Mania de escritor

A minha avó costumava dizer que cada maluco tem a sua mania. Pois bem, não querendo chamar malucos aos escritores, leio num blogue que vários autores tinham idiossincrasias e que a escrita de um livro obedecia a uns quantos tiques. Nabokov, por exemplo, escrevia com lápis (o que não o fez apagar cenas que nos EUA foram consideradas chocantes – Lolita foi publicado originalmente em França), objecto usado igualmente por Hemingway que só depois do primeiro rascunho passava à máquina de escrever. O lápis era também a ferramenta de escrita de Steinbeck, que trabalhava com caixas de 24 lápis e terá, ao que parece, gasto 300 lápis para concluir A leste do Paraíso. Entre os aficionados da tinta permanente estão Simone de Beauvoir, Dylan Thomas ou o escritor de livros de terror Stephen King – que usa desde sempre um modelo da marca Waterman. Dickens preferiu a cor preta até 1840, após o que passou a escrever a azul. Mark Twain fabricava os seus próprios blocos, enquanto Jack Kerouac tendia a escrever em cadernos escolares. Cormac McCarthy era um adorador da máquina de escrever Olivetti, e o seu último exemplar (imagino que se tenha rendido aos computadores) foi leiloado por mais de 250 000 dólares! Eu só escrevo a preto e aprecio muito as macias Uni-Ball Eye; além disso, tenho sempre um daqueles minicadernos na mala para ir apontando coisas de que me vou lembrando. Qual é a sua mania?

Comentários

  1. é óptimo não andarmos todos de amarelo.

    gosto de escrever a tinta preta (esferográficas bic de preferência...), mas escrevo em quase tudo.

    uma das coisas que irrita alguns amigos é o meu gosto em escrever em guardanapos "papel biblia" nos cafés... ou seja, não ando sempre com um caderninho atrás de mim. e quando me surge uma ideia, até o papel de multibanco serve...

    mas o computador fintou-nos no uso de "taras e manias", escrevo quase sempre directamente para a "machine".

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  2. Como gosto de desenhar e escrever apontamentos, ando sempre com um diário-gráfico. Usava muito a uni-ball eye, mas como borrava com a aguarela, comecei a usar marcadores finos de desenho.
    Estou a experimentar agora escrever e desenhar com uma caneta lamy safari que é excelente para as duas artes.
    Tento imaginar escritores a escreverem a lápis, fecharem os cadernos e passado umas semanas as letras aparecerem borradas da fricção das folhas.
    Quando as ideias nos surgem, nem que seja escrito nas BIC do escritório, vale a pena passar para o papel.

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  3. Interessante tema... estou a gostar!

    Porém, como não sou escritor... não tenho essas idiossincrasias, e nem uso telemóveis-espertos e essas coisas do "e pode" e ou ipad ou lá o que são.

    Fico-me pelo PC, no entanto mantenho diários das minhas empreitadas, e quando me desloco levo um caderninho para apontamentos onde registo o que tenha interesse, que depois guardo e posso sempre consultar mais tarde.
    Tenho também o hábito de anotar na agenda o que fiz ou foi relevante durante o dia, incluindo a meteorologia. Estas agendas estão guardadas e tenho-as creio que desde os últimos 20 e qualquer coisa anos... são utilíssimas para tirar teimas ou ir rebuscar coisas que até já me serviram em tribunal! Para ferro e espanto do delegado do Ministério Público que duvidou da minha memória, porém a exibição da agenda serviu ao juiz como prova do que estava a dizer. Eheheh! Esta hein?

    Saudações maníacas da Cidade Morena!

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  4. Também só uso caneta preta uni-ball. Não consigo escrever com outra. E escrevo nuns cadernos da marca Papyrus Tempo. Compro-os sempre aos três de cada vez com receio de que nunca mais os encontre. Sim, pode-se chamar mania, mas tudo aquilo que facilitar a passagem das ideias para o papel já é muito bom.

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  5. Não são só os escritores! Em geral, todas as pessoas de alguma relevância tem as suas manias. Uma, com quem trabalhei, nunca escreve a preto, não aceita nada com a mão esquerda e não gosta que anotem o que fiz. Tem de saber-se tudo de memória. Eu, que não tenho importância nenhuma, também não tenho manias.

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  6. O Eça escrevia de pé, o que sempre me meteu uma confusão danada (o tempo que pasmei a ver a secretária alta lá em Tormes...).
    Eu... eu só consigo escrever em solidão e há muitos, muitos anos que só uso teclas para escrever.

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    1. O que aprendemos por aqui. Não sabia! Bolas, o Homem devia ter uns bons gémeos e glúteos. Para além de ter uma coluna de titânio... Escrever de pé? Só se fosse como aqueles homens estátua que se mantêm a pairar...

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    2. claudia da silva tomazi12 de novembro de 2014 às 03:56

      Homens estátua?

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  7. claudia da silva tomazi12 de novembro de 2014 às 02:36

    Quando (toco) esferográfica(s) agrada-me o deslize já o lápis a qualidade.

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  8. Toda a escrita é pensamento.
    Gostaria de ter uma pequena máquina portátil que escrevesse o meu pensamento. No momento da criação literária era só ligar a máquina. Até no WC (pensamento escatológico?). E, finalmente, os dedos nas teclas a formatarem o texto em diálogo íntimo com o pensamento.

    ABC

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  9. O Paul Auster escrevia naqueles caderninhos de capa dura da Papelaria Fernandes (não sei se ainda escreve). Não sei se ainda escreve. Tivesse a Papelaria Fernandes a desenvoltura com Paul Auster que a Moleskine teve com o Buce Chatwin e não haveria o risco de falência.

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  10. Bem, eu manias tenho poucas. Escrevo com qualquer caneta ou lápis, mas ao fim do dia, quando já todos repousam aqui em casa, gosto de me sentar a escrever acompanhada por um copo de rum. Depois, lá para as duas da manhã acordo o meu marido devagarinho para que ele leia, e ele, claro está, manda-me passear e apaga a luz. Eu meto o rabinho entre as pernas e saio do quarto a rir da cara dele. Mas pronto, peço-vos o especial favor de não andarem por aí a espalhar esta minha mania, que poderá ser mal interpretada.

    Um abraço a estes extraordinários leitores com ou sem manias.
    Carla Pais

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    1. claudia da silva tomazi12 de novembro de 2014 às 04:52

      Bem, após esta (extraordinária) exibição do leito da vossa parte, creio que ali escondia-se no monge:

      arte!

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  11. As manias vão mudando. Às vezes ainda emerge a dos rabiscos iniciais em blocos, bloquinhos, cadernos e caderninhos. A que, nesta altura, está largamente a ganhar terreno é a de tudo - e desde o primeiro rabisco - no macbook air que cabe na mala que o ombro facilmente leva...

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  12. Nada de especial. Café ... e quem diz café diz um cigarrinho atrelado ao mesmo!

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  13. Eu não sou escritora, nem escrevente, nem escriba. Nada disso. Mas tenho manias, algumas foram aparecendo com o tempo, outras com a necessidade e outras têm uma ligação directa com a minha profissão, a saber: ando sempre com um caderninho 'de linhas', cor de rosa e com uma lapiseira Parker azul oferecida, há muitos anos, por uma amiga, o caderno vai sendo substituído, a Parker , de vez em quando, leva uma alma nova (e já entrei em pânico, quando numa mudança de mala, não a encontrei ); não preparo uma aula sem um lápis bem afiado, meia dúzia de folhas brancas tamanho A4 e uma borracha branca e macia a rodar na mão esquerda e, por último, mas não menos importante, sempre que vejo escrito em trabalhos de alunos (nos outros textos, penso, engulo e não me pronuncio) a tão santa palavra 'algo' - não resisto e circulo-a com um traço grosso, vincado e colorido, já tem acontecido, à folha onde brilha tão maravilhosa palavra, um rasgão, ou outro dano semelhante. Os alunos não gostam, refilam, eu corrijo, mando-os consultar um bom dicionário e passamos adiante. Embirro com os 'algos' como Carlos da Maia embirrava com anjos, talvez seja esta a minha pior mania - riscar todo e qualquer 'algo' que me apareça pela frente. Não gosto, pronto! Manias!

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    1. Algo me diz que a sua "lapiseira" é, sim, uma esferográfica...

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  14. Não sei se será mania, mas, sempre que desconfio da oralidade de alguns diálogos, tenho por hábito vestir a pele de ator e interpretá-los em voz alta e com a necessária intensidade dramática. É ver-me, pois, irado, hilário ou gaguejante, em pé ou sentado, a repetir os gestos e expressões do rosto escritos ou implícitos no texto.
    Como tenho uma família grande, e não me posso dar ao luxo de escrever longe das vistas, é vulgar um ouvir um “já vou” ou “chamaste?” em resposta aos meus ensaios. Pior é quando sou surpreendido no ato, ainda que, estou convencido, já todos se habituaram a receber a visita dessas personagens estranhas.

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  15. O Eça escrevia de pé e do alto do seu mais de 1,90m... Ao pé da sua secretária (e do seu talento, acrescente-se) sentimo-nos muito pequeninos...

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    1. Mais outra novidade. Obrigado, Luís Francisco. Desconhecia que podia conversar ao mesmo nível com o Eça. Ehhehe !
      E uma provocação geral para auscultar o vosso índice de humor: o descendente, mais de cem anos depois, só pode calçar pelo menos o número 47 biqueira larga. Pronto, pronto, estou a brincar. Já lhe "meço o pé" que já deve andar por aí o fruto do moço. E a provocação de sexta do ipsilon do Riço Direitinho: Afonso Reis Cabral, Making-Of de um escritor (e de um prémio LeYa ). Sou só mensageiro: ehehhe !

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  16. Belas e criativas sugestões que se encontram por aqui acima !
    Não sou escritor, só leitor. Uma agenda pequenina, a mais barata que encontrei e que cabe bem no bolso das calças, uso-a como lembrete. Última anotação lá escrita: procurar Lahiri na biblioteca.

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    1. Artur,

      Espero que encontre a Jhumpa Lahiri na biblioteca, gostei imenso de 2 livros que li dela.

      Um abraço,

      Rui Miguel Almeida

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    2. Caro Rui, agora com mais razão irei procurar livros desta autora. Obrigado pela sua mensagem ! Abraço.

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  17. Adoro escrever com lápis de carvão.

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  18. Poderá ser uma esferográfica , pois sim, eu prefiro lapiseira - manias!

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  19. Eu não tenho dessas manias, aquilo que uso mais frequentemente é mesmo o pc e o iPhone.

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  20. Estou sempre acompanhado de um pequeno caderno, onde aponto particamente tudo, desde novas palavras, frases interessantes, lugares aprazíveis, situações desconfortantes, resumidamente tudo o que possa auxiliar na árdua tarefa que é escrever um livro. Mas posso dizer que este é o único momento em que uso uma caneta ou lápis, o pc é sempre o ajudante mais eficiente na altura de escrever. Agora me pergunto se em toda a minha vida escolar gastei tantos lápis como o senhor Steinbeck.

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  21. Ando sempre com uma especie de bloco Moleskine, onde so escrevo a lapis. :)

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  22. Nos tempos das máquinas de escrever, entendo a mania de escrever a lápis. Os primeiros ensaios são, de qualquer maneira, para corrigir, modificar, apagar isto, acrescentar aquilo. O lápis sempre dá mais jeito. Com as nossas maquinetas de hoje, já não há essa necessidade.

    Manias? Não sei se sou escritora, se não. Para alguns, serei, para outros, ando a armar-me em. Escrevo muito, no computador, e a única mania que tenho é... anular manias. Nada de café, doces, chocolates, álcool, cigarros (deixei de fumar há cerca de vinte anos, uma das melhores decisões da minha vida). No máximo, um copo de água. Às vezes, esqueço-me de comer durante quatro ou cinco horas. A utilidade disto tudo? Não alimentar vícios, que são extremamente difíceis de erradicar. E sou de opinião de que, quando se come, ou bebe, não se deve fazer outra coisa ao mesmo tempo, para apreciarmos aquilo que engolimos.

    Disciplinada? Sou, sim senhor (deve ser por isso que me dei bem na Alemanha desde o primeiro dia). Mas há quem diga que a disciplina é essencial a um escritor...

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