Bibliotecas
Vila Franca de Xira inaugurou uma moderníssima biblioteca municipal. E ainda há pessoas que passam uma vida inteira sem ter posto os pés numa biblioteca. No princípio deste século, trabalhei para uma empresa que tinha, na sua sede, um grupo de jornalistas recentemente licenciados, contratados para escreverem entradas de dicionários e enciclopédias sobre tudo e mais alguma coisa, mas que pesquisavam exclusivamente na Internet, não fazendo a mais pequena ideia do que era entrar numa biblioteca e requisitar um livro. Um dia, um dos responsáveis pela empresa pediu a um desses jovens que escrevesse um verbete de quinze linhas sobre João de Deus (o assunto era literatura); e então ela foi ao Google ou à Wikipédia e fê-lo em menos de nada (copy/paste, provavelmente); só que, quando se foi a ver, a figura do verbete era o S. João (o apóstolo preferido de Deus, estão a ver?)… Bem, como homenagem às bibliotecas públicas, junto hoje uma colecção de fotografias que revelam exemplos bem curiosos. Divirta-se a ver e, claro, vá à biblioteca.
É um orgulho para mim trabalhar na Rede de Bibliotecas de Vila Franca de Xira. Obrigada Maria do Rosário pela referência. E por favor, visitem a Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira, que também é designada de Fábrica das Palavras. Ela é linda e muitíssimo funcional.
ResponderEliminarNão conheço ainda a biblioteca de Vila Franca de Xira mas um meu familiar (de Samora Correia) já me deu excelentes referências da mesma e disse-me que não deveria perder o auditório (creio que foi isto que ele me disse) respeitante à obra de Alves Redol. Em breve quero lá ir.
Eliminarquando quiserem convidem-me para lá ir falar dos meus livros, que irei com muito prazer. Tenho livros que têm como destinatários leitores de todas as idades. Muito obrigado. José Lança-Coelho.
Eliminarquem gosta de livros, gosta de bibliotecas, as suas casas maiores.
ResponderEliminare por aqui todos gostam de livros.
e quando passar por Vila Franca de Xira, vou lá dar uma espreitadela
E aquele rio maravilhoso ali tão perto...
ResponderEliminarE se há algo de imensamente positivo neste País são as bibliotecas públicas.
ResponderEliminarA Biblioteca Municipal Almeida Garrett localizada nos jardins do Palácio de Cristal do Porto, imensamente acolhedora e funcional, visito-a todas a semanas (trabalho a 100 metros dela), merece um prémio !Assim como a do Campo Pequeno que frequentei na adolescência (já era homem o Saramago e por isso nunca o encontrei por lá). E também a da Junta de Freguesia de Alvalade, também frequentada nos tempos de liceu. Sempre tive o vício de requisitar 3/4 livros que levo para casa durante 2 semanas renováveis e de que só leio muito pouco. As bibliotecas americanas, tema das imagens do site, são das melhores coisas que há do outro lado do Atlântico.
ResponderEliminarSou um frequentador de bibliotecas, e um requisitante assíduo. No desempenho da minha profissão, tenho deambulado (no bom sentido) por Portugal de norte a sul e sempre que tenho oportunidade antes de outras visitas não deixo de ir à biblioteca do sítio.
ResponderEliminarA Biblioteca José Saramago (de BEJA) é das melhores que conheço, a de Torres Vedras também é muito boa, a de Loulé também é excelente, já a de Faro é muito fraquinha tal como fraquíssima é a do Montijo.
Uma das maiores transformações que vi numa Biblioteca foi a da Amadora (Biblioteca Fernando Piteira Santos) que, em pouco mais de meia dúzia de anos, passou do 8 para 80, já que era um depósito onde os reformados iam ler o jornal (sem desprimor para estes leitores, obviamente) e realmente está transformada numa biblioteca espectacular. Parabéns a todos os que lá trabalham e a todo o pessoal que é cinco estrelas (pessoas sempre muito disponíveis e simpáticas). Aliás, devo confessar que todas as pessoas (empregados) das bibliotecas que citei são cinco estrelas, talvez apenas com uma pequenina pecha (considero eu), não parecem ter o gosto da leitura...mas, muito bem diz o povo que (por vezes) em casa de ferreiro espeto de pau.
Huummmm...não sei se ainda estará o Filipe a dirigir a Biblioteca; encontrei-o numa que criou de raiz, donde terá rumado à Amadora. Recordo uma actividade que era qualquer coisa como "Uma noite na biblioteca" e que o telejornal referenciou. Estava eu dizendo, isto parecem coisas do Filipe e vai daí ele a ser entrevistado. Na verdade os bibliotecários são um motor de velocidade variável. Quando são muito bons a biblioteca dá um salto, acontece uma maré viva e todos lucram.
EliminarEntão, muitas marés vivas nas nossas bibliotecas. Que frequento pouco, com o vício de escrever nos livros...
A minha biblioteca de agosto é a de Tavira. É excelente e adoro que tenha o nome de alguém que foi feito nascer na cidade e nunca existiu: Álvaro de Campos.
ResponderEliminaradmitindo desde já que a pergunta pode ser um bocado parva, mas cá vai: que empresa é essa que contrata pessoas para escreverem entradas de enciclopédias? Sim, era um emprego que gostava de ter...
ResponderEliminarPois, não sou muito ambicioso...
Mas gosto muito de bibliotecas, lá isso gosto.
Ora nem de propósito, ó Zé!
EliminarQuero dizer: foi justamente a pretexto dos jovens jornalistas empregados de uma editora – os quais, segundo Maria do Rosário, com informação recolhida ao acaso se ocupam de escrever aleatoriamente as entradas das enciclopédias e dicionários – que decidi hoje de manhã começar a fazer um texto para o próximo “Ando a Ler”.
O meu tema será a releitura de J.L.Borges: “Ficções”.
Para avaliares a razão deste meu pretexto – o fortuito, a coincidência, o acaso (temas tão caros a Borges) – deixa-me transcrever-te este parágrafo que, por acaso, tenho já escrito nas (por enquanto) seguintes palavras:
«Li algures que, desde criança, Borges lia ao acaso dicionários e enciclopédias. Segundo o seu amigo Alberto Manguel, ele sempre confiou no “acaso ordenado de uma enciclopédia”. »
Portanto, estás a ver? – isto que Maria do Rosário nos conta (João de Deus vs João, o apóstolo preferido de Deus, no acaso ordenado de uma enciclopédia) – isto, se calhasse nas mãos de Borges… ui!, as “Ficções” teriam ficado diferentes…
Teríamos, pelo menos, mais uma “ficção”.
Se bem que, a existir na realidade, esta ficção, por relatar factos reais e verdadeiros, seria falsa – o que, ainda assim, aumentaria a sua qualidade, pois que, segundo Borges, “basta que uma ficção seja possível para que exista. Somente está excluído o impossível”.
Mas onde começa o impossível?
Não terá sido por acaso o “bê-á-bá” de João de Deus o mesmo que, uns escassos milénios antes, levou Deus a apostar nas capacidades evangelizadoras do apóstolo João?
Como comprova o relatado por Maria do Rosário, é perfeitamente possível, ainda que sem querer, ordenar o acaso nas introduções das enciclopédias, dos dicionários – e dos evangelhos.
Portanto, ó Zé, não tenhas problemas: a tua pergunta não é (pelo menos na minha óptica e na de Borges) nada parva. Somente está excluído o impossível.
Faço o elogio da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, Telheiras, Lisboa. Linda e funcional. O acervo não é muito grande mas quando pretendemos um livro que não há, encomendam-no a outra biblioteca da rede, informam-nos por telefone assim que está disponível, podemos requisitá-lo.
ResponderEliminarÉ muito frequentada por muitos jovens para nela estudarem. Farão naturalmente muito barulho, são até arrogantes... Nada disso, são impecavelmente silenciosos, assim contribuindo para o ambiente sereno de que uma biblioteca carece.
Não há nada merecedor de elogios em Portugal? Há pelo menos as magníficas bibliotecas públicas.
Moderníssima?
ResponderEliminarBem, vós recordo de bibliotecas digitais a exemplo o projeto 'Guttemberg'.