Portugal lá fora

Leio numa revista de fim-de-semana que os nossos vinhos foram considerados recentemente dos melhores do mundo e que, em publicações estrangeiras, Lisboa e Porto são dos melhores destinos turísticos que encontrar se podem. Estamos em alta em muita coisa, para variar, e a nossa literatura, pelos vistos, também não deixa a desejar fora de portas. Em Março do ano que vem, num festival que dá pelo nome de «Iberian Suite: Arts Remix Across Continents», José Saramago vai ser homenageado em Washington, numa mostra do que se faz de bom (culturalmente) em Portugal e Espanha, no John F. Kennedy Center for Performing Arts. Mas o Nobel português é apenas uma pequena parte de um programa mais extenso, que incluirá uma evocação de Fernando Pessoa (até porque existem norte-americanos que lhe dedicaram vida e obra, como é o caso de Richard Zenith) através dos desenhos que o artista Vhils fará nas paredes do Kennedy Center a partir de páginas da obra do poeta e dos seus heterónimos. O festival prevê ainda a participação de escritores vivos como Afonso Cruz, José Luís Peixoto, Dulce Maria Cardoso e Gonçalo M. Tavares. Boas notícias para quem às vezes sente que a cultura portuguesa não tem o reconhecimento que merece.

Comentários

  1. O Lobo Antunes vai ficar muito chateado quando ouvir isto...

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  2. Feliz e oportuna iniciativa. Acrescento a recentíssima distinção da Lídia Jorge que, ao ser galardoada com o prestigiado Prémio Luso-Espanhol de Arte Cultura 2014, mesmo à escala ibérica, não deixa de constituir um saboroso reconhecimento fora de portas.

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  3. Uma boa notícia, para a nossa cultura em geral.

    Goste-se ou não, perceba-se ou não, nós como uma nação das mais antigas do Mundo, e como um povo cujas origens e influências são tão diversas quanto ricas, temos de facto uma cultura e uma cultura bem rica!

    Normalmente ela é desprezada, e no mais das vezes até desconhecida, pois o pessoal da cultura acha que cultura é a que vem da França, da Inglaterra, dos EUA, etc. A nossa, é tida por pirosa, e, mete-se no mesmo saco o popularucho com o erudito. Só o que siga as correntes estrangeiras e as copie é que fica bem e é evoluído, pelo que vá de se cultivar arte de vanguarda para espantar o Mundo e obter o que nunca vem... assim não damos novos Mundos ao Mundo, não...

    Creio que como nos vinhos - e nos queijos, que os temos à altura de serem dos melhores do Mundo e até únicos - temos de perder de vez essa vergonha de que o que é nosso é fraco... e de o mostrar e defender como aquilo que é, um produto do povo que somos, com as nossas idiossincrasias e carácter moldado pela serra, a praia ou a planície, o Sol e o mar, produto de levas de invasões e de miscigenação pelo Mundo, ao longo de séculos!

    Fico feliz com esta notícia! Só espero que saibam aproveitar o ensejo para uma mostra real da nossa cultura e não apenas levar alguns artistas de regime e na moda, que muitas vezes são fraca montra do que temos, porque são apenas cópia do que se faz lá onde se vão exibir!

    Saudações culturais cá da Cidade Morena.

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  4. Ó Sr. Aníbal deixe-se estar aí nas Arábias (e arredores) porque estas mariquices não dão dinheiro, só me dão é cabo da cachimónia -razão tinha o meu amigo Lara quando excomungou este maldito que me continua a perseguir mesmo depois de morto...

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  5. claudia da silva tomazi27 de novembro de 2014 às 04:13

    Bem, se lá (dentro)
    Cá fora,
    Em portanto
    Qual hora ?

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    1. Estes quatro versos bem que podem ser musicados ao jeito do Cante Alentejano.
      Eis, pois, que a nossa atenta Cláudia nos confronta com a nova dimensão da projecção de Portugal Lá Fora – que isto não vai lá só com vinhos, queijos, turismo e literatura.

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    2. Isto para já não falar das outras recentes dimensões da projecção de Portugal Lá Fora – os bancos, os vistos gold, etc.
      E agora, até o canto alentejano de Évora...

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    3. claudia da silva tomazi27 de novembro de 2014 às 05:23

      Confronto? Confronto é vossa travessura.

      Lembre-se Joaquim Jordão há fronteiras...

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    4. Sim, Cláudia: lembro-me constantemente que há fronteiras. Não apenas no sentido aduaneiro, mas no sentido intelectual. E, porque me confronto com este desafio socrático de apenas saber que nada sei, a minha travessura leva-me a atravessá-las.
      Admito, pois, que me puxa para a travessura, gosto de ser assim, tenho essa reputação.
      Já dizia, lá do seu canto, Sócrates: “A maneira de se conseguir boa reputação reside no esforço em se ser aquilo que se deseja parecer.”

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  6. Extraordinários:

    Oportuna a referência ao cante alentejano!

    Diria que a música não é um dos nossos pontos fortes, aliás até Uderzo e Goscinny nos dão um quadro, julgo que no Asterix Legionário, em que aparece um tipo bigodudo, baixinho e moreno que se oferece para animar o pessoal dizendo:"Je suis lusitanéan et je ne chante pas, mais je peux déclamer!".

    E, justamente o Cante é sem música... mas possui uma sonoridade vinda do fundo do tempo e das gentes que me parece telúrica ou cósmica, nem sei! Quem já tenha ouvido esse cante feito de forma espontânea quando calha reunirem-se meia-dúzia de alentejanos de garganta afinada, ao fim de um dia de caça ou outra jornada ou festa, e cantam numa adega ou numa casa de monte, de telha vã, até se nos arrepia a alma!

    Saudades arrepiadas da Cidade Morena!

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    1. é uma ternura tão grande ouvi-los assim dentro da sua natureza que extravasa. Se os escuto, logo me sobe aos olhos a paisagem, são as searas que já rareiam e os sobreiros perdidos no descampado, a terra exaurida, em ondas de calor, as mãos de andar à enxada. E tanto mais que o cante traz.

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  7. Oh, é mesmo verdade, que bem me sabe essa notícia cheia das coisas boas - salvo seja que pessoas não são coisas -, onde damos cartas e nos é reconhecido o valor que temos.

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  8. Pois, coisas boas. De mau temos a economia. Mas também não poderia ser de outra maneira, com empresários medíocres, maus economistas e péssimos financistas.

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  9. Coisas boas e coisas más. Por acaso, deparei hoje com esta notícia:

    http://www.sol.pt/noticia/119285

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  10. Aplaudo a escolha dos "escritores vivos", mas a considerar aqueles que já têm pelo menos 4/5 romances no curriculum, falta à lista o Valter Hugo Mãe. Concordo com os outros 4, juntamente com o Valter, para mim são os mais representativos da nova vaga da literatura portuguesa (repito: só considerando aqueles já com vários romances editados).

    Rui Miguel Almeida

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    1. Já que se falou no carequinha (roubando a expressão ao poema), aproveito, com a permissão do meu colega Alexandre Graça, para mostrar o poema que ele fez publicar há uns tempos no Sed Contra:

      Ele fala, pobre hugo mãe
      Julgando-se esperto talvez;
      Fala, e escreve, e a sua voz tem
      O alto timbre da estupidez

      E avilta, como um riso bobo
      No sossego de um funeral,
      Os nomes dos que sem recobro
      Fizeram bem o que faz mal.

      Ler o carequinha aborrece,
      No que diz há pouco que agrade,
      Mas di-lo como se tivesse
      O esmero que ter jamais há-de.

      Ah, fala, fala sem sentido!
      O que em mim sente está pensando:
      Opróbrio há mais conhecido
      Que essa incerta voz aviltando?

      Ah, poder ser tu, sendo eu!
      Ter o teu incómodo desplante,
      E o asco disso! Ó idioma meu!
      Ó língua ferida! A montante

      Não te estropiavam assim!
      Suspende os disparates! Tenta
      Aprender o grego e o latim!
      Depois, educado, inventa!

      (http://www.sed5contra.blogspot.pt/2014/04/ad-hominem-1.html#more)

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