O primeiro dia
Ui, que difícil é o primeiro dia depois das férias… E, como dia 1 calhou justamente a uma segunda, a semana vai parecer ainda mais comprida. Paciência. Temos de dar graças a Deus por termos um emprego a que regressar e podermos gozar umas boas férias (o tempo nem sempre ajudou, mas deu, pelo menos, para desligar). Agora é tempo de matar saudades dos Extraordinários e avisar que o blogue voltou ao activo. E, como hoje é dia de dizermos o que andamos a ler, falo, pois, de um livro – não do que está à minha espera em casa, mas do primeiro que li neste tempo de repouso: O Deserto dos Tártaros, de Dino Buzzati. Era mais uma das minhas falhas e, como saiu agora com uma nova tradução de Nuno Camarneiro, não havia mesmo desculpas para não lhe lançar a mão. Trata-se de uma história de espera e desespero, sem amor nem mulheres (dizem-me que no filme de Zurlini com o mesmo título também só se vêem homens), pois o cenário é uma fortaleza e as personagens militares ansiando por um inimigo que justifique ali a sua permanência. Mas o inimigo parece não passar de uma miragem… E os dias tornam-se todos iguais para o tenente protagonista e todos os outros soldados, transformando-se a esperança em desespero e gastando-se a vida em coisa nenhuma – anos e anos em busca de um sinal, um indício, uma suspeita de ataque que, quando acontece, chega simplesmente demasiado tarde. Romance sobre uma juventude perdida, uma vida deitada às urtigas, sobre a frustração. Dito assim, parece desaconselhável. Mas não é. Bem-vindos mais uma vez às Horas Extraordinárias.
Welcome back ! Obrigado !
ResponderEliminarQuanto ao meu tempo de férias, no Algarve foi excelente (só a água é que esteve fresquinha, mas nada de terrível para quem como eu vive no Norte).
"O deserto dos tártaros" é mesmo um livro maravilhoso e inesquecível . Mostra que um grande escritor pode escrever um grandessíssimo livro em que quase nada acontece. Quando o estilo e a voz do autor são geniais... Vejo o Buzatti como um primo italiano do Kafka. Um pouco diferente de "O deserto dos tártaros", mas sobre temática parecida, há mais de uma década li do Coetzee "À espera dos bárbaros"; achei-o bem menos conseguido do que o clássico italiano.
Como dizia o outro "we shall overcome" e ainda outro "vou andar por aí!" ... eheheh!
ResponderEliminarOra bem, bom regresso a todos e saudações especiais desde a cidade morena, já com um cheirinho a regresso num misto de férias e trabalho!
Três leituras nos últimos tempos, a reportar… leituras mal feitas, sem a continuidade, sossego, conforto e tempo que mereciam e gostaria de lhes dedicar, feitas de modo irregular, umas páginas de vez em quando, a correr como que aos soluços, em esperas de aeroporto ou quando calhe entre o jantar e o dormir!
Segue a minha análise de traça, em outro post!
Eliminar“A guerra do Salavisa” - J.F.Matias
Esperava melhor, sou franco, e havia o material (personagem) para isso. Desengane-se quem pensar que é um romance na ou sobre a I Grande Guerra, ou uma narrativa histórica, não é! É uma história em parte ali passada e contada em volta do conflito.
É uma história, mais do que um romance… ajuda a passar o tempo e dispõe bem. Literatura light dirão, mas que tem o seu lugar e a sua vez. Bem escrita e bem contada, aconselha-se.
Gostei, lê-se bem e nas circunstâncias em que o li não podia ter escolhido melhor, pela sua ligeireza e alguma boa disposição, coisa rara! O Salavisa é cá uma peça… gostei dele e despedi-me com saudade, o que é sempre bom sinal num livro, ficámos amigos e espero alguma vez petiscar uns tordos com ele!
Depois houve confronto: - Dois produtos “Prémio Leya”!
Devo começar por dizer que um dos melhores romances que li até hoje (O rastro do jaguar - Murillo de Carvalho), venceu este prémio!
Foi para mim o único Grande Romance vencedor… a fasquia ficou muito elevada, depois o nível foi baixando até atingir o mínimo, aliás não entendo como é que venceu tal prémio, com “O teu rosto será o último”! Da minha parte ficarão ambos para sempre indelévelmente feridos, prémio e obra!
No entanto e pela paixão de leitor, resolvi dar ainda oportunidade aos “Leya boys&girls”.
Em boa hora o fiz!
1º “Uma outra voz” de Gabriela Ruivo Trindade, foi uma grata surpresa!
Gostei do tema e gostei da história. Da forma como se apresenta e desenvolve, do estilo. A despeito de ser o seu primeiro romance e da idade, escreve com maturidade e até alguma autoridade, com grande cuidado no tratar da língua e nas descrições. Possui aquela verve e uma notável capacidade de narrar, bem como espírito analítico, sabe ir ao detalhe, mostra possuir sensibilidade equilibrada e sentimentos, sem pieguices nem frieza, fugindo ao recurso tão em voga nestes romances ao maravilhoso fantástico ou mágico que acabam por ser maçadores e desvirtuar a narrativa, que neste caso é bem realista.
O cuidado na construção dos personagens é o seu maior trunfo, parece-me a mim!
Não sei se é justa vencedora, pois não li os outros concorrentes, mas foi uma boa e acertada escolha!
Parabéns à autora, e, venham mais! Temos escritora, acho eu…
Aconselho vivamente!
2º “Mal Nascer” de Carlos Campaniço.
Acredito que tenha sido uma escolha difícil, eleger um ou outro… pois temos outro bom romance muitíssimo bem escrito pela qualidade da linguagem usada e na forma, no estilo. Outro excelente romancista e sem dúvida um contador de histórias com notável e notório poder de observação, aliás já não é novato nestas lides e vou procurar o seu “Os demónios de Álvaro Cobra”.
Pareceu-me no entanto exagerar um bocadinho no recurso aos clichés para compor um ou outro personagem, onde a imaginação do colectivo e da tradição suplanta a realidade, mas pode ser pela sua condição de “safarejo”, terra onde tenho bons amigos - da caça já se vê, valentes mentiro… quero dizer, excelentes contadores de histórias que carregam bem nos detalhes!
Em relação ao anterior achei-o menos original no tema que me parece manifestamente Camiliano… aliás é-o em ambos mas neste bem mais. No entanto, se belisca a originalidade todavia não o diminui significativamente pois “não há nada de novo aqui, debaixo do Sol”, e, usando termos de surf, Campaniço consegue apanhar a onda Camiliana, dropar e fazer uma série de cut back’s. Revela porém, e ainda em relação ao tema, menos maturidade que a Gabriela e só por isso dei a “Uma outra voz” o primeiro lugar!
Mas este é outro grande romance, muitíssimo bem narrado e com uma qualidade de personagens, notáveis. Aconselho vivamente!
Estaremos a voltar ao Grande Romance Nacional? À senda dos Mestres? Aos nossos temas e às nossas gentes? A uma ruralidade que vive em todos nós, pois é de onde vimos quase todos? Espero bem que sim…
Saudações da cidade morena!
Caro Amigo Pacheco, muito obrigado pelas suas sempre muito interessantes, elucidativas e circunstanciadas apreciações literárias de novos livros e novos autores portugueses. Depois de ler as suas três críticas fiquei com vontade de ler o livro que deu o prémio Leya à Gabriela Trindade e também o do Matias, este para quando eu necessitar de ajuda para aliviar a alma de estados cinzentos. Bem haja!
EliminarOlá a todos: cá estamos! Nas férias fui lendo Proust e a sua gestão do tempo / tédio, que intervalei com as extraordinárias aventuras cibernéticas do recente PJMiranda, onde o tempo voa. Agora, ainda Proust (vai durar) e José Régio, aproveitando um daqueles livros da coleção proibída do Público. Uma escrita incrivel, numa ortografia cheia de acentos: uma escrita circunflexa. Também incrível é o facto de, assim de repente, não me lembrar do título.
ResponderEliminarSaudações a todos – em especial à nossa anfitriã Maria do Rosário.
ResponderEliminar(Cumprimento particular ao Pacheco, pois que já vi, aí acima, que a sua “outra voz” articula com a minha)
... ...
No primeiro dia de Agosto parei para meter gasolina numa área de serviço da Galp. Ao pagar, a menina da caixa pediu-me o cartão de pontos. «Ó menina, quando é que vocês trocam os pontos por gasolina, em vez de nos impingirem bugigangas?». «Mas olhe que este mês temos aí umas promoções muito jeitosas, já viu o catálogo? Olhe aqui, por exemplo: este livro que ganhou o prémio Leya...»
Foi assim que, a troco de 2.000 pontos galp (nada menos...) trouxe “Uma Outra Voz”, Gabriela Ruivo Trindade.
Felizmente choveu. De modo que sentei-me a ler.
Aquele primeiro texto, “Primeira Voz”, não me estava a agradar por aí além.
Sabendo eu, logo na 2ª página, que não tem ainda quinze anos de idade o Zé que me está a relatar a sua infância e adolescência no presente do indicativo, há ali qualquer coisa de dissonante... palavras, expressões, construções de frases que não batem certo com um adolescente... Se calhar, mais valia a Gabriela ter arranjado as coisas de forma a que o Zé estivesse, já adulto, a escrever no pretérito estas recordações... Digo eu... Mas vamos andando.
Chovia se deus a dava.
Felizmente, digo eu, porque umas páginas adiante encontro citados estes dois pequenos versos: “Quando eu nasci / Ficou tudo como estava”.
Alto lá, que isto é-me familiar.
No relato do Zé sabemos apenas que o poeta foi seu professor em Estremoz – mas Gabriela entendeu por bem não nos dizer aqui o nome.
Fui verificar o meu palpite na minha pasta de ficheiros “Versos escolhidos a dedo”, e lá está este “Pequeno Poema”, que é um dos apenas dois que (até agora) escolhi de Sebastião da Gama.
Não parava de chover. E eu – dispensado de regar o jardim e molhar o pátio dos sapos – ali porreiro, a ler.
E não é que, de intróito ao segundo texto, “Segunda Voz”, me aparece transcrito na íntegra o “meu” outro poema de Sebastião da Gama?!
Bela surpresa.
Grato, fui lá fora espreitar a chuva, mexer as pernas, enquanto fumava um cigarro e ouvia o noticiário.
Só falavam do Espírito Santo, BES, Espírito Santo...
Apaguei o cigarro e voltei para dentro, decidido a fazer a seguinte ressalva:
– Bem sei que este poema se intitula “Largo do Espírito Santo”. Mas eu, nosso senhor me perdoe, para título deste ficheiro vou adoptar o primeiro verso: “Nem mais, nem menos, tudo tal e qual”.
Chega de Espírito Santo! Ámen, carago!
Enter. Já está.
Felizmente chovia. Pela noite fora, janela aberta a ouvir a chuva através das frinchas semicerradas da persiana, fui por ali adiante no livro, até adormecer.
E na manhã seguinte continuou a chover – e eu, entusiasmado, a ler.
Apreciei a concepção do livro, a estrutura multifacetada da narração, em cada texto encontramos pormenores que encaixam ou decifram outros que haviam ficado aparentemente soltos, ou que havíamos julgado supérfluos...
E então o último texto de Gabriela, “A Quinta e Última Voz”… – soberbo!
Dentro das minhas limitações, à falta de melhor recurso para o classificar, apenas digo que vale bem os 2.000 pontos galp.
À tarde parou de chover.
Fui ao computador a ver se tinha mensagens, passar os olhos pelos títulos das notícias... e, já que estou aqui, deixa-me cá pesquisar alguma coisa sobre o Sebastião da Gama...
Ora toma! Nem de propósito! Encontrei esta “Poesia depois da chuva”. Sebastião dedicou-a a Maria Guiomar. Eu, abusivamente, transcrevo este bocadito, que dedico a Gabriela:
“Depois da chuva o Sol - a raça.
Oh! a terra molhada iluminada!
E os regos de água atravessando a praça
- luz a fluir, num fluir imperceptível quase.
(...)”
Fiquei a gostar mais da sua prosa que da de Gabriela Trindade. Fez uma história tão jeitosa com as leituras de férias...parabéns
EliminarSó para dizer que já tinha saudades deste espaço:)
ResponderEliminarBeijinhos e bom regresso a todos!
Cláudia Moreira
Christopher Isherwood, Liberation: Diaries Vol 3 (no Kindle)
ResponderEliminarHoje, para infernizar, é Verão; a luz já meio outoniça mas há um Verão despojado em cada esquina. Bom regresso a todos. A Rosário tem razão, ter trabalho a que voltar é uma alegria. E dá segurança.
ResponderEliminarAndei lendo o Diário de Anne Frank que alguém me ofereceu. Ah pois é! Está colmatado um lapso (há tantos mais que as férias da vida toda - ou a vida toda de férias - não seriam bastantes. Tb me deram "Retrato de rapaz" de Mário Cláudio, que li; e "Requiem" de A. Tabucchi. São todos bons sem serem especiais. Tabucchi evidencia uma cultura fora de série num livro simples e quase muito português (escreve que é uma homenagem aos portugueses). Comecei a ler "As flores do Mal" de Baudelaire, mas é um bocadinho desolador, não sei porque me lembra desertos e homens exangues. Qualquer dia retomo.
Humm...concluí, finalmente, os contos de Virginia Woolf senhora com escrita muito atraente. Avistei um conto de Machado de Assis (alguém me abriu a janela, claro) e criei alguma curiosidade agradada. Terei de encontrá-lo de novo.
Comprei "Os Memoráveis" de Lídia Jorge. Para ler quando me apeteça.
E. Pronto.
Que seja bem-vinda...
ResponderEliminarAgora, quanto a leituras:
"Do Cabo da Roca a Vladivostok" de Jorge Montez.
Já há muito tempo que não lia um bom livro de viagens...
Está a valer bem a pena.
Abraço a todos.
Do Cabo da Roca a Vladivostock?????
EliminarParece coisa interessante... vou anotar!
É recente?
Tenho ouvido, na Antena 2, partes do livro lidas pelo próprio Montez.
EliminarSim, o livro deve ser muito interessante.
Boa viagem nele!
Muito recente, mesmo!
EliminarEstou a ler muito bem. Aconselho.
Para onde vão os guarda-chuvas de Afonso Cruz
ResponderEliminarMas que livro lindo, ainda bem que tive uns dias de férias e o consegui ler.
Suzana
Olá a todos,
ResponderEliminarSabe bem ter este espaço de volta. Em Agosto li muita coisa: entre clássicos e edições recentes, há para todos os gostos, alguns ainda vão a meio, vou variando conforme a disposição e uns agarram-me mais que outros.
No meio da lista, quero destacar um romance que me encheu as medidas: O pecado de Porto Negro de Norberto Morais. Gostei tanto que já comprei o primeiro romance deste autor.
Recomendo vivamente!
Cumprimentos a todos,
Rui Miguel Almeida
Tenho o livro, comprado e na fila... eheheh!
EliminarÉ capaz de vir comigo em Outubro... também me pareceu boa aposta, mas tinha mais urgência nos dois Leya, pela curiosidade!
Agora, o Valdemar Sorte Grande e a Jacinta vão ser os obrigatórios ...
Obrigado, MRP . O dia hoje está lindo. É um lindo dia para retornar, se bem que me tenha logo parecido nublado pela manhã. Culpa minha, obviamente, que me pus a ver vídeos dos antípodas desta Europa cada vez mais insensível e esquecida do seu passado, bem como a ouvir alguém enredado na loucura mórbida da nova SS, em que um serviço confirma a uma amiga não haver dívida e o outro da mesmíssima entidade dizer o seu contrário. Coisas de um país bipolar, de gente dual, que lava as mãos da sua responsabilidade no actual e encoberto estado das coisas. Talvez por isso termino PAV e a sua «Corja Maldita», em simultâneo com o volume sobre «A literatura contemporânea depois de 1945», de uma colecção de História da Literatura de E. Ianez .
ResponderEliminarAbro-o ao calhas... que é a melhor maneira de ler estas colecções. E leio de Grass a referência ao «Diário de um Caracol», a sua orientação para o realismo crítico logo seguida de um esvaziamento desse tipo de escrita, levada pelo fracasso político dessa geração. E, com ela, o retorno ao intimismo repetido. Ao sonho unipolar de uma velha geração que tenta cobrar um lugar para afastar a neblina que faz actualmente dos homens seres desfocados e inertes do seu presente e futuro.
A acabar de reler Viagem ao fim da noite de Louis-Ferdinand Céline para a comunidade de leitores LERDOCELER : muito pouco doce, diga-se...
ResponderEliminarolá!
ResponderEliminarboa tarde a todos.
bom regresso às horas extraordinárias (ainda por cima de borla). :)
Bem-vinda... :)
ResponderEliminarEstou a ler "Crónicas do Mal de Amor" de Elena Ferrante . O livro é formado por três romances com personagens femininas muito fortes. Aborda as vivências banais das pessoas comuns mas o que o torna especial é a capacidade da autora de mostrar a dimensão humana das personagens. As suas limitações e fraquezas. Precioso!
Também gostei muito do Deserto dos Tártaros. Estou com imensa vontade de voltar a este autor.
Bem-vinda de volta, Maria do Rosário, e bem-vindos todos os outros!
ResponderEliminarEstou a ler "Entre Cós e Alpedriz", do conhecido comentador deste blogue José Cipriano Catarino, um bonito romance sobre a vida nessa zona de Alcobaça, começando no início do século XX, uma escrita simples, muito honesta, com quadros muito vivos, bem reais. Um bom retrato do que era Portugal, nessa altura, o Portugal dito profundo, aldeão.
Atrasei-me um bocadito. Desculpem lá. Mas ainda venho a tempo. De novo aqui, encontro marcado nesta extraordinária sala onde há muito não nos encontrávamos. Que bom estarem todos (ou quase todos) de volta!
ResponderEliminarNão li muito nestas férias. Mas alguns dos livros lidos foram propostas daqui, e muito agradeço à anfitriã as dicas.
Ora bem, comecei por "Mal Nascer" Do Carlos Campaniço, depois, "Amar numa língua estrangeira" de Andrea Jeftanovic, "Todo Mundo" de Philip Roth, "Desumanização" De Valter Hugo Mãe, "Já então a raposa era o caçador" de Herta Müller e a "Casa do alpendre de vidro cego" de Herbjorg Wassmo. Debaixo de olho tenho o Sandro William Junqueira com "No céu não há limões" e "Um piano para cavalos altos"
A todos bienvenue.
Um abraço,
Carla Pais
Li Caligrafia dos Sonhos de Juan Marsé. E A Irmã de Sandor Marai, numa edição muito mal revista, com erros tão grosseiros que custa a acreditar que tenho sido publicada pela Dom Quixote.
ResponderEliminarÉ com gosto que acabo de me transformar num Extraordinário.
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