A fúria do mar

No ano passado, entre outras novidades, tive o prazer que publicar o primeiro romance de Ana Margarida de Carvalho, jornalista da Visão que se atreveu à ficção e logo se viu que a devia ter escrito toda a vida, nem que fosse apenas dentro de si. Essa obra de estreia tinha como título um verso de uma canção de Zeca Afonso – Que Importa a Fúria do Mar – e recebeu, como merecia, encómios da crítica e dos leitores, sendo reeditada pouco depois, o que é um feito raro tratando-se do livro de uma autora até então desconhecida. O enredo dividia-se por dois tempos distintos – o da ditadura, com um protagonista enviado para o Tarrafal, e o presente, com uma jornalista que entrevista esse homem, agora velho, para um programa de televisão; e muito se poderia dizer desse encontro, mas nada substitui a leitura do romance. Em todo o caso, vai ser muito bom ouvir falar dele logo à noite, na Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira, numa sessão organizada por António Redol, filho do escritor Alves Redol, e apadrinhada pelo Museu do Neo-Realismo, na qual contaremos com a presença de Domingos Lobo a apresentar o livro. Se estiver por perto, não deixe de aparecer. Senão, leia o livro.


 


Comentários

  1. Não desejo ser polémico, nem melindrar... mas classificar "desconhecida" uma jornalista da Visão, é assim um bocadinho... hum... como dizer que o cozinheiro do Pap'Açorda é um ilustre desconhecido!
    Ele talvez seja, mas não o é de todo o restaurante e a sua celebrada cozinha, e se for assim apresentado, pois alguém duvida de que recebe o que merece?

    É para mim claro que a autora e jornalista, faz parte de algo, de um grupo de gente que se conhece e troca influências, para ser mais claro, e portanto tem acesso e apoios a publicar, aliás condição necessária para agradar ou ser reeditada, ainda que possa ter havido subavaliação quanto à tiragem... penso eu de que.

    Saudações cépticas do Bairro.

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    1. Eheh!, o amigo Pacheco muito contido, mas sempre cético lá no Bairro: faz parte de algo... é filha de algo quer ele dizer, isto é fidalga, mas que interessa isso se tiver realmente valor, como parece ser o caso. Sorte a dela.

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    2. Ah... mas o valor eu não contesto! Aliás nem li o livro, por isso não posso pronunciar-me.

      Agora, quanto ao ser uma desconhecida... bem aí sou do mais céptico que haja!

      Abraço!

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    3. Também eu não li ainda o livro, pelo que só posso desejar felicidades e sucesso à autora. Já a reedição não me impressiona muito. É que me constou que é frequentemente medida de marketing, uma vez que os custos recaem sobretudo na primeira edição.
      JCC

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  2. é um dos livros que quero ler.

    foi bom este "lembrete".

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