Centenário

Comemora-se este ano o centenário do nascimento de um dos maiores escritores argentinos do século XX, Julio Cortázar, conhecido sobretudo pelo original Rayuela (romance experimental de 1963, traduzido e publicado em Portugal com a chancela da Cavalo de Ferro) e pelos seus contos especiais e marcantes. Descrito por Carlos Fuentes como o «Simon Bolívar do romance», Cortázar – apoiante da revolução sandinista, de Fidel Castro e de Salvador Allende – foi perseguido nos anos 1940 na Argentina pelos peronistas e exilou-se na Europa, tendo vivido em Paris e trabalhado para a UNESCO como tradutor. De tal modo a sua prosa era requintada e original que, já em criança, a própria mãe desconfiou de que o rapazinho copiava o que escrevia... Mas não, o filho era mesmo um génio e os tempos acabaram por trazer-lhe o reconhecimento que merecia. Este ano haverá, pois, em várias partes do mundo um sem-número de celebrações dos cem anos do seu nascimento, entre as quais se destaca uma grande exposição, Los Otros Cielos (o título é roubado a um dos seus contos), no Museu Nacional de Belas-Artes de Buenos Aires, que constituirá uma retrospectiva da vida do escritor com base nos arquivos que deixou – correspondência, fotografias, filmes e até móveis – e espera milhares de visitantes. Paralelamente, estarão igualmente expostos retratos do escritor realizados por vários fotógrafos profissionais e haverá debates e conversas à volta da sua obra um pouco por todo lado. Em Portugal, a revista Blimunda da Fundação José Saramago dedicou o seu número de Agosto ao autor argentino. Se não o conhece, esta é uma boa altura para começar a lê-lo.

Comentários

  1. "Rayuela" é um livro notável e um exemplo de como ser experimental sem sacrificar a leitura e de como utilizar a forma para reforçar o conteúdo. Recomendo vivamente.

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  2. "Rayuela" - sempre me faltou a coragem para ler este livro, mas nunca deixei de o desfolhar sempre que o encontrava numa qualquer prateleira; é que sempre me fizeram confusão os livros em que a páginas tantas aparecem desenhos, quadrados, palavras cruzadas e sei lá que mais, daí este Julio Cortázar se ter tornado para mim como que um escritor maldito e dificílimo...mas desde que ontem o Pedro me disse que
    «nunca rejeite aquilo que não consegue entender».
    vou ter de pensar melhor e começar a ler Julio Cortázar, e Rayuela poderá até ser o inicial, mas muito de pé atrás...

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    1. Também tive algum receio antes de começar, pensei que fosse um livro muito hermético e fazia-me confusão a questão dos capítulos não serem sequenciais. Mas a verdade é que, se seguirmos a tabela proposta por Cortázar, o livro é bastante fácil de ler, porque os capítulos da parte "essencial" são apresentados pela sua ordem, entre os quais se vão colocando os capítulos da parte "prescindível". Pode parecer complicado, mas não é. Acaba por ser uma experiência de leitura muito interessante.

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  3. Hoje calha-me a vez de escrever a despropósito.
    Este acanhado carrancudo, que sou eu, lá esteve na Figueira da Foz, ontem, para assistir à apresentação do romance "As palavras que me deverão guiar um dia", e as que quero aqui deixar servem para dizer que nunca tinha visto mais de 200 pessoas num evento extraordinário, como extraordinário é o romance que todos os amigos extraordinários e menos extraordinários, também os ordinários, devem ler.

    António Breda Carvalho

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    1. Ahahaha, António Breda! :) Aproveitando, a despropósito, o facto de estarmos numa semana de frases intensas pedagógicas :) , e no seguimento da «não rejeição do que não entendemos», cá vai outro conjunto de palavras que nos deverão guiar um dia: «Nunca repudie aquilo que lhe parece escrito a despropósito».

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    2. Caro Pedro,

      como diria Pessoa no seu anúncio publicitário REPUDIADO (sobre a Coca-Cola), «primeiro estranha-se, depois entranha-se».
      Assim acontece com o "a despropósito".

      ABC

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  4. É mesmo considerado o homem que deu a volta à literatura argentina, senão Sul-americana...

    O seu forte terão sido os contos, era um homem de histórias curtas e atrevo-me a pensar que a sua vida de jovem e adulto, cheia de reviravoltas e sobretudo pautada pelas dificuldades económicas, o terá marcado bastante e talvez feito assim enquanto escritor - como ontem referi sobre a influência das vidas vividas, nos escritores, a propósito de Faulkner.

    Só podia ter sido um revolucionário, esquerdista, pelo período em que viveu e dos sonhos que então se viviam e porque era um humanista, o que se percebe imediatamente na sua leitura.

    Li há muitos anos um livro de contos, Bestiario, creio... marcou-me sim, pois é intenso como bom latino-americano. Sobretudo pela qualidade da descrição, e recordo ter ficado com aquela sensação de que as personagens são nossas conhecidas, ou que entram em nós... ou nós nelas?
    Aliás aconselho vivamente, pois é uma verdadeira viagem!

    Saudações sedentárias do Bairro... hoje vou à consulta e já sei que vou ter de fazer uma data de exames que ditarão uma série de coisas a que não ligarei pevide, pois me sinto bem! Vou, obrigado pela minha mulher de conluio com a médica que conspira para me achar doente nem que seja do juízo (grande novidade!), e, prepararam a armadilha vai para meses... com premeditação portanto!
    Menos mal que vou começar a ler o Valdemar Sorte Grande do nosso extraordinário António Breda!

    No final do mês, conto ter bastante material para partilhar aqui... com quem queira!

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    1. Ó António! Então você que vem lá da terra das bitacaias ou matacanhas não se quer deixar observar?
      Vai ver que no fim da consulta o seu médico diagnostica: Não, senhor! Isto não é doença do bicho. Muito menos tensão arterial. Ó homem... pressões arteriais com o nitrogénio que já tem no sangue? E guelras de apneia ? Nem pensar! Isto parece-me mais um défice de ferro... com terra?! Mas precisamos de mais exames, depois do seu regresso a África. Inclino-me mais para outro diagnose: síndrome de abstinência de uma nova Largueza!

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    2. Hum... Ora essa, observados são os gorilas e os chimpanzés!
      Eu dispenso... e lembrei-me agora Jane não era o nome tanto da mulher do homem-macaco quanto da investigadora macacal? Que curiosa coincidência! Se bem que Edgar Rice Burroughs seja no mínimo um autor surpreendente e a quem talvez nunca se tenha feito justiça!

      Mas acho que pelo menos não contraí ebola...

      A tensão está boa - 13/9 e o pulso a 52!
      No resto, bem, trago uma resma de análises para fazer... a análise do sangue e urina correm o risco de ser complicadas pois extinguiram a Junta Nacional do Vinho, vou ver no Instituto da Vinha e do Vinho...

      Eheheh!

      Um abraço!

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  5. Nem de propósito. Ia agora mesmo, e porque as horas de almoço devem ser aproveitadas para fazer coisas, começar a ler "As armas secretas" precisamente de Cortázar. Confesso que será o meu primeiro contacto com o escritor, mas ainda assim tenho ali um outro dele: "Gostamos tanto de Glenda". Pronto, será com ele que passarei o fim de semana.

    Um abraço
    Carla Pais

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  6. Um dia, há muitos anos, desequilibrei-me ao ler umas "Instruções para Subir Escadas" e estatelei-me no alto das ditas. Eram de Cortázar.

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  7. Cara Maria do Rosário,
    terminei a leitura do livro de Paulo Moreiras, «A demanda de D. Fuas Bragatela».
    Aconselho a leitura do livro a todos os leitores do seu blog. É uma verdadeira pérola no meio de tanta literatura «higienizada e normalizada». Poderá usar o mesmo como fonte para o seu post mensal »Palavrinhas».
    Um grande bem-haja pela edição desta obra. De seguida, irei ler de Mário Cláudio o romance «Gémeos». Segundo António Lobo Antunes é «um romance perfeito». Paralelamente, estarei a ler a biografia de D. Pedro V, de Maria Filomena Mónica.
    Boas leituras e cumprimentos.
    Fernanda

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