Treze anos de Quintas

Já aqui falei muitas vezes das Quintas de Leitura, um espectáculo mensal dedicado especialmente à poesia (mas com música, imagem e outras artes também) que acontece com a direcção de João Gesta no Teatro do Campo Alegre, na cidade do Porto. E amanhã comemoram-se treze anos de Quintas com uma sessão intitulada «A Poesia é uma arma carregada de futuro», na qual tenho o maior prazer de participar. Não, desta vez não irei exactamente como poeta, mas para integrar um painel de «combatentes» (com Ana Drago, Adolfo Luxúria Canibal, Mário Zambujal e Paulo Cunha e Silva) que, com a moderação do jornalista Carlos Vaz Marques, conversará sobre estes tempos tão difíceis para a cultura, em que todas as armas são úteis para derrotar a arrogância ignorante dos que nos governam. Na segunda parte, a fadista Raquel Tavares e o guitarrista Edu Miranda far-nos-ão companhia. As leituras de poemas (desta vez sugeridos pelos entrevistados) estarão a cargo de Paulo Campos dos Reis, Pedro Lamares (ah, que voz!) e Teresa Coutinho. A não perder, porque as Quintas são sempre de guardar no coração.

Comentários

  1. Cláudia da Silva Tomazi28 de maio de 2014 às 04:11

    Memorável!

    Décimo primeiro verso de Walt Whitman (Trad. Mário Ferreira dos Santos)

    Escutai! Quero ser sincero conosco,
    Não vós ofereço os fáceis prêmios do passado, redes e novos
    são os prêmios que vós ofereço,
    Assim são os dias que vós caberão em partilha:
    Não acumalareis o que chamas riqueza,
    Distribuireis com mão pródiga tudo quanto ganhares com vosso trabalho ou vossos méritos,
    Apenas chegados à cidade que vós foi destinada, apenas instalados, num ímpeto irresistível há de vós forçar a deixá-la,
    Então recebereis os sorrisos irônicos e as sombrias dos sedentários e dos que ficam atrás de vós,
    Se receberem algum sinal de afeição, responsáveis com apaixonados adeuses,
    Não permitiria que vós retenham, embora vos abram e estendam os braços com amor!
    Vamos! Sigam os grandes companheiros, para que nos torneios um dêles! Também êeles seguem a caminho.
    São os mais espertos e majestosos homens; as mais formosa mulheres,
    Amam os mares tranqüilos como os mares tempestuosos.
    Navegação em muitos navios, caminharam muitas léguas de terra firme,
    Conheceram países longínquos, conheceram longínquos lugares,
    Confiam nos homens e mulheres, observaram laboriosos e solitários,
    Detiveram-se a contemplar as ervas silvestres, as flores e as conchas das praias,
    Dançaram nas núpcias, aobraçaram a desposada, acariciaram ternamente as crianças, trouxeram-nos no solo.

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    1. Cláudia da Silva Tomazi28 de maio de 2014 às 04:16

      convosco*


      Canto da Estrada Real (título)

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  2. Existe uma canção de Paco Ibañez com o mesmo título. Aposto que alguém a cantará. Gostaria de estar presente, especialmente nesse momento, mas parto de Lisboa na direção oposta...

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  3. «A arrogância ignorante dos que nos governam»...

    ... e dos que nos (des)governaram antes, também.

    Quanto às «armas úteis», é de esperar que Adolfo Luxúria Canibal traga e utilize aquela que mostrou no vídeo mais recente dos Mão Morta, «Horas de Matar»? ;-)

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  4. Amanhã, logo por azar!, não estou no Porto.

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