Encontro a norte

Li algures, não há muito tempo, que o facto de as livrarias tradicionais não terem aguentado o embate da indústria do livro e de terem, por isso, desaparecido muitos livreiros autênticos, em suma, os que sabiam, mudou claramente a forma de ler em Portugal e o nível e qualidade do que é lido. Perdidos entre capas às cores, com computadores substituindo pessoas conhecedoras da matéria, como poderão os leitores escolher bem e saber o que compram? Isso vicia naturalmente quem até podia ser um excelente leitor e acaba ganhando apego a coisas sem importância. Mas é bom saber que há livreiros que resistem e que sonham algo diferente da mediania. Eles reúnem-se habitualmente todos os anos em Setúbal, naquele que é conhecido por Encontro Livreiro, para premiar quem merece e discutir o futuro com os colegas de profissão. Este ano, porém, esta reunião acontecerá também no Porto, na tarde do próximo dia 23 de Novembro, em cenário indiscutivelmente bonito: a Livraria Lello, uma das mais belas livrarias de todo o mundo. É ali que se falará de tudo o que diz respeito ao livro e à sua comercialização, em lojas ou feiras, porque, como eles dizem, «Isto não fica assim!». Se quiser participar, consulte a página do Encontro Livreiro no Facebook ou o blogue deste movimento. Leve as suas ideias, se forem boas, e ouça as dos outros, dos que sabem.


 


https://www.facebook.com/pages/Encontro-Livreiro/196721297018707


 


http://encontrolivreiro.blogspot.pt/

Comentários

  1. António Luiz Pacheco4 de novembro de 2014 às 01:57

    Sucedeu com as livrarias tradicionais o mesmo que com o comércio dito tradicional... foi esmagado pela agressividade da vida moderna, que se espelha nas estratégias da comercialização!

    No entanto, talvez ainda subsista um nicho, como no comércio especializado e de atendimento, uma livraria é hoje como uma ourivesaria ou loja de perfumes, um camiseiro...

    O moderno comércio e a distribuição organizada, impuseram as suas leis aos produtores e sem que estes o percebessem, também aos consumidores...

    A produção adaptou-se por razões óbvias de sobrevivência e logo adoptou a postura dos seus clientes-de-volume, que dão mais garantias de rentabilidade!

    O negócio dos livros deixou de ser dos livreiros!
    As pessoas perderam o hábito de ir às livrarias no sentido clássico do termo e estas tornaram-se supermercados de livros.

    É a conclusão... como se luta contra isso?
    Se soubesse dizia, mas não sei... e nem desconfio pois a modernidade é algo de imparável!
    Mas pode ser que no próximo ciclo, e já estamos no anticlinal deste... ressurja o lugar para elas!

    Saudações livreiras do Planalto Central!

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    Respostas
    1. Ó Pacheco como é que se luta contra isso (o sistema)? é simplesmente não continuando a votar nele! é combatê-lo, é fazer-lhe frente, e proclamando a indignação contra ele...claro que o REI VERDE é muito poderoso mas...ao menos, acrescenta a tua à minha voz.

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    2. a melhor forma de lutarmos contra isso é irmos comprar um quilo de farinha e de arroz à mercearia, para ouvir vozes humanas, Pacheco.

      cortarmos o cabelo no velho barbeiro da esquina, que ainda sabe tudo sobre futebol...

      e melhor, irmos ao encontro da sabedoria do melhor vendedor de livros do mundo, que também gosta de ler e faz recomendações óptimas (este é dos "cromos" mais difíceis de encontrar, porque as pessoas não "comem" livros...).

      sei que há muito idealismo nisto, mas a sobrevivência de muito do comércio tradicional também depende de nós.

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    3. Depende de nós na verdade. Mas quando os euros se contam ao centímetro se o comércio tradicional tiver preços mais elevados, adeus. E o mesmo com os livros. Cujos estão pela hora da morte - se novos. Claro que já se pode ir por exemplo à Feira do Livro afeito à ideia de comprar obras com mais de três anos na hora H, ou 25ª ou lá que é...ir aos livros em segunda ou terceira mão, verificar as oportunidades,...mas as novidades que a Rosário aqui escreve e divulga não estão em saldo. Ok, podemos ler nas bibliotecas. Mas o prazer de ter livros nossos não devia ser sonegado. Não devia.

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  2. Excelente sentido de humor. Um bálsamo para quem o vai perdendo.

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  3. Quando as coisas começaram materialmente a mudar depressa - situo o fenómeno em Portugal nos meados do séc. XX - eu convenci-me que na alimentação ia acontecer o mesmo que nos restantes setores de existência. Passaríamos a ingerir comida feita ou quase) em fábrica e, de vez em quando, iríamos a um estabelecimento (raro e dispendioso) onde comeríamos ao estilo antigo. Seria como ir a um museu, a uma loja de objetos valiosos, a uma joalharia. Felizmente o fenómeno não ocorreu dessa forma, mas no que respeita aos livros...

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