Tudo bons rapazes

Estamos no mês da revolução e com muitos motivos para a querermos comemorar, pois todos os dias nos foge o tapete de baixo dos pés, que o mesmo é dizer que nos estão a roubar aos poucos tudo o que conseguimos a partir desse dia mágico que foi o 25 de Abril. E há um livro sobre o assunto que é uma façanha: trata-se de Os Rapazes dos Tanques e é um álbum belíssimo com textos de Adelino Gomes (um jornalista que fez a cobertura em directo em 1974) e as fotografias únicas de Alfredo Cunha, um dos melhores fotógrafos portugueses (que também registou a revolução para a posteridade). Na obra, sabemos finalmente quem eram os rapazes que nesse dia estavam dentro dos tanques que vieram de Santarém para Lisboa – e também os que, ao serviço dos que ainda mandavam, foram enviados para a rua para ver se se livravam dos revolucionários, mas, graças a Deus, e a eles próprios, não dispararam um tiro e deixaram a democracia levar a melhor. Vemo-los então, uns miúdos, nas fotografias da época, e vemo-los hoje, mais velhos, quase todos desencantados, contando como tudo se passou e cheios de pena de que a festa pareça ter chegado ao fim. Um livro que, além de ser um documento, é uma obra de arte. Para falar dele, estarão hoje às 18h45 na Livraria Férin os dois autores, gravando ao vivo, e com assistência, o programa Ensaio Geral da jornalista Maria João Costa para a Rádio Renascença. Não falte.

Comentários

  1. A natureza de todas as revoluções é o apodrecimento. Podem durar 16, 48 ou 40 anos. É como a vida de uma pessoa: o nascimento anuncia a sua morte. Quando?...
    Restará a memória.

    António Breda Carvalho

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  2. já o folheei na FNAC.

    é um belo livro.

    mesmo assim não tem havido um aproveitamento literário da efeméride.

    fico até com a sensação que a comemoração destes 40 anos de Liberdade, estão mais "frouxas" que noutros anos que não terminavam em zero.

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  3. Claudia da Silva Tomazi4 de abril de 2014 às 04:03

    Superlativo : Casa Editorial no Brasil : Abril.

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  4. Respostas
    1. Claudia da Silva Tomazi4 de abril de 2014 às 05:20

      A reunião do contexto "documento e obra de arte" idem.

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  5. António Luiz Pacheco4 de abril de 2014 às 10:47

    É aquele lado da história que não fica para a história... sobretudo as pessoas que a fizeram!

    Hoje vivemos na era da informação, mas será que as pessoas lhe dão o devido valor? Não sei... talvez porque a têm em excesso e como tudo que é demais, perde valor.

    Sem dúvida um dos livros a adquirir em aí indo, para colocar na estante respectiva, imprescindível!

    Saudações cabindas!

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  6. Já tenho o livro, e as fotos são de facto fantásticas. E ainda consegui identificar o meu avô lá no meio, era jornalista na altura. :)

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