O que ando a ler

Ler um calhamaço num virote é sempre bom sinal – e as páginas deste Os Interessantes, da norte-americana Meg Wolitzer, realmente voam. O romance é de grande lucidez e a autora tem um invejável sentido de observação (invejável é, de resto, a palavra certa, pois a inveja é aqui coisa tão central como o talento, umas vezes sobrevalorizado, outras desperdiçado). Esta é a história de um grupo de adolescentes que se conhecem num campo de férias em 1974: dois irmãos bonitos e ricos, um gordo genial, uma aspirante a bailarina, um rapazinho tristonho filho de uma cantora folk – todos a viverem em Manhattan – e uma outsider que rapidamente se torna insider, a Julie órfã de pai e suburbana que acaba o Verão como Jules, um nome menos vulgar e mais de acordo com a actriz de comédia que descobriu poder ser. O Vietname não foi assim há muito tempo, o caso Watergate levou à demissão de Nixon enquanto os jovens gozavam as suas férias criativas, mas ao longo da vida destes seis interessantes, cuja evolução acompanharemos com muito interesse, como manda o título, assistiremos igualmente a trinta anos de história americana, culminando com a crise dos mercados que o país ainda está a sofrer. O destino das personagens será bastante surpreendente (tendo em conta, sobretudo, o sucesso que imaginaram para si próprias nesse ano longínquo no campo de férias), com muita decepção e resignação à mistura, mas também com amizades que por vezes ameaçam até os casamentos (ou ajudam a salvá-los em momentos de grande fragilidade). Um romance realmente interessante, raro – sem nada a mais apesar das suas quase seiscentas páginas – que merece ser lido e cumpre tudo o que promete.


 


Comentários

  1. António Luiz Pacheco1 de outubro de 2014 às 01:49

    Há-de ser interessante sim, sem dúvida!

    Pela minha parte, aproveitando o tempo no sentido meteorológico quanto cronológico, tem sido uma orgia de leitura, tirando a barriga de misérias!

    Preparem-se que lá vai dose....

    Parte I:

    - COLECTÂNEA LITERÁRIA CINEGÉTICA - Edição Própria do Clube Literário Cinegético
    42 Autores - Caçadores que escrevem, profusamente ilustrado por 11 artistas plásticos que caçam.
    .É um livro de histórias de caça, relatos, contos, ensaios e até poemas, destinado a um público restrito ou a um nicho, mas uma iniciativa original. Tem tido excelente adesão, com apresentações pelo país e já encomendas para Espanha.
    Nota - o valor das vendas será atribuído a um projecto universitário de conservação cinegética.
    Deste modo se reúne e divulga a cultura da caça, que existe e está de boa saúde.

    DIZEM QUE SEBASTIÃO - João Rebocho Pais
    Será este livro uma crónica de costumes, ou crítica social? Uma obra de divulgação cultural? Não sei… Só sei que gostei e aconselho, pois de uma forma humorada e certeira, o autor que já mostrara antes ser um excelente observador e bom narrador, dominando perfeitamente a escrita e a arte da descrição, levou-me além da realidade actual do que é a incultura de uma camada da sociedade dita superior (os “gestores”) a um inesperado, original e inteligente passeio literário por Lisboa.
    .Em vez de escrever algo ao estilo de Tom Sharp (João Rebocho tem o fino humor, a capacidade de observação e narrativa para tal, sem dúvida), surpreendeu-me completamente, e é o que classifico de notável neste livro, pois ao mesmo tempo que faz crítica social passeia-se pela literatura clássica portuguesa ao longo das suas deambulações por uma Lisboa cheia de praças com estátuas de escritores e poetas. E fá-lo com inegável maestria, usando os fantasmas dos literatos com quem vai conversando e dando as necessárias pistas ou alfinetadas.
    .Destaque-se a originalidade do tema e da forma como se vai desenvolvendo, apesar de ao início nada o indicar e poder parecer que estamos perante mais um livro de costumes ou de ruptura, de um Gervásio Lobato, e, é essa a grande surpresa à medida que nos adiantamos: consegue tudo aquilo sem ser pesado ou maçudo como tantas vezes é a cultura.
    .Aposto que dará um excelente filme, e o que é melhor, de orçamente reduzido!!!! Fica a observação…

    O VELHO E O MATO - Sérgio Veiga
    “Sérgio Veiga é um homem temperado de histórias, que cruzou matos e mares e se deixou trocar por bichos e pessoas” - Mia Couto.
    .Segundo romance deste autor moçambicano que conheço das minhas actividades cinegéticas e pesca submarina por Moçambique, genuínamente um homem do mato e do mar ao mesmo tempo. Um solitário, caçador e pescador, um pensador que não é um intelectual comum, nascido e criado no ambiente que recria e sobre o qual consegue contar histórias que são aquilo que viu, viveu e sente, as pessoas e animais que conhece e existem mesmo, e disso nos dá conta a irmã que o prefacia.
    .Sérgio, caçador profissional e homem multifacetado que também pinta e se dedica a filmagens, é filho de um outro caçador célebre de Moçambique e creio que no personagem deste romance se misturam ele e o pai, um no físico e outro na mente, unidos pelas vivências.
    .Autor de uma escrita muito própria e ligeira, sem floreados linguísticos e nem de estilo, é directo e claro, coloquial como quem conta uma história ou discorre. Talvez não seja autor e nem obra para todos… é preciso ter alguma largueza de alma e no espírito para se chegar com ele ao destino do livro, que é acabá-lo precisamente com a sensação de se ter chegado a algum lado.
    .A aproximação a “O velho e o mar” é evidente, só não sou competente e nem capaz para dizer se foi conseguida, isso cada um julgará por si, mas se vivesse, Hemingway teria sido companheiro do Sérgio!
    Gostei!

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    1. António Luiz Pacheco1 de outubro de 2014 às 01:50

      Eu avisei!!!!

      Parte II

      OS AZARES DE VALDEMAR SORTE GRANDE - António Breda de Carvalho.
      ,Edição da polémica Chiado Editora, afinal a jangada dos autores náufragos e a prova de que há qualidade fora do clube dos autores-do-costume a que as editoras nem sempre ligam ou em quem não apostam, não sendo portanto promovidos. Pela minha parte estou atento a eles… mas eu faço o que quero!
      .Outro excelente romance! Passará desapercebido pelas razões do marketing editorial, mas no mínimo eleva-se ao nível dos que preenchem os escaparates das livrarias e anunciam outros prémios ou terem sido finalistas dos mesmos, se bem que este também apresente uma menção honrosa!
      .António Breda é um escritor maduro, um homem com uma história e uma terra, que vive a sua vida nessa terra e escreve sobre elas, num estilo culto todavia corrente, claro e fácil de ler, por isso atraente para qualquer leitor - talvez fruto da experiência de professor e de comunicador?
      .Suavemente condimentado pela boa disposição que nos contagia, o tema e os personagens que não sendo originais são tratados de forma inédita no nosso panorama literário, numa trama inteligentemente urdida e muito bem desenvolvida, encadeada na lógica da narrativa e a par desta, sem recurso ao andar-para-a-frente-e-para-trás como vem sendo costume e sobretudo montada numa rápida sucessão de curtos episódios que resulta muito bem pelo dinamismo que lhe imprime e não pesa ao leitor seguir a acção.
      .Não deixa de ser notável localizar-se numa época em que o paralelo é evidente para o leitor atento e que deve ter sido escolhida por nela se encontrar tudo para um romance-fábula, onde ao comentar e descrever os acontecimentos passados estabelece um inegável e claro encadeamento de acontecimentos coincidentes com a actualidade política, económica e social que vivemos hoje e cujo desfecho desconhecemos, ao contrário daquilo que se passou e ele narra!
      .Ficamos presos e amigos deste Valdemar, um tipo como tantos que conhecemos e com muito de nós-mesmos, um empreendedor, desenrascado e que até é bom-tipo no fundo… moldado e condicionado pelo mal e pelo bem que o rodeiam, conhece baixos e altos e nem por isso perde o seu modo de ser.
      Parece um bocado da história de Portugal e do seu povo, sem dúvida!
      .Aconselho vivamente, até para que se perceba que não são só as “grandes editoras” quem tem o apanágio dos bons autores e bons romances! Advogo que alimentemos a clandestinidade saudável, a que não esconde terroristas mas de onde surge tanta coisa boa, sejam os autores marginais ou as chouriças da D. Rosalinda e o vinho do Sr. Tadeu, sem marca ou rótulo mas com o sabor genuíno e nosso.

      O QUE NOS SEPARA DOS OUTROS por causa de um COPO DE WHISKY - Patrícia Reis
      .Comprado por impulso, pelo reduzido volume e para ler numa espera no consulado enquanto tratava dos papéis para o visto de trabalho, depois de torcer o nariz à sinopse… comprei para depois poder dizer mal! Afinal eu sou um adiantado cinquentão expatriado, que também bebe, se bem que nem por isso frequente bares ou meninas...
      .Foi uma agradável surpresa! Totalmente!
      Que Patrícia Reis escreve muito bem não é novidade, como não é novidade a sua viva capacidade de observar cromos e quadros como os que usa. Pelo teor intimista mas verídico, suponho que o longo monólogo há-de ter sido ouvido de viva voz entre copos em conversas anónimas e ao acaso, nos bares por onde deambulam pessoas como o personagem, homem já no plano inclinado do tempo, académico culto e solitário, nostálgico, numa ressaca da vida, que usa o álcool como estimulante e refúgio de bem-estar ilusório e fugaz. Todavia é-nos simpático, parece bem-formado e até bom tipo, um clássico dos copos!
      .Pensei que uma mulher (ainda nova) não conseguiria vestir esta pele… mas enganei-me e salvo por um ou outro pequeno detalhe - por exemplo quando se procura sexo não se bebe álcool, pois a partir de uma certa idade estabelece-se determinada incompatibilidade -, dou a mão à palmatória!
      Este livro é u

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    2. António Luiz Pacheco1 de outubro de 2014 às 01:52

      Como sou homem de palavra aí vai a finalizar:

      Parte III

      A RAINHA DO CINE ROMA - Alejandro Reyes
      (Finalista do Prémio Leya 2009)
      .Brutal! É o termo para classificar este romance avassalador, tanto no plano literário pois é uma obra muitíssimo bem concebida e escrita, quanto no aspecto humano, levando-nos imediatamente para outros nomes e obras dos Mestres do género: Jorge Amado, José Mauro de Vasconcelos, Vargas Llosa, Garcia Márquez… acho que só um latino-americano (recordo o cubano Pedro Juan Gutiérrez) conseguiria de facto escrever assim de forma tão crua e agressiva, bruta, genuína, (re)criando personagens sacadas à rua e narrando o que é a realidade das vidas degradadas nas urbes daquele continente!
      .Cheguei ao fim deste romance com um nó na garganta e outro no estômago, confesso que nunca mais olharei para um miúdo com a caixinha da graxa do mesmo modo, ou mesmo para um travesti… tenho de ser honesto e coerente com aquilo que o livro ainda despertou nesta carcaça de homem rude a envelhecer!
      .Reforça também a minha opinião quanto à diferença entre o escritor que vive profundamente a realidade e consegue escreve sobre ela, para outro que ficciona sobre algo que aflorou ou viu, e, lhe inspira a imaginação. Alejandro Reyes é jornalista e escritor, académico em estudos e literatura Latino-Americana, mas sobretudo trabalhou com crianças de rua e adolescentes, no Brazil.
      O que ele descreve e conta é a dura realidade, é verdade, acontece-mesmo, há gente assim e vidas assim! É isso o que nos agride por um lado e maravilha por outro, pois ele consegue apresentar-nos no meio da violência das ruas e do vício, sentimentos de humanidade, generosos, bons… o que inapelávelmente nos toca e apaixona.
      .Num contexto geográfico-social diferente recordou-me outra obra recente e discreta, que para mim também ficou a ser de referência pelo tal aspecto humano a que sou sensível: “Entre Cós e Alpedriz”, do nosso Extraordinário José Catarino, que gravou igualmente no seu romance a dura realidade duma vida serrana, que se formos procurar ainda existe e aqui, à nossa porta.
      .A Rainha do cine Roma é um grande romance que aconselho vivamente, mas atenção, é para quem deveras tenha peito como aconselha Pepetela, e, estômago acrescento eu!

      “O BUÇACO NA LITERATURA” - António Breda de Carvalho (edição do autor).
      .Não resisti a lê-lo, pois é ainda o ideal para nos cultivarmos enquanto em bancos de salas de espera, pelo tamanho e facilidade de leitura como pelo tema que permite que se vá lendo.
      Leio tudo e de todo o género, já avisei… e gosto muito destas obras e destes temas!
      .Uma viagem pelas memórias da literatura inspirada ou que se cruza com esta região. É mais uma boa obra para quem se interessa também pela Zona Centro (Bairradina) e pelo que pensavam noutras épocas as pessoas que viajaram então e escreveram, como eu que o faço hoje.
      Creio partilhar com o autor e apenas alguns dos Extraordinários, este interesse, pelo que não me alongarei muito mais… mas fica a nota e o destaque. Um trabalho que há-de ter dado gozo ao autor e mais não seja por isso tem o valor de quem cultiva esta paixão.
      .Grato António Breda, um bem-haja pelo seu interesse e esforço em divulgar e preservar algo desta cultura ignorada e esquecida.

      “O SOM E A FÚRIA” - William Faulkner
      .Para mudar um pouco, variando temas e geografia, estilos, resolvi de uma assentada colmatar também esta falha no meu currículo de traça literária: Nunca tinha lido aquela que é considerada a obra-prima de Faulkner!
      .Não me vou atrever a comentar… é demais para mim!
      Também não aconselho a ninguém, é demasiado difícil seguir a sua vertigem através de uma escrita tão boa que atrai e obriga a ir lendo, mas impossível de acompanhar, alucinante ou alucinada!
      .Curiosamente o prefácio desta edição é de Lobo Antunes, ou talvez não. Lobo Antunes escreve muito bem, é um facto inegável mas também tenho de confessar que não gosto de o ler pelas mesmas razões pelas quais nã

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    3. António Luiz Pacheco1 de outubro de 2014 às 01:54

      E finalizando:

      Parte IV

      “MONTEDOR” - J. Rentes de Carvalho.
      .Para reencontrar o equilíbrio e o gosto pela leitura corrida e franca, de um homem de pensamentos claros, pois iniciei ainda este romance!
      .Estou a gostar, e deste já posso dizer que o recomendo vivamente, sem querer estar a armar ao pingarelho nem a fingir-me intelectual e que gosto do que não consigo perceber só porque me fica bem!
      Grande Rentes de Carvalho! Neste caso tenho de dar razão a Saramago…

      Saudações de barriga cheia do Bairro!

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    4. Ó Pacheco, para tantas palavras extraordinárias, só tenho duas: estou atordoado.
      Não agradeço para não parecer que foi favor.

      ABC

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    5. Li «A Rainha do Cine Roma», de Alejandro Reys, em 2009 e continuo com o nó na garganta.

      Adoro J. Rentes de Carvalho. Terminei recentemente «Ernestina».

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    6. Ó Pacheco
      "DIZEM QUE SEBASTIÃO" - João Rebocho Pais - fiquei com curiosidade.

      A propósito de GERVÁSIO LOBATO - já leram "LISBOA EM CAMISA"? é um belíssimo livro que "pinta" um retrato excelente de Lisboa e das suas gentes, de uma certa época.

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  2. Pois eu pratico de momento um curioso exercício de ginástica ortográfica, trazendo em leitura O Jogo da Cabra-Cega, de Régio, 1934, de fascinante escrita com profusão de acentos graves e circunflexos, Cinzas, excelente livro de poesia de Rosa Oliveira que me lança brisas nocturnas, e o recente Albardas, que vai obviamente faturando. Um exercício de tolerância, também, mas que me obrigou a pôr de lado Proust, precisamente Do Lado de Swann, mas a este concedi 12 meses e faltam-me ainda 9. Não me recordo agora é da sua versão ortográfica, mas fica patente que isso pouco me incomoda.

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  3. Ando a Ler_25

    Não Há Tempo a Perder

    Li recentemente Miguel Torga, “A Criação do Mundo (O Sexto Dia)”
    Várias partes desta obra remetem-me para recordações da minha própria vida, em especial para a minha juventude desde que fui aluno do Dr Mateus, prof de francês no Liceu da Figueira da Foz. Ele deu-nos a ler passagens de “À la Recherche du Temps Perdu” e desde logo me fascinaram estas palavras, esta ideia de procurar o tempo perdido, recuperá-lo, dominá-lo – e isto transformou-se numa espécie de obsessão que me acompanha até hoje.
    Recordo que, uns tempos mais tarde, reencontrei Proust no Porto, na casa da família que me deu guarida quando eu, fugido da pide, andava ao mesmo tempo às voltas com a paranoica disciplina interna do meu partido. Aqui entre nós, posso dizer que pus logo de parte o livrinho vermelho do pensamento de Mao e dediquei-me ao pensamento de Proust. E dizer também que, nas circunstâncias que estava a viver – não tinha liberdade, quer por causa do regime, quer por causa do meu próprio partido – mais me atraía a questão do “temps perdu”…
    Ocorre-me agora isto por via de várias passagens de Torga, por exemplo esta: «Empenhava em cada empreendimento a que metia ombros toda a energia de que dispunha, mas a sabê-la falhada de antemão. Por isso, qualquer acto que praticava me custava o dobro do esforço. Tinha de vencer a inércia da pedra e a minha própria inércia».
    Enfim: não é aqui o lugar próprio para me alongar nestas recordações, isto foi apenas o pretexto para dizer que, da recente leitura desta obra claramente autobiográfica, me ficou a sensação de que, caramba!, posso muito bem fazer minhas aquelas palavras de Torga …
    E estas, então...

    «Voz Activa

    Canta, poeta, canta
    Violenta o silêncio conformado
    Cega com outra luz a luz do dia
    Desassossega o mundo sossegado
    Ensina a cada alma a sua rebeldia»

    Isto pede meças a Marcel Proust.

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  4. Gosto muito de ler, mas não tenho essa capacidade de análise rápida que tem o extraordinário Pacheco. Para falar de um livro demoro imenso tempo. É de resto, um estúpido defeito a que me habituei... Por isso, fico-me pelas títulos:
    No céu não há limões de Sandro Wiliam Junqueira, Novela de xadrez de Stefan Zweig,Vícios de amor de Norberto Morais e li o conto Cartas da mamã de Júlio Cortázar... depois enamorei-me pela poesia de Daniel Faria e ando assim meio amalucadita... entretanto isto deve estar a passar e regressarei ao Cortázar.
    Um abraço aos extraordinários leitores.
    Carla Pais

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  5. A reler «Lolita» de Nabokov. Reler, sobretudo depois de um intervalo grande, é uma coisa muito engraçada: quase como rever fotografias antigas...

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  6. Eu descobri na Feira do Livro do Porto "O Mundo de Sofia" a bom preço e trouxe-o comigo porque há muito que ouvia falar do livro e nada sabia sobre o mesmo.

    Ando a ler então o Mundo de Sofia com avidez e a aprender com igual voracidade. Tirando o que vamos filosofando no dia à dia, a Filosofia como disciplina de aprendizagem ficou presa nas aulas da escola há muitos anos atrás. E tenho pena.

    Eu gostava muito de Filosofia mas depois veio a vida.

    Parece que o livro é mais para jovens mas pronto, também ainda não ando de andarilho:)

    Cláudia Sofia Moreira

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  7. Estes bloguers lêem tanto que me fazem mal à cabeça. Mas pronto. Cada um tem o seu "ritimo" e outras coisas muito suas. Portanto.
    Terminei "Cal" de José Luís Peixoto e "As cidades invisíveis de Italo Calvino (finalmente!).

    Lendo "Metamorfoses" de Viriato Soromenho Marques que não é o meu género mas vou mastigando; "Les fleurs du mal" de Baudelaire, "Os memoráveis " de Lídia Jorge; "Era uma vez um professor", de Júlio Machado Vaz. Quando me apetece e à vez do apetite.

    Acerca de sínteses: tenho grande dificuldade. Portanto, passo.

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  8. Um Homem Inquieto, de Henning Mankell. Ainda no início, mas já a gostar muito...
    Marta

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  9. "1914-PORTUGAL NO ANO DA GRANDE GUERRA" de Ricardo Marques.
    Interessante, como era o dia a dia dos portugueses no ano em que a I Grande Guerra eclodiu na França, ficam a saber-se coisas que aconteciam em Portugal há cem anos (1914), por exemplo que

    -uma mulher de 70 anos vinda de uma aldeia da província que conseguira matar um lobo que lhe tinha mordido (veio a Lisboa ao Instituto da raiva). Ficara muito admirada quando, às refeições, lhe serviram carne e pescada, pois em toa a sua via apenas tinha comido caldo-verde, pão de milho e toucinho (bacalhau uma vez).

    -Quase oito em cada dez pessoas não sabiam ler

    -Havia em Portugal cerca de 3500 automóveis, um terço dos quais na capital

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  10. Também eu mergulhei num calhamaço, O Vermelho e o Preto, de Stendhal. Vivo uma fase de reler obras que me fascinaram em jovem e tal como o anterior - A Ponte sobre o Drina - ainda estou a gostar mais agora do que então.
    Boas leituras, Extraordinários.

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  11. Estou lendo na Biblioteca de Oeiras "Um pinguim na garagem", de Luís Caminha, depois de ter lido "A decadência dos olfactos" do mesmo autor. São romances-ensaio muito bons, talvez um pouco fora de moda porque o escritor não dá atenção só à ideia e à narração, também trabalha até o limite a palavra. Livros muito exigentes e acredito que com muito poucos leitores. Estou ficando admiradora.

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  12. estou quase no fim de "Campos de Sangue", de Dulce Maria Cardoso, sem grande entusiasmo.

    até agora é o pior livro que li da Dulce.

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  13. Estou numa de ler o que escrevem os Extraordinários, esses mesmos, que passam por aqui.

    Depois do "Os Azares de Valdemar Sorte Grande", do António Breda (de quem já tinha lido "O Fotógrafo da Madeira"), passei a "Entre Cós e Alpedriz", do José Cipriano Catarino e estou agora a acabar "Obsessão" do Pedro Sande. Seguir-se-á "A Esmeralda do Rei", de Paulo Pimentel, que, que me lembre, não costuma comentar por aqui, mas é meu conhecido do FB (e de todos estes Extraordinários que referi) e teve a gentileza de ir à apresentação do meu último livro na "Pó dos Livros". Também o João Madeira lá esteve e, a seguir ao romance histórico do Paulo Pimentel, planeio ler o seu "O Rio que corre na Calçada".

    De todas estas obras dou conta no meu blogue, assim como fiz com "Largueza", do António Luiz Pacheco, lido há cerca de dois anos (salvo erro).

    Só depois desta onda, me dedicarei ao último Prémio LeYa, assim como a alguns finalistas.

    E fico-me por aqui, que já macei demais esta gente ;)

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  14. Ando a contar os dias para deitar a mão ao novo romance de José Luis Peixoto. Até lá, decidi não começar nenhum outro livro e vou dando um avanço em alguns que foram ficando a meio e sendo ultrapassados por outros. Neste momento, leio "O delfim" de José Cardoso Pires, o meu primeiro deste autor. Não me está a entusiasmar por aí além e provavelmente, não fosse o peso do nome, já o teria abandonado.

    Rui Miguel Almeida

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  15. Alabardas, do José Saramago. Tenho imensa pena que o livro tenha ficado inacabado. Seria, certamente, outra pérola do nosso Nobel. Mesmo assim, muito dificilmente esquecerei o artur paz semedo e a sua fantástica ex-mulher felícia.

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  16. Norberto Morais, O Pecado de Porto Negro (Casa das Letras)

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