Uma capital para a literatura

Aqui há uns meses um grupo de escritores de nomeada provindos de países e continentes vários assinou um manifesto inovador, propondo a criação de uma Cidade Internacional da Literatura. Entre os signatários do documento encontram-se autores tão diferentes como Paul Auster, Pierre Michon, Javier Cercas, Alberto Manguel ou Peter Esterházy – e a ideia, ao que parece, não caiu em saco roto, parecendo até que a França apanhou a bola e quer, decididamente, marcar. É verdade que o país tem bons motivos para se considerar literário: não só pela sua história (tantos grandes autores, caramba!) e por publicar anualmente um número impressionante de obras literárias (basta ver a quantidade de novos romances que saem na rentrée – e não estou a falar de falsa literatura), mas também porque tem uma quantidade incrível de livrarias independentes e livreiros empenhados, que lêem os livros e não raro colocam na montra as suas opiniões junto dos títulos que apreciaram, num diálogo franco com os leitores. Além disso, a França possui já cidades da música, da arquitectura, da BD e do Design, fazendo-lhe falta uma cidade da literatura; outros países e cidades, como a Itália e a Alemanha, têm, por exemplo, casas da literatura que dinamizam o encontro entre público e escritores, pelo que talvez fosse redundante tornarem-se capitais literárias. Mas o objectivo agora não é apenas a promoção de autores e livros, é, sim, a criação de um espaço internacional partilhado para o debate de ideias, uma plataforma de encontro e trabalho que resulte em acções em defesa do património literário e da forma de consciencializar todos do valor que os livros nos trazem. E, se A França se põe a jeito e diz que Paris bem merece tornar-se capital da literatura, quem sou eu para dizer que devia ser noutro lado?

Comentários

  1. António Luiz Pacheco30 de julho de 2014 às 02:27

    Ora bem, a mim traça literária que outro local podia agradar-me mais que a "Cidade da Luz"?

    Acredito que por razões históricas e culturais, de facto, Paris merece ser essa capital, da literatura.

    Há outros lugares de forte tradição ou prática cultural literária, sem dúvida, mas suponho que nenhuma com os pergaminhos de Paris.

    Saudações iluminadas, de Cabinda!

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  2. Cláudia da Silva Tomazi30 de julho de 2014 às 02:45

    Tal qual lado importa a literatura liderar outra história ...

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  3. E claro que (a França) merecerá!
    E Portugal?
    como muito bem salienta Miguel Real n "A VOCAÇÃO HISTÓRICA DE PORTUGAL", nós continuaremos a ser o país menos
    -industrializado da Europa
    -dos mais iletrados da Europa
    -dos mais pobres da Europa
    -com maior nível diferencial de salários da Europa
    -com mais Ricardo's Salgados, Relvas, Cavacos, Loureiros, etc. por m2, na Europa
    -com maiores estádios da Europa

    deste modo, temos e continuaremos a ter o que merecemos!

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    1. António Luiz Pacheco30 de julho de 2014 às 03:38

      Hum... "peraí" ó Extraordinário Severino:

      Com todo o respeito pelo Extraordinário Miguel Real, vou reflectir um pouco:

      - O país menos industrializado da Europa
      Ainda bem! Nós somos um povo de camponeses corados e rubicundos e não de pálidos e anémicos operários! Livra... e as indústrias poluem! Queres ser mão-de-obra barata? Livra...

      -dos mais iletrados da Europa
      Como assim? Os nossos médicos e enfermeiros são procurados no Reino Unido e França, os engenheiros na Alemanha... desenvolvemos e exportamos tecnologia de ponta na área da informática e energias, etc. Nunca, mas nunca, me senti inferior a ninguém em lado ou ambiente nenhum, fosse académico, técnico ou simples palear de café! Bem pelo contrário... bom, claro que nunca tive o privilégio de conversar com uma Margueritte Duras, com um Levy-Strauss ou outro vulto desse gabarito que me reduzisse a uma insignificância absoluta...

      -dos mais pobres da Europa
      Pobre? Em quê? Temos bons queijos, enchidos e peixes... conservas, vinhos, azeite, pão de toda a qualidade! Sol a rodos e praia, montanha, planície, ilhas... boa gente, folclore e cultura popular qb... pobres? Hum... quem nos visita gosta... acho que nos falta é potenciar isso, e a pobreza está quer nos políticos quer nos que não se reconhecem como um povo de Sol e sardinha-assada, de música de concertina, ferrinhos e guitarra!

      -com maior nível diferencial de salários da Europa
      É natural... deixámo-nos sempre tratar e assumimo-nos como sendo um povo sem indústria (recursos), o mais pobre e iletrado da Europa...

      -com mais Ricardo's Salgados, Relvas, Cavacos, Loureiros, etc. por m2, na Europa
      Hum... não sei, nunca fiz essa estatística, mas quem vota neles que se justifique, de resto se calhar e isso fosse verdade era sinal de que nem éramos assim tão pobres nem faltos de recursos como a indústria que potencia o aparecimento desses cavalheiros.

      -com maiores estádios da Europa
      Óptimo... era uma questão de os pôr a funcionar com eventos que rendessem, concertos, futebóis e outras atividades, como festivais de folclore... etc. Falta é iniciativa e idéias... e como somos bons a receber, a malta vinha cá e depois voltavam sempre!

      É pena eu não ir para o governo... ahahah! Mas quem ia votar em mim? Alguém aqui neste Blog Extraordinário votava??? Não prometo leitura para todos, mas se calhar fazia um esforço... eheheh!

      Tás munt'azedo! As férias tão a acabar?
      Um abraço moralizador desde Cabinda!

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    2. Cláudia da Silva Tomazi30 de julho de 2014 às 03:57

      Abertamente ASeverino nível traduz qualidade que espanta .

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    3. Candidata-te Pacheco que eu votarei em ti

      Um abraço

      Anda Pacheco

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  4. Viva a França ! Para diálogo com os escritores, nós no norte, temos os festivais da Póvoa e de Penafiel. A câmara do porto diz que este ano em setembro vai substituir a Feira do Livro, que não quis financiar, por uma mistura de feira de livreiros locais e festival literário. A ver vamos. Interessante seria, como acontece por este mundo fora, as grandes cidades portuguesas patrocinarem residências literárias para que escritores de todo o mundo pudessem passar cá uns meses a escrever, pedindo-lhes como contrapartida a sua participação mensal numa sessão de diálogo com os cidadãos locais.

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    1. Pois deixe-me dizer-lhe que Amarante, não sendo uma “grande cidade portuguesa”, está a preparar as coisas para apostar nas residências artísticas, não apenas literárias, mas também.

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    2. António Luiz Pacheco30 de julho de 2014 às 03:44

      Ah! O Minho... sim, berço de criação literária e que a meu ver a potencia pela suavidade serena da paisagem, frescura, cores e sombras, do viço e dos sons!

      Que uma costela mendinha assada no forno com arroz de aparar o pingo e um verdasco potenciam ainda!

      Saudações saudosas de uma Cabinda verde e pujante, mas sem costela ... tenho de me ficar pela chicoanga!

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    3. Espetacular boa notícia !
      Como antigo residente em Amarante, ficarei a aguardar novidades suas sobre a concretização desse projeto.

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    4. Ó Pacheco, estamos a falar de “residências” para vir para aqui trabalhar, criar, produzir – não é para vir para aqui enfardar e depois passar o tempo refastelado, a dormir a sesta e fazer a digestão...
      ... Bem, quer dizer... Pronto, admito que, uma vez por outra, vá lá: – um cabritinho assado no forno de lenha, ou, aí por Fevereiro, uma lampreiazinha à maneira...

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    5. António Luiz Pacheco30 de julho de 2014 às 08:19

      Hum... realmente, o escritor cria melhor com a barriga vazia e o espectro da indigência pirando sobre si?
      Ou, beatíficamente de papo cheio e para o ar?

      Ahahah! Eu penso que discorrer de barriga aconchegada pode conduzir a literatura mais positiva e benévola!

      O Minho produzirá assim escritores anafados, rechonchudos com idéias redondas e coloridas, quais vates da alegria benfazeja que inspirem nos leitores sensações puras e sãs de prazer, por oposição aos hirsutos, circunspectos e olheirentos autores das obras depressivas tão em voga, a quem aconselho antes retiros nas tascas nebulosas de fumos e escuridão do Bairro Alto, como góticos morcegos alcandorados nas naves frias de um convento memorial qualquer, donde possam olhar para os seus umbigos e espalhar o azedume dos estômagos mal confortados!

      Não... coração, cabeça e estômago!
      É a receita que se recomenda, que as Tomázias substituam no Minho as Tágides... não confundir com a nossa Extraordinária Tomazzi! Eheheh!

      Saudações inspiradas de Cabinda!

      PS- Não resisto a contar que hoje ia grossa confusão lá na Agrizau! Cada trepeiro (homem que sobe na palmeira e corta o dendê) tem uma senhora que o apoia e recolhe o cacho. Pois parece que no meio da mata e no calor e humidade férteis, começaram a se agarrar... sobretudo o Bodiquiela e a D. Paulina. A D. Paulina esteve fora, e quando voltou quis recuperar o seu trepeiro, que recebera como substituta a D. Maria Nhangi... mas não aconteceu, e ela foi espreitá-los e viu-os a se agarrarem! Confusão matinal hoje, na hora de saírem as equipas, com as duas senhoras (que aliás são casadas) a se acusarem e a discutir! Um dos argumentos de peso que mais aprecio é quando se acusam: "Você é muito confusionista!" ... Quem precisa de telenovela?
      Ahahah!
      Mas tomei a decisão salomónica de mandar que se acabaram os pares... cada trepeiro tem o apoio de uma senhora mas estas passam a rodar, assim das duas uma: - Ou se evita que se agarrem, ou têm de se agarrar todos!
      Bem dizem os franceses: "Quel bordel!".

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    6. Que bela residência artística que vai aí por Cabinda, ó Pacheco!

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    7. Devo andar muito fora da onda, ainda não dei pelos tais autores depressivos e "tão em voga":) e julga que será próprio de quem tem estômago mal aconchegado...desacredito dessa hipótese. Vejo a literatura como poetava Pessoa, um fingir completamente.



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  5. Não querendo muito discutir o assunto, mas dava-me um jeitão que a capital da literatura fosse aqui minha vizinha. Ai a França e os livros...
    Um abraço extraordinário aos que amam lerem também aos que ainda não descobriram a magia que se encontra por debaixo de cada capa.
    Carla Pais

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  6. A quem estiver perto ou tiver a possibilidade de passar por lá, recomendo uma visita à vila de Bécherel, Cité du Livre (Bretagne, França), um lugar encantador.

    Cristina Drios

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    1. Fiquei curioso e pesquisei na net.

      Encontrei num blog uma descrição de Bécherel, que me deixou com muita vontade de conhecer esta aldeia(?), muito pequena, mas que deve ser maravilhosa.

      Se mais alguém tiver curiosidade, deixo aqui um link (o texto está em Romeno, mas as fotos, que são várias, são bem elucidativas do local mágico que deve ser esta localidade).

      http://www.bookaholic.ro/becherel-declaratia-de-dragoste-facuta-cartilor-in-bretania.html

      Obrigado Cristina pela dica.

      Rui Miguel Almeida

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    2. Obrigada pela mostra de livrarias tão caseiras e bonitinhas.

      Tanta localidade em Portugal sem uma livraria. E nesta aldeia qual delas a mais apelativa.

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    3. Sim, Miguel, aldeia e não vila... Terá pouco mais de 600 habitantes e, pasme-se, 15 livrarias! É mesmo um lugar mágico, Bécherel.

      Cristina Drios

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  7. Gosto!
    Que seja na França, que faz por isso... e pela literatura... mesmo na televisão!

    http:/ www.france5.fr emissions la-grande-librairie

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    1. Cláudia da Silva Tomazi30 de julho de 2014 às 09:21

      Muito bem d. Maria Almira Soares gostaria também de registar a Guimarães Capital Européia da Cultura fora sucesso e representou muito bem na altura entre todas da história .

      Tema este Guimarães um dos mais simples da lida portuguesa .

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    2. Mas, por cá, estas coisas são 'eventos'. Não são sistemáticas nem se tornam habituais e comuns.

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  8. Ex.mos Extraordinários, permitam-me a sugestão:

    http://www.becherel-autour-du-livre.com/

    Agradecida.

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