Irmãos diferentes

Este ano, foram tantas as indagações e pedidos, por parte de livreiros e leitores, que – ao contrário do que tem acontecido – o livro vencedor do Prémio LeYa em 2014 é posto à venda no mesmo ano em que foi atribuído (e parece que esta vai ser a tendência a partir de agora). Chama-se O Meu Irmão o romance acabadinho de sair e escreveu-o o jovem Afonso Reis Cabral, um nado em Lisboa que se criou no Porto e só regressou à capital quando chegou a hora de estudar Literatura. É um romance invulgarmente maduro – quer em termos da escrita, muito segura, quer em termos do enredo, impiedoso – para um autor que conta apenas 24 anos; e disse-me um membro do júri que a notícia deixou toda a gente admirada na hora de abrir o envelope, pois esperavam um autor com 40 e tal, 50 anos, a idade, aliás, do narrador. Narrador que acompanha o irmão deficiente, portador de síndrome de Down, numas curtas férias no interior desertificado de Portugal, onde os pais – ambos falecidos – compraram em tempos uma pequena casa. É lá que se rememora a vida em comum dos dois irmãos, desde a cumplicidade que partilharam na infância (têm apenas um ano de diferença) até ao episódio estranho e algo violento que desencadeia uma possível ruptura no seu relacionamento. Sem sentimentalismos de qualquer natureza, este é um texto que trata o tema sensível da deficiência, mas também o dos afectos perdidos e o da crueza de um certo Portugal que está a morrer. Aconselho vivamente a sua leitura.


 


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Comentários

  1. Vou começar a lê-lo por estes dias, confesso que estou muito curioso. Só estou à espera que aterre na caixa do correio.

    Acho que todos (leitores, autor premiado e a própria Leya) ficam a ganhar com a publicação do livro ainda durante o ano em que é anunciado como vencedor do prémio.

    Uma boa semana a todos,

    Rui Miguel Almeida

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  2. A capa dos prémios LeYa são bonitas, apesar de serem muito semelhantes e esta não foge à regra; esta característica (da semelhança das capas) personaliza imenso este (controverso) prémio e, ao contrário do que se possa pensar, é um efeito positivo.
    Já quanto ao teor dos prémios LeYa (anteriores) não digo o mesmo porque até hoje ainda nenhum me entusiasmou...

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    1. Ó Severino... nem sequer "O Rastro do Jaguar"?
      É um grande romance - acho eu, já se vê...

      Mas tens razão sobre as capas!

      Estou curioso de ler mais este... ainda há pouco vi um filme daqueles que calha ver, na TV Cabo, em que o tema era mais ou menos o mesmo, apenas a casa não foi herdade e sim comprada, pois um dos irmãos (um simples, com qualquer problema que não sei explicar mas atrasado) sonhava viver numa casa no campo, num bosque, ter um cão e um rio... o outro irmão que protegia e tomava conta daquele, um tipo algo violento com passado de prisão etc. comprou a casa para viverem, mas... depois o resto da história é um bocado foleira!

      Saudações leitoras cá da Cidade Morena!

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    2. Ó caríssimo Pacheco tens toda a razão, mas acreditas que não me lembrei do "RASTRO DO JAGUAR" nem tampouco, sinceramente, pensei que tivesse sido prémio LeYa (daí o meu comentário-afinal injusto-).
      É que o RASTRO DO JAGUAR está entre os melhores cinquenta livros que li: o livro que ando agora a ler é do género que citas (certamente gostarias) "CANADÁ" - Richard Ford, estou a gostar imenso.

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    3. O que são os gostos. Li dois e gostei de ambos. O do ano passado é o que tenho mais presente. Gostei dele.

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    4. Ó Beatriz eu não disse que não gostei, disse que nenhum me entusiasmou (contudo, agora já não o posso afirmar dado que gostei imenso do RASTRO DO JAGUAR, só que não sabia que tinha sido Prémio LeYa-deste modo o meu primeiro comentário foi talvez leviano-).

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    5. Peço desculpa, mas a falta de entusiasmo entendi-a eu como ausência de centelha, aquele não sei quê que puxa o gosto. A gente só se entusiasma com o que gosta, se não gosta nem desgosta, entusiasmo não há.

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    6. Ó Beatriz (bom dia) é que não houve falta de entusiasmo simplesmente não houve entusiasmo...(não parece mas são coisas diferentes, na minha perspectiva) - é o tal jogo de palavras que é o tema de hoje neste extraordinário blogue.

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  3. Digam-me, por favor, os doutos frequentadores deste extraordinário espaço:

    ali no título do livro, aquele tracinho perto do "A" do "Irmão", será aquilo um TIL?

    Entristeci-me ao ver um til tão esticado, sem aquele efeito ondinhas do mar (~~~~~~~~~~~~).

    Tenho para mim que o tal já bateu as botas ... tadinho!



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    1. Claudia da Silva Tomaz24 de novembro de 2014 às 04:16

      Extraordinário espaço em que/qual quadrante?

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    2. Ó anónimo - tens toda a razão o marketing é mais importante...sinal dos tempos...

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  4. Vivam todos os Extraordinários, a quem desejo uma boa semana em geral!

    Estou de alma nova!
    Isso mesmo... imaginem que resolvi seguir um conselho aqui postado e fui passar o fim de semana na Baía dos Pássaros, onde se chega após 4 horas, dois terços das quais num caminho muito duro...
    A baía com uma grande ilha no meio (ilha Liesse)abre-se antes do Cabo de Santa Maria, um Finisterra selvagem e agreste que é a ponta da serra da Neve, a Munda Evamba dos mucubais, um local cheio de mística para quem seja sensível e queira entender as coisas, acreditando na mãe Natureza que nos proporciona coisas fantásticas.
    Acampei na praia e dormi embalado pelo marulhar das ondas ali a 50 metros dos meus pés! Certamente que as ondinas tiveram oportunidade de me refazer a energia com o elemental água, já que dos outros, o ar, soprava uma aragem e do fogo o Sol queimava!
    Fui pescar na chata do Vituca com o seu chateiro, o Manuel - um pescador simples e risonho que diz "sim patrão!", "é patrão!" , "tá bom patrão"! E agradece tudo que lhe levamos e deixamos... tive um lance daqueles à Hemingway com um grande lírio, eu e ele sózinhos na água, lá na ponta dos Macumbes, bem por fora aberto ao mar, braço contra barbatana, e tive de me aplicar para o dominar e pôr a bordo!
    Uma vitória pessoal, a que só eu assisti mas me preencheu e faz dar graças por estar vivo e poder ver e fazer estas coisas, senti-las!
    Dá sentido à minha existência... por inútil que pareça, mas eu sei que não é. É por isto e para isto que eu existo, também!
    Enchi ainda a alma com coisas como o silêncio e a solidão, o afastamento, com as conversas parvas e umas boas risadas com o meu amigo Luiz Pitagrós de Almeida, comemos peixes e lagostas grelhadas logo ali no fogo em plena praia e com a areia a estalar nos dentes, bebemos umas cucas geladinhas trazidas na arca com o gelo, e ainda fomos dar uma volta e matar uma cabrinha, cuja carne também grelhámos!

    Vim de barriga cheia, acreditem!
    E discorrer de alma e barriga cheia é do melhor!
    Como vêm, a mística ainda é o que era... ahahah!
    Racionalizem, que eu vou carregando baterias e gozando à minha moda, sentindo o que quero e como quero, e sobretudo como gosto!!!

    Saudações místicas e benfazejas cá da Cidade Morena!

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    1. E depois diz este "gajo" que não gosta de Poesia.
      Este Senhor Gajo, é um Senhor Poeta, ó, ó, se é ...

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    2. E depois temos os "gajos" sem carácter. Os poetas da maledicência, ó se temos.

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    3. Parabéns:) faz bem ler alguém na digestão de viver a gosto.

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    4. Caro António, vejo que passou o fim-de-semana incomodado com a discussão da semana passada. Para quem disse que não queria mais tocar no assunto, este comentário é uma surpresa. O que não é uma surpresa é a criancice do mesmo. Quando as contrariam, as crianças amuam, fazem birra, decidem não falar mais com quem não lhes fez a vontade. Tudo isto você já tinha feito. Mas agora fez mais uma coisa típica de criança. Ou melhor, repetiu um comportamento ao qual eu não tinha ligado muito que consiste em substituir a argumentação por um "Olha, olha, tenho um brinquedo melhor que o teu!". Achei esquisito que tivesse feito questão de me dizer quanto dinheiro é que ganhava, mas agora percebo. Disse-o para vencer o discussão por estipulação, como uma criança com pais ricos mostra altivamente os seus brinquedos a uma criança pobre quando não consegue derrotá-la de outra maneira. E agora, depois de alguns dias a ponderar acerca de como devia reagir, repetiu a cena, procurando de algum modo dar a entender que pode fazer coisas que pouca gente faz, e que tem uma vida que as outras pessoas devem invejar. Sonsice é isto, caro António. Dá a entender que é aquilo a que se costuma chamar "um tipo porreiro", mas não tolera que outro puto no recreio lhe diga que está enganado e, nessa altura, em vez da honradez de mostrar os dentes ou do arregaçar de mangas, arma-se em puto rico. É sonsice, é cobardia e, porque revela incapacidade para manter as aparências, é estupidez. Desculpe-me que lhe diga mas, pela necessidade que revelou em agir deste modo, este é que é o sentido da sua existência...

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    5. Está desculpado!

      Fico raladíssimo com a sua análise e crítica!
      Mas também por outro lado contente por ainda ser considerado uma criança... é uma felicidade, acredite.

      Saudações infantis da Cidade Morena


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  5. Excepto se antes me dê um baque, hei-de ler. Pode até que comece dizendo por aquis e alis desta vontade e apetite e um menino jesus prudente agarre a deixa.
    Quem sabe...

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  6. Comprado para oferecer a uma amiga no Natal. Tive muito boas referências.

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