Corpo a corpo
As férias aproximam-se – e, com a ideia da praia, muitas mulheres começam a preocupar-se seriamente com o corpo; matriculam-se em ginásios, fazem dietas radicais, sonham com plásticas, ou evitam despir-se, envergonhadas com os quilos a mais e a celulite. Lidar com o próprio corpo, quando este não é perfeito (o que acontece quase sempre) é uma carga de trabalhos para o sexo feminino, embora comecem a ser cada vez mais comuns rapazes e homens obcecados com o físico. Pois bem, Gostas do Que Vês?, de Rute Coelho, é um romance sobre a relação que duas mulheres muito diferentes – Natália e Cecília –, ambas com problemas de obesidade, têm com o próprio corpo. E, se uma vive amargurada com as dores nos joelhos, o peso dos seios que lhe entorta a coluna e o difícil relacionamento com o sexo oposto, pois a outra dá a volta por cima e tira claramente partido das suas curvas, virando as dificuldades a seu favor. O mundo contemporâneo é preconceituoso com a gordura, há discriminação e troça, os cânones da beleza feminina estabelecem como padrão corpos quantas vezes escanzelados... Na moda, já se criaram movimentos contra este tipo de manequins pele-e-osso, mas na vida de todos os dias, nas escolas e empregos, os gordos sabem muito bem o que se sofre. Este é um livro para eles – e para todos os que não estão felizes com o corpo que lhes calhou em sorte; mas é também um romance sobre as razões que nos levam a ter comportamentos estranhos – como o de comer demais – e sobre a forma de enfrentarmos os nossos dramas se queremos gostar do que vemos num espelho.
Bom dia
ResponderEliminarDeixem-me por favor relembrar o grande Vergílio Ferreira (CONTA CORRENTE) :
-tudo o que é bom ou faz mal ou está proibido!
Não deixem de ler esta absoluta e divina obra (sobre a forma de diário), uma das obras máximas da literatura portuguesa, na minha opinião, claro.
Vossa opinião vale o que pesa .
EliminarAhahahah!
EliminarEssa sim, é uma das obras que tenho de comprar antes de morrer. E ler, claro.
EliminarE quanto me anima a ideia de saber que ainda não li nenhum dos livros e são muitos:) Boa!
Creio que o culto do corpo não é de agora... só mudam os parâmetros!
ResponderEliminarA procura do ideal de beleza é coisa bem antiga e que encontramos descrita na literatura mais remota!
Como estamos num blog de leitura, lembro-me de um livro muito curioso, cujo autor não me recordo e está fora de mão para o ir procurar, francês da época anterior à Iª Grande Guerra, que fala neste tema acho que é "No paraíso terrestre", há um outro de um alemão "No país da gente nua" também da mesma época e virado para o culto do físico (naturismo).
Sinceramente não me parece de todo errado que se faça um esforçosito nesse sentido, de nos sentirmos bem no nosso corpo, seja por via do ginásio, seja por via da aceitação do que somos.
Mas sem exageros, nem de abandalhamento total nem de ser escravo do corpo!
Conheço gente escultural que é insatisfeita... não merecem sê-lo, diria!
Conheço outros que são escanzelados, rotundos e até mal-paridos, que literalmente se estão nas tintas... e vivem felizes e contentes!
Aliás gostava de dar um voto de confiança aos gordos: normalmente são autênticos, boa-gente e de confiança, os verdadeiros gordos, quentes e calorosos, amigáveis!
Que há os outros, a que chamo gordo-mental, são os sacanolas que ainda por cima são gordos!
Saudações corporais da cidade morena!
"Natália está convencida de que não merece ser feliz; Cecília, pelo contrário, numa atitude desafiante, defende a beleza das suas curvas e o seu direito à felicidade, independentemente da diferença e da discriminação social.
ResponderEliminarNum mundo em que se mascara a felicidade com plásticas e dietas loucas, Rute Coelho construiu uma história realista e surpreendente sobre a forma como podemos e devemos assumir o nosso corpo, aprendendo a gostar dele através das mudanças necessárias."
Oh dear...
Para quando um romance para magros, para quando um romance para diabéticos, hipertensos, gente com calos nos pés? Para quando um romance que fale exactamente de mim e apazigue todos os meus medos e me justifique e diga que eu sou o maior e que a minha vida é mesmo muito boa e que posso ir para a praia? O que têm andado a fazer os grandes romancistas ?
Ora essa... mas você não é um Extraordinário????
EliminarPuxe-me por esse bestunto!
Pois então: dedos ao teclado!
Lance-se nessa obra e vá além da Taprobana do fato de banho!
Alije a ditadura dos abdominais Ronaldianos e exorcize os seus fantasmas físicos e estéticos na partilha das suas mágoas hipertensas e dos medos diabéticos!
Alivie-se dos joanetes descalçando a alma!
Escreva sobre isso, e até lhe adivinho sucesso pelo menos no plano editorial, já que o género preferido das editoras é esse mesmo, o depressivo e introspectivo, os traumas... ainda por cima é original!
Chame-lhe por exemplo: "O meu corpo será o último" e concorra ao prémio Leya... ahahah!
Saudações divertidas da cidade morena!
Força Paulo! Praia consigo! Que se lixe o romance que fala de si. Você é o romance.
Eliminarahhhhhhhhhhhh!
EliminarExcelente, António Luiz: «O meu corpo será o último!»
Eu acho que há uma diferença entre ser gordo e "o corpo que nos calhou em sorte". Porque isto, dito assim, dá a impressão a quem é gordo que nada pode fazer contra isso. Na verdade, pode! E muito! Mas não é com dietas radicais, a fim de apresentar uma boa silhueta na praia. É com mudanças de hábitos (que implicam uma mudança mental). E ninguém precisa de ir suar para os ginásios, na nossa vida, há montes de oportunidades de fazer exercício (subir escadas, andar a pé, etc.).
ResponderEliminarTambém sou contra a "ditadura" das modelos esqueléticas. Algumas curvas nunca fizeram mal a ninguém e estão longe de ser inestéticas. Além disso, não devemos fazer um drama por causa de um pouco de celulite, principalmente, se já passámos os quarenta.
Por outro lado, penso que quem tem mais de, digamos, oito quilos a mais, devia fazer algo pelo seu corpo. É uma questão de saúde e de auto-estima! Li uma vez uma frase que me marcou e muitas vezes recordo: "todos nós temos o dever de tratar bem do nosso corpo". Sobrecarregá-lo de alimentos, ou de substâncias nocivas, não é tratá-lo bem. Claro que exceções são bem-vindas, nada nos impede de abusar em festas, ou noutras ocasiões especiais. Estes abusos ficam sem consequências, se, no dia-a-dia, soubermos tratar de nós. Além disso, uma certa contenção quotidiana ensina-nos a saborear melhor os excessos ;) Ainda ontem vi um programa na televisão (alemã) em que se dizia que desaprendemos de dar valor aos alimentos, tão banal a abundância se tornou...
Recordo outra frase, esta sei que é de Kate Moss. Não aprecio o seu estilo de vida, mas acho que a frase é digna de reflexão: "nada sabe melhor do que sentir-se elegante". Desde que não interpretemos este "elegante" como pele e osso, penso que podemos pensar nestas palavras, sempre que a tentação surge...
Esqueci-me de dizer: quem não trata bem de si próprio, dificilmente tratará bem dos outros.
EliminarConcordo, temos de tratar bem o corpo; pertence-nos e se sofrer, sofremos. É a casa do eu.
EliminarPorém, a mim, que não sou a Kate Moss nem desejo ser semelhante, sabem-me melhor imensas coisas que ser elegante (não me lembro de ter tido tal objectivo na vida).
Mas há uma elegância mental que aprecio deveras. E que encontro bem menos que a outra.
Subscrevo totalmente as suas palavras, Cristina.
EliminarTer alguma disciplina é ter respeito pelo corpo, mas também pelo espírito.
E, quando se passa dos 50, todas as ferramentas são úteis para não ficarmos "a pensar na vida", incluindo ter tido cuidado nas décadas anteriores.
Subscrevo totalmente o que disse Cristina. Iniciei este verão um blog sobre estilo de vida saudável, e o que defendo é exatamente isso - eliminar as dietas e iniciar uma mudança de estilo de vida, isso sim determina a diferença na beleza, mas sobretudo na saúde.
EliminarDe qualquer forma, parece-me uma excelente sugestão literária.
http://happyandhealthy.blogs.sapo.pt/
Certamente ando a queimar ' banha-de-cobra ' embora o bom e doce aroma me vá bem .
ResponderEliminarAnotado na agenda... :)
ResponderEliminarUi.. a bela dor de cabeça do corpo. Conheço-a bem. Há quem pense mais nisso, há quem pensei menos.
ResponderEliminarConfesso que já pensei bem mais, confesso também que pensava demais. Agora que tenho a minha casa, com tanto corre corre de trabalho, casa, contas, compras... o meu cérebro já não tem tanto espaço para pensar nisso Gracas a Deus!! Tinha alturas em que ficava maluquinha!