Registo
Quando chegamos a certa idade, a memória começa a atraiçoar-nos. Embora saibamos perfeitamente quem é aquele actor que está no ecrã de televisão, não conseguimos pura e simplesmente recordar-nos do seu nome, nem do título do filme, que por acaso até vimos quando estreou, há coisa de cinco anos; se é que nos lembramos do enredo, o que vai sendo cada vez mais raro... Pois, é uma chatice – mas não há nada a fazer e o melhor é aceitarmos que a idade não perdoa. Com os livros, custa mais, evidentemente – e os que lemos há menos tempo são, curiosamente, os que desaparecem primeiro, tal como as recordações de infância são, frequentemente, aquelas que permanecem mais vivas na memória de um velho. Mas agora há um objecto muito útil à venda, que pode dar uma ajudinha e servir-nos de bengala nos momentos em que estivermos desesperados por já não sabermos de que tratava determinada obra. É uma espécie de caderno que podemos trazer sempre connosco, chamado Diário de Leituras, e no qual podemos anotar os títulos que nos vão passando pelas mãos, os seus resumos, as frases preferidas – e bem assim atribuir-lhes pontuações, o que evita que se vá reler um mau livro por não nos vir à ideia se dele gostámos da primeira vez. O preço é apenas de 7,5 euros e vende-se, tanto quanto sei, nas Livrarias Bertrand. Eu vou ser cliente, de certeza absoluta.
Isso é bem verdade, custa a aceitar mas é mesmo verdade. E, no meu caso, acresce a dificuldade em ler certo tipo de letrinhas miúdas; já me aconteceu comprar uma edição mais recente de um livro para poder relê-lo sem sacrifício.
ResponderEliminarPara anotar livros e filmes, usei em 2012 e 2013, as agendas da Relógio de Água, que acho lindas, com a Virginia Woolf e a Clarice Lispector na capa, respectivamente.
Este ano estou a usar uma Moleskine Le Petit Prince, que é uma gracinha.
Na minha próxima ida à Bertrand vou espreitar esta que aqui sugere.
:-)
Antonieta
Fez-me lembrar um caderno da Moleskine que comprei há uns anos para apontar Livros, Filmes e Restaurantes, com espaço para colocar todos os dados, especialmente em viagem. Durante uns tempos escrevi, mas algumas vezes escrevia de mais e não tinha espaço, outras esquecia-me do nome ou outra informação.
ResponderEliminarAcho a ideia muito boa. Acabamos por recordar melhor as obras com fichas de leitura e tudo.
Neste momento vou registando os livros que leio no Goodreads e com comentários sobre as obras.
Existem registos que gostaríamos de apagar das nossas vidas, esses são os registos que o caderninho de leituras vai trazer à nossa memória cem vezes ou mais. Não, não deixarei que isso aconteça comigo. Irei esquecer este post como se já um velho fosse e depois irei ler e reler o que a vida me propuser. Cem vezes ou mais irei ler aquele email.
ResponderEliminarSó agora percebo porque é que o Cândido Mota dizia: tem uma má memória, lembra-se de tudo! Deste modo, ao contrário do que este texto da extraordinária MRP , sugere nós temos boa memória...
ResponderEliminarEste Plano de Leitura foi-me oferecido no último dia do ano de 2013 e, curiosamente, comecei a utilizá-lo logo no dia 1 Janeiro, dia em que li o primeiro livro deste ano.
Este Plano de Leitura (creio que será este o nome porque efectivamente se designa) é primoroso e vai de encontro ao texto da MRP de hoje, vai certamente ajudar-nos a relembrar-nos livros que lemos e que, tal como se refere no texto, se esquecem rápida e facilmente, pois para além do Título, Autor, Editor, da data em que o comecei e o acabei de ler, poderemos anotar Comentários/Citações preferidas, Edição/Ano, Palavras a verificar, Este livro sugere a leitura de:, Notas, em suma para quem gosta de livros é uma excelente ideia.
Só tem um defeito, pelo menos o meu, o elástico que o cinta partiu-se; creio que este aspecto terá sido descurado (talvez por inexperiência de fabrico), já que os elásticos dos Moleskine's que já tenho há muitos anos continuam intactos.
Na mesma altura também me foi oferecida uma agenda 2014 (daquelas pequenas, de bolso) denominada "Agenda dos escritores 2014" também muito interessante pois, para além das notas por nós escritas/escrevinhadas, no interior da mesma poderemos consultar EFEMÉRIDES CULTURAIS, PRÉMIOS MAN BOOKER, PRÉMIOS PULITZER, PRÉMIOS NOBEL, PRÉMIOS GONCOURT, enfim uma série de páginas dedicadas ao livro e aos livros, muito interessante para quem gosta deles. Creio que ambos foram comprados na Bertrand do Chiado.
Eu também! Porque isto de não se ir para nova tem muito que se lhe diga... :)
ResponderEliminarana b.
EliminarGosto tanto de a "ver" por cá! Beijinho.
Isabel
Há anos que utilizo uma grelha construída por mim no Word. Nela vou registando os livros que leio: título, autor, género, editora/ano de edição, anotação. No final de cada ano sei facilmente quantos livros li e, baseado nos registos, elejo os melhores 10 livros, segundo a minha opinião. Como tenho uma pasta para cada ano, em qualquer altura posso regressar ao passado se a memória me faltar.
ResponderEliminarAntónio Breda Carvalho
Quando a memória já nem é suficiente para recordar o que se esqueceu, tudo é sempre novo; é fixe, isso.
ResponderEliminarEu faço registo do que leio desde os meus 26 anos. Tenho 44 e quinhentos e muitos registos diferentes. Para além de escrever um breve resumo, vou atribuindo a pontuação dos mesmos, assim como o dia em que li e quem me recomendou (eventualmente). E esta necessidade surgiu-me ainda em relativa tenra idade, ao verificar que me esquecia facilmente daquilo que tinha lido. Havia de alguma forma a necessidade de "eternizar" eventuais sensações de gosto ou então de desagrado. É muito interessante hoje verificar o que eu pensava e registava em tempos mais recuados. Desculpem a intromissão. Sou leitora assídua, pois gosto muito deste blogue, mas nunca comento. Apesar de adorar também ler os comentários
ResponderEliminarÓ Celeste, que maravilha, que sensação deverá ser o reler essas memórias.
EliminarComo deve ser interessante pensar: mas como é que eu gostei disto, mas como é que eu não apreciei isto e por aí fora...que maravilha.
Bom ... também não vou para novo, também me esqueço muito de coisas que por vezes tanto desejo recordar. Venha de lá esse precioso objecto.
ResponderEliminarSim, Severino. É muito interessante mesmo. Desculpem a minha pretensão mas aquilo pode ser considerado uma modestíssima história de vida. Dei nota máxima a livros que duvido muito que hoje passassem (na minha opinião, como é evidente) da mediania. Outros que devem de ser excelentes, mas que na altura pouco me disseram. Mas acho que tem sido um exercício muito interessante. E melhorei um bocado, pelo menos é o que eu acho, o meu poder de síntese.
ResponderEliminarHm... isso lembra-me faculdade e fichas de leitura. Por muitissimamente que adore livros, eis algo que vou dispensar.
ResponderEliminarProvávelmente devido à minha ainda tenra idade, lembro-me de todos os livros que li... pelo menos do título, que o autor esse pode falhar pois muitas vezes nem é (era) conhecido, porque só li um... etc
ResponderEliminarPossuo registos dos livros que tenho, isso sim... organizados por temas e por estantes, o que me ajuda a localizá-los se quiser ir buscar de repente um título... mas acreditem ou não sei onde estão quase todos, pois as estantes estão por temas!
Desde nem sei quando que mantenho registos das minhas viagens, isso sim... tenho livrinhos de capa dura (de rol) que comprei na Papelaria Fernandes, e os mais antigos são meros bloco-notas, de bolso, onde faço o meu diário de viagem, e anoto contatos, locais, datas, acontecimentos etc. Isso sim, e tem-se sido útil nos artigos que escrevo, como será um dia para umas memórias...
Se por acaso me esquecer de um livro que li... será porque não vale a pena lembrá-lo! Sou capaz de recordar o pior e os "mais mau-piores" que já li, isso sim!
Saudações memoriais de Cabinda!
Não me imagino a fazer tal coisa; e, se a fizera, ficaria no início. Além do mais, não leria o que tinha escrito sobre. As frases melhores ou que na altura mais me dizem ficam sublinhadas, já levo um tempão a lê-los, se a memória os apagar ou passem por mim sem marca, ...passam. Aumenta o espaço para novas leituras.
ResponderEliminarPor qualquer obtusa razão, tem vezes em que escrevo sobre livros que acabei de ler. Volatilmente. despida de forma ou desenho a que obedeçam, sem moleskine.
No entanto, devo aos livros bons momentos, grande e boa distracção de ser mim, a possibilidade de cheirar a beleza que ascende do entrançado das palavras e aduba no tempo. E é o que mais me vale.
Muito curioso o "registo" feito pelos extraordinários por que permite até perceber a própria função dos livros. Para que servem os livros afinal?, devem perguntar-se muitos dos jovens hoje, cujo acesso à informação é aleatório, contínuo e porventura anárquico no meio da abundância.
ResponderEliminarTambém já anotei informações e notinhas de determinados filmes e livros em caderninhos, e mais tarde em ficheiros informáticos.
ResponderEliminarHoje em dia, uso os meus dois blogs para isso. Sem patrocínios nem vínculos, faço um pequeno apontamento do que me passa pela retina. Sabe bem, obriga-me a escrever alguma coisa além de listas de compras e fica sempre a esperança de que aquele livro ou filme que tanto gostei e recomendei faça as delícias de outra pessoa pelo simples facto de o ter recomendado e essa pessoa ir à procura dele e o leia/veja. :)