Livros proibidos

Mais ou menos em frente da primeira editora em que trabalhei, existia (e creio que existe ainda) uma livraria chamada Ler. O seu proprietário, Luís Alves (o filho é hoje dono da editora Bizâncio) foi um importantíssimo livreiro antes do 25 de Abril, pois disponibilizava livros proibidos a certos leitores da oposição, correndo obviamente grandes riscos. Também o fundador da Livraria Barata fazia, ao que sei, o mesmo na sua primeira loja, ainda pequenina, onde eu comprei muitos dos meus livros escolares. José Ribeiro teve papel semelhante (e foi preso por causa disso) naquele que hoje se chama o Espaço Ulmeiro, na Avenida do Uruguai, em Lisboa, e a importância das suas actividades clandestinas é referida no livro Uma Outra Voz, de Gabriela Ruivo Trindade, que ganhou, como vos disse sexta passada, a mais recente edição do Prémio LeYa. Por causa disso, a premiada e o livreiro resolveram organizar hoje uma sessão nesse espaço, recordando os perigos de um passado de censura e contando as histórias e episódios reais que inspiraram a narrativa de Uma Outra Voz. Lá estaremos depois do jantar, prontos para falar e ouvir. Se quiser, acompanhe-nos.

Comentários

  1. Tão bonito haver esta ideia concretizada! Espero que compareça muita gente a partilhar da conversa decerto bem interessante sobre os riscos que correu quem teimou em sonhar diferente. Afinal, a história também pode falar de heróis recatados.

    Um Bom Serão a todos e muito êxito para a Gabriela.

    ResponderEliminar
  2. Sim, a Livraria Ler ainda existe, agora gerida por Luís Alves Filho, por doença do pai. E merece, pelo menos tanto como a Ulmeiro, que se lembrem dela para iniciativas como esta!

    ResponderEliminar
  3. Trouxe-me à memória uma livraria de Almada onde me deslocava nesse tempo para comprar livros proibidos. Numa área menos exposta, atrás dos livros da frente, lá estavam os que buscava. Não sei se a livraria ainda existe e, se hoje procurasse esse local, talvez não lograsse encontrá-lo. Os livros sim, ainda os tenho. Como é que ia separar-me de objetos assim?

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório