Ler na retrete
Em tempos que já lá vão, trabalhei numa editora que publicava em Portugal, por acordo com uma congénere brasileira, algumas obras cujos direitos mundiais para a língua portuguesa tinham sido adquiridos por esta última, inibindo uma edição em Portugal. Os mercados eram diferentes, bem sei, mas mesmo assim havia uma série de livros de auto-ajuda que vendiam muito dos dois lados do Atlântico (a série Marte & Vénus, de John Gray, cujo primeiro título tinha estado mais de 250 semanas seguidas na listas dos livros mais vendidos nos EUA). Foi num título desta colecção que li (como se ninguém o soubesse) que os homens e as mulheres eram diferentes e que havia coisas tipicamente femininas e tipicamente masculinas. Não se ofendam os leitores machos deste blogue, mas entre as últimas constava o hábito de levar revistas ou livros para a retrete... E, se falo disto, não é para insinuar que, ao contrário das mulheres, os homens confundem literatura com m..., mas apenas para abordar uma notícia que a Kobo, fabricante de dispositivos de leitura digital (os e-readers que a FNAC vende), recentemente divulgou: O novo Kobo Aura H2O é à prova de água! Ora, como não nos estou a ver a ler na praia enquanto nadamos, nem de garrafa de oxigénio às costas a consultar guias de peixes enquanto realizamos pesca submarina, pergunto-me para que serve realmente um e-reader à prova de água senão para esses acidentes que têm acontecido a alguns com os telemóveis – deixá-los cair sem querer na retrete em certas alturas menos próprias... Pois bem, os homens modernos e amantes da tecnologia já podem ler e-books à vontade na casa de banho sem medo de perder o resto do livro num momento de distracção.
Mas é óbvio que servem para ler enquanto se toma um banho de imersão. Só quem nunca o fez não percebe as potencialidades deste novo produto: deixar vir o sono imersa em água quentinha enquanto se lê um bom texto :).De qualquer modo, para mim não serve. Fazia disto há séculos mas é um comportamento muito pouco ecológico e bastante irresponsável, que abandonei logo depois da adolescência (se bem que já conheci gente que gasta mais a tomar um duche do que num banho de imersão...).
ResponderEliminarNo Inverno, permito-me 1 banho de imersão por mês. É a minha recompensa por ser poupadinha durante todo o ano. A água da banheira é reutilizada para limpezas dos pátios, autoclismo, etc. ;)
Eliminar:)
EliminarBoa! Também utilizo as águas do banho no autoclismo :).
Beijos,
A.B.
Pode muito bem ser utilizado nas esplanadas quando por acidente entornamos o café ou outra bebida por cima do "livro".
ResponderEliminarAcredito que seja como aqueles relógios à prova de àgua e apenas aguentavam uns salpicos. O mesmo deve suceder com este e-reader.
Deve ser bom para ler as "20.000 léguas submarinas".
Ahahah!
ResponderEliminarComo é que nunca se abriu esse nicho de leitura:
WC-Reading !
Olhem... o belíssimo romance do nosso Extraordinário António Breda de Carvalho, Os azares de Valdemar Sorte Grande, cabe perfeitamente nesse conceito, pois tem capítulos muito curtos... logo acho o ideal para leituras rápidas em locais como metropolitano, WC ...
Aposto que o autor nem nunca pensou nisso!
Eheheh!
Bem, adiante:
Para quem não saiba, existem "livros" impressos em plástico - placas ou folhas - com tabelas de identificação de peixes e animais marinhos, sim!
(Uma nota - as botijas de mergulho não contêm oxigénio e sim ar comprimido! É comum serem designadas como tal, mas na verdade o oxigénio só é usado em mergulho militar, em circuito fechado para não produzir bolhas e denunciar o mergulhador, sendo usado por muito pouco tempo e a muito baixa profundidade pois com a pressão o O2 altera-se químicamente e tem efeitos até letais).
Julgo que esta versão de leitura waterproof ou water resistant se aplica ainda nas piscinas, nos jacuzzi e por aí fora, além de sanitas...
A sanita pode ser um local de descompressão ( não falo no sentido hiperbárico) ou de relaxamento, de refúgio até. É um facto, se bem que nunca ainda abordado literariamente, tanto quanto sei...
Ahahah!
Saudações descomprimidas do Bairro!
Na busca incessante da inovação por que não um livro em que toda a acção se passaria num desses tronos? E esta coisa de dizer que são os homens que levam os livros para a dita cuja, necessitava de um inquérito independente...
EliminarClaro, Ana, é para tornar o longo banho de espuma ainda mais agradável. E para as piscinas, os jacuzzis... O futuro promete.
ResponderEliminarHum... o futuro promete... Meter água????
EliminarAhahah!
Parece-me mais uma certeza do que uma promessa!