Treze anos de Quintas
Já aqui falei muitas vezes das Quintas de Leitura, um espectáculo mensal dedicado especialmente à poesia (mas com música, imagem e outras artes também) que acontece com a direcção de João Gesta no Teatro do Campo Alegre, na cidade do Porto. E amanhã comemoram-se treze anos de Quintas com uma sessão intitulada «A Poesia é uma arma carregada de futuro», na qual tenho o maior prazer de participar. Não, desta vez não irei exactamente como poeta, mas para integrar um painel de «combatentes» (com Ana Drago, Adolfo Luxúria Canibal, Mário Zambujal e Paulo Cunha e Silva) que, com a moderação do jornalista Carlos Vaz Marques, conversará sobre estes tempos tão difíceis para a cultura, em que todas as armas são úteis para derrotar a arrogância ignorante dos que nos governam. Na segunda parte, a fadista Raquel Tavares e o guitarrista Edu Miranda far-nos-ão companhia. As leituras de poemas (desta vez sugeridos pelos entrevistados) estarão a cargo de Paulo Campos dos Reis, Pedro Lamares (ah, que voz!) e Teresa Coutinho. A não perder, porque as Quintas são sempre de guardar no coração.
Memorável!
ResponderEliminarDécimo primeiro verso de Walt Whitman (Trad. Mário Ferreira dos Santos)
Escutai! Quero ser sincero conosco,
Não vós ofereço os fáceis prêmios do passado, redes e novos
são os prêmios que vós ofereço,
Assim são os dias que vós caberão em partilha:
Não acumalareis o que chamas riqueza,
Distribuireis com mão pródiga tudo quanto ganhares com vosso trabalho ou vossos méritos,
Apenas chegados à cidade que vós foi destinada, apenas instalados, num ímpeto irresistível há de vós forçar a deixá-la,
Então recebereis os sorrisos irônicos e as sombrias dos sedentários e dos que ficam atrás de vós,
Se receberem algum sinal de afeição, responsáveis com apaixonados adeuses,
Não permitiria que vós retenham, embora vos abram e estendam os braços com amor!
Vamos! Sigam os grandes companheiros, para que nos torneios um dêles! Também êeles seguem a caminho.
São os mais espertos e majestosos homens; as mais formosa mulheres,
Amam os mares tranqüilos como os mares tempestuosos.
Navegação em muitos navios, caminharam muitas léguas de terra firme,
Conheceram países longínquos, conheceram longínquos lugares,
Confiam nos homens e mulheres, observaram laboriosos e solitários,
Detiveram-se a contemplar as ervas silvestres, as flores e as conchas das praias,
Dançaram nas núpcias, aobraçaram a desposada, acariciaram ternamente as crianças, trouxeram-nos no solo.
convosco*
EliminarCanto da Estrada Real (título)
Existe uma canção de Paco Ibañez com o mesmo título. Aposto que alguém a cantará. Gostaria de estar presente, especialmente nesse momento, mas parto de Lisboa na direção oposta...
ResponderEliminar«A arrogância ignorante dos que nos governam»...
ResponderEliminar... e dos que nos (des)governaram antes, também.
Quanto às «armas úteis», é de esperar que Adolfo Luxúria Canibal traga e utilize aquela que mostrou no vídeo mais recente dos Mão Morta, «Horas de Matar»? ;-)
Amanhã, logo por azar!, não estou no Porto.
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