Para que serve um blogue
Ao longo de mais ou menos três anos, este blogue recebeu milhares de visitas. Algumas passaram por cá e logo foram à sua vida, outras demoraram-se na casa mais de um ano, mas acabaram por partir, outras ainda gostaram da mobília e fizeram das Horas Extraordinárias uma sala de estar onde se encontram diariamente para conversar. Nestes três anos, a anfitriã – ou seja, eu – foi podendo conhecer melhor uma série de pessoas sobretudo pelo que vão deixando escrito nos comentários. Mesmo assim, foi bastante bom poder pôr rostos nos nomes de alguns dos «passageiros frequentes» e, por isso, agradeço aos que têm aparecido em lançamentos de livros que publico ou passado pela Feira do Livro de Lisboa a cumprimentar e a apresentar-se. Recentemente, aconteceu até uma coisa muito bonita: uma leitora assídua deste blogue, que vive em França, veio de férias a Portugal e mostrou vontade de se encontrar com o Manel e comigo. Nunca nos tínhamos visto, mas, num jantar na «cantina» do nosso bairro com a sua fantástica família (marido e dois filhos ultra-afectuosos), de repente era como se nos conhecêssemos de toda a vida e só estivéssemos, afinal, a pôr a conversa em dia. A Extraordinária Carla Pais (que todos conhecem certamente daqui) adora ler e escrever e, antes de nós, já tinha estado com escritores que admira, aproveitando as férias para travar conhecimento com alguns deles. Não me passaria pela cabeça falar deste caso em particular (a minha gratidão, notem bem, é para com todos os leitores deste blogue) se não houvesse uma razão muito forte para o fazer, uma notícia que – estou certa – deixará contentes todos os Extraordinários: a Carla concorreu com um conto a um Concurso Literário na ilha da Madeira (Prémio Horácio Bento Gouveia) e foi a vencedora! Além disso, decidiu doar parte do valor ao Centro de Apoio Psicopedagógico de São Vicente (na mesma freguesia que atribui o galardão). Eu fiquei muito feliz por ela e partilho a boa-nova para que todos os que se sentam na sala-de-estar ao seu lado todos os dias lhe possam também dar os parabéns. Muito bem, Carla!
Conheço a Carla da realidade virtual do facebook e, por vezes, "trocamos umas bolas".
ResponderEliminarFoi pelo facebook que eu soube desta novidade e foi por lá que dei os meus parabéns à Carla.
Volto a fazê-lo aqui também: Muitos PARABÉNS Carla! Agora nada como uma semaninha de férias nos Açores! :)
bom fds a todos,
Rui Miguel Almeida
E manter diariamente um blogue não é tarefa fácil, e eu que o diga pois também tenho a pretensão de manter um blogue (Kontestu) há quase três anos, embora o actualize apenas de cinco em cinco dias (mantenho-o não porque tenha muitos visitantes mas porque me dá prazer escrever sobretudo sobre os livros que vou lendo); por isso mesmo felicito a Maria do Rosário por nos proporcionar esta maravilhosa janela que é efectivamente uma espectacular sala de estar onde nos encontramos diariamente para conversar.
ResponderEliminarÀ Carla Pais também os meus sinceros parabéns!
A Carla é o exemplo perfeito da trilogia necessária para um dia ser lida por públicos maiores. Talento e paixão pela escrita, a que associa muito bem a terceira característica fundamental, o trabalho denodado sobre a escrita e leitura. Num tempo de grande selecção poderão alguns dizer isso ser condição necessária, mas não suficiente. É verdade. Mas também quem tem consciência disso e das inúmeras outras variáveis, sabe estar a Carla muito mais perto de concretizar o seu sonho. E para quem já leu parte do seu conto, percebe que não é só mais a variável sorte que irrompe daquele conto: é também a magia da escrita e o encantamento que acontece de uma forma mais ou menos vincada em cada coisa em que nos inscrevemos. A sorte um dia sempre chega!
ResponderEliminarPoderia (ser menos dramático) Sande e dizer a Carla País tem talento.
EliminarClaúdia ! Menos dramático seria dizer à Carla: Carla, o comboio só apita duas vezes, ou, Carla, aproveita enquanto dura a plataforma papel, ou, ainda pior, Carla, aproveita enquanto a camada do permafrost não era. Mas, pronto, já sei que a Cláudia queria dizer «Tão Barroco!»
EliminarMas Cláudia, o que é a vida sem dramaticidade, exuberância, contraste , tensão?
Parabéns, Carla. :)
ResponderEliminarObrigado, sempre, à Maria do Rosário por este blog !
ResponderEliminarParabéns à Carla ! Quando vai ser publicado o seu conto? Onde o poderemos ler?
Felicito a meritória Carla, tanto pelo prémio quanto pela partilha que dele faz com uma instituição de solidariedade social.
ResponderEliminarBem-haja.
Não direi que foi sem querer, pois foi mesmo de propósito, acabei por ficar amigo (ainda que virtual, mas isso é fruto duma modernidade que aceito) de muitos dos frequentadores deste blog, e nem sempre por pensar como eles e vice-versa, mas porque são obviamente pessoas de bem!
ResponderEliminarPorque são gente esclarecida e que pensa com elevação, além de como eu adorarem os livros e a escrita.
Por qualquer razão, pois nada acontece por acaso, e que suponho que seja para a nossa evolução, mútua este blog Extraordinário nasceu e nós nos juntámos aqui.
Pela minha parte tenho de agradecer à Nossa Extraordinária Anfitriã o trabalho diário a que se tem dado, e aos restantes Extraordinários que aqui me suportam também quase diariamente e em particular aos que comigo acabaram por criar alguns laços de amizade na partilha da nossa paixão literária mas também pelo ser humano.
Agora em particular à minha estimada amiga Carla Pais, pois claro, a quem também já havia saudado pelo prémio. Não a conheço pessoalmente, apenas daqui e de trocarmos umas idéias e até "bocas" sempre bem-humoradas no facebook, mas tenho a certeza de que é uma pessoa boa e de princípios, o que nos atraiu com certeza... desejo-lhe o maior sucesso e toda a felicidade que os filhos, a escrita e a vida lhe possam dar!
Muito sinceramente, pois se há coisas de que gosto e em que acredito é em desejar o bem aos outros, e na corrente de bem-estar que tal origina!
Saudações do Bairro Ribatejano!
OBS - Já quase papei "O velho e o mato"... ahahah! Soberbo!
Bolas... saiu mal-escrito, mas é do coração como soe dizer-se... é o que vale!
EliminarPois bem, assim é carregar na tinta e tem mais, premiação faz jus a quem esforça-se.
ResponderEliminarParabéns Carla !
acho que todos nós sabemos que a blogosfera é um dos poucos sítios onde se fazem horas extraordinárias de graça e nos sentimos recompensados (num país como o nosso, é obra!).
ResponderEliminarespecialmente quem gosta de livros.
parabéns à Carla, e à Rosário, claro.
[a despropósito]
ResponderEliminarLi ontem o "Dizem que Sebastião" do Rebocho Pais, muito elogiado nestas páginas (foi por isso que comprei o livro). Venho confessar que foi para mim um desconsolo, ainda para mais sendo eu um olivalense como ele. É uma escrita de alguém que deve ter muita graça ao vivo em conversa de amigos mas que na escrita está sempre a piscar-nos o olho ("esta teve piada, não teve?").
O enredo é elementar, a profundidade psicológica mínima, o estilo demasiado colado à oralidade piadética. O objetivo do autor parece ser o de criar uma fábula, de utilidade essencialmente didática, para adolescentes que não gostam de ler, terminando com moral esopiana: "homem que não lê, não tem lábia de engate" (o que, ainda por cima, qualquer olivalense sabe que é uma rotunda mentira...).
O primeiro parágrafo do livro então é de antologia: deve passar o início de "Dizem que Sebastião" a ser um clássico exemplo para ilustrar em curso de escrita criativa como se faz um primeiro parágrafo desastroso. Não só é desastroso em ideias e estilo, como ainda por cima é um fragmento de texto que não serve para nada. É que se lê o segundo parágrafo (de aceitável qualidade literária) sem precisar do que ficou dito atrás.
É obviamente uma opinião pessoal e subjetiva, mas não menos sentida. Desculpem-me os que adoraram o livro. É também esta diversidade de gostos que torna fascinante a literatura.
[perdoem-me o despropósito]
Caro Artur,
EliminarTenho por hábito elogiar os livros de que gostei muito e abster-me de comentar aqueles que deixo a meio ou leio sem especial prazer. Isto não é nenhum reparo, espero que acredite. Sou assim em muita coisa, não apenas em relação aos livros.
Apreciei a critica que fez ao livro em questão, porque fundamentada. O seu "a despropósito" poderá sê-lo apenas e só porque o tópico em discussão é outro. Como também saberá, trata-se de um livro editado pela anfitriã deste espaço. Emitir uma opinião negativa ao mesmo aqui (e o mesmo é válido para todos os outros livros), não deverá ser criticável, quando feito da forma que o Artur fez.
Todos temos direito a uma opinião e este é (assim o vejo) um espaço onde discutimos todos uma paixão em comum: o amor aos livros. A título de exemplo: sei que o Artur gosta imenso de um autor que não me diz muito (igualmente publicado, até há pouco, pela Maria do Rosário), que é o João Tordo. Por muito que o elogie, não tem em mim quem lhe replique os elogios, pelo menos tão efusivamente. Voltamos ao mesmo: tudo uma questão de gostos e opiniões.
Com isto tudo, o que lhe quero realmente dizer é que o admiro pela franqueza das suas opiniões. Eu prefiro elogiar quando gosto muito e calar quando acontece o contrário, mas digo-lhe ainda isto: quem me dera a mim ter alguém que me desse uma opinião sobre as minhas escrevinhações tão sincera e fundamentada como aquelas que já aqui neste espaço lhe "ouvi".
Um forte abraço,
Rui Miguel Almeida
Caro Rui Miguel,
EliminarRespeito a sua postura de só dizer bem e abster-se de escrever sobre o que não lhe agrada. É de cavalheiro e de diplomata. Eu como fui emigrante durante largos anos nos USA sou adepto de uma desinibida troca de ideias que lá vi praticada sem que isso criasse formigueiros a ninguém. Há uma franqueza anglossaxónica, praticada no debate da cultura e das ideias, em que a crítica negativa não é confundida com ataque pessoal, e isso, a meu ver, faz muita falta nesta nossa terrinha empurrada para um cantinho paroquial da Europa. Tem o Rui Miguel todo o direito de não gostar dos romances do Tordo (a meu ver devia expressá-lo) , como me reconhece a mim o direito de ter detestado o livro do Rebocho. Agora, pelo respeito que tenho à qualidade intelectual da MRP, não me vou inibir de criticar um livro por ter sido por ela editado (lembrando, como o fiz, que é uma opinião subjetiva e pessoalíssima). Do desencontro de opiniões às vezes surge uma razoável discussão.
E ainda falta um grupo de pessoas, no qual me incluo, os que continuam a ler este blogue (desde o início), mas que raramente comentam.
ResponderEliminarRaramente ou nunca até agora, como foi o meu caso. O seu comentário espicaçou-me a sair do grupo "apenas leitores assíduos" para o "dos que raramente comentam" e por isso obrigado!
EliminarParabéns à Carla. Pelo conto, pela coragem de concorrer e pelo prémio. Assim é que é.
ResponderEliminarNa verdade, a sala da Rosário é aconchegante e vamos ficando. Ou não. E é sem dúvida produto dos tempos que nos apresentemos com o nick que nos dá a conhecer.
Uns sentam-se mais à frente, outros mais atrás, mais no claro da janela ou na semi sombra do cortinado. Uns estão à mesa, sempre em diálogo, outros entram e saem, ficam só um bocadinho.
E se a Rosário desistisse? Bom, talvez fôssemos cantar para outra rua. Mas enquanto esta existe e é de portas abertas, por que não continuar?!
Parabéns à Carla e saudações à nossa hospedeira pelo facto de manter o blogue vivo e de ter a coragem de combinar uma confraternização com pessoas relativamente desconhecidas: nunca se sabe bem a natureza do cromo escondido atrás da pantalha. Neste caso correu bem, pelos vistos, e ainda bem. A conversa entretanto sugerida pelo poste confirma a ideia que tenho: a esmagadora maioria dos que aqui andam, são pessoas que se aventuram na escrita, umas timidamente, outras com mais ambição. Talvez também um ou outro como eu, meio desgarrado, basicamente interessado em leitura e, às vezes, nalguma desconversa.
ResponderEliminarParabéns à Maria do Rosário, parabéns à Carla e caramba, parabéns a cada um de vós! Há muito tempo que vos sigo, viver nesta caótica Kinshasa absorve muito da nossa energia e nada como vir espreitar o que a Maria do Rosário tem no seu "menu do dia" para retemperar o ânimo. Invariavelmente dou por mim a ler todos os comentários com a mesma atenção com que li o post, pois cada um deles é uma janela muitas vezes interessante. Não tenho lido tanto quanto o faria se não existisse esta coisa chamada iPad, mas ainda assim lembro-me de ter saboreado recentemente o Índice Médio de Felicidade (David Machado) e o Uma Outra Voz (Gabriela Ruivo Trindade), ambas as obras bem divulgadas aqui no Horas Extraordinárias. Agora está ali A Rainha Ginga de José Eduardo Agualusa à minha espera mas ainda não me decidi a aí entrar, alguém daqui já o leu?
ResponderEliminarHoje, com as referências a sala de estar e este perfume convivial no ar, não pude deixar de me juntar a um grupo que me faz sentir que já faço parte dele. Um grande bem haja a todos.
Li recentemente a Rainha Ginga, de Agualusa, e gostei muito. Muito bom, muito bem escrito, história interessante e muito bem contada.
EliminarJá dei no Facebook os parabéns à Carla, é com prazer que volto a parabenizá-la aqui e a desejar que continue a partilhar connosco belos excertos da sua escrita.
JCC
Eu também gosto de aqui vir, nem sempre assídua e apenas algumas vezes comentadora. Parabéns ao blogue, à autora e à Carla. Fico com curiosidade, ainda para mais sendo um conto! Está disponível?
ResponderEliminarViva, Maria do Rosário,
ResponderEliminarUm blogue serve também para recordar momentos com (novos) amigos e transpor para palavras o conteúdo emocional das nossas relações, dos nossos (des)encontros. Deve ser lugar para passarmos a alegria que sentimos.
Falando da Carla Pais, somos amigas virtuais há muito. O ponto de encontro foi a Página 'Quem lê Sophia". Depressa descobrimos afinidades está a construir-se uma amizade bonita.
Escreve muito bem, sem pretenciosismos nem vontade de aparecer em todo o sítio. É discreta e muito querida.
Soube do vosso jantar de encontro pelo Manuel Valente num comentário que fez assim que chegou a casa após o jantar.
A carla depois falou-me de quão feliz tinha sido 'a refeição', a conversa, o à-vontade que a Maria do Rosário tão bem descreveu acima.
Estou feliz pela Carla pelo conto premiado. Penso que é apenas mais uma semente para juntar ao jardim das suas palavras que hão-de vir a ser lidas por muitos, se for esta a vontade da Carla.
Um grande abraço para a Rosário, para a Carla e respectivas e afectuasas famílias.
Pois é, um blogue (também) serve para partilhar com qualidade os instantes de muita satisfação pelo trabalho e amor que os amigos colocam no que fazem...
Lília Tavares
Ora, isto há coisas do caneco! Todos os dias aqui passo, para dar uma palavrinha aos leitores deste blogue ou simplesmente para acenar um mudo bom dia. Ontem, e por outras razões, não tive tempo de aqui passar. Que me desculpem estes amigos e que me desculpe a Rosário.
ResponderEliminarHoje, a Lília (talvez estranhando o meu silêncio) informou-me de que alguma coisa se passava nesta sala. Pois então, curiosa, chego aqui e deparo-me com estas palavras, tão generosas da Rosário como destes leitores.
Isto é coisa séria: eu estou a ficar velha para levar com tanta emoção de uma só vez - por favor tenham isso em atenção. MUITO OBRIGADA A TODOS. Mas, um valente OBRIGADA!
Quanto ao conto: irá ser publicado em 2015, na última semana de Agosto e só nessa altura estará disponível. Pronto, é verdade. Para o ano vou de férias à Madeira.
Um abraço a todos e um especial beijinho à nossa anfitriã que com tanta coisa importante para aqui publicar, resolveu abrir espaço para este parênteses.
Por último, quero apenas dizer, sem modéstia e até com alguma presunção: A vida não me deve nada, muito pelo contrário, tem-me dado momentos únicos, pessoas únicas que se vão instalando no coração - aquele jantar de que fala a Rosário é um exemplo disso.
Bom fim de semana caros extraordinários.
Muitos Parabéns, Carla!
EliminarSó por essa frase de "Gracias a la vida" a Carla merece que a vida lhe dê muito mais. Habituados que estamos a ouvir toda a gente lamuriar-se da vida (eu incluída), é refrescante saber que há pessoas que sabem apreciar os bons momentos com que a vida por vezes nos brinda.
E não será isso mesmo a felicidade?
Um beijinho.
Antonieta