O desassossegado
Os livros provocam grandes paixões que ficam para sempre (ao contrário das paixões por homens e mulheres, que são normalmente temporárias, dando origem a decepções ou um amor mais tranquilo). Em Oslo, um leitor apaixonou-se de tal forma por um livro que considera o melhor do mundo que decidiu, mesmo que apenas por alguns dias, abrir no centro uma livraria chamada Bookstore of Intranquility e chamar a atenção para a sua enorme paixão, vendendo apenas... O Livro do Desassossego, de Bernardo Soares. Christian Kjelstup, assim se chama o desassossegado-mor da Noruega, colocou centenas de exemplares da tradução do pessoano livro por todo o lado, escreveu o título em letras garrafais na montra e organizou, logo na noite da abertura, um serão à volta de Pessoa que, pelo que se sabe, foi bastante concorrido. Convidou um guitarrista português ali emigrado para abrilhantar o serão e para tudo contou com o apoio da Embaixada de Portugal, que deu o evento por bem-sucedido, pois teve direito a uma reportagem sobre o senhor Pessoa num dos canais televisivos com maior audiência. Kjelstup espera que deste modo muitos outros leiam o livro que ama. E nós, à distância, ficamos-lhe gratos.
Fico tão feliz com notícias destas.
ResponderEliminarO Livro do Desassossego é, sem dúvida, um dos livros da minha vida.
:-)
Antonieta
é uma grande prova de amor, sem dúvida.
ResponderEliminarmas também de capacidade financeira para "sustentar" esse amor, quase louco.
o livro é isso mesmo, o desassossego puro e duro, talvez o livro com mais livros dentro de si, que conheço...
Seria amor, amar "obsessão"?
Eliminarsim. :)
Eliminaro amor que nos leva a fazer coisas que os outros não acham muito normais, Cláudia. :)
“Sou uma prateleira de frascos vazios.”
ResponderEliminar“O coração, se pudesse pensar, pararia"
...
Quen non ten momentos, horas, días así? Pero ... o "desasosego" tamén é sangue da vida ... o que nos empuxa a unha nova mañá.
...Un abrazo sentido para o amigo Fernando Pessoa.
Que pasa lopo?
EliminarMetáforas...
Caramba!
ResponderEliminarPara dizer alguma coisa... eheheh!
Ou cum'a se diz lá na nha terra, "ina c'um ráio!".
Saudações cabindas!
Depois do Nobel na Suécia, o Desassossego na Noruega. À 3a, que surpresa nos reservarão os escandinavos?
ResponderEliminarPara quem se sente em intervalo de imaginação, aí tem um ponto de partida para uma boa história. Força nessas teclas! Vou para a rua. O sol de Óbidos convida ao desassossego.
ResponderEliminarEu, quanto a romances, não consigo viver para um só. Tenho muitos a quem dedico a minha paixão. Um harém. O suficiente para abrir uma livraria.
ResponderEliminarAntónio Breda Carvalho
Em tudo que nascemos há um tormento que nos acompanha. Porque nascemos néscios de quase tudo, indiferentes a que a maldade nos possa acompanhar. Como se cada homem e mulher com que nos cruzamos não fosse um ponto de inverdade, interrogação dos nossos momentos, tempos nebulosos de outros tempos igualmente acidentados. E os nossos corpos nus, virgens de marcas, são recordações do passado... Em tudo que nascemos há uma árvore, em cujas raízes queremos descansar, como se feitas de um abraço que nos sossega e nos faz descansar: aquele ser misterioso a quem chamamos de alma... e que nos desassossega.
ResponderEliminarEntendo bem a paixão do nórdico... afinal a filosofia é cá do Sul, de onde há Sol e dolce fare niente... e o livro do desassossego não sendo embora o livro da minha vida (e qual é?) é no entanto um dos livros que me impressiona... a par de "O Profeta", de Kahlil Gibran.
ResponderEliminarEntrando em citação e a propósito do tema:
"Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde ela me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelido a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cómodas até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.
Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também."
«Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência»
EliminarPois não vai sem heterónima resposta, caro Pacheco:
«(...)
Inutilmente parecemos grandes.
Salvo nós nada pelo mundo fora
Nos saúda a grandeza
Nem sem querer nos serve.
Se aqui, à beira-mar, o meu indício
Na areia o mar com ondas três o apaga,
Que fará na alta praia
Em que o mar é o Tempo?»