O rapaz e o mestre
Está na rua a última novela de Mário Cláudio, um primor sobre a relação de um génio com um dos seus discípulos dilectos. Trata-se nem mais nem menos de entrar, pela mão do escritor portuense, no estúdio de Leonardo da Vinci e de conhecer Giacomo, um adolescente de cabeleira loura aos caracóis, ainda não totalmente livre de piolhos, que o pai, cansado das suas tropelias, vem deixar aos cuidados do mestre, para que ele o alimente e eduque. Mas não será tarefa fácil, porque o rapaz, apesar da sua aparência de anjinho, é um diabrete – e a primeira coisa que faz é surripiar a bolsa de Leonardo, subtraindo-lhe as moedas com que ele iria pagar-lhe umas roupas novas para o tirar dos seus tristes farrapos. Em farrapos ficarão, pois, também as vestes por estrear, que, para génio que se preze, o castigo tem de ser mostrado logo de início. Este episódio é, porém, apenas o começar de uma relação que durará vinte e cinco anos, em que o grande cientista construirá a sua máquina de voo, exumará cadáveres, coreografará cortejos reais e pintará as suas principais obras sob o escrutínio do rapaz que, sem grande talento a não ser para a asneira, não sairá do seu lado e cultivará uma fidelidade e um ciúme equivalentes. Notável, este Retrato de Rapaz é como uma pintura muito bela e viva que deve absolutamente ser lida por todos os que gostam de Da Vinci e de literatura.
Já fico alerta!
ResponderEliminarÉ que com o excelente "CAMILO BROCA" Mário Cláudio passou a ser um dos meus escritores preferidos (apesar de não ser um escritor fácil); ora sendo Leonardo da Vinci um das maiores génios da humanidade este livro só pode ser interessantíssimo.
Diz-se de novela: qualquer semelhança mera coincidência.
ResponderEliminarVida longa Mestre!
Ora aqui está um livro que me seduz!
ResponderEliminarÉ de louvar cada novo livro de Mário Cláudio, pela forma como entrelaça ficção e realidade mas também pela escrita cuidada em que cada palavra parece criteriosamente seleccionada. E precisamos tanto de escritores "difíceis"...
ResponderEliminarVou compra este livro. Por palpite. Porque gosto do escritor. E da Itália. E de Da Vinci.
ResponderEliminarSó bons motivos