Dia da livraria e do livreiro
No próximo domingo, dia 30, celebra-se o Dia da Livraria e do Livreiro. Ora, quem visita regularmente este blogue é porque gosta de livros, e quem gosta de livros gosta geralmente de livrarias (embora actualmente os possa comprar em outros sítios, incluindo bombas de gasolina e supermercados); se gosta de livrarias e as frequenta há muito, é natural que tenha conhecido livreiros interessados que, num dia especial, ou desde sempre, fizeram toda a diferença. Eu, por exemplo, recordo-me de, com os meus dezassete anos, ter conversas muito interessantes com um livreiro sobre alguns autores que andava a descobrir; e de, já a trabalhar na edição, conhecer outros que sabiam imenso de literatura universal e me ensinaram coisas que ignorava. E ainda hoje conheço livreiros fantásticos que sabem o que são e onde estão os livros que procuramos (e são inteiramente diferentes daqueles que têm conhecimentos informáticos e nos tentam ajudar, mas nem sempre conseguem por nem saberem digitar o nome do autor). Pois bem, hoje sugiro uma visita à livraria e a compra de um livro neste dia tão apropriado. Boas leituras!
É muito mais dificil conseguir ajuda em livros ou autores em lojas como as Bertrand ou FNAC, sem ser com o apoio da Net, mesmo estando na loja fisícamente.
ResponderEliminarAqui há uns tempos encontrei um livro do Dennis McShade na secção de literatura estrangeira. Ainda pensei avisar as raparigas do erro, mas acho seria mais complicado explicá-lo.
Olá Extraordinário Henrique Vogado:
Eliminar- Permita-me, mas já agora e porque em ambiente de amena cavaqueira livresca neste blog, conte lá o porquê de Dennis MaCshade estar erradamente na secção de estrangeiros?
Assim ficamos nós a saber...
Será que era um pseudónimo à Ross Pym?
Saudações curiosas cá da Cidade Morena
Extraordinário António Luiz Pacheco,
EliminarDeixei de propósito o assunto no ar.
Era mesmo um pseudónimo à Ross Pynn. Quando era adolescente o meu pai contou este assumir de um nome americano do escritor Dinis Machado, que segundo ele seria para conseguir vender melhor os policiais lançados numa colecção do Ross Pynn - Roussado Pinto, jornalista português.
A ideia era boa, porque tal como os fatos portugueses com nomes italianos, um nome americano teria muito mais projecção numa colecção de policiais há uns 30 anos. Lamento dizer que não li nenhum dele, mas fixei esta curiosidade que o meu pai contou. Ele é um grande apreciador de policiais.
Saudações para a Cidade Morena.
o Henrique explicou muito bem, Extraordinário Pacheco.
Eliminarera uma questão meramente comercial e uma forma de misturar autores portugueses nas edições policiais de bolso.
havia ainda o Dick Haskins (António Alburquerque), que penso que foi quem escreveu mais policiais entre os autores portugueses.
no caso do Dinis Machado foi uma "encomenda" de três livros, escritos enquanto o diabo esfrega o olho, porque todo o dinheiro que aparecia era bem vindo, nesses tempos difíceis dos anos 1960 (passa-se o mesmo nos nossos dias...).
Ahahah!
EliminarJá suspeitava!
É uma curiosidade livresca e editorial esta, mas ao mesmo tempo engraçada! Um golpe de marketing... que talvez os Extraordinários mais jovens ou menos atentos à literatura nestes outros géneros desconhecessem.
Mas há outras curiosidades... ainda não há muito tempo alguém ficou surpreendido por saber que afinal Eça só traduziu e não escrevera "As minas do rei Salomão", e ignorava que o seu autor, Rider Haggärd fosse um escritor de culto da era Victoriana!
Estes posts vão servindo também para nosso deleite e troca destas coisas e loisas!
Para vós, Henrique e Luis, saudações Extraordinárias, da Cidade Morena!
Na minha modesta opinião, Eça de Queiroz não terá traduzido "As Minas de Salomão". Terá traído. Aquilo parece-me demasiado queirosiano para ser uma simples tradução. Estará no limite da tradução e por isso eu prefiro chamar-lhe versão.
EliminarInteressante análise a sua!
EliminarConfesso que nunca havia sequer pensado nisso, mas pergunto-me e faço esta reflexão:
Eça foi um Mestre da escrita, indiscutivelmente!
Porém, Rider Haggard foi outro! É até considerado o expoente máximo da literatura de aventuras, na época, quem influenciou pelo menos umas duas ou três gerações de jovens britânicos! Até Churchill...
Não me parece despiciendo que tenha igualmente impressionado Eça, cuja cultura britânica era óbvia e foi por ele frequentada, a ponto de o levar a traduzir aquele que foi talvez o romance ícone do autor inglês, onde aparece o seu melhor e mais celebrado personagem, origem para outros dois romances e algumas novelas, com a mítica figura do White Hunter, um gentleman da selva, Allain Quatermain, que pode ter sido influenciado pelo caçador e aventureiro inglês Frederick Courtney Selous, ou segundo alguns estudiosos pelo aventureiro americano Frederick Russel Burnham que foi militar nos EUA e depois integrou o Colonial British Army.
Conheço a obra de Haggard, quase toda, que a li com devoção como se pode imaginar. Não a li na língua original, pelo que não posso pronunciar-me sobre a melhoria operada por uma eventual "Ecianização", mas as traduções que li, sinceramente, acho-as bastante próximas da tradução do Eça, pelo que suponho teria sido este bastante fiel ao original.
Mas sem dúvida que tratando-se de um escritor do quilate e com a personalidade de Eça, aquilo que refere é pertinente, se bem que esteja fora do alcance da minha capacidade de mera traça literária!
Por curiosidade, pergunto se baseia a sua opinião no facto de ter lido outras obras de Haggard?
Em inglês? Ou leu a versão não traduzida por Eça?
Não estou a contrariá-la, note bem, e nem tenho pretensão de o fazer, mas como fã de Haggard espicaçou-me a curiosidade.
Saudações africanistas, da Cidade Morena!
Caro ALP,
EliminarSe tiver a tradução de Eça de Queirós à mão, compare-a aqui com o original:
http://www.gutenberg.org/files/2166/2166-h/2166-h.htm
Eu diria que, nos primeiros parágrafos, é uma tradução livre, até no título :). Mas tive muita curiosidade há uns tempos porque tenho uma colecção de obras do Eça de Queirós em que nem sequer se faz menção ao autor da obra original. E verifiquei, sem fazer uma comparação exaustiva, que a liberdade de tradução se vai tornando maior ao longo das páginas. Ao ponto de haver alterações de ordem e de o número de capítulos nem ser o mesmo (20 no original, 17 na tradução de Queirós...)
Pois... infelizmente não tenho nada disso aqui!
EliminarTenho uma tradução das Minas (não sei de quem) e a tradução do Eça, esta numa colecção de autores portugueses!
Mas em casa... em Santarém!
Em aí indo, o que está para muito breve, pode crer que vou atrás dessa sua pista, que acho muitíssimo interessante!!!! Ainda bem que calhou termos esta conversa .
Admite-se inteiramente o que diz, pois comungo da opinião que Eça não nada inferior ao Haggärd... e o seu fidalgo da Torre podia muito bem ter sido um cavalheiro das Áfricas!!!
Grato pela sua pista, entusiásticas saudações Queirozianas cá da Cidade Morena!
eu também desconhecia. Tem razão, este blogue serve vários intentos. Por acaso achava o livro As minas de Salomão muito diferente do resto. Mas eu desculpo tudo a um bom escritor sobretudo se é português; e até invento logo uma razão: quem sabe ele quis provar que sabia escrever noutro estilo... e afinal era uma tradução.
EliminarE não me interessa nada se o Eça na literatura mundial não é relevante, se o seu vulto é uma pequena sombra face a outros que deixaram uma fotografia muito nítida para a posteridade.
Na literatura portuguesa, e por comparação entre autores, não há dúvida, ele é dos que ficaram. Só pode ser bom.
É justo o tema do post de hoje!
ResponderEliminarNenhum de nós, Extraordinários Leitores, deixará de gostar de livrarias!
Normalmente é uma das minhas visitas habituais, quando saio em passeio com a minha mulher e vamos dar uma volta comercial, procuramos sempre livrarias e vamos dar uma vista de olhos!
Também aos alfarrabistas.
Seja em Portugal ou no estrangeiro!
Não frequento muito a secção de livros dos híper e supermercados, mas também lhes dou uma passagem, pois não desprezo a oportunidade de fazer uma boa compra.
Tenho saudades das livrarias ali do Chiado e da Baixa Lisboeta... eram um local de peregrinação na minha juventude, quando ia a Lisboa!
Há poucos locais tão confortáveis e atraentes como uma livraria!
Aqui na Cidade Morena... é coisa triste e muito mas mesmo muito pobre!
Saudações livreiras de cá!
claro que já quase que não há livrarias como as do século passado, que tinham como funcionários gente que amava verdadeiramente os livros e eram além de leitores, enciclopédicas ambulantes (às vezes nem nos deixavam escolher livros à vontade...).
ResponderEliminardetesto comprar livros em hipermercados (só compro se for alguma grande promoção...), porque para mim os livros não são iguais a um saco de batatas ou um detergente.
apesar de tudo gosto do atendimento da FNAC, e da sua disponibilidade para encomendarem obras fora de circulação.
Compro livros onde calhar. Se forem mais baratos, compro mais. O que acontece é que nem sempre os hipermercados têm os livros que me interessam. Mas já comprei ali alguns de Vergílio Ferreira que procurava sem encontrar nas livrarias.
EliminarTambém gosto da FNAC; Têm funcionários eficientes e gosto de estar um bocadinho rodeada de livros, sabe-me bem aquele muro; a gente entra e é outro mundo. Se formos a ver até nós somos outros:)
. Não tive contacto com livreiros salvo se andavam disfarçados, a pessoa mais próxima de um livreiro era o motorista da carrinha da Gulbenkian que, quase sempre, me desaconselhava os livros que escolhia mas simpaticamente mos deixava levar a murmurar baixinho, isto não é para a tua idade.
Porém, aos quinze dezasseis anos verifiquei que já tinha lido obras de grande parte dos autores portugueses. Acredito que muito mal. Mas li.
Entre as memórias de Lisboa encontro sempre as que me chegam das livrarias da avenida de Roma. A Barata (ainda no tempo do pequeno balcão atafulhado de livros), a Bertrand mesmo ao lado (e não muito longe da discoteca Roma, que vendia lp’s importados), a livraria do CC Alvalade, e outras mais pequenas. Entre elas uma das mais belas peças da mobília da avenida, o alfarrabista instalado no cruzamento com a Estados Unidos. Anos mais tarde a Barata tornou-se naquilo que é hoje e, a dez minutos a pé, abriu a Bulhosa, em Entre-Campos. Pelo meio um café na Suprema ou na Sul-América (na minha praceta…) e a manhã de sábado tornava-se o momento mais alto da semana. Que saudade…
ResponderEliminarSou leitora assidua e escondida deste blogue mas hoje não resisti a comentar pelas saudades que tive da velha Barata (e do Sr. Afonso!).
EliminarSaudações da cinzenta Bruxelas
Sinais dos tempos: frequento muito uma livraria, mas sempre através da net, que entre mim e a dita livraria, os quilómetros podem bem mais.
ResponderEliminarO livreiro, esse, é bem porreiro pá!
Bom fim-de-semana,
Rui Miguel Almeida
Ama livros, gosta de livrarias, apaixona-se por livreiras. Grande dia.
ResponderEliminarOlá, podia fazer um favor? Visitar esta página, se gostar de natureza, turismo rural, e animais como bovinos, caprinos e suínos, seguir a mesma página. Ajude-nos a crescer obrigado.
ResponderEliminarwww.facebook.com/casadealem
A Maria do Rosário lembra-se de, com os seus dezassete anos, ter conversas muito interessantes com um livreiro e eu lembro-me de, com os meus treze ou catorze (e antes e depois), ser muito bem orientado pelo Herberto Helder e pelo seu companheiro, meu conterrâneo e saudoso Vítor "Silvino", na também saudosa biblioteca itinerante da Gulbenkian, com as suas belas carrinhas Citroën atafulhadas de livros. Era uma emoção para dezenas de jovens da minha terra quando a víamos aparecer uma vez por mês! Pela minha parte, devorava a meia dúzia de livros que podia levar para casa e ainda dava uma espreitadela aos dos meus irmãos. É este tipo de recordações que me faz sentir tantas saudades da minha infância...
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