Uma justa homenagem
Não sei se alguma vez aqui contei como fui parar à edição. Eu era professora de Português há uns três anos quando, um belo dia, um grande amigo do meu pai e – é bom que se diga – um literato, apesar da sua formação científica, me ligou a perguntar se eu gostaria de trabalhar numa editora. Esse grande senhor chama-se António Manuel Baptista, e, para os leitores do blogue que têm a minha idade, o seu nome está certamente associado a um programa de TV que, apesar de ser sobre física, tinha recordes de audiência, porque o professor tinha um poder de comunicação sem limites e tornava mais fácil a quem ouvia tudo o que, nos manuais, parecia assustador. Ora, ele era também, no final dos anos 1980, consultor da editora onde comecei, que se chamava Gradiva e publicava, de forma completamente nova em Portugal, livros de divulgação científica. O editor estava então a precisar de ajuda e terá perguntado a António Manuel Baptista se conhecia alguém que pude ser assistente editorial. Estou-lhe imensamente grata por se ter lembrado de mim, até porque, sem ele, hoje poderia ser uma professora insatisfeita, frustrada ou, na pior das hipóteses, sem emprego (embora também pudesse estar feliz, claro, mas, depois de tantos anos nos livros, calculo que não tão feliz como estou). Assim, porque esse grande homem faz hoje 90 anos, quero agradecer-lhe do fundo do coração a oportunidade que me deu e felicitá-lo pela sua grande cultura, pela sua visão humanista do mundo e por tudo o que nos deu nestes anos todos. Parabéns, António!
é então a ele |a si, naturalmente, a si| que devemos a descoberta de alguns dos mais relevantes autores | talvez o inesperado que a trouxe à edição [h]aja no inesperado que edita
ResponderEliminar_de_
apesar de sermos da mesma geração, não me lembro do programa nem de António Manuel Baptista.
ResponderEliminarsei que a gratidão é sempre bonita.
Maria do Rosário,
ResponderEliminarSerá que este António Manuel Baptista é o cientista que foi capa da revista LER em Fevereiro/2010?
Talvez se trate de um familiar, pois a data de nascimento não coincide (segundo Carlos Vaz Marques nasceu em 1939).
Confesso que estou baralhada.
Antonieta
A gratidão que, na minha opinião, é das maiores virtudes do ser humano é no entanto das mais negligenciadas e a que menos é expressada e a gratidão silenciada não serve de muito a ninguém.
ResponderEliminarBonito post, se me permite!
ResponderEliminarE, já agora em jeito de reflexão:
Muitos grandes pensadores, filósofos e até homens de letras, de que título de exemplo refiro Galileu, da Vinci, Newton, Rómulo de Carvalho (também os temos!) eram homens da dita ciência pura ou exacta, física/química/matemática.
Sem dúvida que a sua formação e a percepção do Mundo que nos rodeia, da sua composição, lhes deu algo de iniciático e pela sensibilidade do entendimento os fez pensadores, artistas...
Tive professores que muito me influenciaram em diversas áreas e de diversas maneiras, e já referi por aqui o meu professor de português do 5º ano do liceu. Outro, foi o professor e aliás regente das cadeiras de Física, o Prof. Dr. Rodrigues Martins. Era um filósofo e um sábio na verdadeira acepção da palavra e as suas aulas inesquecíveis.
Lembro-me até hoje de algumas coisas que então disse e marcaram:
- Vocês saem daqui (Universidade) a saber nada sobre muita coisa, é convosco desenvolvê-lo...
- Aqui, o que fazem é aprender a aprender!
Saudações filosófico-kaluandas
Homenagem assim na lata ao vivo e a cores.Vale!
ResponderEliminarA editora chamava-se Gradiva... e ainda se chama. ;-)
ResponderEliminarE dou também os parabéns a António Manuel Baptista, de quem me recordo igualmente de o ver na televisão.
Às vezes, nas vias bifurcadas da vida, as portas ou janelas que se abrem ganham o nome da pessoa que as abre.
ResponderEliminarA gratidão é sinal de grandeza e... de memória.
A Gradiva é-me querida porque era por ela que eu lia os meu mui amados livros do David Attenborough (lia-os a poupar as páginas para que o fim não viesse depressa). Nesses tempos pré-Amazon.com e pré-Papa-Figos era a Gradiva que me unia ao Attenborough e à ciência do Attenborough que era a que eu queria seguir. Acabei por seguir uma ciência paralela que já me levou à fala com o Attenborough. E, por isso, para mim, Gradiva é Attenborough. Pronto, está confessado.
ResponderEliminarLonga vida à Gradiva e a quem me trouxe o Attenborough!
António Manuel Baptista, para além de grande cientista e comunicador, também é grande pensador que filosofou sobre os impactos que a ciência sempre provocou e provoca na sociedade.
ResponderEliminarAlguns exemplos das Suas Ideias publicadas:
"Crítica da Razão Ausente"
"O Discurso Pós-Moderno Contra a Ciência"
Parabéns, António. Por tanta coisa que o António é e de certeza não sei, por não o conhecer senão deste post. Escapou-me na TV o que é uma pena, quem sabe gostaria um pouquinho mais de Física. E fez a Rosário mais feliz (e decerto mais pessoas). E parece que a Rosário, além da tal felicidade, termo muitíssimo estranho por estes dias, sabe o que faz. Portanto, António, parabéns de novo. Acredito que nos sintamos homens de cada vez que acertamos a vida dos outros. Ou ajudamos a acertar.
ResponderEliminarUm beijinho