Curiosidades
Andamos de novo a tentar organizar as estantes lá em casa – o espaço é sempre pouco e cada vez é mais difícil encontrarmos o que queremos. Agora, foram os livros em espanhol que ocuparam, com irrepreensível atraso mas finalmente por ordem alfabética, uma estante do corredor; para isso, porém, foi preciso arranjar espaço no meu escritório para os que lá estavam – e alguns, à medida que eram tirados do sítio, pareciam que saíam de uma cartola, e não da prateleira. Foi o caso de um romance de Júlio Conrado, cuja existência quase esquecera. Em anos sucessivos, Portugal foi país-convidado de Feiras do Livro e Festivais Literários (pelo meio, Saramago ganhou o Nobel) em Frankfurt, na Suíça, no Brasil, em Paris... E, segundo percebi, Júlio Conrado nunca foi convidado para participar em nenhum dos eventos. Vai daí, quem sabe se por indignação, se apenas por piada, escreveu um livro intitulado Desaparecido no Salon du Livre – uma paródia com «verdades, meias-verdades e muita ficção», tal como se anuncia na contracapa. Que dizer? Há outros escritores, que também não foram a lado nenhum, que reagiram de forma menos engraçada. E um que foi a todas, e que se recusou a partilhar o hotel com os confrades. Júlio Conrado tem, pelo menos, sentido de humor.
Tenho esse romance em lista de espera lá em casa, onde os livros já se amontoam muito para lá das prateleiras. O Júlio - querido colega e amigo, que tive o prazer de ter a apresentar e, depois, a criticar - o meu primeiro e ingénuo romance, ofereceu-mo à moda antiga. Chegou-me, um dia, na volta do correio. Que bom é ter amigos assim. Extraordinários e de magnânimo sentido de humor.
ResponderEliminarUma boa semana!
Por falar em literatura espanhola, li ontem um livro: Intempérie, de Jesus Carrasco, considerado pelos leitores do El País o melhor romance de 2013.
ResponderEliminarMas não é um romance fácil, é um livro duro, muito duro, a fazer lembrar A Estrada do Cormac McCarthy, que me deixou completamente k.o.
É uma primeira obra e, na minha modesta opinião, um autor a conhecer.
Antonieta
Ainda estou sob o efeito dos resultados deste cantinho desta Europa. E estava aqui a pensar com os meus botões, como a Europa parece-se cada vez mais com aquelas vítimas que ficam a sofrer de síndrome de Estocolmo; e que do Tratado de Lisboa exaram uma tradução: quanto mais me enganas, mais gosto de ser enganado.
ResponderEliminarA Europa realmente está velha e gasta: a necessitar de mudança, de sentido de comunhão e não de representação. Pressionada por fora, para mudar por dentro. Mais cheia de ficções do que de verdades ou mesmo meias verdades; pior, defenestrada de humor.
Bem faz o Júlio Conrado com as suas quase duas dezenas de livros: só há um lado onde ir; e esse é o do sentido de humor, que é o melhor convite que alguém pode oferecer.
Fui à estante e encontrei lá "As Pessoas de Minha Casa". É o único de Júlio Conrado e nunca o li. Algum dos Extraordinários me dá uma dica que me lance?
ResponderEliminarConfesso o meu total desconhecimento por Júlio Conrado... mas fiquei curioso, vou ao gúguel que sempre serve para estes apertos!!!!
ResponderEliminarSaudações do Bairro Ribatehano
Ó Pacheco estou no Km 90 entre Cós e Alpedriz , nesta altura com o Belarmino Cagarila , e olha que o José Cipriano Catarino faz ali um excelente retrato do que foram os primeiros cinquenta anos do século XX. Uma maravilha de personagens bem nossos, bem cá da terra quando ainda se chamavam Joaquina em vez de Vanessa, Jaime em vez de Iuri . Um belo livro que merece atenção, não te parece Ó Pacheco?
EliminarTrata-se do seguinte livro:
Eliminar"ENTRE CÓS E ALPEDRIZ" um excelente romance de José Cipriano Catarino.
Obrigado, Severino. O meu capítulo preferido é o 9º, Sol de Inverno. Escrito bem antes da novela homónima. E o parágrafo final. Boa leitura.
EliminarEu não te disse????
EliminarSabia que ias gostar... e aquilo sim é a nossa literatura, a nossa gente e foi assim a nossa vida!
Estou a ler o JRentes de Carvalho, na parte em que dá precisamente uma "catanada" nos nossos romancistas do ante-25/4 e diz exatamente o que penso dos actuais: mas escrevem sobre o quê e para quem? Inventam um povo que não existe e põem-no a falar como não fala sobre coisas de que nem pensa quanto mais falar...
Um abraço cá do Bairro!
Sabes ó amigo José Catarino isto da literatura ás vezes faz-me lembrar o futebol, mal acomparado " (como se diz em Alfama), é preciso aquela pontinha de sorte que é preciso ter na vida, é que há autênticos matacões que, sem saber ler nem escrever, fazem uma carreira no futebol de 1ª. e outros, autênticas pérolas (como eu...aqui tou a brincar, claro) que não passam do Cascalheira ...estou, sinceramente, a gostar imenso do teu livro. Excelente. Parabéns, tem sido uma surpresa muito agradável mas não me quero alongar em elogios porque poderão estar a pensar que o faço apenas por ter sido um amigo que o escreveu (e não é o caso, tu bem o sabes ).
Eliminaràs vezes
Eliminarjá me chega ler em rodapé nas TV's estes e outros pontapés na gramática (e até nos jornais)...
Absolutamente!
Eliminarnão é o caso dos elogios porque efectivamente foi uma amigo que o escreveu
Eliminaristo do português é do caraças...
Bom dia,
ResponderEliminarApontei o nome Júlio Conrado, para um dia o descobrir. Foi assim que descobri grandes livros.
Já que o post tem por título "curiosidades", confesso que me ficou uma grande: quem é o escritor que se recusou a partilhar o hotel com os seus confrades? Pode revelar?
Uma boa semana a todos,
Rui Miguel Almeida
"... foi a todas, e que se recusou a partilhar hotel...": só pode ter sido LB.
ResponderEliminarÓ Artur,
EliminarTenho de lhe confessar que o seu LB não me ajudou muito... :)
Um abraço para si,
Rui Miguel Almeida
Caro Rui Miguel, Enganei-me ! Queria escrever LA em vez de LB, ou mais exatamente devia ter escrito ALA que se sabe ser dado a tiques antissociais, em particular relativamente aos seus colegas escritores (e está no seu direito). Mas posso estar enganado (só a MRP poderá esclarecer...). Peço perdão pelo meu lapso. Abraço.
EliminarConcordo. Um pouco (se nem muito) de organização vem a calhar do tipo: ordem na casa.
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