Aproximar os autores dos leitores
Na minha adolescência, lia-se muito Dickens (quiçá por influência do cinema, pois todos os anos estava em cartaz Oliver Twist ou Scrooge); e, se hoje tivesse de escolher autores que têm tudo para fazer leitores, não hesitaria em referir Dickens, entre muitos outros. Mas, se vou a uma livraria portuguesa, tenho muita dificuldade em encontrar as obras do escritor disponíveis – e, se estava convencida de que o problema era nacional, descobri recentemente que os próprios britânicos se queixam do mesmo. Ao que parece, os jovens leitores ingleses andam desligados de alguns autores clássicos, como Jane Austen, as irmãs Brontë ou Oscar Wilde (e Dickens, claro), que não vêem como «gente real e que viveu, de facto, neste mundo». Por isso, a British Library resolveu tentar aproximá-los destes tesouros literários que correm o risco de cair no esquecimento, descarregando online cerca de 1200 manuscritos originais, primeiras edições, cartas e ilustrações feitas pelo punho de autores centrais na história da literatura, tornando-os acessíveis aos jovens para quem, hoje, só o digital conta. Vale tudo para fazer leitores.
e ainda bem que vale tudo, também no bom sentido.
ResponderEliminarhaja alguém que contrarie o que tem acontecido nos últimos anos.
comprar editoras, encher os bolsos de moedas e desvirtuar completamente o mercado livreiro, de certeza que não conquista leitores.
Óbvio que original a melhor leitura o quê bem ao estilo português estaria o rapaz a ir ao baile e dançar com a irmã.
ResponderEliminarDesculpe a impertinência: a Cláudia tem algum programa informático para descontruir as frases, algum algoritmo criativo, levado da breca, ou é só talento seu?
EliminarJCC
Desconstruir. Aí o corrector...
EliminarJcc
Bom dia.
ResponderEliminarSe os britânicos não conseguem encontrar obras de Dickens , é porque andam mesmo desligados e de olhos fechados nas livrarias. O que não falta são colecções de clássicos publicadas por editoras como a Penguin (pelo menos três), Vintage , Wordsworth , Oxford University Press , Collector's Library , Collins , Everyman's Library , etc.
Jane Austen e as irmãs Brontë também estão por todo o lado, se alguém se der ao trabalho de procurar – nas livrarias, nas bibliotecas, na internet, até nas estantes de casa — encontra.
A iniciativa da BL é boa, mas daí até que os jovens se decidam a fazer download de tudo isso.. acho difícil. Se estivessem verdadeiramente interessados no digital já tinham dado de caras com o Project Gutenberg , com apps para o telemóvel (ex. Readmill ), ou com a Amazon. Penso que montar exposições com esse material seria melhor para estimular a curiosidade pelo autor enquanto pessoa, se é essa a falha.
Olá Inês,
EliminarA Jane Austen até teve direito à emissão de 6 selos em Fevereiro de 2013, salvo erro, pelos 200 anos da publicação do Pride and Prejudice.
É uma das escritoras da minha juventude e continuo a gostar de revisitar as suas histórias, quer em livro, quer em filmes ou séries.
Antonieta
Olá Antonieta,
EliminarA Jane Austen teve também direito a uma petição para ver a sua imagem incluída nas novas notas £££. Como a nova série não tinha previsto incluir a figura de nenhuma mulher, houve uma campanha para fazer isso acontecer. Está para ser em 2017 nas notas de £5.
Pode ler aqui sobre assunto: http://www.telegraph.co.uk/technology/10207231/Woman-who-campaigned-for-Jane-Austen-bank-note-receives-Twitter-death-threats.html
Muito obrigada pela informação, Maria Inês.
EliminarDesconhecia completamente.
:-)
Antonieta
A maioria das editoras portuguesas estão interessadas em publicar os greys deste mundo não os clássicos.
ResponderEliminarInteressante o assunto de Maria Inês pois há mais de uma década a WordPress mantém (ou manteve igualmente à outras editoras britânicas) escritório no Rio de Janeiro, Brasil a captar novos talentos e otimizar vendas o quê demonstra o Reino Unido literatura também emergente está a ser levada a sério.
ResponderEliminarDo que conheço, as editoras inglesas têm uma dinâmica bastante diferente das portuguesas e sinto que estão muito mais próximas dos leitores. A nível da tradução existem projectos interessantes, mais independentes, com modelos de negócio inovadores que usam subscrições e clubes de leitura para criar uma audiência – andotherstories.org é um bom exemplo.
EliminarE agora vou-me calar, nunca escrevi tantos comentários.
Curiosa a idéia de que os jovens e nem tanto, contemporâneos, vejam a escrita de Dickens e os demais clássicos dessa época, senão todos os clássicos, como uma fantasia ou gente que não existia, pensava e fazia assim...
ResponderEliminarNão é nem estranho nem novidade, mas é um interessante detalhe esse...
Tende-se a olvidar ou mesmo ignorar os valores das épocas transactas, por isso os valores de Dickens parecem tão irreais, até absurdos e mesmo ridículos quanto os dos livros da Odete de St. Maurice...
Afinal piercings, calças descaídas e tatuagens, hoje são a imagem de marca que os jovens almejam... fora o último ipod ou coisa parecida.
Notem que não critico, pois sei que os jovens daqui a 25 anos acharão supinamente ridícula a moda e mentalidade dos de 2014!
É a vida que rola... eheheh!
Saudações de Benguela!!!!