Tintim a render
Na minha infância e adolescência alimentei-me de livros do Tintim em edições cartonadas, com lombada forrada a tecido, e muitos deles em francês, tendo talvez aperfeiçoado as minhas competências nesta língua com a leitura da famosa banda desenhada. Sempre me fascinou a figura de Tintim – com ar de miúdo por causa das calças curtas e do cãozinho, mas ao mesmo tempo repórter profissional em cenários de risco. Ainda hoje me lembro de ter tido um pesadelo por causa de umas páginas de Tintim – julgo que do álbum A Estrela Misteriosa – no qual uma aranha, tendo feito a teia na boca de um telescópio, sugeria a existência de um planeta com um enorme aracnídeo acoplado. Pois bem: tantos anos depois da morte de Hergé, o criador da figura, Tintim continua a render. Segundo leio, uma folha desenhada em tinta-da-china, em 1937, para servir de guardas a um ou mais álbuns, foi vendida por 2,5 milhões de euros num leilão em Maio passado, verdadeiro record no que toca a obras deste género. O anterior, de resto, já pertencia a Tintim – era a ilustração original da capa de Tintim na América e rendera 1,3 milhões.
Acho que a Nossa Extraordinária Anfitriã tocou num detalhe da maior importância:
ResponderEliminar- A parte pedagógica de ler BD em francês!
Ou noutra língua... nem queiram saber o que eu desenvolvi o castelhano -sobretudo escrito- com a leitura dos inenarráveis Mortadelo e Filemon, os desastradíssimos agentes de la TIA, chefiados pelo Super...
Há um enorme valor acrescentado nisso, em vez de ler traduzido, sendo que a imagem ajuda à compreensão de uma forma que é menos atractiva na literatura.
Saudações, poliglotas, de Cabinda!
Na minha infância, curiosamente (ou talvez não) fui mais miúdo do Povo, Buck Jones , Bily the Kid , Sandokan , Zorro, e especialmente Mandrake , e, talvez por esse facto, nunca tenha sido um grande entusiasta do Tin-Tin que, julgo eu, seria talvez mais cosmopolita, mais finnesse , mais francês...
ResponderEliminarUm post financeiro brinca intenção .
ResponderEliminarEm 1968 não sabia quem era o Tintin nem tinha sequer discernimento, apetência ou dinheiro para comprar os seus álbuns. Os meus pais, analfabetos, tinham uma visão da vida muito distante da de "bonecos". Até que um dia tudo mudou. Com 12 anos, gostaria agora de conseguir recordar as trapaças que inventei para arranjar 5 escudos por semana. O facto é que os consegui. Arrumam-se ainda hoje, as revistas do mesmo nome agora encadernadas, na prateleira da ternura nostálgica que ainda hoje visito. Parece-me então voltar atrás no tempo e lembrar as fantasias que semanalmente me inundavam o cérebro e me enchiam de raiva quando, no final da página, lia a palavra "continua".
ResponderEliminarAprendi muito com aqueles quadradinhos. Com eles me deu ganas de, depois, ler, ler muito, sem nunca perder a fantasia que eles me deram. Cada página de Tintin, Astérix, Lucky Luke, Achille Tallon, Taka Takata...trazia planos fotográficos, divertimento, música, cultura, acção, em temas que, não poucas vezes, me deixavam pensativo. Por 5 escudos semanais tive, por exemplo, acesso a essa maravilhosa história de amizade que se chama Tintin no Tibete.
Eu sei que o dinheiro tem hoje um valor muito alto. Mesmo assim deixo o desafio: que alguma editora aposte no refazer de uma revista de banda desenhada que prenda a miudagem, que os faça sonhar, que os faça começar a crescer como esta fez comigo. Um abraço aos Extraordinários que já foram putos.
Adoro o "Tintim no Tibete" ;)
EliminarTambém li muita BD, na minha infância, especialmente do Tio Patinhas e da Turma da Mônica (o Tintim e o Astérix foram mais na juventude). E tudo por causa de os meus pais nos quererem sossegados (a mim e ao meu irmão), quando conversavam com amigos, no café. Apesar de desdenharem das "histórias aos quadradinhos", eles acabavam por nos comprar as revistas, para que nós não os importunássemos. Foi uma sorte, pois eles mantinham a crença (algo comum, à época) de que os livros infantis não prestavam e que devíamos ler livros de "gente grande". Com isso, quase nos aniquilaram a vontade de ler... Não fosse a belíssima BD e a vida de café, sobretudo, no Verão :)
Tintim devorava-os a todos. Não apenas o Hergé mas aqueles álbuns grossos que acumulavam anualmente as revistas Tintim com fragmentos de álbuns do Spirou , Corto Maltese , Príncipe Valente e tantos, tantos outros que já não me recordo. Ainda hoje não "entendo" por que deixaram de ser editados, dado serem um acumulado muito diversificado, uma espécie de pré-primária de outras leituras. E lembro-me também com carinho dos Falcão, dos Super-Homem, até dos Tios Patos... A leitura, de facto, nunca terá um único dono e/ou cultor.
ResponderEliminarEstou-os a ler deliciado!!!!
ResponderEliminar(é assim que se escreve?)
Sabem... tenho no "corredor dos quartos" ou "lá de dentro", uma parede cheia de estantes repletas com alguns milhares (sim leram bem, milhares) de revistas de BD reunidas e roubadas aos meus primos, confiscadas etc. ao longo de décadas... dos genéricamente ditos Patinhas, não deve haver quem tenha muitos mais... e números muito antigos da década de 50. Uma razoável colecção de Mundo de Aventuras, e os inevitáveis Tintin (versão portuguesa da homóloga francófona)... e muito mais coisas... pena tenho que o Falcão e os Zorro, se tenham extraviado, sido roídos pelos ratos ou deteriorado pela humidade (o tipo de papel...) num período em que estiveram armazenados numa arrecadação...
Ler, é o que conta... mesmo BD quando esta nos abre portas para a literatura! E há BD que é verdadeira obra-prima... há até muita, tanto no texto como no desenho.
Alguém leu de Hugo Pratt, "O romance de Kriss Kenton" ? Pena é que Pratt não se dedicasse a escrever, dados os argumentos e os temas... mas se calhar não conseguiria ser tão genial a desenhar?
Saudações cabindas!
Quem poder-se-ía aterrar na compra 1/4 de bilhão certamente dólares .
ResponderEliminarOra... o Tio Patinhas... ou o Patacôncio... talvez o Pão-duro McMoney... quem mais????
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