Geografia da língua
Publico agora na Teorema um romance muito original de uma autora chilena, Andrea Jeftanovic, intitulado Amar numa Língua Estrangeira. Ele conta a história da relação entre Sara e Alex, ela habitante do Sul terceiro-mundista, ele cidadão do Norte ultracivilizado. Conhecem-se num avião e acabam a beijar-se na sala de transferências do aeroporto antes de rumarem cada um ao seu destino – e a língua do beijo é a mesma, embora as suas línguas sejam muito diferentes. Ao chegarem a casa, sabem que, enquanto estiveram no ar, houve um terrível atentado e telefonam-se preocupados um com o outro; e a partir de então desenvolvem um relacionamento que, apesar da distância, é profundamente íntimo e erótico e dá origem a vários reencontros, nos quais o Norte se choca com o Sul poluído e vítima da escassez e o Sul se aflige com o asseptismo e o desperdício exagerados do Norte. Enquanto isso, a língua estrangeira da comunicação faz com que nunca se diga inteiramente a verdade e a língua dos beijos não deixará ninguém mentir. Mas o terror dos atentados que ocorrem durante o período que dura a história dos amantes invade a sua intimidade. E há também um terror pessoal, o de uma doença que se instala e afecta quem precisa de ser tratado e quem tem de tratar. Este é um livro que não se esquece, garanto, duro e ao mesmo tempo profundamente sensível.
Quem traduziu?
ResponderEliminarPronto, eu devia ter dito logo: Maria do Carmo Abreu.
EliminarÉ um tema deveras interessante para mim, e ao mesmo tempo misterioso. Talvez o romance me abra alguma janela...
ResponderEliminarCuriosamente, e tendo amigas um pouco por toda a parte desse Mundo por onde andei, a verdade é que nunca tive por nenhuma esse sentimento de "amar", pois creio que as muitas diferenças culturais, de hábitos, forma de ver ou estar, etc. e
Hum como é que isto foi aí parar inopinadamente?
ResponderEliminarAdiante... julgo pois que só as portuguesas me enchem ou encheram as medidas, pois para mim uma mulher, a minha mulher (que sou homem de uma só e já Deus sabe com que sacrifício, eheheh!)
não é um corpo ou cara... é todo um conjunto e tem de haver uma grande comunhão de muitos pequenos detalhes, que de facto só encontrei até hoje nas duas que tive (e mantenho uma!). Há uma magia que nunca encontrei nas estranjeiras... e não me entendam mal, pois como no poema, estendi na areia e na relva, mulheres de todas as cores!
Mas fica a propósito deste tema de hoje, tão adormecido... esta reflexão que nunca me tinha ocorrido.
Creio que os Extraordinários estarão uns a recuperar dos festejos e outros da azia... ahahah!
Saudações cabindas
António, o seu inconsciente traiu-o ao chamar estranjeiras às estrangeiras. E fiquei a pensar como estaria este seu comentário-destinatário em língua estranha. Abraço de um antigo praticante de "caça" submarina.
EliminarHum... estrangeira, claro... lapsus dactilae?
EliminarPorque linguae não será o caso... eheheh!
Abraço PAS, ist'ó menos a gente rimos!
Cá para (nos mulheres) a que deixa bolsa arrastar no chão deveras relaxada.
ResponderEliminarClaro que o Chile tem tradição de escritores Neruda o exemplo muito querido em Valparaíso.
Fiquei curiosa, muito curiosa.
ResponderEliminarAté, porque, enfim, outras histórias....Pode ser que um dia as conte.
Obrigada pela sugestão.
Extraordinária Cláudia:
ResponderEliminarHá na América Latina uma boa tradição de escritores.
Talvez porque os latinos gostem de contar histórias? Porque têm um imaginário rico e fértil?
Porque há essa tradição?
E nós outros os da Europa Latina?
Creio que também, só que talvez se tenha diluído um pouco - reparem os Extraordinários que estou a falar de "escritores", que escrevem, não de leitores! Mas mesmo assim acho que há uma imensidão de gente a escrever, em Portugal.
E veja-se o Face Book, os blogs, nas revistas temáticas e jornais regionais... há imensa gente a escrever.
Talvez não tenham qualidade, mas escrevem!
Nem de propósito, a Porto Editora lançou um novo projecto editorial, alguém viu? Poderá vir a ser um tema de conversa aqui, espero eu.
Saudações cá do paralelo 5,5!
gosto do título.
ResponderEliminaristo de emigrarmos tem que se lhe diga.
nunca esqueci a estranheza de uma amiga a viver em Londres, pela primeira vez que sonhou em inglês...
As diferenças culturais podem de facto dificultar uma relação, mas, por outro lado, há pormenores que facilitam, aqueles pormenores a que não estávamos habituados e, vai-se a ver, constituem uma vantagem. Mas é verdade que é preciso possuir uma mente aberta para construir uma relação duradoura com alguém de outras latitudes. Saudosismos e rodriguinhos portugueses não ajudam, garanto!
ResponderEliminarEntre prós e contras diria que há toda a espécie de gente em todo o lado.
(fala uma portuguesa casada com um alemão há quase 22 anos; falávamos em inglês no início, porque o meu alemão não chegava e o português dele chegava para ler uma frase do género: «não deves ler ao sol, nem de óculos escuros». Não estou a brincar, esta frase estava mesmo no livro onde ele começou a aprender português, lá por 1989. Nunca mais me esqueci dela, nem da expressão «uma caneta preta». Também lá estava).
Faltam três anos a Bodas de Prata!
EliminarIsso sim é amor.
Hum... pois, e a mente aberta que refere, é a sua, ou a do seu marido alemão?
EliminarPequeno detalhe, mas da maior importância...
Se calhar vale a pena pensar nisso.
Saudações cá de Cabinda, paralelo 5,5 ao Sul.
É verdade, Cláudia ;)
EliminarEmbora encare essa data com sentimentos mistos. É que... sinto-me tão velha, quando penso em Bodas de Prata...
Penso que essa abertura vem dos dois lados. Claro que, vivendo na Alemanha, fui eu que tive de me adaptar. Mas, como alemão, ele arranja bastante paciência para o desprendimento e o desenrascanço portugueses.
EliminarEstamos a planear passar mais tempo em Portugal, a partir deste ano, ou do próximo, o que implica mudanças a nível profissional, da parte dele. A ver se, mesmo assim, ainda chegamos às tais Bodas de Prata...
Renovar voto e celebrar unidade e família, Cristina são valores.
EliminarAH!!!! O Apelo do Sul... eheheh! O dolce fare o que calhe...
EliminarMesmo sem saudosismos bacôcos (e dou-lhe razão) é bom estar onde nos sentimos bem, essa é que é a nossa terra.