Viagem a Safara

Quando lancei Os Demónios de Álvaro Cobra, de Carlos Campaniço, fizemos o lançamento na aldeia alentejana de Safara, o seu local de nascimento. No caminho para lá, desconhecia o que iria encontrar (aldeias alentejanas há muitas, sua palerma!) e fiquei francamente surpreendida à chegada e pela tarde fora com o que fui vendo. Safara tinha restaurantes e bares, prédios e ruas largas – enfim, não era muito parecida com o protótipo da aldeia de casas baixas e branquinhas do Alentejo. E tinha, sobretudo, muita gente boa e simpática que apareceu na hora da apresentação do livro e tornou a festa realmente fantástica. Pois bem, amanhã voltarei a Safara, desta feita para celebrar a saída de Mal Nascer, o novo romance de Carlos Campaniço que foi finalista do Prémio LeYa no ano passado. E, se da primeira vez tivemos a excelente companhia de Mário Zambujal, agora levaremos connosco de Lisboa a melhor gargalhada das nossas letras – ou não fosse Alice Vieira a mais optimista e positiva dos escritores portugueses. Se não conhece Safara e quer surpreender-se, venha também. Garante-se bom ambiente e muito divertimento!


 






Comentários

  1. António Luiz Pacheco5 de setembro de 2014 às 01:53

    Mas contem com um calor de rachar!!!!

    Aconselho o Arcada... come-se bem (regional) por um preço justo. Os safarejos são pessoal castiço, mas muito trocista, mantendo sempre aquele tom e ar sério.

    A estrada de Évora para lá, vale a pena fazer de duas formas ou por Reguengos ou por Portel. Passando a serra do Mendro e depois indo por Portel direito à Barragem de Alqueva e daí a Safara. Para não fazerem duas vezes o mesmo caminho pode ir-se também por Mourão-Reguengos, ou seja saindo de Safara mete-se para a Póvoa de S. Miguel e Amareleja...

    A estrada Portel - Alqueva, nesta época, dá uma imagem dos arredores de Benguela...

    Saudações da cidade morena, para a semana já estarei aí no meu Bairro Ribatejano!

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    1. Apenas uma correcção: os naturais de Safara não são safarejos, mas sim safarenhos.

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    2. António Luiz Pacheco5 de setembro de 2014 às 07:18

      O pessoal dos Amiais também são amienses, mas toda a gente lhes chama amialeiros... com os safarenses passa-se o mesmo, os vizinhos referem-se a eles como safarejos, com a devida desculpa pois não pretendo ofender ninguém.
      Também aos de Vila Verde de Ficalho chamam ficalheiros... (uai!) .

      Saudações benguelenses... ou bengueleiras?
      Ahahah!

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    3. António Luiz Pacheco5 de setembro de 2014 às 07:40

      Já agora, para algum eventual e interessado leitor, não para si que parece ser conhecedor da matéria, mas também para não julgarem que sou um tontinho a fazer graçolas, existem a ribeira de Safareja e o Castro dos Safarejos, perto do Castelo velho de Safara, que é aliás um sítio arqueológico muito importantes na bacia do Ardila, para o estudo do que os espanhóis tratam por "Beturia de los Célticos".

      Portanto não é tão errado assim chamar de safarejos aos safarenhos...

      Saudações pré-romanas de Benguela!





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    4. Obrigado, António Luiz. Saudações.

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    5. francisco perfeito caetano16 de novembro de 2014 às 15:06

      uma correcção à correcção os nascidos em Safara são única e correctamente designados por SAFARENSES.

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  2. Prezada Maria do Rosário Pedreira,
    extrapolando o assunto do post , venho propor-lhe um assunto a tratar num futuro artigo, se achar conveniente. A utilização de palavras em desuso e regionalismos, usados pelo mestre Aquilino Ribeiro e Mário de Carvalho nas suas obras. Porque é que não há mais autores portugueses a escreverem desta forma? E porque é que os clássicos portugueses estão tão esquecidos?
    Obrigada e cumprimentos.
    Fernanda

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    1. Olá, Fernanda.

      Há alguns autores que usam palavras desusadas, regionalismos e... de um modo geral, as palavras certas. Mas não são os autores mainstream, aqueles que os editores e os grandes editores preferem. Esses optam pela linguagem chã que caracteriza os autores consagrados e vencedores de prémios nos dias de hoje. Leia um Gonçalo M. Tavares, por exemplo: nunca precisará de ir ao dicionário. Mas é o maior de todos, ensombrando todos os que escrevem com atenção ao pormenor da palavra.

      Mas repito: há muitos autores a escreverem bem como Mário de Carvalho e Aquilino. Normalmente não vendem e normalmente têm de optar por edições de autor, declaradas ou encapotadas.

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    2. Gonçalo M. Tavares é um bom autor pela racionalidade que imprime ao que diz e como diz. E se não escreve bem...vou ali e já venho. Não sou uma leitora desembraiada do escritor e nem sequer tento com ninguém a ousadia de seriação. Na verdade uns escritores serão melhores que outros, mas o essencial parece-me ser que criem uma identidade na escrita e usem um modo próprio de contar. Depois chega a vez dos leitores, que, por questões subjectivas e culturais, preferem este ou aquele.

      Gosto de observar o jeito de contar de cada um. As palavras difíceis são o gancho que alguns autores usam para espevitar o leitor.

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    3. Gonçalo M. Tavares é um óptimo escritor. Mas longe de ser o melhor de todos como certa publicidade quer fazer crer... Isso é cunhas, conhecimentos favorecimentos, compadrio, capitalismo. Dito isto, leio-o. Já li tudo dele. Mas já li também tantos autores que achei melhores... ou que me despertaram mais para o que me importa na vida.

      E ao dizer isto, quem sabe... ajudei a vender dez livros dele. Parabéns ao homem.

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    4. Maria do Rosário,
      agradeço a sua resposta, a qual veio reforçar a minha opção de ser uma «outsider» no que respeita à literatura. Não por simples oposição, porque quero ser contracorrente, mas porque acho que o gosto se educa. Aproveito para lhe dizer que até à data, o meu livro preferido é «Todos os Nomes» de José Saramago. Senti na pele, ao ler a obra, uma verdadeira angústia, como se fosse eu própria a seguir o fio de Ariadne.
      Cumprimentos,
      Fernanda

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    5. Cara Maria do Rosário,
      Qualquer editor tem sempre que contar com as vendas. Estatisticamente a linguagem chã é a da maioria da população, portanto a probabilidade de ganho é maior. Por essa razão certos autores " a metro" têm grandes sucessos editoriais, o que nada tem a ver com a qualidade da escrita. Um estilo despojado, minimalista, pode ter enorme qualidade, mas um estilo mais erudito também. Não concordo consigo quando fala em "autores consagrados e vencedores de prémios" ou em autores "mainstream"... Mainstream são também as telenovelas, versão actual das fotonovelas e das radionovelas, a leitura cor de rosa ou a música pimba. São efectivamente consagrados, mas para ou por quem? Não ir ao dicionário não é necessariamente uma qualidade, geralmente significa o contrário, banalidade, ausência de elegância e domínio da língua, ideias sem complexidade...
      O domínio do vocabulário está directamente relacionado com o quociente intelectual, ou dito de forma mais simples com a inteligência e com a cultura. E estas variáveis estatisticamente só estão presentes numa minoria de qualquer população, seguindo uma curva de Gauss. Em resumo, se a edição tiver objectivos comerciais de venda em massa nos hipermercados, sabemos bem que autores são os consagrados...se pelo contrário se dirigir a uma minoria culta, inteligente e erudita, aí o "negócio" é outro... Isto sem obstar a que uma escrita simples e acessível possa ser melhor que outra rebuscada e com palavras "caras", dependendo da qualidade do autor, isto é, do seu talento. Se ele existir, qualquer que seja o estilo e o vocabulário, não se fica à sombra de ninguém...
      E é por essa percepção que distingue um bom editor, que só deixa para edições de autor o que considera que não tem qualidade literária, mesmo que não conte com sucessos de venda em certos caso.
      Cumprimentos

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    6. Boa tarde,
      para quem desconheça, Gonçalo M. Tavares corresponde a Gonçalo Manuel Tavares.
      Cumprimentos.
      Maria

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    7. Cara Fernanda,
      Queria dizer que ainda não respondi ao seu comentário (foram os meus Extraordinários leitores que o fizeram). Publico Mário Cláudio, por exemplo, que - se ler - verá que utiliza um vocabulário extensíssimo. Mas também não é apenas o vocabulário que faz a excelência de uma obra. Contudo, como anteriormente prometi aqui no blogue, vou recuperar uma vez por mês algumas palavras que estão a cair em desuso para as recuperar. Espero que venha cá no dia 15. Um abraço.

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    8. Gonçalo M. Tavares é simplesmente um escritor desconcertante!

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  3. Creio estar a assistir a um equivoco, a resposta a fernanda nao me parece ser da maria do rosario pedreira, dado que costuma sempre assinar os seus comentarios...mas posso estar enganada.
    (desculpem a falta de acentos).
    Isabel

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  4. SAFARA faz parte dos sonhos da minha infância , SAFARA para mim é a terra da farinha, local aonde o meu teu ia comprar a farinha para depois a revender (na Corte Pinto)...

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