ombros e continuar a tratar da minha vida, pois tenho as costas largas como se diz vulgarmente, ou seja estou habituado a tratar com toda a espécie de indivíduos e situações, pelo que não me faz mossa aquilo que pense de mim, se bem que não lhe admita as coisas que diz, o que vai ter de perceber.

      Ambos nos achamos estúpidos... é a conclusão, e, repito que mais dia menos dia nos cruzaremos - é fatal. Nessa altura poderemos olhos nos olhos agir como estúpidos e espero que mantenha essa sua disposição belicosa não no plano intelectual mas físico.
      Depois se verá...

      Até lá, pode sempre seguir-me aqui neste espaço, e se tiver algo de útil a comentar ou a transmitir, de forma pedagógica, não ofensiva e sobretudo tolerante, pois esteja à vontade. Caso contrário, peço-lhe que se abstenha.

      Sem outro assunto e por agora...

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  11. Os comentários da Cláudia são pura inspiração!
    A transpiração ela deixa para nós, que temos de suar as estopinhas para conseguir decifrá-la.

    Haja! Suar também cansa!

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  12. Michael Cunningham. Aí está uma pessoa que diz mais ou menos o que penso - o que vale é que há sempre alguém assim, a dizer por nós, e melhor, o que pensamos. O que não nos desobriga de pensar. Ou dizer, se for o caso.

    Julgo que seja isso. Escrever o mesmo vezes sem conta - ou pelo menos emendar - até que se aproxime, o mais exactamente que somos capazes, do que queremos dizer. E ainda assim há-de escapar-nos bastante.

    Porque, como escrevia Vergílio Ferreira, a realidade ultrapassa-nos sempre. E ainda bem que é para podermos maravilhar-nos e emendar, emendar emendar. Isso é que dá pica:)) Escrever de jacto não tem tanta piada. Fomos feitos para o suor e a dificuldade. Nada a fazer. Que outro animal se sente satisfeito com duas ou três páginas ao fim do dia de trabalho? O homem (certo, é o único que pode:)).

    Hummm...acho que Lobo Antunes não é textual quando afirma que a mão escreve sozinha. O que ele pode querer dizer é que a mão precisa estar sozinha - no sentido de liberta de tudo - para poder escrever. E nisso não me parece original.

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  13. Conheço a frase da inspiração-transpiração na forma seguinte "quando a inspiração me visita encontra-me sempre a trabalhar". Se me perguntassem quem a proferiu eu diria José Cardoso Pires, mas parece que estou enganado.

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