Descobertas

A arca de Pessoa, de quem aqui falei ontem, embora de raspão, parece inesgotável – e continuam a aparecer composições inéditas do poeta que criou e assinou com diversos nomes e estilos. Boas notícias para os amantes de Fernando & heterónimos, claro, pois é bom termos sempre coisas novas para ler de alguém que há muito partiu desta vida descontente. Razões de sobra para ficarem satisfeitos têm também agora os apaixonados pela poesia do chileno Pablo Neruda, vencedor do Nobel da Literatura, pois a sua Fundação surpreendeu recentemente o mundo literário com a descoberta de uma vintena de poesias inéditas que somam qualquer coisa como um milhar de versos! Saídas das caixas de manuscritos em que jaziam há cerca de quarenta anos, estas poesias verão a luz na América Latina neste final de ano pela mão da editora Seix Barral, pertencente ao grupo Planeta, e no próximo ano na Europa, crendo-se que venham a ser traduzidas e publicadas em muitas línguas. Ficamos, claro, à espera… e em ânsias.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco22 de julho de 2014 às 03:51

    Continuam a aparecer obras inéditas de autores, famosos... pois que obras inéditas de outros penso que permanecerão inéditas, que é como quem diz votadas ao esquecimento... creio que se diz serem obras póstumas? Se bem que não me pareça fazer sentido este termo, pois parece que foram escritas no pós-túmulo...

    Lembro-me de A tragédia da Rua das Flores!
    Também Ilhas na Corrente (excelente romance!) e Verdade ao Amanhecer de Hemingway.

    E outras, se bem que o fabuloso "Uma Conspiração de Estúpidos" fosse o único romance do autor, publicado após a sua morte e ele não teve assim o ensejo de o gozar!

    Saudações kaluandas, e bem vivas!!!

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    1. Extraordinário Pacheco, agora fiquei confuso. Parece-me até faltar-lhe algum parágrafo no texto que daria o seu a seu dono. É que a "Conspiração de Estúpidos" é de John Kennedy Toole que escreveu também "A Bíblia de Néon" aos 16 anos. Suicidou-se aos 31, ao que parece por nenhuma editora lhe editar os livros. Se fosse hoje, em Portugal, era só escolher. Desde que pagasse à cabeça, claro.

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    2. Ó Pacheco comprei há uns anos com a revista sábado esta "Conspiração de Estúpidos" de John Kennedy Toole , gostaste? tenho lá o livro arrumado nos monos...

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    3. António Luiz Pacheco22 de julho de 2014 às 04:59

      Extraordinário Madeira... talvez não me tenha explicado bem, eu cito a obra (Consp. Est.) como exemplo de um romance editado póstumamente... e como um raro caso de o ter sido com um nome perfeitamente desconhecido...

      Abraço kaluanda!


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    4. António Luiz Pacheco22 de julho de 2014 às 05:08

      Gostei bastante ó Severino!

      O gajo que o escreveu (suicidou-se) e creio que há no livro uma certa dose de autobiografia... ele devia ser um bocadinho desequilibrado, e suspeito que o personagem principal sofre um bocado das manias do autor, se bem que seja um romance de crítica, de escárnio e de mal-dizer!

      Tenho um grande e velho amigo que é um valente cromo por sinal, que é tal e qual o personagem e como ele vive a alimentar teorias da conspiração absurdas e está sempre preocupado com o acessório, a sua vida é igualmente um caos!
      Até vive com a mãe, e à custa desta, a despeito de já ter 60 anos (ele... tem a sorte de a mãe ainda ser viva e as irmãs viverem longe...)

      Não sei se por isso gostei do livro, também, mas gosto da forma como está escrito, gosto das personagens, gosto do humor mordaz e da crítica feita, da ridicularização etc.

      Creio que vais gostar sim!

      Mas cuidado... olha que naquele romance, há um pouco de todos nós, ah pois há...

      Saudações kaluandas!
      Talvez por isso

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    5. António Luiz Pacheco22 de julho de 2014 às 05:10

      Bolas isto hoje sai-me tudo mal... há um parêntesis que não sei porque apareceu... fui eu claro, mas há dias assim!
      Peço desculpas... é o síndroma de Luanda...

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    6. Caro Pacheco

      Efectivamente quando passava por ele apenas via um mono, mas obviamente que a partir de agora vou passar a vê-lo com outros olhos...todavia devo confessar-te que os meus olhos também foram influenciados pelas constantes visitas aos alfarrabistas, é que este é dos livros que ali mais vejo à venda (em quase todos que visito, é verdade).

      Já está na lista, a seguir a muitos outros e já estão na fila da frente : "TUDO SÃO HISTÓRIAS DE AMOR" - Dulce Maria Cardoso; "RETRATO DE RAPAZ" do Mário Cláudio e "OS VENTOS E OUTROS CONTOS" da Eudora Welt, portanto em fila de espera

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    7. ... ah, pensei que fosse o calibre da bala...

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  2. Pablo Neruda+poemas inéditos?

    Terei lido bem?!

    Irei aguardar com expectativa... Mas um ano? Poderei esperar tanto? Parece demasiado...

    O meu sangue aquece de ira pelo mercado livresco.

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  3. Engraçado, ainda há pouco estive a ler um poema do Pablo Neruda no Delito de Opinião.
    Foi a belíssima escolha da Joana Nave para os Delitos Poéticos (22) de hoje.
    Se gostam do Neruda vão lá espreitar.
    A propósito do Delito, a Maria do Rosário viu que o Horas esteve em destaque no \"Ler os outros\" de 19/07?
    :-)
    Antonieta

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  4. Cláudia da Silva Tomazi22 de julho de 2014 às 07:21

    O grupo Planeta têm bons itens a ler .

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  5. Desculpem porque talvez não venha a propósito mas como há aqui gente deveras letrada (sem qualquer ironia) esta de chamaram a GRANTA por revista está-me atravessada....alguém me saberá explicar qual é a parecença/semelhança entre uma revista de livros (LER, por exemplo) e um livros de contos GRANTA , por exemplo)...para a designarem por revista? é que, repito, continua-me atravessada esta designação de revista...e como sou curioso gostava de saber o porquê....

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    1. António Luiz Pacheco22 de julho de 2014 às 08:01

      Não sei se ajuda:

      Granta é uma revista literária britânica, fundada em 1889.

      Criada por estudantes da Universidade de Cambridge, inicialmente publicava artigos sobre política e assuntos ligados à universidade. O título (originalmente The Granta) foi tirado do antigo nome do Rio Cam, que corta a cidade de Cambridge. Ao longo das décadas seguintes, lançou autores como Michael Frayn, Ted Hughes, A. A. Milne e Sylvia Plath, todos alunos de Cambridge.

      Em 1979, depois de um período de dificuldades financeiras, foi relançada como uma revista destinada a jovens autores, deixando os muros da universidade. O primeiro número da nova fase trazia textos de Paul Auster e Susan Sontag1 . Passou a abrigar escritores como Martin Amis, Julian Barnes, Saul Bellow, Angela Carter, Nadine Gordimer, Milan Kundera, Doris Lessing, Ian McEwan, Gabriel García Márquez e Salman Rushdie.

      A partir de 2009, a revista iniciou um processo de internacionalização, lançando edições em espanhol, búlgaro, português (em parceria com a Alfaguara, selo da editora Objetiva), norueguês, sueco e chinês2 .

      Em 2012, publicou uma edição especial com escritores brasileiros, intitulada Os melhores jovens escritores brasileiros. A antologia apresentou obras de Tatiana Salem Levy e Daniel Galera, entre outros3 .

      Em 2013 nasce a edição portuguesa da revista, publicada pela editora Tinta-da-china e sob a direcção de Carlos Vaz Marques. Para o primeiro número da Granta Portugal, incluindo cinco sonetos inéditos de Fernando Pessoa, foi o escolhido o tema "Eu".

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    2. Sem dúvida Pacheco que é esclarecedor o teu texto; só que continuo a achar que não é uma revista mas sim um livro de contos publicado semestralmente, ou, quanto muito, talvez uma antologia de textos de vários autores, como aliás salientas, seja em edição portuguesa seja em qualquer outra edição.

      É que esta de lhe chamar revista e não antologia ou contos, poderia ser assunto da DECO (que sabe de frigoríficos, meias, calças, seguros, automóveis, cuecas, linhas de cozer, linguiças, etc. a DECO sabe tudo quiçá até de livros, concerteza)

      Obrigado Pacheco

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    3. António Luiz Pacheco22 de julho de 2014 às 10:25

      Agradece à Wikipédia... ahahah!

      Abraço kaluanda!

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  6. Cláudia da Silva Tomazi22 de julho de 2014 às 10:55

    Vou recomendar o Pacheco a Big Nerd Ranch teremos os mais variados temas .

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    1. António Luiz Pacheco23 de julho de 2014 às 01:17

      Hum ...

      Não corresponderei bem ao conceito - salvo se o usa no termo de ser aborrecido... a minha mulher diz que sou um chato...

      Mas aqui, como digo e repito (por isso sou chato) sou uma traça, literária, e ocorre-me um poema que se aplica a este meu conceito de traça, que é uma borboleta do escuro, atraída inexoravelmente pela luz, a luz que brilha neste blog e é emanada pelos Extraordinários, entre os quais a Cláudia, porsuposto...

      Eis, da alma tua figura
      são olhos
      são olhos de ter
      que tens, oh lua,
      para mim de noite escura
      ser tua cidade mais pura
      onde a saudade
      quer um azul de lua
      e vem te ver...

      Saudações ofuscadas desde Cabinda!

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