Hora sem agá
Aqui há tempos chegou aos nossos jornais o anúncio de que o Brasil interrompera a aplicação do Novo Acordo Ortográfico por achar que muitas das alterações que continha não tinham sido bem pensadas e que sobre elas não tinham sido consultados os principais interessados – os professores de Língua Portuguesa, entre outros. Na altura, depois de a notícia ser francamente aplaudida pelos que aqui em Portugal se declaram contra o NAO, vim aqui prevenir, num post, que essa notícia não era necessariamente boa, uma vez que algumas pessoas mais informadas afirmavam que o Brasil não queria chumbar medidas, mas, afinal, acrescentar muitas outras ainda mais discutíveis e radicais. E tinha pelos vistos razão nesse aviso, pois parece que vai ser mesmo assim. Para começar, chega a proposta de suprimir de uma vez por todas o «h» inicial, tornando «hora» em «ora» e «homens» em «omens» pela simples razão de que, não tendo qualquer som, a letra não faz falta nenhuma e aparentemente só gera confusão (alegrem-se os que sempre confundiram «há» com «à», que são muitos). Mas não é tudo: o «ch» (como em «chumbar») também desapareceria para sempre, sendo substituído por um simples «x», explicando um dos responsáveis pela nova proposta que o objectivo é ter um sistema com um mínimo possível de regras e excepções (para não termos muito que pensar, enfim, pois pensar é cansativo e, segundo o senhor, quase ninguém no Brasil sabe escrever, pelo que o melhor é mesmo simplificar). E estas luminárias querem agora discutir a sua proposta por videoconferência com os outros países, como se a questão da língua fosse coisa de conversar por Skype… Está tudo dito. Que mais nos irá acontecer?
o estranho são os nossos silêncios.
ResponderEliminarnós devíamos ser os primeiros a rasgar estes acordos, em vez de nos irmos baixando, até se ver o dito cujo.
nunca vi necessidade de falarmos e escrevermos da mesma maneira, acho que isso é uma utopia.
o Português é nosso nem devíamos ter medo de que amanhã aparecesse por aí o Brasileiro ou o Angolano.
devemos ser sim o seu primeiro defensor.
e estas alterações que a Rosário fala não lembram nem ao "careca". e se as propostas são de professores de Português, nem sei que diga...
Parece-me que qualquer dia tenho de escrever o meu nome como se fosse em espanhol. Passarei a ser Enrique sem agá no Brasil.
ResponderEliminarNão concordo com demasiada simplificação só porque não sabem escrever. Caminhamos ao contrário.
Por tudo isto mais vale fundir o português com o espanhol e deixamos o "nh" e passamos ao "ñ" poupando um letra.
Aproveitamos também para cortar o "e" no final de "deve" porque não se lê a letra final.
Mais vale manter as diferenças entre português de Portugal e do Brasil. De qualquer maneira somos sempre traduzidos lá. Viva a diferença!
des )acordo? f...
ResponderEliminarVão-me perdoar todos, os intelectuais e os académicos, mas quando lhes entregamos alguma coisa com a responsabilidade do que aqui estamos a falar, é o que sempre acontece:
ResponderEliminar- Resulta o que não se pode pôr em prática!
O irrealismo impera e a lógica é a do absurdo não a do pragmatismo!
Os exemplos são tantos, mas tantos...
Porque é que não ouviram quem tinham de ouvir?
Quem escreve e faz uso da língua escrita.
Acaso os anglófonos estão preocupados com as subtilezas do i ou do y e do e ????? Olha quem!
Porque não se fez um levantamento primeiro, exaustivo e caso-a-caso, que iria levar uns bons anos e assim enquanto os iluminados estivessem ocupados com isso não pensavam em outras...
Chegariam à conclusão que ora e hora não podem ser escritas da mesma maneira... como facto e fato, espetador e espectador (excepto em Lesboa claro... onde se diz excéto e espétador).
Haveria mesmo esta necessidade de acordo?
Ou foi de facto e como se diz, uma tentativa de vender literatura no Brazil por força de tentar aproximar o português ao idioma que ali se fala e é uma variante?
E a que propósito o original se adapta à cópia? Então o português afinal não é o idioma falado em Portugal mas sim no Brazil? Pois o Brazil que se adapte... ora essa, cá não se aprendeu a perceber o que se diz nas telenovelas? E os estúpidos somos nós?
Já agora:
Em Angola diz-se "vou a loja" em vez de "vou à loja".
E Diz-se "na casa tens à janela" em vez de "na casa tens a janela"... não sei porquê... mas é assim.
E alteram-se os acentos, por exemplo "bebé" em vez de bébé; ou "presedente da república", em vez de "presidênte da répública".
Trocam letras (como no Norte) dizendo "porvo" e "rião" em vez de polvo ou leão... elefante é "arfante", "minina" em vez de menina. Etc. Vamos ter de fazer repercutir isto também no novo acordo? Já agora...
Só complicam... rai's parta tanta sapiência e clarividência!
Olhem, transforme-se o acordo ortográfico em acordo otográfico... assim cada qual escreve como diz ou ouve, e pronto!
Saudações azedas da cidade morena!
Apoiado ! Muito bem visto !
EliminarOs portugueses jovens e populares (não os inteletuais) deste Verão estão a adorar o português angolano que o Anselmo Ralph lhes oferece.
iá man, bué man....etc etc
Eliminardigo e direi sempre:
ResponderEliminarA COR DO HORTO GRÁFICO
É DE BURRO QUANDO FOGE
Eu sou totalmente a favor das novas propostas brasileiras.
ResponderEliminarSou pela aplicação universal no português do princípio de que o que não se lê também não se escreve (e também sou pela simplificação do grafismo do que se lê do mesmo modo, ou seja pelo x em vez do ch).
Os italianos, os mais diretos herdeiros do latim, escrevem UOMO e não HUOMO.
Se eles o fazem, porquê nós não? Eu não vejo razão nenhuma para não sermos práticos e olhem que não sou da geração que cresceu com telemóveis e smartphones: nasci nos anos 50 do século passado, sou portanto um velhadas.
Considero-me um homem prático, mais Sancho Pança do que D. Quixote, embora alguns livros me tenham dado a volta ao miolo. Os portugueses da minha idade são na sua maioria conservadores, reativos a quase toda a mudança, gostam de dizer mal de "modernices" e pelam-se por lutar contra moinhos de vento.
Nesta campanha anti-AO só se gasta saliva e papel de jornal que, como dizia o Pina, no dia seguinte serve para embrulhar peixe.
Sancho Pança pediria para que pedestremente olhássemos a realidade, ou seja, o modo como escrevem os jovens que agora completam a escola primária e fizéssemos a pergunta: será que eles serão no futuro obrigados a reaprender a escrita do seu português e escrever letras que não são lidas?
A meu falecido patrão, D. Quixote, acharia seguramente que sim !
Caro Artur Águas
EliminarCom todo o respeito, não me revejo na sua maioria das pessoas nascidas nos anos 50. Não me apetece discutir mais o que considero uma das maiores parvoíces do nosso tempo, por cansado que estou de o fazer. Assim, proponho-lhe um jogo:
Chame o Word. Escreva "O carro que vem a andar pÁra. E depois...". Para que o jogo funcione, não se esqueça do acento e do ponto.
Já está? Deu erro, não foi? Pois, é uma chatice estes escrevinhadores não se adaptarem às coisas novas.
Vamos lá emendar então. Retire-se o acento. O quê? O Word diz que não está totalmente correcto? Diz como? Ah "fragmento frásico: verifique a estrutura da frase ou a queda indevida de parágrafo".
Então em que ficamos se o próprio word foi emendado para a nova ortografia?
Ah, já sei. O carro não pode parar. É deixá-lo sempre a rodar. Só não se sabe para onde.
Extraordinário Artur, na minha óptica (eu escrevo assim porque digo óptica e não ótica) o problema não tem a ver com conservadorismos bacôcos e sim com a questão quanto a mim fundamental de a nossa língua é a nossa identidade e pátria, logo quanto mais rica fôr, melhor!
EliminarHavendo português do Daouro e Truás-os-Muontes, Bêiras, Puárto, Alentejo, Ribatéijo, Lesboa, Algarve, Aciores e Muadueira... do Bráziu, de Angola, Moçambique, de Cabo Verde, Guiné, S.Tomé, Timor... e quem sabe ainda em Goa, o papiamento e os diversos crioulos, é uma riqueza imensa e uma delícia! E, vão haver sempre, com ou sem acordos... não adianta, é vão, estéril, inútil e até estúpido pretender unificar uma forma de escrever que pode ter variadíssimas formas de ser pronunciada, e diga-me lá então, se não escreve certas letras, abolindo-as teria de passar a escrever-se "escrev" ? Por exemplo...
E já viu o que isso ia dar?
A propósito do que espelha o que digo:
Em Lisboa - vou ver-me ó espalho
No Porto - boa béar-me ao ispêilho
Em Santarém: vou ver-m'ó'spêlho
Em Beja: vou-m'a vêri ó'spêlhú
Miranda do Douro: buoa-me buer ó espualho
Vila Nova de Cerveira: baou ber-me ó espeilho
Angra do Heroísmo: vuou vier-me ó espielho
Já viu no que ia dar, se toda a gente quisesse escrever como fala?????
Tem de haver uma linha, de raiz... que é o latim!
Nada sei de latim, mas sei o bastante para perceber que as tais letras mudas ou que não se pronunciam são regras ou sinais para se abrir ou fechar, para carregar, acentuar ou aliviar... e isso eu aprendi na escola, e nem foi tão difícil assim.
Não, não há desculpas... aquilo que se pretende nem é simplificar - como se simplifica quando se confundem ainda mais as palavras?
Espetador é o que assiste ou o que espeta?
Fato é de vestir ou é um argumento?
Tirar o h a homem? e o que se ganha com isso?
Poupa-se na tinta?
Eu fui comprador de profissão por muitos anos, e nunca comprei nada que não percebesse para o que servia ou qual a vantagem... a razão! E de facto ainda ninguém me conseguiu convencer da vantagem do AO - a não ser para facilitar a vida aos editores que julgam assim conquistar o mercado brasileiro... tolos! É mais uma das muitas miragens em que se embarcaram... é fazer moinhos de vento onde ele não corre, isso sim!
Perdoe-me a total discordância, mas também se assim não fosse isto era uma sensaboria!
Abraço da cidade morena
Para quem acha que os opositores só têm medo da inovação e do moderno, recomendo o visionamento desta entrevista com Maria Vieira do Carmo precisamente sobre os danos da inovação:
Eliminarhttp://www.rtp.pt/play/p1550/e153549/livre-pensamento
Sim, meu caro Artur Águas, há gente muito inteligente que pensa a fundo nestas questões.
Quanto ao Italiano, é uma língua praticamente sem relevo no plano internacional, como o Português continuará a ser depois de todas as reformas ortográficas que visam tornar a aprendizagem mais fácil para estrangeiros.
Parece-me que o problema que refere se deve a imperfeição do programa informático que cita e não é devido à simplificação da ortografia do português, esta só elimina letras fantasmáticas.
EliminarObviamente que os regionalismos tem direito a toda a autonomia de variantes linguísticas vivas e faladas. A sua oralidade deve ser preservada e incentivada sem que isso implique violação da norma do português escrito. Volto ao italiano. Garibaldi e Victor Emanuel decidiram que seria o italiano de Florença a versão adotada para a Itália unificada. Os regionalismos italianos continuam de boa saúde mas raramente têm transcrição escrita nem perturbam a a ortografia da língua oficial do país.
EliminarCaro Miguel, obrigado por me transmitir a sua opinião embora discorde de si quando afirma que o italiano é "uma língua praticamente sem relevo no plano internacional". Também não me parece que seja apropriado que seja só a "gente muito inteligente" a tratar da ortografia do português. Todos os utentes da língua devem participar em qualquer processo de renovação. Irei ver a entrevista cujo endereço me envia sobre os perigos da inovação.
EliminarCaro Artur, o problema é que nem todos os utentes da língua estão a participar no acordo, que foi gizado por uma minoria contra a vontade do povo. A língua só se desenvolve democrática e organicamente se for deixada em paz. Quando começa a haver mudanças artificiais, deixa de ser renovação. Renovação foi a inclusão espontânea de palavras como bué ou bicha no nosso vocabulário, simplesmente aconteceu por uso. Isso é a língua a renovar-se livremente.
EliminarQuanto ao relevo internacional, sim o italiano tem muito pouco. E se quer levar a questão para a simplicidade da sua ortografia, basta lembrar que o inglês tem uma ortografia ilógica e é a língua mais popular do mundo. Sejamos sérios e realistas sobre aquilo de que a língua portuguesa precisa para se impor na arena mundial.
Parabéns Artur pela sua pozisão. Partilho as sua ideias. Também sou pela simplifikasão da ortografia.
EliminarAkonselho a verem as propostas em www.simpificandoaortografia.com
www.simplificandoaortografia.com , faltou o "L"
EliminarSim mas repare que sempre dentro de Itália!
EliminarOra o Brazil é um outro país e até noutro continente... e amanhã Angola vai querer também impor-se... ou seja, vamos esquecer o Português de Portugal e adoptar o que os outros já modificaram? Vamos nós, que falamos a língua-mãe no original ter de nos adaptar?
Desculpe mas não posso concordar e parece-me que o exemplo italiano não se aplica inteiramente, pois o que se fez foi um acerto na língua original e pelos seus falantes originais.
Veja lá se os ingleses ou castelhanos vão em acordos com as suas comunidades? Olá!
Pouco me importa como os outros países escrevem português. Quero apenas usar uma ortografia limpa de letras que não se pronunciam. Só isso: erradicar os fantasmas ortográficos ainda presentes no português. O AO deu um bom passo nesse sentido e as sugestões citadas pelas MRP ajudam a fazer avançar ainda mais o processo. Têm o meu aplauso.
EliminarAlguém há-de me explicar porque é que "para" e "pára" não pode ser sem acento nos 2 casos, e porque é que "sede" pode ter 2 significados com diferente fonética.
EliminarA sede de poder. A sede do banco é em Lisboa.
Devemos é recusar o Acordo porque somos independentes e um país soberano e não prestar vassalagem aos irmãos brasileiros e outros e decidir por nós.
Com certeza tem as suas razões e estas não são despiciendas - como me habituou - , apenas são diferentes e por isso nos colocam em campos opostos, com todo o respeito!
EliminarNo entanto, o seu anseio de usar uma grafia limpa que eu entendo como desejo de ter menos trabalho, vai sair muito prejudicado com o facto de ter de se dedicar ao estudo e apreensão da nova grafia, pois esta é sujeita a normas e regras e não a seu bel-prazer, já pensou nisso?
É o caso, como de diz, "morrer da cura, não morrer do mal!"
Um abraço!
Não tem nada a ver com vassalagem a ninguém. É simplesmente simplificação da escrita.
Eliminar"Quero apenas usar uma ortografia limpa de letras que não se pronunciam."
EliminarMas e deseja isso porquê? Para quê? A sua vida foi um inferno ortográfico entre 1973 e 2011? Vivia numa atrapalhação sempre que tinha de escrever pára com acento e objecto com c? Acha que a sua vai melhorar substancialmente por causa do abate de alguns hífenes, consoantes mudas e acentos?
Mas em que sentido é que akonselho é mais racional e mais simples do aconselho? Que método científico é que usaram para chegar à conclusão de que o k é melhor do que o c?
EliminarMas estão a gozar com quem?
Simples. Porque sêde se escrevia com acento circunflexo antes do Acordo anterior. Os AOs só servem para deturpar a língua.
EliminarSe isso for avante - com a complacência dos eruditos da língua, em que não estão isentos de culpa os editores-porta estandarte dela - prometo escrever o meu primeiro livro de auto-ajuda. Chamar-se-á "Como Tirar Macacos do Nariz, Depois de Ter Cortado as Unhas". Se o novo acordo for um sucesso, o meu livro será também.
ResponderEliminarOs "eruditos da língua" pouco mandaram na evolução da língua falada ou escrita. Felizmente...
EliminarObviamente também não manda o povo, do qual 2 terços se opõem ao acordo. Mandam na língua meia dúzia de políticos. A sério, Artur Águas? É nisso que acredita? Que meia dúzia decide como 300 milhões agora devem escrever? Não percebe que esse tipo de despotismo centralizador é exactamente uma das razões por que este país não sai da cepa torta.
EliminarBom dia a todos.
ResponderEliminarA letra H letra ímpar.
Para além de alfabeto representa lugares a exemplo Honduras, Haiti, Honolulu e Hong Kong independente de idioma transversal por outro lado ( história ) apresenta o avanço simplificado dir-se-ía "Philosophia" outrora.
Eu continuo a favor de acordos nesta área e em muitas outras, mas não em todas!, porque continuo a achar que, no caso da Língua, um acordo defende melhor a NOSSA posição nela. É uma questão meramente política (viva Ataturk !), como aliás se nota na maioria das posições contrárias, e talvez possamos lutar contra um ou outro disparate (no universo do 4% de alterações) deste caso específico, sem perder de vista a floresta.
ResponderEliminarSim?!... Ótimo ! (meti esta apenas para se notar que escrevi de acordo com o Acordo num texto com mais de 70 palavras)
Mas estes acordos defendem a língua como? É pela graça deles que mais pessoas se vão interessar pela língua portuguesa? Mais editoras estrangeiras vão traduzir os nossos poetas por causa dela? Mais alunos se inscreverão em cursos de Português? Que provas tem disso? Que estudos foram feitos que comprovem tais fantasias?
EliminarSó uma coisa promove uma língua, uma cultura: dinheiro, que é precisamente o que ninguém quer gastar, e por isso se fazem estes acordos, porque aparentemente não custam nada e dão a impressão de que os políticos fizeram muito pela língua. Entretanto cortam aulas de Português no estrangeiro, acabam com cursos, despedem professores lá fora. Sabia que a Alemanha paga aos seus professores de alemão no estrangeiro? Eles não só recebem pelas universidades e escolas onde leccionam, o estado alemão ainda lhes paga por ensinarem a língua alemã. Eles são como que considerados heróis. Isso é promover a língua.
Sabe que mais é que os alemães fazem? Eles criaram prémios monetários para traduções de alemão para inglês. Isto incentiva tradutores a traduzir obras alemãs. Onde é que Portugal tem algo semelhante? Em porra de lado nenhum. É por isso que em 2013 apenas 4 livros portugueses, segundo um recenseamento do site Three Percent, foram traduzidos para inglês. 4. Sabe quantos alemães se traduziram? Olhe, perdi-lhes a conta quando os tentei contar, mas faça download da página excel e experimente por si:
http://www.rochester.edu/College/translation/threepercent/index.php?id=7222
Miguel, se esquecer por um momento as suas indignações - legítimas, das quais compartilho - e voltar a ler melhor o que escrevi, verá que não quero, nem posso, provar o que quer que seja, muito menos aquilo que eu não disse. Isto é, não falei na defesa da língua, mas "na defesa da nossa posição nela". Claro que acho que uma coisa leva à outra. É uma opinião, parece que antipática, mas é a minha. É algo que, acredito, deverá estar para além dum "p" aqui ou dum "h" acolá, muito acima dos nosso hábitos ou gostos pessoais. Saiba no entanto o Mundo, que "omem" também me horroriza e que, de resto, me deixa a pensar por onde andará a hombridade. Resumindo, a sua argumentação (alemã) também não prova coisa nenhuma, nem sinceramente compreendo o que tem a ver com o assunto. Aliás, os alemães, que presumo não cultivem a anarquia ortográfica, não terão realmente este tipo de preocupações. No "hard feelings", PO
EliminarCaro Paulo, tem tudo que ver com a defesa da posição portuguesa; essa só se faz com dinheiro; o meu exemplo da Alemanha é para mostrar que eles compreendem o que tem de ser feito para promoverem a sua cultura na arena de gladiadores que é o mundo, onde todos almejam um pouco de atenção.
EliminarPortugal, com medidas como o acordo, longe de defender a sua posição, mostra que trata toda a questão com muito irrealismo, depois não se admire de levar com o polegar para baixo tantas vezes.
Não consigo acreditar nesta burrada que é também uma borrada. As razões para conformar o português de Portugal ao do Brasil não me parecem válidas; a evolução é diversa nos dois países, para quê juntar? Não entendo um país em que tanta gente se esforça para que perca os traços identitários. Juro que não entendo.
ResponderEliminarSe querem acordar, acordem Sophia e, com ela, as letras, as palavras e as frases.
ResponderEliminarSubmetam a gramática à plástica e escrevam dansa assim mesmo, sem letras sentadas.
Ahaha, adorei a ironia.
EliminarXegou a ora "O"!
ResponderEliminarHora Agá? Kéláiçu?
Enfim, medidas para que analfabetos passem a saber escrever e os que já o sabem, voltem a analfabetos. Vá se lá compreender...
ResponderEliminarTalvez mais valesse até deixar considerar todas as alternativas corretas e assim cada um escreveria à sua maneira, deixávamos ao abrigo da originalidade de cada um.
Relativamente a este tema que tanta controvérsia tem gerado, apenas tenho a dizer uma coisa, e nada me move contra os Brasileiros (a favor também não) é que este povo será possivelmente o único no mundo que continua a "não entender" a sua própria língua. Teimosia? Limitações? Preguiça? Haja (desculpem mas esta tem que ter H) alguém que esclareça, se souber...
ResponderEliminarTeimosia? Limitações? Preguiça? E que tal ignorância e analfabetismo?
EliminarGrande post.
ResponderEliminarMereceu destaque nos blogs da sapo, onde se encontra uma ligação a este com uma sugestiva imagem.
Há quanto tempo não vinha até aqui!
Ou será: À quanto tempo não vinha até aqui!
Ora boas! Talvez seja: Hora bolas!
Ainda não li quase meio ano de comentários, mas fiquei satisfeito por ter lido coisas do Pacheco, sempre acertadas e pertinentes.
Fernando
E que tal: "a (lê-se sempre com som "á" excepto se tiver acento circunflexo/chapeuzinho) cuantu tempu nãu viña ate aci (o som "esse" fica para a letra "s")?
EliminarVolto para cumprimentar a Maria do Rosário Pedreira.
ResponderEliminarE volto para lembrar que, há (à) uns tampos atrás, era meu hábito (ábito) escrever Acordo Hortográfico, porque esse é o seu verdadeiro designativo, uma vez que muitos nabos estão no seu alfobre.
Fernando
Alguém se deu ao trabalho de checar a notícia? Mais um HOAX que serve apenas e sempre ao mesmo propósito (quando se fala dos acordos e da língua Portuguesa): Criar discórdia, dividir, segregar.
ResponderEliminar"Checar": eis mais um exemplo do absurdo que é fazer um acordo ortográfico entre Portugal e Brasil. Verificar, conferir, comparar, confrontar são sinónimos genuinamente portugueses, enquanto checar não passa de um anglicismo desnecessário. Se os brasileiros o querem utilizar, façam favor. Não faz é nenhum sentido pretender unificar as duas ortografias quando as respectivas diferenças são já tantas e irreversíveis.
EliminarPara os que não quiserem ter o trabalho de procurar, está aqui o esclarecimento oficial.
ResponderEliminarAgora podem continuar com o complexo de "a língua é nossa", enquanto continuam a não entender que toda e qualquer língua é viva e tem "vontade própria" (licença poética)
http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2014/08/21/cyro-miranda-refuta-boatos-sobre-mudancas-na-lingua-portuguesa?utm_source=midias-sociais&utm_medium=midias-sociais&utm_campaign=midias-sociais
O texto contém uma frase reveladora: "De fato, houve sugestões de mudanças mais radicais no acordo, mas isso não foi formalizado como proposta da comissão e muito menos se tornou proposição legislativa - o que seria exigido para qualquer mudança formal."
EliminarDisto eu depreendo o seguinte: a intenção era avançar com as novas alterações, mas a oposição nos meios de comunicação foi tão veemente que fugiram com o rabo à seringa e agora lançaram este texto de relações públicas elementar para pôr água na fervura.
Mas se foi apenas boato, convém lembrar que foi boato que começou nos meios de comunicação brasileiros. Por isso não venha com acusações de chauvinismo para cima deste blogue português com essa lengalenga do "a língua é nossa."
Por fim, o que é preciso entender é que nenhuma língua está viva se precisar de acordos que impõem alterações artificiais. Nem a vontade própria, manifestada através dos utilizadores dela, é manifestada através de decretos de poucos. Não entender isso é não entender o conceito basilar da liberdade e da democracia.
É preciso é checar bué de HOAX, iá men...
EliminarE caralho sem o c?
ResponderEliminarTambém dá
Só se for gago...
EliminarO que é mais patético é que com estas novas propostas de "simplificação" os brasileiros vão continuar a escrever (e falar) mal, pela simples razão de que são, na sua grande maioria, semi-analfabetos.
ResponderEliminarMas a questão de fundo é que isto demonstra, na linha aliás do que já se tinha verificado nos anteriores acordos, que não faz qualquer sentido tentar uma ortografia unificada entre Portugal e o Brasil. Para não falar no desrespeito que isso significa relativamente aos outros países lusófonos.
Já agora alegrem-se também os que sempre confundiram «á» com «à», que são igualmente muitos. Para quê essa complicação de pôr o acento ao contrário, se o som é igual? E por falar em som, o melhor será mesmo eliminar o acento em todas as palavras, já que no Bràsiu as vogais são todas lidas como se tivessem acentos.
Corrijo: os únicos acentos que se devem manter são o trema, para os analfabrutos saberem se o "u" a seguir ao "q" deve ou não ser lido, e o circunflexo (chapeuzinho para os analfas), para se saber se os "a", os "e" e os "o" se lêem, respectivamente, "á" ou "â", "é" ou "ê" e "ó" ou "ô".
Se bem que no caso dos "q" talvez fosse melhor eliminar os "u" quando não se pronunciam. Espera lá, e que tal eliminar-se os "q" e substituí-los pelos "c", que teriam sempre som "quê", enquanto o som "cê" seria representado pela letra "s" (só um, para simplificar) e o som "zê" seria sempre representado pela letra "z", pois claro?
E pensar que foram linguistas e pessoas da cultura que fizeram este acordo.
Será que foram?...
Não sei onde estarão plasmadas estas propostas. No entanto, há que ter em conta que propostas delirantes há muitas: ainda há uns anos, li um artigo dum cronista brasileiro que defendia mapas do Brasil de pernas para o ar, porque nada nos obriga a achar que o norte é por cima (e é verdade, mas porquê acabar com essa convenção?). Por isso, julgo (espero...) que estas propostas, que não sei donde vêm, sejam apenas delírios de algum blogueiro ou outro que tal. Não serão, certamente, uma proposta oficial do governo brasileiro nem nada que se pareça. Também Bernard Shaw andou a tentar mudar o alfabeto do inglês e não chegou a lado nenhum...
ResponderEliminarSeja como for, o Brasil não adiou a aplicação do Acordo Ortográfico: ele está em vigor. Adiou apenas a sua obrigatoriedade (que, de qualquer forma, nunca se poderá impor a ninguém, pois não há "multas" ou algo do género para quem não escreva de acordo com o Acordo).
A nova invenção sera impossível de aplicar nos outros países porque o "brasileiro" tem uma fonética totalmente diferente (para não falar na gramática).
ResponderEliminarVi as novas aberrações. "Eseso" em vez de "excesso", por exemplo, é a prova da impossibilidade de escritas unificadas. Em português padrão diz-se "esh-'SÉ-su" ou, nalgumas pronúncias, "âish-'SÉ-su". No Brasil o X não se lê, sabe-se lá porque motivo, e diz-se "ê-SÉ-su" ou "eisésu"... Porque é que os brasileiros não pedem a independência lingüística (sim, eu uso o trema, apesar de ser português) e não chateiam nem deturpam uma língua. Em Cabo Verde eles têm o Crioulo de Cabo Verde. No Brasil (com o novo Acordo que inventaram "Brasiu") teriam o "Crioulo Brasileiro" ou só "Brasileiro" e assim já não tinham que me vir chatear com tretas que inventam de "colonização lingüística"...
Estou em choque (sem x)!
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