Rainha de bolso

Em Portugal os livros de bolso ainda não são tão populares como no país vizinho, mas de há uns anos para cá começaram a instalar-se e existem agora boas colecções, com uma selecção de títulos muito variada (do mais literário ao mais comercial), e, claro, a preços convidativos, o que em tempos de escassez não deixa de ser importante. Uma delas é a 11 x 17, da Bertrand, outra a BIS, da LeYa, em que se inclui o livro de que hoje falarei. Trata-se de As Memórias Secretas da Rainha D. Amélia, que não é exactamente um romance histórico, ainda que nos elucide sobre uma era e uma personalidade históricas específicas, mas antes um livro de memórias ficcionadas da última rainha portuguesa e presumivelmente (a ficção permite) oferecidas a Salazar e resgatadas por um militar no dia 25 de Abril, tendo vindo parar às mãos do próprio autor do livro, Miguel Real, depois de muitos anos e muitas andanças. O enredo é já de si bem original, portanto não se espere que a rainha diga o esperado, deixemo-la ser contundente e crítica com Portugal, com o Portugal do seu tempo de monarca e com o Portugal que sucedeu ao regicídio, porque a senhora D. Amélia, depois de perder filho e marido, ainda se fartou de viver, assim assistindo, mesmo que de longe, a muita coisa de que, enfim, não gostou. Assistamos nós também a este testemunho, num livro que caminha sempre entre o real e o imaginário, entre o plausível e o completamente inesperado. E a preço módico, o que é só mais uma vantagem.


 


Comentários

  1. Oh! fico tão contente deste livro! Para já tem a fotografia mais parecida a uma que me pertenceu - autografada pela própria - e só tinha a mais uma faixa atravessada no vestido. Devo dizer que a rainha estava nela mais aprazível, com um meio sorriso esperançoso que a vida tratou de desvanecer. Imagino que tenha sido alindada por D. Carlos que pintava e, num agrado de amor juvenil retocou as pestanas e a linha das sobrancelhas, coloriu o rosado da face e definiu a curva do lábio de criança que cresceu sem dar por isso. E ficou lindo!

    As duas fotos serão do imediato início do reinado - na assinatura da que foi minha podia ler-se, "Amélia, rainha de Portugal".

    Mas enfim. Coisas de quem não foi feliz, nem bem querida pelo povo português, ao invés da sogrinha dourada e gastadora que sempre teve o beneplácito popular (e tão criança chegou a Portugal; e aos cuidados de quem).

    As mulheres, mesmo sendo rainhas, tinham batalhas a perder de vista; parte delas para perder. Ou ganhas por argúcia e manha; em menor grau, por bondade e amor do parceiro. Sistemáticas no sem direito. Nunca iguais.

    Muita sorte para o romance de Miguel Real. A capa fez-me bem à alma que não sei se tenho:)

    E Boa Semana

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  2. De facto, estamos bem melhor hoje do que estávamos há uns anos, em que os livros de bolso eram olhados com desconfiança, creio até que mais pelos editores, e a prova é que hoje já se começam a ver bastante. No entanto, não me parece que em termos de preços já estejamos ao nível do mercado espanhol, por exemplo. Continua a haver editoras que praticam preços absolutamente incompreensíveis, como a Tinta-da-China, cujo grafismo é maravilhoso mas que insiste em pedir menos dois ou três euros pelo livro de bolso em relação à edição de capa dura.
    Será difícil optar pelo livro de bolso quando falamos de diferenças irrisórias.

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  3. No sábado estive com este livro na mão, se não me engano tem o preço de capa de € 7,50, mas, no hipermercado em que o vi custa, se não estou em erro, € 6,85...e pareceu-me muito interessante.

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  4. Na Alemanha, a edição de bolso é a normal. A maior parte dos livros são editados apenas em edição de bolso. Alguns, são primeiro editados em capa dura, bastante mais cara, entre os 25 e os 40€. Se um livro destes tem êxito, pode demorar a surgir a edição de bolso.

    A esmagadora maioria, como disse, só conhece a de bolso. Resta acrescentar que a qualidade é bastante melhor do que a das edições da BIS (a única que conheço, pelo menos, a julgar pelo exemplar que tenho), mas o preço também um pouco mais alto: entre os 8 e os 12 €, conforme o número de páginas.

    Concluindo: na Alemanha, onde as pessoas ganham duas a três vezes mais do que em Portugal, não é preciso gastar mais de 12 € para comprar um livro, seja ele qual for (a não ser que se faça questão da tal capa dura, ou não se tenha paciência para esperar pela possibilidade mais barata).

    P.S. Acho um abuso certos livros, em Portugal, custarem à volta dos 20 €, tendo apenas umas 150 páginas (às vezes, menos)!

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    1. também me faz confusão, Cristina.

      a comparação com a Alemanha é lapidar.

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    2. Não conheço suficientemente a situação para poder apresentar razões, partindo do princípio que também as pessoas que trabalham no mundo editorial e no mercado livreiro ganharão melhor aqui.

      Quando falo em edições de bolso, estou a traduzir diretamente do alemão "Taschenbuch", que equivalerá ao "paperback" inglês. São edições de boa qualidade. Já no meu tempo de faculdade (1983/87), me surpreendiam os preços acessíveis dos "paperback" da Penguin.

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  5. MRP , hoje não é de livros de bolso que quero falar mas de efeitos de bolso.
    É que parece que no outro lado do Atlântico esta brincadeira de 1 de Abril foi tomada como verdadeira.MRP , um golpe de bolso?

    Porto Editora e Grupo Leya chegam a acordo para impor limite de páginas a escritores
    PRIMEIRO DE ABRIL As administrações dos dois maiores grupos editoriais portugueses, a Porto Editora e a LeYa , assinaram um acordo para uma política editorial conjunta. "Queremos impor um limite de páginas aos escritores", adiantou ao JL o porta-voz do encontro, Paulo Gonçalves, da Porto Editora.

    Ler mais: http :/ visao.sapo.pt /porto-editora-e-grupo-leya-chegam-a-acordo-para-impor-limite-de-paginas-a-escritores=f775248#ixzz2yCbUG2Kn

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    1. António Luiz Pacheco7 de abril de 2014 às 07:43

      Uma piada estúpida... acrescento eu.
      Há mentiras engraçadas, criativas e que merecem ser de facto páginas de jornal.
      A esta, não consigo achar nem piada (e tenho sentido de humor!) tão pouco perceber qual o interesse nela...
      Uma piada estúpida, repito...
      O autor devia levar com uma tarte na cara, e aí sim, a gente ríamos!

      Saudações Cabindas

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  6. António Luiz Pacheco7 de abril de 2014 às 07:52

    Hum...
    Conhecendo já algo da obra de Miguel Real e dos seus créditos, esta é uma obra para a minha lista
    de compras...
    Ademais nutro o maior interesse pela última dinastia e pelos últimos reis de Portugal. O senhor D. Carlos é uma personalidade muito interessante e eclética, tal como antes dele foram os senhores D. Luiz e D. Pedro, sobretudo o primeiro que foi um homem muito culto e viajado, esclarecido.

    Sobre os livros de bolso... já tardavam!
    Aliás, já o disse aqui antes e várias vezes, custa-me a entender o preço dos livros em Portugal, pois são de facto proibitivos... sei que há muita gente a ter de viver deles, mas acho um exagero que qualquer escrevinhação da treta, cheia de idiotices ou de coisas que não interessam nada, com umas pseudo-pinceladas numa capa que simula ser artística, ou uma foto tirada de um armário qualquer custe o que custam!
    Deve ser porque os escritores ganham muito dinheiro...

    Saudações Cabindas

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