Ler Saramago
Vem aí o romance inacabado de José Saramago, a obra que tinha em mãos quando a morte o apanhou e já não o deixou ficar connosco. Chama-se Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas (d’après Gil Vicente) e contém, além dos três capítulos concluídos pelo nosso Prémio Nobel da Literatura e de alguns apontamentos da sua autoria sobre o romance, ilustrações de Günther Grass e dois textos inéditos de homenagem: um de Roberto Saviano (jornalista italiano que é perseguido pela máfia) e o outro do poeta e ensaísta espanhol Fernando Gómez Aguilera. A obra é lançada publicamente no dia 2 de Outubro, no Teatro D. Maria II, ao Rossio, e nesse mesmo dia iniciar-se-á a Comunidade de Leitores «Ler Saramago», que terá uma segunda sessão no final do mesmo mês. Orientada por Maria Leiria, professora de Literatura, e a decorrer na Fundação José Saramago, sita na Casa dos Bicos, em Lisboa, desta feita a comunidade dedicar-se-á àquele que é tido muitas vezes como o melhor romance de Saramago (mesmo que o mais popular seja O Memorial do Convento): O Ano da Morte de Ricardo Reis. As inscrições estão abertas e o valor é de 15 Euros mensais. Para mais informações, contactem a responsável por e-mail ou telefone:
917 462 561
Boas leituras, com o novo romance ou com o velho.
Se pudesse classificar a obra de Saramago de 0 a 10, o Ano da Morte de Ricardo Reis teria 9,5; O Memorial, O cerco, 9; O homem duplicado, A gruta, A viagem... e restante obra, 8,5. Mas verdadeiramente quem levaria para mim a palma, a nota máxima, o 10, seria essa obra-prima da literatura mundial, o Evangelho segundo Jesus Cristo... um livro verdadeiramente notável, soberbo.
ResponderEliminarCom o Ano da Morte de Ricardo Reis, os livros de Saramago que gostaria de ter escrito.
Como ontem foi dia de algo que não gostei de ver, não pelo sujeito bonacheirão e pachola que levou a palma, mas pelo predicado da ética como bandeira cimeira, este titulo seria apropriado à minha impressão do dia: «Cimitarras, Cimitarras, Punhaladas, Punhaladas!» Esperemos que nos não esperem novas grutas e homens duplicados.
EliminarAinda tenho uns quantos livros do Saramago por ler, mas não tenho pressa, prefiro ir lendo 1 por ano para ter sempre o prazer de ler algo novo dele.
EliminarSubscrevo o que diz do “Evangelho Segundo Jesus Cristo”, embora confesse que o ponho uns milímetros abaixo do “Ensaio Sobre a Cegueira”. Mas o “Ano da Morte de Ricardo Reis” não me disse grande coisa, não recordo com saudade a sua leitura.
Quanto ao novo livro, tenho alguns problemas com a publicação de obras incompletas, mas neste caso até estou algo optimista. A ideia dos textos complementares e das ilustrações do Günter Grass parece-me muito acertada e dá ao livro outra alma. Veremos a que nível estão os três capítulos completos mas. tendo em conta a pertinência do tema. as expectativas são grandes.
Livro já encomendado na minha cooperativa livreira (Unicepe) aqui no Porto [faz mais desconto do que a FNAC e tem atividade cultural mantida ao longo de todo o ano].
ResponderEliminarQue saudades do Saramago !
Não só do genial escritor: ouvi-lo nas feiras do livro e outros encontros foi experiência inolvidável. Agora fica a saudade, como a que se tem de uma pessoa de família que se perdeu.
Saudade que se alivia revendo o "José e Pilar".
Reli o "Memorial" este agosto. Descobri novas pérolas.
Tenho boas recordações da sessão de lançamento de "Os Segredos de Jacinta" na Unicepe, uma das poucas livrarias que tem o meu último livro à venda.
EliminarLivros de José Saramago «acordizados», nunca!
ResponderEliminarUm esclarecimento para o "extraordinário" Octávio dos Santos: os livros de Saramago começaram a ser "acordizados" em vida (e com o beneplácito) do autor.
EliminarExcelente esclarecimento do Manuel Valente. Saramago era progressista e portanto não surpreende que tivesse dado o o seu beneplácito à nova ortografia do português, aquela que torna a língua mais acessível aos mais de duzentos milhões que a usam e não a restringe aos dez milhões que vivem no cantinho onde a língua teve origem. Até post mortem, Saramago nos dá lições de sensatez !
EliminarSem dúvida, uma informação interessante.
EliminarTenho sérias dúvidas sobre as circunstâncias, as condições, o modo em que esse alegado «beneplácito» terá sido obtido de José Saramago, e na fase final da sua vida. Para mim tem validade inequívoca a oposição ao «acordo ortográfico» que ele me expressou pessoalmente, ainda perfeitamente lúcido, aquando de uma sessão de autógrafos na Feira do Livro de Lisboa.
EliminarDe qualquer maneira, e mesmo tendo-se verificado uma eventual mudança de opinião, isso em nada altera o essencial da questão: o de que o «AO» é uma imposição ilegítima, ilegal, ridícula, inútil, fascizante, e que recusá-lo e/ou combatê-lo é um acto básico de coragem, de cidadania e de cultura.
De acordo com tudo o que diz, Octávio. O acordo ortográfico é, apenas, sujeição ortográfica ao Brasil. Basta pensar um pouco para perceber que a pronúncia das palavras não se tornou mais transparente com o acordo, isso só para os burros. Qualquer pessoa sabe, por exemplo, que o 'c' de Octávio quer dizer que o 'o' é para se abrir. Já sem o 'c'... será 'ó'... será 'ô'? Perdão, perdão, é 'o', porque as regras são as do Brasil.
EliminarCorrecção: Perdão, perdão, é 'ó', porque as regras são as do Brasil
EliminarUma coisa não contradiz a outra. Saramago poderia não estar «de acordo com o acordo», mas perceber que converter os seus livros o aproximaria mais dos seus leitores, isto porque mais cedo ou mais tarde, e com ou sem imposição, a língua acaba por mudar.
EliminarOs Extraordinários gostam, em geral, da obra de Saramago, mas a eleição do melhor romance é muito variada. A minha também introduz mais uma variante. Pela ideia que considerei brilhante e por ter sido produzida contra a corrente, gostei muito da Jangada de Pedra, mas o número um é o Levantados do Chão.
ResponderEliminarNão sou fã de Saramago e Cia Lda ... confesso, e menos ainda do homem.
EliminarNão faço tenção por isso de me deixar arrastar pelo entusiasmo sobre espingarda e alabardas!
No entanto não deixa de por isso ser um grande escritor, se bem que ache existir um certo exagero no seu endeusamento... que querem eu sou um Torguiano ou Aquilinista...
Mas concordo com Amalivros... "Levantados do chão", para mim é o seu melhor romance!
Saudações Outonais do Bairro!
JOSÉ SARAMAGO, meus amigos, - é o melhor escritor português depois de Camões!
ResponderEliminarÓ Pacheco - que interessa não gostar do homem (talvez não gostes é das ideias dele, que é diferente) - é que estamos a falar dum escritor, dum génio da escrita e não propriamente do que pensava e queria o homem (o Lara também não gostava dele e pôs a funcionar a sua pequena cabecinha...mas onde está o Lara? quem sabe agora quem é o Lara?)
O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS - sublime!
O MEMORIAL DO CONVENTO - a melhor história "de amor" que li até hoje.
LEVANTADOS DO CHÃO - não pode ser mau um homem que esceveu um livro destes!
Nada de confusões ó Severino...
EliminarSeparo perfeitamente as idéias da obra e até do homem... Aquilino era Carbonário e Torga comunista, e são para mim expoentes da nossa literatura!
Não comungava das suas idéias, mas sobretudo não gosto do homem, repito. Não mesmo... mas é discussão que não cabe aqui neste espaço.
Um dia falaremos sobre isso, espero bem,
Um abraço
Ó Pacheco - decerto terás razões para essa aversão ao homem, (ao homem como salientas), mas isso são contas de outro rosário como também fazes notar.Anda Pacheco...e um bom dia para ti.
EliminarSinceramente há no entanto na má doçura ou que dita a "metáfora de carril" da Rosário porque de obra inacabada (no mundo cheio) de aventureiros com relação produção literária.
ResponderEliminarClaramente José Saramago deixa um legado de amor as letras e nas entrevistas a força do quê opinou na medida em que conflitos experimentais (quiçá existenciais) de quando novos ideais abordaram-no a serenidade da escrita.
Estou a ler o homem duplicado. Muito devagar, é certo. Saramago escrevia muito bem, sim. Não sei se compre o último. Como disse Pilar, quando chegar ao fim é mesmo o fim.
ResponderEliminarNão me parece que se endeuse Saramago. Bolas, foi o nosso Nobel:). E deixou coisas tão bonitas! Também gosto do "levantado do chão".
Não é dos escritores que prefiro. Mas valor é valor. Os diamantes brilham sempre. Tem escrita diamantina, Saramago.
Então se esta gente endeusa o Ronaldo e essa coisa asquerosa que é A CASA DOS SEGREDOS como é que haveriam de endeusar o SARAMAGO...
EliminarQuando falo na CASA DOS SEGREDOS vomito logo. Se honrássemos a nossa cultura aquilo tinha de ser varrido do mapa, mas esta gente é troglodita, então a geração que agora tem filhos pequenos é de ganir e chorar...quase tudo atrasados mentais...quase tudo...e não venham com conversas da treta e da democracia, era assim e mai nada...obrigava-os a LER e começavam logo pelo Aquilino que era para ganirem ainda mais...
hummm...não estará a over reacting? Aquilino é bom, mas não para começar.
EliminarE as generalizações são perigosas. E levam-nos a procurar motivos..
com toda a sinceridade, acho o "memorial" uma seca (a única coisa que conservo de belo na obraé a Blimunda).
ResponderEliminargostei do "Evangelho", do "Ano da Morte de Ricardo Reis" e da "Jangada de Pedra" (e até das "Pequenas Memórias" (não tenho a certeza se é este o título...).
Já cá canta! :) Vou começar a lê-lo ainda hoje. Para mim, é um génio! Saramaguiana convicta, portanto.
ResponderEliminarJá estou lendo Alabardas mas, mais interessado no conteúdo do que na forma, nem tinha reparado na terrível imposição fascista: semedo trabalha nos serviços de faturação de armamento ligeiro.
ResponderEliminarEu, por esta altura do ano, releio sempre alguma obra de Saramago para celebrar o seu nascimento; hoje comecei A Caverna, e já lhe comecei a notar nuances que me escaparam anos atrás.
ResponderEliminarQuanto ao novo livro, infelizmente não o vou ler desde que já segue o novo acordo ortográfico.
Levantado do Chão é para mim a melhor obra, porque fala no meu Alentejo. Escrevi uma biografia de Saramago infanto-juvenil a que chamei «O Caso do Estranho Náufrago» (ed. Dinalivro), para que os jovens conhecessem o nosso nobel da Literatura. Por insistência do meu grande amigo Miguel Real, enviei o livro para Lanzarote e, 4 meses depois, Saramago agradeceu. Guardo essa carta religosamente. E quando ele foi à biblioteca de Beja, apresentei-me a ele com a carta. Não foi muito efusivo e disse-lhe que era o autor daquele livrinho. Ele tornou-me a agradecer. É inesquecível!
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