Amarrados
Por estes dias, sai para as livrarias um livrinho muito bonito de José Fialho Gouveia (o excelente entrevistador do infelizmente extinto programa Bairro Alto), acompanhado de um CD cujas músicas foram compostas por Manuel Paulo (da Ala dos Namorados, entre outros). Trata-se de Amarrada à Tua Mão, uma peça de teatro para todas as idades que pode ser lida como um conto sobre esta pressa louca com que hoje vivemos e que nos tira o tempo e o prazer das coisas que são realmente importantes para nós. As personagens são um casal – ele sempre doido de trabalho, sem sequer tempo para ir ver o pai ao lar, ela uma jornalista farta da profissão e desiludida por nunca ter disponibilidade para a filha de ambos (quantas vezes chega a casa e já ela dorme?) – e uma boneca, a boneca que foi o brinquedo preferido da jornalista, mas jaz agora na prateleira de cima de um armário, sem préstimo, e nos canta a sua solidão (essas são as canções presentes no CD). Num dia especialmente triste, o casal resolve fazer um balanço sobre a sua vida e confirmar que os sonhos que tinham antes de se tornarem adultos foram, afinal, completamente ultrapassados por essa vida voraz e triste que levam. Então, também a boneca conhecerá um novo destino... Muito bonito e uma boa lição para todos nós, Amarrada à Tua Mão já esteve em cena, mas queremos que regresse, nem que seja aos palcos de muitas cabeças.
P.S. Apareça na Fábrica Braço de Prata dia 16 às 19h para ouvir Alice Vieira falar do livro e também algumas das canções.
Nem mais. Não é fácil ultrapassar esta voragem. Pode ter também no imediato custos altos. Nada é desprovido de custos. Mas nos dias que medeiam para o pôr-do-sol dos nossos dias, vale a pena desamarrarmo-nos desta voragem que nos consome. Os sonhos em primeiro lugar mesmo que os chamem de delírio!
ResponderEliminarGosto muito das entrevistas que tenho visto do sereno José Fialho Gouveia na RTP2, daí...
ResponderEliminarA propósito deste mundo actual em que anda tudo com pressa e tudo se mede economicamente, deixem-me recordar Manuel António Pina numa das suas crónicas "o belo é útil por ser belo",
é que eles nem sabem nem sonham...
Os livros
EliminarÉ então isto um livro,
este, como dizer?, murmúrio,
este rosto virado para dentro de
alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca,
se abre desamparadamente
como uma boca
falando com a nossa voz?
É isto um livro,
esta espécie de coração (o nosso coração)
dizendo “eu“ entre nós e nós?
Manuel António Pina, in “Como se Desenha uma Casa”
Lindíssimo!
EliminarPois. É como diz o Severino: o belo é útil por ser belo...
EliminarOu foi o Pina que disse?...
Ah! Pois! Foi o Pina.
Mas o facto de o Severino o ter registado já é uma confirmação da tese de Pina - tese que a Cristina vem agora reforçar.
Há um belo exemplo de: Amarrados . Estou a citar do termo brasileiro para união estável a exemplo de Marina Colasanti e Affonso Romano de Sant'anna, ele o renomado poeta brasileiro e ela etíope de Asmara, escritora vencedora de alguns prêmios dentre eles o prêmio Jabuti.
ResponderEliminarO que eu gostei do Bairro Alto!...Programas bons não devem morrer. Acredito que a peça seja boa. José Fialho Gouveia tem qualidade. E sabe ouvir.
ResponderEliminarÉ verdade E SABE OUVIR; efectivamente foi uma constatação ao longo dos programas que ouvi.
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