Cortes na educação

Já não me devia admirar com cortes e mais cortes que este Governo tem levado a cabo em todas as áreas. Embora não seja seguramente das pessoas mais afectadas com eles, também os senti – e tenho, sobretudo, olhos na cara para ver o que se passa à minha volta, principalmente com os mais desprotegidos. Apesar de tudo, quando o orçamento de 2015 foi anunciado, não queria acreditar que a educação tivesse sofrido um corte tão drástico (depois dos inexplicáveis cortes nas universidades, que deixaram de ter dinheiro para quase tudo, e das bolsas de investigação que se evaporaram, foi simplesmente demais). Na verdade, era em cultura e educação que devíamos investir pois sem ambas nunca chegaremos a lado nenhum (e às vezes sinto que, com a emigração de tantos licenciados bem preparados, que nunca mais voltarão a Portugal, sobrarão apenas os mal preparados e os ignorantes, o que dá, aliás, muito jeito a quem manda para lhes cair em cima e não haver reacção). A diminuição na venda de livros recentemente divulgada por um estudo universitário exaustivo sobre a matéria tem certamente já que ver com isto: a escola não está a saber criar hábitos de leitura. Os condicionamentos são cada vez maiores: crianças que andam todos os dias quilómetros de autocarro porque fecharam as escolas da sua área de residência, professores que são colocados a milhas de casa e que não têm motivação nenhuma para ensinar. Isso explica talvez porque em 2014 concorreram mais pessoas à Casa dos Segredos do que à universidade. Não, não é o País que temos; é o País que querem que tenhamos.

Comentários

  1. NUnca percebo porque os programas escolares estão sempre em mudança. Criar hábitos de leitura exige tempo e com estas alterações todas, não deve haver nem tempo nem paciência para a iniciação da leitura.

    Acho que também falta ensinar disciplina e paciência aos miúdos. Crescem a querer tudo depressa e já. Por isso sentirem que o sucesso chega mais depressa a um programa completamente vazio e ignorante, que o crescimento intelectual numa universidade. Querem tudo já e agora.
    Estes cortes vão ser cicatrizes daqui a 5, 10 anos.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Para a iniciação da leitura há tempo e paciência; pode crer que é uma das tarefas que um professor faz com mais agrado: ensinar a ler. É tão mas tão bonito ver que alguém consegue, dá o salto..., os primeiros anos do ensino básico ainda existem:). Mas para se criarem hábitos de leitura, creio eu, nem são as mudanças de programa que mais prejudicam. É mais uma política geral de educação que pouco se preocupa em educar no sentido formativo que ela também tem. Estamos subterrados em informação. Contaminados. Verifica-se até nos romances. Não reparou que os novos romances são cheios de novidade e reviravolta?

      Eliminar
  2. António Luiz Pacheco31 de outubro de 2014 às 03:33

    Não podia estar mais de acordo!
    (Não, não estou a dar graxa, fica já o aviso!)

    Vejamos se estou a pensar bem:
    (Isto num passado recente, dito contemporâneo)

    - Fomos governados por 40 anos por um professor de finanças... ao que se diz e consta, levantou as finanças do país.

    - Depois houve uns anos de forrobodó governativo, que afundou de novo as finanças e destruiu o aparelho produtivo...

    - Veio outro professor de finanças, que inaugurou uma nova era de prosperidade assente na destruição do aparelho produtivo por troca daquilo que lhes entregámos.

    - E a partir daí governaram sempre os contabilistas... os financeiros, gente que faz muitas contas mas que se revelam inúteis se não forem equilibrados pelos da gestão, pelos do I&D, pelos do marketing. É que os financeiros não criam, não gerem, isso é feito pelos outros, os financeiros só têm de saber que havendo 10, precisam de 5 para a despesa corrente, 1 para re-investir, de 1 para imprevistos e 2 para desenvolvimento, o 1 que resta é lucro. Mas se os deixarem... tendo 10, cortam a despesa corrente para 4, deixam 1 para imprevistos e 1 para reinvestir... tudo o resto passa a lucro e não há nada para ninguém! Aguentem-se com os tais 4 da despesa corrente e se algo correr mal, lá está o 1 para isso!
    Tem sido mais ou menos assim que nos governam, e desde o caso do Guterres (um homem bom e creio que sério) que se atrapalhou com a história do PIB e foi crucificado por isso, que só temos "financeiros e financeiras", a gerir o país com a mesma visão mesquinha, sem abrir os cordões à bolsa para o que é importante, e em vez de sustentar a clientela (há sempre um saco-azul a postos, para onde vai tudo que seja lucro) e que gere com base em cortes! Recebem, por antecipação - lá está o especial-por-conta - e masturbam-se frente aos ecrãs dos pc a fazerem simulações com valores hipotéticos de coisas que são altamente incertas, como crescimentos, mercados, impostos sobre o consumo, ratings etc. pornografia portanto! Entendem o Mundo à sua maneira e acham que as suas previsões são absolutas e garantidas, acreditam que isto é um jogo, e que se correr mal apagam o ecrã e começam outro... ignorando que estão a jogar com as vidas das pessoas!

    Enquanto não nos livrarmos dos financeiros, e os remetermos para o seu lugar e funções que não são de gerir mas sim de saberem quanto há e quanto se pode gastar, cabendo aos demais decidir ONDE ou COMO se gastará, vamos continuar assim como estamos, e que sim acredito interessa!
    Saúde, educação... investigação, cultura, salários, reformas... isso para um financeiro são custos! E há que cortar neles!

    Já disse mais do que uma vez que o objectivo desta gente liberal (sejam socialistas, sociais-democratas ou o que sejam) é aquele mesmo que foi procurado pelos ditadores e ditaduras:

    -Transformar a sociedade num rebanho, recolhido num curral de onde só sai para pastar, engordar, ganhar lã e parir borregos, sendo morto para comer, tosquiado e ordenhado, muito bem vigiado pelo pastor e os seu cães.

    Alguma dúvida?
    1º - Formam em circuito fechado e por escolha, uma pequena elite que governa. Os pastores, quem come e tosquia.
    2º - Esta apoiada pelos cães, as polícias, a ASAE, as finanças e os tribunais!
    3º - O curral - são as urbes e os bairros periféricos onde se amontoam as pessoas, ali perfeitamente encurraladas, e localizadas, ou controladas, numeradas pelo cartão do cidadão! Apenas lhes é permitido trabalhar e tudo que produzem é para alimentar os cães e para benefício dos pastores. Terão direito a ir controladamente a centros comerciais, grandes superfícies e estádios, o que faz parte do esquema. Serão distraídos por uma comunicação que os faça deixar de pensar e que criará heróis para os iludir!

    Portanto para quê a educação? A cultura?
    Isso ficará reservado à elite...

    Eu sinto-me perfeitamente uma espécie em vias de extinção, porque de facto não vejo onde me encaixarei... se b

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Excelente! O podre mecanismo está assim muito bem explicado, resta passar a mensagem aos que ainda têm pingo de raciocínio para eventualmente não se perder tudo.

      Eliminar
    2. António Luiz: demonstrada a diferença entre quem tem "Largueza" e quem vive num pequeno microcosmo.

      Eliminar
    3. Até lhe encontro razão, sabe? Mas sou por princípio contra as elites culturais. A cultura geral deve ser do povo ou, como bem diz, um país nunca é nada - que já somos quase nada por desgraçadamente não termos nenhuma fonte de energia rentável senão a eólica e talvez já nem seja nossa que tudo se vende, por sermos economicamente uns dependentes que, pelo visto, nos querem assim até a pensar. Mas acredito no poder lúcido de um povo. Porém, o nosso foi posto no redil. E o que chateia à séria é que os pastores são apenas cães danados, daqueles que o Cristo se voltasse expulsava do templo a perguntar-se em admiração, mas por que raio morri eu na cruz por estas deformações feita gente?

      Eliminar
    4. Caríssimo Sr. pacheco,

      Adorei este seu comentário, mas deixe lá a tristeza.
      Abraço

      Eliminar
  3. Tem toda a razão. Mas não são cortes apenas na educação e cultura, infelizmente. São-nos também na saúde e, sobretudo, nos salários. Eu que o diga, que sou funcionária pública. Precisamos de uma profunda reforma de mentalidades. Porque os políticos que temos reflectem o povo que somos. E enquanto imperar a inveja e não nos unirmos num ideal comum, jamais prosperaremos. Um doce fim de semana para si.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco31 de outubro de 2014 às 04:16

      Compreendo o que diz Extraordinária Sandra, mas numa coisa eu discordo:
      - Os políticos que temos não espelham o povo! Nem lá perto... somos um povo de grandes qualidades e capacidades, não temos por norma é líderes à altura!
      Só para dar um exemplo e porque temos de lembrar que estamos num blog de leitura, leia "Os Caçadores - os galos de combate de Wellington" - de David Martelo. Na Guerra Peninsular, os ingleses sabiam e gabavam as excelentes capacidades dos nossos soldados, tanto quanto desprezavam os nossos oficiais! Lembro que esse facto, de os oficiais portugueses estarem privados de comando, deu origem à revolta e enforcamento de Freire de Andrade. Homens com Bernardo Sá Nogueira eram já naquele tempo raros...

      Os nossos políticos não gostam sequer de nós, estão sempre a querer fazer de nós outros povos... sejam os franceses ou finlandeses! Logo nem nos espelham nem têm nada a ver connosco... veja o Gaspar que é tão bom lá no BCE e aqui foi o nosso maior carrasco... ele é bom mas é a ser suíço ou inglês ou o raio que o parta! Mas não a ser português e aliás nem quer, nunca querem. Nós somos apenas um bando de malcriados, invejosos e de preguiçosos, sem cultura nem higiene! Talvez por isso estejamos espalhados e com sucesso pelo Mundo fora... só em Portugal é que não, pois os excelsos governantes que temos nos vêem e tratam assim.

      Saudações eficientes, da Cidade Morena

      Eliminar
    2. Extraordinário António: e é possível distinguir um povo das suas lideranças? Não são eles parte de nós, não saíram do núcleo fundamental que nos constitui? Não somos preguiçosos nem perdulários. Mas invejosos somos. E muito. Temos de aplicar a energia gasta em vigiar os outros no nosso percurso. E sermos menos complacentes com as falhas graves de quem nos governa e connosco enquanto cidadãos. Olhamos com tolerância as falhas dos desonestos. Não pode ser. Olhamos com bonomia os nossos erros. Não pode ser. Continuemos com as nossas características culturais. Mas aperfeiçoemo-nos enquanto povo. Saudações da beira do Sado.

      Eliminar
    3. António Luiz Pacheco31 de outubro de 2014 às 07:05

      Extarordinária e Sadina Sandra:

      Volto a discordar em parte... e passo a explicar a minha idéia:

      - Os que governam saem do meio de nós?
      Bem, a maior parte sim... muito poucos saem da elite, são quase sempre mais terra-a-terra, mas acontece que se afastam de nós.
      Eles vão estudar e acham logo que passam a ser evoluídos, com duas idas às Docas.
      Nascidos no interior, chegam à cidade e às salas de aula e embriagam-se, deslumbram-se entram nas "jotas" e descobrem coisas, depois ligam-se e vão ao estrangeiro onde bebem outras e mais inebriantes coisas, e então querem mudar o país e o povo... mas só queimam as asas e passam de traças a escaravelhos que caem com estrondo depois de chocar com a lâmpada que envolve a luz!

      Rápidamente deixam de ser como nós... e passam a achar-se detentores do saber e da verdade, refutando de onde vieram, que pura e simplesmente obliteram. Não, não são afinal aqueles que saíram de entre nós, já não são! Quando chegam lá, ao poder, já não são dos nossos, são outra coisa e outra gente!

      Saudações desiludidas, da Cidade Morena

      Eliminar
    4. Não posso concordar com essa ideia.
      Quem anda todos os dias na rua vê perfeitamente que o português médio (seja lá o que isso for) tem um nível semelhante ao dos nossos governantes.
      Aliás, se os portugueses fossem assim tão bons, na hora do voto nunca escolheriam este tipo de gente.

      Eliminar
    5. António Luiz Pacheco2 de novembro de 2014 às 04:07

      Pois... mas esquece, ou ignora porque lhe convém, que a abstenção os nulos e brancos, superam os 50 por cento...

      Saudações eleitorais, da Cidade Morena

      Eliminar
    6. Não esqueci.

      Apenas considero que essa larga maioria demonstra estar contente com o actual estado de coisas (mesmo que reclame imenso em conversas de café).

      Abster-se (ou votar nulo) é sinal de pouca preocupação com o resultado das eleições.

      Eliminar
  4. Claudia da Silva Tomazi31 de outubro de 2014 às 04:11

    1 - Conheci Portugal de modo a tomar o modelo educacional Finlandês;

    2- Conheci Portugal de modo que tomava o modelo Europeu a base de cidadania;

    3- Aprendi reparar em conceito diferenciado de aprendizado por somente visitar vosso país;

    4- Aprendi reparar em detalhes de uma tradição concentrada e centrada na trajetória de valores verdadeiros;

    Educação está a liberdade da esfera de vossa bandeira e não é, repito não é vergonhosa a qualidade da educação, vergonhoso é querer buscar (outros modelos) as turras.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco31 de outubro de 2014 às 04:18

      Aplaudo!
      Extraordinária Cláudia e é o que penso e sinto, como já disse no post para a Extraordinária Sandra.

      Saudações entusiásticas cá da Cidade Morena!

      Eliminar
    2. Claudia da Silva Tomazi31 de outubro de 2014 às 08:37

      Disseste sim, António Luís Pacheco no comentário à Sandra Neves;

      (quanto ao post) é da Maria Rosário Pedreira.

      Eliminar
  5. Todos nós à espera do salvador Costa.
    E se for mais uma desilusão?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não há salvadores, Artur, quem nos salva somos nós próprios!

      Eliminar
  6. Não faz muito tempo que saí de Portugal, apenas dois anos, mas dois meros anos serviram para ver com maior clareza a miséria de país que nos oferecem quando tínhamos tudo para vingar. Enquanto vivi em Portugal, muitas foram as vezes que me indignei, reclamei, dei o peito às balas por uma sociedade melhor, por uma educação mais justa e equilibrada, pelo direito à cultura. Ainda assim, outras tantas vezes me faltaram as forças perante tanta soberba, tanto poder absoluto, injustiça e um sistema falido que não serve o povo mas sim os que governam ou assim acham. Não é preciso ir a Belém para perceber como funciona o sistema político em Portugal, basta a qualquer um de nós, tomado de uma certa seriedade e honestidade, encabeçar, por exemplo, uma pequena Associação. A corrupção, os interesses, os favoritismos, começam ali mesmo: nas pequenas instâncias criadas pelo próprio serviço publico. Quero com isto dizer que, durante 5 anos fui presidente de uma simples Associação de Pais e, não tendo cunhas ou padrinhos, vi-me e desejei-me para enfrentar aquela quadrilha que eram o poder local. A uns tudo davam e a outros tudo tiravam.
    Agora, do lado de cá da barricada, longe dos acontecimentos, consigo compreender de forma mais abrangente o meu país e tiro o chapéu ao Pacheco que tão bem o desenhou através do pastor, do cão e do curral. Também a mim me empurraram para fora, doeu, mas hoje, do fundo do coração, agradeço a essa escumalha política. Se não fossem eles, ainda hoje, talvez um pouco mais curvada das costas, pois o cansaço verga-nos, ainda por aí andava a lutar por causas que o dinheiro compra e arrecada no pote dos ditadores, dos filhos e afilhados da trapaça.

    Um abraço e bom fim de semana.
    Carla Pais

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ora nem mais, Carla. É as cunhas e os padrinhos aquilo que temos de mudar dentro de nós. Quantos revolucionários, gente às esquerdas e gente às direitas (nos seus dois sentidos), gente que levanta alto o estandarte da equidade, da justiça, da liberdade, chegando ao grupo dos primos e primas, se transforma, se modifica, se torna aquilo que "inglorifica?"
      A mudança está dentro de nós. Está em não usarmos os mesmos argumentos e instrumentos daqueles que consideramos os nossos algozes. Está em não deixarmos nos tornar pobres por dentro, não adorando os falsos bezerros de ouro, pensando ainda que o vestuário faz o monge.

      Eliminar
  7. É de facto um grande erro cortar na educação (sem esquecer os outros cortes). Mas este pagar-se-á caro!
    É vergonhoso o que fazem aos professores e, por tabela, aos alunos e aos pais. O problema é que investir na educação só dá frutos a médio/longo prazo e, na situação presente, o mais importante são os números imediatos.

    Não vem muito ao caso, mas isto está tudo ligado. Por causa de um problema que tive com a Segurança Social e, entre outros, lendo sobre o caso da senhora que se esqueceu de dar baixa do Imposto Automóvel, o meu marido acha que o Estado português trata os próprios cidadãos como se fossem criminosos! Não há informação, não há pedidos de explicações ou esclarecimentos e, passados uns anos, ataca-se com uma dívida descomunal!!! Toda a gente se pode esquecer de dar baixa de qualquer coisa, ou de comunicar algo, às entidades competentes. E, mesmo que esse esquecimento tenha sido mais ou menos voluntário, deveria haver um sistema que alertasse para a situação, antes que fosse tarde demais. É assim que deve agir um Estado de Direito, confiando na boa fé dos seus cidadãos! É-se inocente até à prova definitiva de culpabilidade.



    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Cristina, situação similar aconteceu comigo e percebi que deixaram passar o tempo para só me avisarem quando os juros estivessem ao rubro e já estava a chegar a data da prescrição (senão deixavam aquecer uns anitos mais). É amealhar até ao último tusto. Além de que já me obrigaram a pagar duas vezes o mesmo ano de imposto automóvel. Como não tinha guardado o recibo de há cinco anos, disseram eles, não podiam fazer nada.

      Agora está em estudo uma lei segundo a qual, se uma pessoa se passar um pouco com estas injustiças e falar um pouco mais alto com os funcionários das finanças, recebe ordem de pildra.

      O Estado nunca foi, em Portugal, pessoa de bem. E hoje ainda menos.

      Eliminar
    2. Essa de exigirem segundo pagamento, por a Ana não ter guardado o recibo, é mesmo desculpa esfarrapada. Então o pagamento não ficou registado em lado nenhum? Se a Ana não podia provar que tinha pago, eles que provassem que não pagou! Era assim que devia ser!

      O Estado esquece-se de que existe para servir os cidadãos, não o contrário!

      Eliminar
  8. Nada é por acaso, tudo isto é bem pensado e calculado e a ignorância é fomentada e já dá frutos.

    Às vezes tenho paciência e passo pela CASA DOS SEGREDOS, e aquilo é o retrato do país, um bordel autêntico só putas (eles e elas e com a família a assistir, note-se), e eu vomito...que vergonha!!! e não tenho dúvidas que só uma pequena minoria neste país não pensa como aquela gente.
    Nós, extraordinários, somos espécie em vias de extinção!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Severino: não tenho essa percepção. Há muita gente de bem, mas sofre de omissão de participação, de medo... Entre quem governa (repare que até o termo é abjecto, não se devia governar, mas gerir o bem público), há muito desconhecimento, ignorância, alienação do dia-a-dia. E uma esquizofrenia de branco e preto, uma incapacidade de consensos no que é de consenso. O país tem muitos bordéis, é verdade. Mas quem os incentiva? As Guilhermes desta vida, aqueles que se afirmam elites e deviam dar o exemplo não procurando a via simples do interesse e manipulação para seus fins próprios e exclusivos sem espírito colectivo.
      Falta-nos gente de exemplos, de valores universais, e menos idólatras de falsas elites!

      Eliminar
    2. António Luiz Pacheco31 de outubro de 2014 às 08:28

      Vou talvez asnear, pegando no que diz o Extraordinário PAS:

      - O mal até é capaz de estar nas "elites" , que não são na verdade elites coisa nenhuma mas sim falsas elites, e, daí desde logo a falta de princípios!

      Sempre assim foi, desde que desvirtuado o sentido de que a nobreza se ganhava em feitos e obras de valor nacional, se passou a acreditar que esta podia ser comprada ou atribuída aos que se limitavam a enriquecer.
      Na república a coisa não se alterou... manteve-se o mesmíssimo princípio que a elite estava acima e bastava ter o relacionamento certo e enricar!

      Criou-se assim um falso conceito de elite, em que esta deixou de ser composta pelos melhores dos melhores em alguma coisa, para passar a ser composta pelos que compravam ou alcançavam essa posição não pelo mérito de servir o Estado mas sim o sistema... depois entre eles trataram de manter em circuito fechado esse conceito.

      Por isso hoje há quem julgue que ser elite é ter estudado ou lido uma data de autores difíceis e esquisitos, e falar de forma incompreensível...
      Há quem julgue elite é ser esquisito e exótico nos gostos, na apresentação e nas coisas que faz e diz!
      Há quem julgue que elite é ter um nome com duas consoantes, e tratar por tu outros assim.
      Há quem julgue que elite é estar acima dos comuns e fazer o que quer porque pode pagar o que outros não podem.
      Há quem julgue que elite é frequentar os mesmo lugares e ombrear com os que têm real valor, só por causa de terem aquilo que antes enumerei.

      Não sei se me consegui explicar... mas haveria que devolver à elite a sua verdade: ser-se bom e servir assim o seu povo! Eventualmente governar, se fosse caso disso, entendendo-o como uma responsabilidade e porque houvesse essa capacidade de o fazer com justiça e para os outros, não para si!

      Saudações elitistas, da Cidade Morena

      Eliminar
    3. Não acredito que Portugal seja a casa dos segredos. Talvez os tempos e as vontades fomentem esse anátema de animal pérfido que temos todos. Mas se os extraordinários que aqui passam forem a excepção, para já, demito-me de passar. Não sou extraordinária mas comum, gosto de coisas e mundos comuns. E tenho de acreditar que é nesse mundo comum de muitos que tem de estar a cultura, é lá que tem de ir. A cultura de elites em meu entender tem pouco de cultura, falta-lhe mundo, ela tem de ser interpenetração e não essa coisa fechada em que vivemos. Enquanto ela seja para muito poucos só estarei nos poucos para arrebanhar muitos, lutar por todos os que desconhecem porque nem sabem que existe e os que não querem saber por ser muito fácil desdenhar do desconhecido. E que tanto perdem meus deuses! Tanto perdem por ignorarem, não poderem assistir, não terem possibilidade de comprar...sei lá.

      Eliminar
  9. Há dias em que os textos da nossa anfitriã não merecem sequer o acrescento de uma vírgula ou palavra, de tão certeiros que são. Este está lá perto.

    Não acredito (e penso em mim como exemplo) que a dita "casa dos segredos" nos represente de alguma forma.

    Não vejo, não falo, nem sequer de fugida passo por lá os olhos. E acredito, com todo o meu ser acredito que, algum dia, muitos daqueles jovens se arrependerão de ter participado naquele programa de puro "voyeurismo" gratuito.

    Parecem uns ratinhos no laboratório.

    Mesmo as entrevistas a anónimos que fazem nos diários daquele programa me são dolorosos: as pessoas a comentarem acerca desta ou daquela pessoa que lá está: «...ela não deveria ter feito isto... » «... aquele é isto e aquilo...» »... a outra é uma... ». Enfim, o culto da deselegância, absolutamente degradante.

    Como é possível àqueles jovens abdicarem de um direito tão fundamental como a PRIVACIDADE?

    Quanto ao resto, o governozinho da república, não passam de uns... %&/$#%& e!"##$$%$.

    E então caríssimo Ministro Crato, vai um chequezinho de educação? E a Cruz da justiça? Vai um chutinho naquele CITIUS?

    Ora, não há pachorra para aquela gente!

    Esses sim, esses é que eu gostava de ver na casa dos segredos! Esse programa seria algo de glorioso e... REVELADOR.

    Mais não digo.
    Abraços, extraordinária gente.





    ResponderEliminar
  10. Não queria interromper a peixeirada que para aqui vai, que sempre me pareceu interessante seguir discussões de café entre gente que sabe exactamente como é que o mundo devia ser mas não é, mas a autora esboçou o argumento de que a diminuição da venda de livros se relaciona com a incapacidade de a escola criar hábitos de leitura, o que por sua vez tem a ver com o desinvestimento na educação e na cultura, e isso interessa-me bastante.

    Sobre o disparate que é pensar que a cultura, os livros e, de modo mais geral, as Humanidades fazem bem ao povo, fala o meu colega Álvaro da Horta, neste texto recente:

    http://www.sed5contra.blogspot.pt/2014/10/sed-contra-o-regresso-das-humanidades_31.html

    Ainda assim, gostaria de dizer uma ou outra coisa. Parece ser da opinião geral que haver mais interesse pela Casa dos Segredos do que pelo Ensino Universitário é uma consequência do estado da Educação em Portugal. Infelizmente para aqueles que gostam de sentir confortáveis com as explicações fáceis, uma coisa tem pouco a ver com a outra. Há 30 anos, a taxa de alfabetização era francamente menor, e isso não fazia com que as pessoas quisessem subir na vida através da exposição mediática de um reality-show, até porque era fenómeno que não existia. Goste-se ou não, o fenómeno da Casa dos Segredos explica-se com relativa facilidade e através de um conceito que muitos teimam em não compreender: Democracia. Um regime democrático gera fenómenos destes, quer se queira, quer não, e quem quer que considere que isto é uma aberração não sabe bem o que é uma democracia e talvez tenha uma afeição secreta, possivelmente inconsciente, por outro tipo de regime. Mas não é preciso ir tão longe. Uma democracia gera fenómenos diversos. Entre os fenómenos literários, gera por exemplo o aparecimento de autores absolutamente medíocres. Gera-os porque, num regime democrático, são as massas que têm o poder decidir o que vale a pena ler e o que não vale a pena ler. E, como seria facilmente demonstrável, a opinião das massas é, além de muito preguiçosa, altamente influenciável. Hoje em dia, qualquer um pode ser escritor. Basta que lhe façam a devida propaganda, que ganhe um prémio literário ou que mereça a honra de ser publicado por alguém que publicou autores que se fartaram de vender no passado. Os best-sellers não aparecem pelo seu valor literário; são criados através de mecanismos tipicamente publicitários. Enquanto se fala aqui de cunhas, compadrios e lisonja para diagnosticar um mal geral na classe dos que governam, esquecem-se de que aquilo a que chamam alta cultura, e que consideram ser a salvação do país, enferma de mal idêntico.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A "Casa dos Segredos" foi gerada pela Democracia?! Isso não será um pouco forçado? Não terá sido antes criada por uma produtora (empresa privada que, como todas as outras empresas, procura obter lucro) de televisão?

      Eliminar
    2. Afinal, sempre tinha algo mais a responder.

      Eliminar
    3. O Francisco esqueceu-se de atribuir a autoria dos seus argumentos ao Tocqueville. O seu a seu dono.

      Eliminar
    4. E qual é o regime que potencia a existência de empresas privadas cuja sobrevivência depende do lucro e, portanto, daquilo que o maior número de pessoas determina que deve ser o produto dessa empresa?

      Eliminar
    5. O sistema que o Francisco se quer referir, chama-se "Economia de Mercado", e obedece à lei da oferta e da procura.

      Abraço

      Eliminar
    6. E qual é o regime mais adequado a uma Economia de Mercado?

      Eliminar
    7. Por acaso na ditadura de Salazar não existia também uma economia de mercado?

      Na ditadura de Pinochet?
      Na ditadura de Franco?
      Na ditadura deste, daquele... daqueloutro e do outro...

      O único regime onde não se aceita a economia de mercado é Comunismo, e mesmo esses são os mais ortodoxos. Veja-se o caso da Jugoslávia, o caso ainda mais recente da China, etc etc.

      Abraço

      Eliminar
    8. Eu não disse que era o único regime em que havia Economia de Mercado. Disse que era o mais adequado. E isso é relativamente simples de demonstrar. De resto, parece-me que o Vítor está a dizer que o fenómeno da Casa dos Segredos podia ter ocorrido em ditadura, como aconteceu agora, bastando para isso haver uma produtora interessada no formato. Eu estou a dizer que o fenómeno da Casa dos Segredos só podia fer ocorrido em Democracia, porque só em democracia há liberdade de costumes e liberdade económica capazes de fazer corresponder a procura à oferta. É esta a diferença.

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório