O que ando a ler

Gosto de conversar com os meus autores sobre os livros de que gostam e que andam a ler (coisas muito diferentes entre eles, evidentemente) e, em parte, estes bate-papos também me servem para descobrir que estou em falta com muitas coisas. Na última Feira do Livro de Lisboa, ouvi, por exemplo, David Machado falar com um tremendo entusiasmo de um romance que ainda vende 250 000 exemplares todos os anos nos EUA e deve ser um dos livros mais lidos pelos jovens (não crianças, entenda-se) norte-americanos. Trata-se de À Espera no Centeio, de J. D. Salinger, que fui ler imediatamente – e um pouco culpada pelo atraso. É um excepcional relato feito pelo protagonista, Holden Caulfield, um adolescente de boas famílias que acaba de ser afastado do terceiro colégio caríssimo em que foi matriculado, por falta de interesse e más notas (na verdade, só passou a Inglês, pois adora livros e tem imenso jeito para escrever, tal como, de resto, o irmão mais velho, que trabalha como argumentista em Hollywood). Sem saber como aparecer em casa depois de receber aquela notícia, iremos acompanhá-lo entre esse sábado e a quarta-feira seguinte (o dia em que é suposto reunir-se à família, em vésperas do Natal) e assistir em directo ao seu périplo por Nova Iorque, a uma solidão que nos magoa, uma desadaptação que gostaríamos de o ajudar a resolver, um sem-número de encontros que não contam nada, mas lhe ocupam o vazio, muitos copos e idas a bares, muitas recordações de engates, de marmelada e do carinho por esse irmão que morreu com uma leucemia e cuja morte é também a razão da «perdição» do jovem narrador. A linguagem – muito apropriada à idade de Holden e, aposto, de dificílima tradução (a tradução, a propósito, é de José Lima) – deve ter feito furor na época e ainda hoje serve certamente para que muitos leitores de dezasseis anos se identifiquem com o narrador. Mas, tenha-se a idade que se tiver, é difícil não gostar deste rapaz que não sabe o que há-de fazer com a sua inteligência e a sua integridade e que é de uma sensibilidade irresistível. Não se atrasem, pois, como eu, para a leitura deste livro.

Comentários

  1. Li esse livro ainda muito jovem e chamava-se Agulha em Palheiro, salvo erro, naquela colecção dos Livros do Brasil que começava com o Monte de St. Michel.
    Já pensei comprar esta nova versão, com novo título e nova tradução, pois já não me lembro quase nada da história, mas há sempre outros livros que se metem à frente...
    Por estes dias li O Chão dos Pardais da Dulce Maria Cardoso, o único que me faltava ler desta escritora e também os Ensaios Escolhidos da Virginia Woolf.
    Vou começar O Enredo Conjugal do Jeffrey Eugenides, e vai ser a minha estreia com este autor.
    Boas Leituras para todos!
    :-)
    Antonieta

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    1. Também li esse livro, no original, "The Catcher in the Rye", vindo o título de uma expressão que o jovem Holden repete ao longo do romance: "When a body meets another body coming through the rye". Penso que tem origem numa canção e estou a citar de cor, li o livro há muitos anos, como leitura obrigatória, já não me lembro se no 12º ano, na disciplina de Inglês "avançado" (havia dois níveis) se na Faculdade, na cadeira de Literatura Norte-Americana. E estou como a Antonieta, já não me lembro de muito e por isso pode ser que a frase citada não esteja correta. Também já não me recordo em que contextos o Holden lá regressava. Tenho de reler!

      De momento, leio Eça, um romance que ainda não conhecia (que bom ainda haver coisas dele que não conheço) e que me está a deliciar, a encher as medidas todas e mais algumas: "A Ilustre Casa de Ramires". É para ler devagar e saborear cada frase, cada palavra. Ainda não houve nenhum autor português contemporâneo que tivesse esse efeito em mim, infelizmente. Eça é que é Eça!

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    2. Antonieta não é que a minha opinião possa servir-te de bitola mas deste Jeffrey Eugenides já li "MIDDLESEX" e por acaso não gostei, mas quantos livros de que eu não gosto amigos meus adoraram...é tão subjectivo...

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    3. Não nos deixa por favor uma sua opinião sobre o último romance da Dulce?

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    4. Obrigada, Severino, de qualquer modo já está comprado (e não foi nada barato). Nunca li nada dele, embora tenha visto o filme "As virgens suicidas", da Sofia Coppola, que é adaptado do livro do Eugenides.
      Eu depois digo se gostei.
      :-)
      Antonieta

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    5. António Luiz Pacheco1 de julho de 2014 às 05:28

      Para mim esse é o melhor romance de Eça, o que mais me diz e com o qual me identifico mais... a par de "A cidade e as Serras" que continuo a considerar actual e uma parábola!

      Saudações da cidade morena... onde só consegui ler ainda o manual de adubação e fertilização do solo, as tabelas de correcções de solos, e outras leituras igualmente interessantes... bolas... tenho "A guerra do Salavisa" na cabeceira à espera! Ah... e reli um romance de um amigo meu, na versão informática, para lhe fazer o prefácio... vai sair em Setembro pela fatal Chiado Editora, sem o que tantos de nós poderiam cumprir esse sonho, enfim... qualidades à parte! Afinal nem se rouba espaço a ninguém...

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    6. Artur, o livro é de 2009, esta é uma reedição, lindíssima, de capa dura,da Tinta da China (os olhos também comem, não é?).
      Eu gostei muito. A narrativa é feita a várias vozes e vamos entrando no enredo à medida que avançamos nos capítulos. A Dulce escreve muito bem e tem um sentido de humor incrível; por vezes senti-me num filme do Almodóvar.
      O tema? A vida, com todas as suas alegrias e tragédias!
      Eu recomendo mas, como diria o Severino, tudo isto é muito subjectivo.
      :-)
      Antonieta

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  2. acabei de ler"Alegria Breve" de Virgilio Ferreira. um dos livros cuja escrita mais me seduziu nos últimos tempos.

    agora voltei ao "Austerlitz" de W. G. Sebald, pata levar até ao fim.

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    1. Luís - o Vergílio Ferreira é um escritor transcendente, verdadeiramente gigantesco, ultrapassa os limites do humano...é um bicho da escrita.

      Ó Luís o teu blogue é duma beleza indescritível, que belas fotografias, tal como ali comentei, ainda há pessoas com bom gosto neste país de bimbos americanizados...

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  3. Gosto muito de Salinger e o livro referido foi um dos meus livros da juventude.
    Estou a ler um livro que tive dificuldade em encontrar (é da Leya mas não estava à venda na feira do livro) mas que valeu bem o tempo gasto a procurá-lo: "Um pinguim na garagem", de Luís Caminha. Um texto belíssimo, sem dúvida.

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    1. Adorei o livro que refere, do Luís Caminha. E ainda mais o segundo que ele escreveu. É um grande, grande escritor, também não tenho dúvidas. Que livros estou a ler neste dia 1? Vários. Entre livros mais técnicos, de arquitectura, estou a ler, lentamente para os saborear como merecem, os poemas de Ruy Belo.

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  4. Comecei a ler dois romances, ainda a procissão vai no adro. No sofá, O Pecado de Porto Negro, finalista do Leya. Na cama, Os Segredos de Jacinta, da nossa extraordinária amiga Cistina Torrão, especialista em andanças medievais.

    António Breda Carvalho

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  5. Cláudia da Silva Tomazi1 de julho de 2014 às 02:41

    Romance que deu origem ao filme ganhador de 5 Oscar, estou a ler Um Estranho no Ninho do escritor Ken Kesey.

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    1. Nunca li o livro, Cláudia, mas vi o filme várias vezes.
      Aqui em Portugal o título é "Voando sobre um ninho de cucos" e é um extraordinário filme de Milos Forman, com o não menos extraordinário Jack Nicholson.
      :-)
      Antonieta

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  6. Os dois cumes, em cada lado do Atlântico, da novela curta do século XX: “The Catcher in the Rye” e “L’ Étranger”. Por cá: “O Delfim”. A escolha do título do “The Catcher in the Rye” deve ser um grande dilema para o tradutor. Literalmente: “O Apanhador no [Campo de] Centeio”. Como a expressão deriva de um jogo do imaginário tradicional americano em que crianças correm num campo de centeio localizado à beira de um abismo, estando protegidas de uma fatal queda pelo tal “catcher”, é no fundo uma parábola da correria cega que é a nossa vida em que rezamos que haja um anjo da guarda que nos proteja de tombos até ao tombo final. Nesse sentido, talvez o título mais apropriado fosse “O Zelador do Campo de Centeio”. Mas não soa bem e é demasiado longo: o Salinger escolheu só dois substantivos. A sua enigmática ressonância é a atração maior deste título, o que justifica a escolha do título do José Lima “À Espera no Centeio”. Está-se à espera de uma queda… Li-o há muitos anos quando vivia na América. Graças aos post da nossa anfitriã irei relê-lo em breve, mais de trinta anos passados da primeira leitura.

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    1. Obrigada pelo esclarecimento. E a cantilena deve ser: "when a body catches another body coming through the rye" e não "meets".

      Como já disse, também fiquei com vontade de o ler outra vez.

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  7. Depois de ter lido "PORTUGAL, A FLOR E A FOICE" - não é um grande livro (já tinha lido aquilo tudo ao longo dos anos...) mas o J. Rentes de Carvalho é um grande escritor!

    "Não aparecia bacalhau, dividia-se por três uma sardinha. Não se matavam galinhas. As galinhas eram para pôr os ovos que se comiam ou vendiam.Só se matavam quando estávamos doentes. Não se faziam doces. Pedia-se emprestado petróleo, sal, azeite, lume -íamos buscar a casa umas das outras. Era uma vida desgraçada, muito dura..." - "VIVER E RESISTIR no tempo de SALAZAR" de Maria Alice Samara e Raquel Pereira Henriques - são histórias de vida (de 1900 a 1974) contadas na 1ª. pessoa, histórias que ouvi aos meus avós e até aos meus pais...estou mesmo a acabar de ler e desde já posso dizer que gostei!

    Segue-se "A IRMÃ DE FREUD" - Goce Smilevski .

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  8. Acabei há dias Jane Mansfield 1967, uma narrativa sobre os ultimos meses desse ícone trash do cinema. É o quarto romance de Simon Liberati, um (mais ou menos) jovem escritor francês. Também li um excelente livrinho sobre a figura do maestro, do chefe de orquestra. Agora leio uma biografia de Sacha Guitry, um autor de teatro (comédias de vaudeville) e de alguns bons filmes, e ator, protagonista dos seus próprios filmes (uma espécie de Woody Allen snob da primeira metade do século XX) É um autor que me interessa cada vez mais.

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  9. Li há dois/três anos este "UMA AGULHA NO PALHEIRO" edição da grande e saudosa editora Livros do Brasil e só me lembro de que não detestei mas não gostei; lembro-me ainda perfeitamente de que, na altura, li dois livros do mesmo género de que gostei muito mais "WINESBURGO OHIO" de Sherwood Anderson (grande livro) e ainda de "FERRUGEM AMERICANA" de Philipp Meyer (também gostei mais).
    Mas isto é mesmo assim, se porventura fosse ler hoje poderia acontecer, se calhar, o contrário, mas talvez volte a dar uma oportunidade ao livro do Salinger.
    Só ainda não percebi muito bem esta coisa deste livro não ter definitivamente apenas um título...será que o autor não lhe deu apenas um título?

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    1. O problema consiste em ser difícil traduzir o título original, "The Catcher in the Rye", (traduzido à letra: "o apanhador no centeio"), como já foi dito em cima.

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  10. Leio atualmente com prazer o “The Lazarus Project” de um bósnio emigrado nos USA, Alexander Hemon, escrevendo num inglês que se percebe (e ele não o quer esconder) que não é a sua língua nativa. Para esse seu peculiar inglês inventa expressões heterodoxas (ainda que corretas), sedutoras pela frescura do palavreado e por alguma ousadia de estrutura sintática (é a grande originalidade estilística deste autor que frequento pela primeira vez). O enredo também é fascinante: trata-se da investigação do assassínio de um anarquista judeu do princípio do século, emigrante em Chicago como ele, que foi morto à queima-roupa pelo chefe da polícia local. A investigação é contada na primeira pessoa e vai-se misturando com o dia a dia do escritor, as histórias dos seus amigos da Bósnia, os comentários sobre a vida americana e os sentimentos particulares de um criador a viver entre vários mundos.

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  11. 1.
    «Os Negócios Do Senhor Júlio César» — de Bertold Brecht *
    (...que eu encontrei, por acaso, numa livraria de aldeia...)

    Brecht, de uma maneira, vamos lá, mesquinha, desfigura por completo o mito de César, através dos relatos de Raro (escravo às ordens do grande senhor) e de Spicer C. (inicial sob que é referido o personagem, segundo A. Ramos Rosa “para evitar o prestígio ilusório do nome de César”) que é aqui desmascarado até ao ínfimo pormenor da vida privada; e assistimos ao desenrolar das mais diversas vicissitudes, de baixezas e fintas, que, de apresentadas numa fértil sequência, nos dão um retrato completo da personalidade do C. que, afinal, é de urna semelhança por demais flagrante com a do homem comum e actual; são-nos mostrados os acidentes de uma vida, os seus altos e baixos, as artimanhas e ziguezagues que qualquer “criatura humana” (A. R. R.) vence ou não vence quotidianamente. Mesmo os relatos do Raro contêm anotações da vida privada do próprio escravo-anotador, que não deixam de seguir a tal linha de conceito: uma constante tensão, o amanhã sempre presente.
    Tem, portanto, o livro, uma sequência, embora não constitua propriamente uma história; define-se na base temática: mito-desmistificação, e surge, então, formalmente, como um prolongado apontamento, mas um apontamento esquartejante.
    Curioso e importante é ainda o “efeito de actualidade” sugerido pelo livro, e sobre o qual para aqui transcrevo um parágrafo das orelhas do livro, de António R. Rosa, que, sob este aspecto, é sintético: «Evitando apresentar-no-la (a figura de C.) directamente na sua pompa de imperador, de modo a fugir ao impacto mitificante, Brecht evoca-no-la constantemente no contexto de todo o seu condicionalismo económico, político, social e familiar, por meio do qual a verdade de um mundo e de uma sociedade se nos vai revelando, dir-se-ia que no seu presente real, de tal maneira a arte do grande escritor transcende toda a falsa perspectiva histórica para nos colocar no seio das contradições, no próprio torvelinho onde a história se faz».
    * Edição de Publicações Europa América, col. Ontem e Sempre, 5

    2.
    Pois bem: essa que acima transcrevo é a “Nota de Leitura” que, após visada pela Censura, a 22 de Fevereiro de 1967 fui autorizado a publicar no suplemento Onda Juvenil do jornal Mar Alto, Figueira da Foz.
    Gostaria de reler este livro – até para verificar se ainda funciona aquele “efeito de actualidade” que, com a ajuda de Ramos Rosa, nele detectei mas sobre o qual, naqueles tempos, não era permitido explanar.
    Pois – mas não faço ideia onde, nas várias andanças e reviravoltas da vida, deixei o livro.
    Será que alguém me pode informar onde posso arranjar um exemplar?

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  12. Fábulas da Memória - A Gloriosa Batalha dos Três Reis, Lucette Valensi; Monsenhor Quixote, Graham Green

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  13. Bom dia a todos,

    Acabei de ler "tudo são histórias de amor" de Dulce Maria Cardoso e vou mais ou menos a meio de "No céu não há limões" de Sandro William Junqueira, um escritor de que gosto imenso e que faz hoje anos (disse-me o facebook ao ouvido).

    Rui Miguel Almeida

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  14. Li The Catcher in the Rye no 11º ou 12º ano, no Colégio Alemão, em Inglês. Há muitos anos atrás.... mas penso que também era leitura obrigatória no ensino oficial português, no tempo em que se liam obras literárias nas disciplinas de língua estrangeira.
    Gostei imenso. Acho que se pode (e deve) ler em qualquer idade, mas tê-lo lido durante a adolescência tornou-o muito especial. Um bocadinho como ler o Tom Sawyer ou o Huckleberry Finn, de Mark Twain.
    Há dois anos li O Retorno, da Dulce Maria Cardoso, e achei imediatamente que devia ser uma obra a introduzir nos programas de Português, aí no 9º ou 10º ano. É que, para além do contexto histórico que ela atravessa, não há assim tantos romances em língua portuguesa cujo narrador/protagonista seja um adolescente. Penso que seria bem acolhido por leitores também eles em fase "complicada" de desenvolvimento e descoberta.
    Por estes dias ando a ler o último número da revista Granta.
    Marta Correia

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  15. Acabei no fim-de-semana "Os amantes e outros contos" de David Mourão-Ferreira e agora mergulhei intensamente em Milan Kundera, "A vida não é aqui".

    Também encontrei a um bom preço "A Cruz das Esmeraldas" da Cristina Torrão e não hesitei. Será a leitura seguinte.

    :)

    Cláudia Moreira

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  16. João J. A. Madeira1 de julho de 2014 às 06:12

    Por aqui a conheci, é justo que aqui de si fale. Refiro-me a Cristina Torrão e ao seu (agora nosso) "Os Segredos de Jacinta.

    A minha intuição dizia-me valer a pena - pelo que por aqui ia lendo - percorrer 200 Km para adquirir o livro. Valeu.

    Uma história que me agarrou desde a primeira página, objectiva, sem rodriguinhos inúteis e bem enquadrada na época. Deliciosos pormenores liguísticos e de acção, justificaram em pleno esta compra que ainda teve o extra de conhecer a Extraordinária autora e outro companheiro de extraordinárias horas: José Catarino. Principalmente a ambos, obrigado pela recepção e leitura deste romance.

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  17. José Saramago, O Homem Duplicado (no Kindle)

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  18. Não li tal livro.
    Estou a ler "Nenhum caminho será longo" de José Tolentino de Mendonça, alguns pensamentos engraçados, não especial; e "Sobre a violência" de Hanna Arendt que é bastante bom dentro do género a que pertence. Interrompi "A paixão segundo G. H." de Clarice Lispector que acho uma autora de boa escrita e e difícil leitura (excepção feita às crónicas que escrevia para jornais, bastante amenas) dona de uma forma muito sui generis - portentosa mesmo - de pensar e escrever. E como tudo em mim é vagaroso vou andar com os três uma data de tempo.
    E agora desculpem mas não posso deixar esbarrondar outra vez a compota de ameixa que tem de fazer ponto; e uma calda vermelho espesso, meio ácida, onde dançam bocados de ameixa, faz-me muita falta à vida. É um melaço que me sai e cai bem.
    Fiquem bem, sejam felizes e boas leituras.

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  19. Li-o no original, quando era leitura obrigatório no inglês de 12.º ano, reli-o ainda em inglês uma ou duas vezes e, nas duas traduções disponíveis, muito depois disso. Não é uma obra de fácil tradução, por isso senti que se perde quando se conhece apenas a versão portuguesa.
    Holden Caulfield deve ter sido, quase a par de Larry de O Fio da Navalha, de Somerset Maugham, que li pouco depois, um dos personagens que mais me marcou. :)

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  20. Quanto às leituras de cabeceira, tenho o hábito de ler vários livros. Neste momento, alterno a leitura entre "La caligrafia de los sueños", de Juan Marsé, "Que importa a fúria do mar", Ana Margarida de Carvalho, e "Três mulheres poderosas", de Marie Ndiaye.

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  21. Tem razão, Extraordinária Cristina, essa é que é essa, e Garrett é que é Garrett.
    Gostei muito de reler A Ilustre Casa de Ramires. Começou a acontecer num contexto engraçado.

    Andava pelo Douro com a intenção de ir à localidade onde está sedeada a Fundação Eça de Queiroz e em Oliveira do Douro vi que andava equivocado. Mas nesse momento uma placa de estrada indicava RAMIRES. "Vou já p'ra lá". Dito e feito, era uma boa alternativa.

    Ao chegar deparei com um casal de idosos a gozar o fim da tarde a quem pedi que me indicassem a ilustre casa de Ramires. Respondeu-me que a ilustre casa de Ramires não era em Ramires. Levantou o braço direito, apontou para um local longínquo mas visível, na outra encosta da montanha, noutra localidade e disse não sem um certo acinte: "Está a ver aquela torre além nas Terras de S. Ciprião ? É a ilustre casa de Ramires". E lá fui.

    Sabe-se que Eça gostava de se escorar em realidades concretas. A torre da casa é do século XII, o nome da estirpe cuja história nos é contada pelo titular nos fins do século XIX deve ter sido inspirado na aldeia que lhe ficava à vista, lá longe, Ramires.

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  22. Acabei o Ambas as Mãos Sobre o Corpo, este sim de Maria Teresa Horta. Um pouco estranho e muito poético, como seria de esperar. Estou a terminar E a Noite Roda de Alexandra Lucas Coelho. A Tinta da China faz bem apostar em capas tão boas e bonitas. Dá gosto ler um livro que é também um objeto bonito. E a seguir vou agarrar-me ao mais recente prémio Leya, que andou emprestado mas já regressou.

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  23. Cláudia da Silva Tomazi2 de julho de 2014 às 03:46

    Andar a ler comentários deveria ser constructivo nem só.

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  24. Grande livro. Li ainda na adolescência e a ele regressei já uma boas três vezes. A última - há quase dois anos - dei por mim a (re)descobrir coisas que me tinham escapado (ou esquecido).

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  25. Duas recomendacoes (revelacoes, para mim):

    1) A Constellation of Vital Phenomena, Anthony Marra

    2) a maquina de fazer espanhois, valter hugo mae

    Muito diferentes mas ambos belissimos. (Peco desculpa mas o meu teclado nao tem acentos.)

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