Mérito próprio
Gosto muito do que faço, mas também sei que um editor sofre muito ao longo da vida com o seu trabalho. Os prazeres equilibram os desgostos e as decepções, mas não as fazem certamente desaparecer. Muitos dos editores que conheço – e que têm uma importância enorme na carreira de determinados escritores – são profundamente desconhecidos do público, que nunca lhes dará o devido valor. Pensem só nos excelentes editores que terão incentivado e apoiado grandes escritores, alguns vencedores do Prémio Nobel, ainda na juventude e talvez cheios de inseguranças? Alguém sabe quem foram? Nos últimos anos, sobretudo pelo modo como circula a informação, já se conhecem alguns nomes, mas, mesmo assim, eu – que sou do meio – não consigo citar mais de seis ou sete. Por isso fiquei tão contente ao saber da justa homenagem feita ao meu colega Zeferino Coelho, da Caminho, editor há 45 anos. Zangada também, porque a homenagem calhou num dia em que tive de ir ao Porto para um lançamento e só lhe pude dar um abraço em diferido. No entanto, estava lá quem interessava: os seus autores, uns mais velhos do que ele (o professor Borges Coelho, por exemplo) e outros mais novos (Gonçalo M. Tavares). A Câmara Municipal de Lisboa condecorou-o com a Medalha de Mérito Cultural. E ele merece-a.
muito louvável a medalha | mas ainda insuficiente para um mérito que, bem sei, recebe por intermédio dos autores que publica | é uma profissão luminosa, exercida na sombra | Zeferino Coelho | o editor
ResponderEliminar(não se leia "um editor")
_de_
Esforço válida qualquer acção.
ResponderEliminarTambém nesta área (editores) sou um absoluto zero, completamente a leste, mas creio que o que vou relatar tem a ver com o tema - lembro-me muito bem do que aqui há uns anos um amigo meu, que trabalhava nos Livros do Brasil, me disse -quando o "velho" se apagar os filhos dão cabo daquilo tudo...
ResponderEliminarE não é que foi mesmo o que aconteceu.
E estamos a falar duma fantástica editora que deu cartas no mercado editorial português na altura da sua plenitude...
Portanto os meus parabéns ao grande Zeferino Coelho.
Zero: redondo, quadrado ou ainda haveria alguma surpresa na "onda" (digitalização) social da vossa parte.?
EliminarAtenção a:
EliminarMARCEL DUCHAMP
FERNANDO PERLUZ (Colômbia)
JOHN MILTON CAGE JR.
Obrigado Cláudia - que bonito, que enternecedor, Cláudia, como deverão estar embevecidos com as tuas doutas e sábias palavras, alguns extraordinários...
ResponderEliminarMais uma vez obrigado Cláudia por nos presenteares com estas verdadeiras pérolas, autênticos rubis verdadeiramente lapidados...eu estou encantado, acredita.
Ó Cláudia há por aqui muita gente que já está a fazer mais um registo das minhas palavras e me vai condenar -lá está aquele bruto, aquele analfabeto que não compreende, não tem capacidade para compreender gente douta e inteligente mas não resisti (é mais forte do que eu) a agradecer-te, pois as tuas palavras deixam-me à beira da loucura, verdadeiramente embevecido e até a correr o risco de "passar da cabeça" (como se diz cá por estas paragens) com tão belas palavras.
ResponderEliminarEstou-te muito grato e não serei só eu porque já vi por aqui muita gente completamente rendida à tua arte...
zebra outra calcanhar e, elucidada, sussurra ao sol . ama-nos afinal, redonda sem onde . sim, o umbigo não liso, pétala esquina, e azul sibila enquanto nada . poltrona e é, quase canta . senões agora
ResponderEliminar(!)
há profissões que são anónimas, e ainda bem.
ResponderEliminarse mesmo "desconhecidos" os editores recebem tantos manuscritos e sei lá que mais de gente que quer ser escritor, não sei o que seria se fossem "figuras públicas"...
Habilidade (coisa) outra.
ResponderEliminarA si a justiça já lhe foi feita e não apenas como editora. O seu livro poesia reunida está na minha cabeceira desde que foi editado. Obrigado
ResponderEliminarVolte ao romance, Maria do Rosário !
ResponderEliminarNão gaste todos os seus dias ao serviços dos seus romancistas.
Romanceie !
Já mostrou ter mais talento do que quase todos os romancistas deste país.
Pode ser apenas para escrever um romance curtinho, como "L'Étranger".
Obrigada! Quem sabe um dia...
EliminarTeria tantos leitores...
EliminarVou recorrer a uma estratégia mais forte do que a do meu post: vou mandar email ao patrão da Leya para a pressionar (explicar-lhe-ei que assim ainda obterá maior rendimento da atividade laboral da sua "funcionária").
| de |
ResponderEliminarhttp://paragrafopontofinal.wordpress.com/2011/07/22/%E2%80%9Cum-autor-novo-nao-se-faz-de-hoje-para-amanha%E2%80%9D-2/
| na expectativa que a MRP não se zangue e que o Zeferino Coelho possa condescender |
Bem verdade. O mundo da edição e o peso dos editores na produção de boas obras é desconhecido do grande público. Não se pensa neles ao ler o livro. Mas tb já li e ouvi vários escritores gratos ao editor, alguns até comovidos; Por outro lado reparei que, amiúde, os escritores vêem o editor quase como uma extensão da família. Espécie de base de apoio.
ResponderEliminarEle merece-a, sem dúvida, sobretudo pela obra que discretamente soube construir.
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