A favorita

Existe uma livraria muito especial em Sines chamada A-das-Artes (se quiserem, podem acompanhar o que por lá se passa com facilidade, pois Joaquim Gonçalves, o seu proprietário, tem conta no Facebook e, além disso, alimenta um blogue oficial, no qual põe fotografias dos livros que vão chegando, mês a mês, e vai contando novidades e escrevendo críticas ao que vai lendo). Recentemente, a Ipsos Apeme, empresa líder em estudos de mercado, novas tendências e comportamento dos consumidores, resolveu lançar, com a ajuda da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, um desafio aos leitores para que votassem online na livraria portuguesa que, quanto a eles, tivesse o melhor atendimento. Pois bem, A-das-Artes foi a favorita! Bom sinal, claro, até porque é talvez a única resistente do litoral alentejano e uma das poucas a sul com um bom fundo (expressão que nada tem que ver com o que parece) à disposição na própria livraria, claro, mas também em várias bibliotecas e escolas onde Joaquim Gonçalves organiza actividades. Conheço muitos autores que já lá foram e se divertem sempre muito com o proprietário e os circunstantes, coisa que não me espanta nada. Parabéns, pois, para ele e a sua forma de atender quem gosta de livros.


 


P.S. Depois de publicado este post, avisam-me que a iniciativa é, efectivamente, da APEL. Perdoem-me a informação errada, por favor.

Comentários

  1. Porque está na ordem do dia, aqui vai uma provocaçãozinha - Seria curioso saber quantos livros já ali se venderam (desde a sua inauguração) da Sophia de Mello Breyner Andreson (que nome mais finesse ...mas este nome será português?)...

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    1. Quer outra provocaçãozinha?
      VÁ AO GOOGLE!!!
      ESTÁ LÁ TUDO!

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    2. A sério??? vou já a correr...e eu que não me lembrei...tem razão, hoje tá tudo no Google , tudo, nem sei para que são necessários livros.. tá tudo no Google ...até os livros que cada livraria vende...

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  2. Cláudia da Silva Tomazi2 de julho de 2014 às 02:38

    Arte de conciliar tarefas especialmente leitura.

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  3. Vivi cerca de dez anos em Sines, nos anos oitenta. Nessa altura não havia livrarias, apenas papelarias com alguns livros. Tínhamos que ir a Lisboa ver cinema e comprar livros.
    Mas Sines era uma vila maravilhosa onde fui muito feliz e onde tive o privilégio de conhecer o poeta Al Berto.
    Gostei de saber que tem uma bela livraria que não deixarei de visitar quando lá voltar.
    :-)
    Antonieta

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  4. Hummm...integrei por duas vezes colónias de férias sediadas na escola primária de Sines. À parte as incontáveis saudades de minha mãe, gostei delas. E, por acaso, foi no cinema de Sines que vi o meu primeiro filme: "Tintin e o mistério das laranjas azuis". Era uma sala de cinema antiga, mas nunca tinha visto outra e deslumbrei com tanta cadeira de seguida e o vermelho veludo em recto ondulado sobre o palco. Bonitíssimo.
    De Sines guardei o imenso mar como então era, o frio de algumas manhãs e a obrigação de ir à água com as monitoras.

    Uma boa livraria é um sinal exterior de riqueza intelectual a que poucos ligam, porque a outra é que sim. Fazia falta um Joaquim Gonçalves em cada terra.

    PARABÉNS ao livreiro. E muita vontade para continuar a alimentar a febre dos leitores e criá-la na outra gente.
    É inteligente trabalhar com a escola primária.

    Se um dia volte a Sines vou entrar na A-das-Artes, a "morder o ambiente".

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  5. não conheço "A-das-Artes" mas louvo a coragem e a resistência de Joaquim Gonçalves., e claro, o seu amor aos livros.

    estes exemplos lembram-me logo da "107" nas Caldas, da Isabel.

    o grave é que as três qualidades que referi, muitas vezes não são suficientes para resistir.

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  6. Bom dia,

    Vivo em Aveiro, mas a A-das-ARTES tornou-se desde há algum tempo a minha livraria.
    O Joaquim envia os livros para todo o País, sem cobrar portes.

    A sobrevivência destas pérolas que ainda vamos tendo depende também muito de nós. Hoje em dia, podemos "visitar" a livraria sem ter que lá ir. Eu "visito-a" muitas vezes e, de vez em quando, bato um papo com o Joaquim no facebook.

    É um verdadeiro sobrevivente e merece todo o apoio que os amantes de livros como nós lhe puderem dar.

    Quanto a si, Maria do Rosário, faz muito bem em ir dando protagonismo no seu blog a estes espaços. Outros há, de norte a sul do País, igualmente merecedores de todo o nosso carinho (e também das nossas preferências na hora de comprar livros).

    Podíamos aqui elaborar uma listinha de todos eles.
    Sendo do Norte, deixo já um nome: Livraria Centésima Página em Braga.


    Rui Miguel Almeida

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  7. Cláudia da Silva Tomazi2 de julho de 2014 às 04:58

    Opino imparcial: invernal à moda portuguesa.

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  8. Severino,
    No google está lá tudo sobre o nome «finesse» da Sophia.
    Agora para saber a maravilhosa escritora que ela foi terá mesmo de ler os seus livros.
    Como não gosta de poesia, pode ler os livros para crianças (será que ainda existe uma criança dentro de si?) ou o magnífico Os Contos Exemplares.
    Aposto que, apesar de tudo, vai gostar.

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    1. Obrigado Caríssimo.

      É que não entendo o porquê de alguém que certamente mais de 95% dos portugueses nem faz a mínima ideia de quem seja, que certamente mais de 96% dos portugueses não leu sequer uma página do que escreveu, tem de ir para o Panteão. Deixem-me dizer o que penso - apenas uma pequeníssima elite de salão conhece esta aristocrata; também neste caso, claro, as excepções confirmam a regra.
      Compreendo que Camões, que Garrett, que alguns presidentes da república, que Amália estejam no Panteão, compreenderia que Saramago, que Aristides de Sousa Mendes lá estivessem, mas, sinceramente, não compreendo
      esta ida de Sofia de Melo, aliás Sophia de Melllo.

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    2. Está então convencido de que mais de 4% dos portugueses leram o Garrett e mais de 5% conhecem os Aristides de Sousa Mendes?

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    3. Claro que estou.

      Mas para além do facto de se ser mais ou menos conhecido, a minha opinião é que a obra da Sophia é apenas acessível a uma pequeníssima elite, o que já não acontece, por exemplo, com Garrett.

      Na minha perspectiva a relevância (que trouxe a Portugal e aos portugueses) de Sophia de Mello Breyner Andreson não justifica tal homenagem, mas essa é apenas a minha perspectiva (que sei ser absolutamente irrelevante e que vale o que vale, obviamente, meu caro).

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    4. Se 400.000 portugueses lessem Garrett, este seria um país bem diferente...

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    5. António Luiz Pacheco2 de julho de 2014 às 11:08

      Qualquer homenagem a uma pessoa da cultura, deve ser aplaudida... seja ela Saramago ou Andresen ...

      Só peca por tão escassa, e aí dou razão ao nosso agitador de serviço (anda Pacheco... eheheh!)!

      Há certamente outros escritores (porque este é um blog de literatura!) dignos de ali repousarem, e lembro-me assim de repente de Rómulo de Carvalho, o imortal António Gedeão, autor de poesia imorredoira... chego ao ponto de afirmar que a letra "Poema da malta das naus", nos descreve e caracteriza tão bem enquanto povo que devia ser a letra o hino nacional em vez daquela pepineira decalcada da Marselhesa... notem que apesar de tudo já me tem emocionado quando em representação do país o oiço tocar!

      Saudações da cidade morena!

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    6. E eu diria mais - se metade lesse Sophia este seria um país melhor.

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    7. Conhecida de uma pequeníssima elite?! a Sophia?!
      a ignorância pode ser um bocadinho atrevida, não?!

      PLFF

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  9. Mas qual elite, qual carapuça!
    Milhares de crianças em todas as escolas e bibliotecas conhecem os livros da Sophia.
    E provavelmente o Severino até cantou alguns poemas dela:
    «Vemos, ouvimos e lemos,
    Não podemos ignorar»
    A Sophia e o marido, Francisco Sousa Tavares, bateram-se muito pela Liberdade e sofreram com isso.
    Informe-se primeiro e fale depois.

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    1. Então quer dizer que para aqui comentar qualquer coisa primeiro tenho de ir ao Google e depois "colar"...ó meu caro amigo eu apenas digo o que sei e penso, admito que posso saber pouco (admito-o) mas penso pela minha cabeça e não pela cabeça do Google .

      Se calhar a maioria das mães portuguesas do século XX fez mais por este país (e com que sacrifício) do que alguém que toda a vida gozou do bom e do melhor, que nunca vergou a mola, e que apenas viveu para fazer versos, ou na praia ou à sombra das árvores da sua frondosa Quinta do Douro, ou nalgum monte alentejano (onde o filho escreve agora os seus romances)...haja algum decoro e algum comedimento...e até algum respeito.

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  10. O combate pela liberdade da Sophia e do marido, Francisco Sousa Tavares, faz-me lembrar o exílio do Manuel Alegre em Paris e o do Mário Soares nas praias de S.Tomé ..brinquemos ou quê...

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  11. Oh (Ah!...)Severino!, tem dias em que pensar só pela nossa cabeça pode ser perigoso. Que mal tem viver-se para a Poesia e não lavar a louça? Abençoada seja Sophia e abençoadas sejam as outras.

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  12. Muito obrigado, Rosário. Os clientes e os amigos são o nosso bálsamo. Quanto ao resto... é igual para todos, infelizmente. Precisamos de clientes, sim, mad que não nos faltem a alegria e os amigos. Continuo a contar, como srmpre, com a MRP!!!! Ah! A casa e o cheiro dos livros...

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  13. E ainda bem que regressámos a Sines.
    Boas vendas, Joaquim Gonçalves!
    :-)
    Antonieta

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  14. A ignorância e a intolerância tugas em todo o seu esplendor!
    Nem vale a pena argumentar mais...
    Ele que fique no seu mundinho pequenino feito de clichés e com a mania que sabe tudo, nem precisa de ir ao google...

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