Histórias de comer e beber
Já vos falei aqui ao de leve no novo livro de Paulo Moreiras, um autor que tem feito tudo e mais alguma coisa para dar expressão – e literária, claro – a algumas coisas que constroem a alma portuguesa e que estão pouco estudadas a todos os níveis. Já publiquei há uns anos uma obra do Paulo Moreiras sobre a ginjinha – e não lhe faltavam palavras sobre ela, o problema foi doseá-las, ou nunca mais acabava o livro. Mas há muitos outros produtos portugueses fascinantes que fazem parte da identidade nacional, mesmo que existam por esse mundo fora. É agora o caso do pão e do vinho, reunidos num notável volume chamado Pão & Vinho, que será esta tarde apresentado na Livraria Barata, pela jornalista e pessoa de bom gosto Helena Vasconcelos. Adivinhas, superstições, anedotas, excertos de obras literárias, curiosidades e até receitas, teremos certamente para nos deliciarem muitas histórias de comer e beber, como só Paulo Moreiras sabe contar. Apareça e será muito bem-vindo.
Ainda não li nenhum dos livros com essa temática mas li e gostei muito d'A Demanda de D. Fuas Bragatela . Mais do que a estrutura narrativa, que me pareceu um pouco básica, apreciei deveras a utilização que faz de termos e expressões do português antigo. Que belas palavras caídas em desuso ali estão reunidas e bem empregadas.
ResponderEliminarQue corra bem, o Paulo Moreiras merece muitos e bons leitores. Já tenho este Pão & Vinho, para degustar à lareira por estes dias, agora que o frio aperta.
ResponderEliminarSe se lembrar, dê um forte abraço meu ao Paulo, espero "apanhá-lo" numa apresentação mais a norte.
Rui Miguel Almeida
A propósito de “Histórias de Comer e Beber”, se me dão licença não resisto a gastar-vos umas linhas para contar esta.
ResponderEliminarDevido a percalços da vida que não vêm ao caso, um amigo meu teve de, após longa ausência, regressar à aldeia de origem, aí permanecendo mais de um ano.
Muito activista e dado às coisas da cultura, tratou logo de mobilizar o pessoal da terra para conhecer o património cultural do país.
Organizou uma excursão para visitarem os Mosteiros de Alcobaça e da Batalha.
Antes da data aprazada distribuiu abundante papelada sobre o gótico e o manuelino, para os excursionistas irem devidamente documentados.
Na véspera reuniu-os e fez-lhes uma prelecção sobre a importância daqueles monumentos na História de Portugal, a sua projecção na Cultura nacional, etc.
No dia marcado, porém, à última hora não pôde acompanhar o pessoal na excursão.
...
Dias depois cruzou-se com um dos excursionistas:
– Então ó S’Manel, que tal a visita ao gótico e ao manuelino?
Resposta:
– Ó home! Aquilo é que foi comer e beber!!
Mais tarde outro excursionista explicou que até levaram “a máquina de filmar de cinco litros”.
Então não é que, de repente, me lembrei do "MARCELINO PÃO E VINHO"...
ResponderEliminarAhahah! Ó Severino já falei nisso ao próprio Paulo Moreiras... mas quem é que se lembrará disso?
EliminarÉ livro que não vou falhar... só não sei onde o vou arrumar, nos de cozinha e alimentação?
Saudações panificadoras do Planalto Central!
Ó Pacheco, bom dia
EliminarPor acaso não conheces o livro do JOSÉ QUITÉRIO "O LIVRO DE BEM COMER", que já aqui referi?
Então não!
EliminarÉ uma verdadeira bíblia!!!!
Sou seguidor de JQ desde há muitos anos n' "O Expresso".
Saudações lambareiras cá da Cidade Morena!
Calculo que a demora no comentário do Extraordinário António Luiz se deva ao empenho com que o está a preparar. Já percebi que na “Largueza” dos seus interesses a gastronomia ocupa um lugar maior. Ande lá!, delicie-nos com as suas palavras.
ResponderEliminarAhahah!
EliminarApanhou-me Extraordinário João!
Com efeito, para mim, a cozinha-alimentação-culinária são traços culturais e antropológicos da maior relevância.
Não estou a cozinhar nenhuma resposta substancial, mas o tema merecia... eheheh!
Saudações gulosas cá da Cidade Morena!