Para todos

Luis Sepúlveda, ficcionista chileno, é um dos autores que mais vende em Portugal; depois de um estrondoso sucesso com O Velho Que Lia Romances de Amor, atingiu de novo o zénite com um livro supostamente juvenil intitulado História de Uma Gaivota e do Gato Que a Ensinou a Voar, reeditado posteriormente com ilustrações (concebidas para a editora alemã e reproduzidas em terras lusas) e «membro» de pleno direito do nosso Plano Nacional de Leitura. Mais recentemente, foi dada à estampa uma sua novela do mesmo tipo, História de Um Gato e de Um Rato Que Se Tornaram Amigos, esta ilustrada por esse artista genial que é Paulo Galindro, que reincide no agora publicado História de Um Caracol Que Descobriu a Importância da Lentidão, escrito para os netos em resposta à pergunta de um deles: Porque são tão lentos os caracóis? O protagonista, caracol sem nome, interroga-se sobre a lentidão da sua espécie e interpela os pares, que o acham bastante ousado e aborrecido e acabam por expulsá-lo do prado onde habita a comunidade. O Rebelde, assim baptizado mais tarde por uma tartaruga que o esclarece sobre a importância da lentidão, não fica, mesmo assim, ressentido e, quando sabe que as máquinas se apressam a destruir o prado verde onde estão os antigos companheiros para construir uma estrada, volta atrás – muito lentamente, como não podia deixar de ser – para os avisar dos perigos que correm. Uma aventura cheia de peripécias para mostrar que a rapidez nem sempre é uma vantagem. Até porque, para pensar, precisamos de tempo. Este livro é para todos.

Comentários

  1. Engraçado: ontem, li a "História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar". Vou trabalhar esta obra com os meus alunos.

    Quanto ao "Velho que lia romances de amor", já o li há alguns anos. Creio que o velho continua a ler romances de amor.

    António Breda Carvalho

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  2. Gosto de Luís Sepúlveda. Não apenas pelas obras referidas. Há outras onde a história é mais crua e realista, página da História que calhou a muitos viver; aí, não se furta a expor convicções e delatar desumanidades.

    Mas é verdade que a pressa e a rapidez nem sempre ajudam. Salvé para a apologia da lentidão que poucos querem usar. Contudo, o exercício do pensamento é lento; e já Aristóteles nos dizia homens por pensarmos.

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  3. achei uma delicia o título, ainda sem saber se era uma história infantil ou não.

    e claro, como a Rosário diz e muito bem, as histórias dele, mesmo as infantis, são para todos (são como os filmes de animação da pixar, mas com mais sumo).

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  4. Cláudia da Silva Tomazi23 de abril de 2014 às 07:11

    Descobrir gostos deveria (render) portanto vender boas obras.

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  5. Do último livro que li do Luis Sepúlveda (Últimas Notícias do Sul), gostaria de destacar uma belíssima história que me comoveu imenso: é o relato do encontro com doña Delia, uma deliciosa velhinha que ele conheceu na Patagónia, precisamente no dia em que ela fazia 95 anos.
    Se puderem, não deixem de ler.
    E vou comprar o caracol, claro!
    Antonieta

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  6. Gosto muito de Luis Sepúlveda, já de livros infantis (excepto alguns com ilustrações fantásticas), costumam passar-me ao lado. O certo é que simpatizei logo com este caracol e a minha vontade é correr para a livraria, comprar o livro e pôr-me a lê-lo (o que até seria uma boa forma de comemorar o dia mundial do livro).

    Quanto à rapidez, lá diz o ditado: depressa e bem...

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  7. | se pudesse escrever com o olhar, ultimamente teria vindo mais vezes |

    _de_

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  8. Maria Paula Galvão de Noronha Peres24 de abril de 2014 às 02:23

    neste tempo em que nada parece fazer-se com a calma necessária...
    fiquei tão curiosa... obrigada!

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