Métodos de ensino

Se a questão é ensinar e valorizar quem aprende, vale tudo? Em certos casos, sim. Contaram-me há muito tempo que, em alguns países africanos, quando a SIDA começou a matar a sério, uma ONG distribuía preservativos gratuitamente pelas povoações que ficavam no meio do mato para, pouco depois, concluir que aqueles não tinham sido usados, porque os autóctones desconheciam para que serviam e não tinham ideia sequer de como os pôr. Numa iniciativa bastante arrojada, decidiram então na ONG fazer um filme realista com actores negros – que seria considerado pornográfico se não tivesse fins pedagógicos – em que um casal fingia fazer de tudo depois de colocar o preservativo (e também mostrava, logo a abrir, a sua colocação adequada); uma carrinha andava por essa África fora a convidar gente para ir ver o filme – e, se alguns saíam de lá excitados e direitinhos às namoradas, pelo menos estariam mais informados sobre os riscos que corriam se não se protegessem. Pois bem, há métodos para tudo e, no Facebook do escritor e crítico literário José Riço Direitinho, encontrei, partilhado de um site de um designer gráfico, um alfabeto bastante criativo inventado ao tempo de Estaline com o objectivo de combater o analfabetismo adulto (mas não creio que o ditador tenha tido conhecimento dele). Desenvolvidas nos anos 1930, as letras inspiram-se em posições sexuais várias, algumas das quais remetem para figuras míticas, entre elas a do centauro. Há pares, trios e conjuntos que dariam umas mini-orgias alfabéticas e, na letra i, a pinta é nada mais nada menos do que uma pilinha com asas (tipo drone) virada à boca de uma mulher de pé... Chocados? Acho que não. Enfim, não sei se alguém aprendeu a ler com este incentivo, mas aí vai um V de vagina bem ilustrativo do que pode ser a alfabetização de adultos em tempos de repressão e purgas...


 


Comentários

  1. António Luiz Pacheco24 de março de 2014 às 02:53

    Hum... este alfabeto erótico pode considerar-se como também sendo de "escrita criativa" ?

    A originalidade é a sua principal qualidade, e a menos que o seu propósito fosse muito revolucionáriamente o de escandalizar a burguesia, duvido da eficácia pedagógica até porque certamente daria outras idéias... eheheh!

    Quando era garoto, tive alguns livros (que ainda guardo) com as letras associadas por exemplo a animais, ou a frutos e objectos... mas de facto nada de tão... avançado! Eheheh!

    Sabem que corre um boato africano, de que as "camisinhas" é que estarão infectadas com a SIDA, com a finalidade de exterminar africanos! O mano Jamba por exemplo, não usava por esse motivo. E até há quem diga que a forma de se curar a SIDA é ter relações com muitos e diversos parceiros.

    Quanto ás ONG... bem, ele há cada uma! Um dia lhes contarei...

    Saudações kaluandas!

    ResponderEliminar
  2. O "C" deverá ser ilustrado com um chouriço! É! Esta Maria do Rosário... Foi mesmo para encher chouriços! Para marcar o "ponto"! Ou será que a menina por detrás desse seu ar bonito, calmo, de "sabichona" "certinha" tem uma "costela" voluptuosa, sensual... libidinosa. Pois... engano meu! É tudo pela educação! Abaixo os analfabetos sexuais... E a rapariga do "Can Can" estalinesco tem boa perna! AH! Desgraça a minha! O meu "I" já perdeu as asas...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O comentário do anónimo deve ser ilustrado com o “R” de rancor. Talvez resulte de um “M” de “R”, também conhecido como “manuscrito recusado”. Um chá de camomila, educação e carácter talvez ajudassem a resolver o seu problema, mas, se o chá se encontra em qualquer loja, o resto...

      Eliminar
    2. Mal educado !!!! A MRP pode quando bem entender bloquear quem não assina os "Comentários" e pronto! Ó Paulinho... tem calma... Não te escandalizes, não sejas tão "Cavaleiro Andante". Quanto aos manuscritos recusados tens razão! Foi coisa que já me aconteceu! Confesso! E depois? Olha ainda amanhã tenho que ir às Finanças! Recusaram o manuscrito do meu IRS de 2012!

      Eliminar
    3. E será mesmo Anónimo? A dona do Blog pode sempre saber quem lhe escreve... apenas não diz chamar-se Paulo ou Manuel! É o senhor Anónimo.

      Eliminar
    4. e o teu "C" de cobarde deve ser ilustrado como?

      Eliminar
    5. Mas, eis senão quando o anónimo revela que não é só azia, défice de educação e de carácter, há nele um lado hamletiano quando partilha a questão: ser ou não ser, anónimo ou não. Temos drama, meus senhores, temos conflito! O anónimo revela que é, na realidade, um príncipe de reinos setentrionais determinado a vingar a morte do seu manuscrito. Oh, é tragédia digna de se ver, portento de admirar!

      Eliminar
  3. Claudia da Silva Tomazi24 de março de 2014 às 03:32

    Derrocada humanidade.

    (Alfaiate de latrina?)

    ResponderEliminar
  4. António Luiz Pacheco24 de março de 2014 às 05:18

    Calma! Muita calma... os tempos não estão para isso, que lá fora é Primavera, os pássaros cantam e passarinham, as abelhas zunem no seu incansável labor, e as formigas formigam... deixem o anónimo anonimar animadamente!

    Entusiasmem-se com o abecedário e já agora, para desopilar e aliviar a tensão recordo-me de uma anedota a propósito do "rancor":

    Eram dois casais, de compadres, um dia diz o compadre à comadre: "Ó c'madre, tenho uma coisa munt'a séria pra le dezer: o sê marido e a nh'a m'lher... entendem-se! Tá a ver?
    "Ó compadre! Mas isso é lá possível... táim n'a çarteza?"
    "Çartezinha! Visto co'estes dois qu'a terra há-de c'mer!"
    "Atão e agora? O qu'é qu'havemos de fazer?"
    "Olhe sabe... o qu'era báim-feita era a gente vingar-se... tá a ver?"
    Assim um bocado receosa a comadre anuiu, e vá de vingança...
    Consumada a vingança, pouco depois volta o compadre à carga e diz a comadre:
    "Éh cumpadre, atão acha qu'a gente inda na temos vingados?"
    "Ach'que não ó c'madre! É qu'eles já andin n'isto há munta tempo... a gente temos atrasados!".
    E vá de prosseguir na vingança...
    Passado um pedaço, já era a comadre a avançar, mais afoita e tendo-lhe tomado o gosto da doce vingança:
    E com o argumento de recuperar o tempo, pimba, já com alguma dificuldade por parte do compadre a começar a acusar esgotamento pelo esforço dispendido na consumação da vingança!
    Mas a comadre é que indo embalada, já se preparava para prosseguir no afã vingativo, e desafiava:
    "Ó cumpadre, vamos lá a isso, qu'ê acho qu'inda na temos báim vingados!"
    Resposta do compadre:
    "Ó c'madre, ist'na sêi se temos ó não vingados, mas olhe qu'a mim, acabou-se-me o rancor!"

    Ahahah!

    ResponderEliminar
  5. Esta temática - não a da aprendizagem, mas sim a do sexo - parece andar por cima ultimamente.

    Será que há algum livro na forja da editora com esta temática?

    Ficarei a aguardar por notícias.
    Abraço a todos.

    ResponderEliminar
  6. Claudia da Silva Tomazi24 de março de 2014 às 06:05

    Exemplar mudo.

    ResponderEliminar
  7. ah, ah, ah...sem desprimor para o post, os comments estão o máximo.

    se o sexo fosse a maior maldade dos homens, o senhor primeiro ministro talvez não andasse a pedir que nasçam crianças. E o mundo seria bem melhor. De tudo que ocupa a mente humana - se bem que tudo que é demais cause enjôo - , de todas as violações a mandamentos, talvez seja a preferível: desde que desejado por ambas as partes dispõe bem, não aguça maus instintos antes pacifica, consome uma data de energia que aplicada noutros sectores pode até ser perigosa...as religiões e a sociedades em geral sugerem formas lícitas de uso...

    E nem me parece que haja alguma diferença entre ser anónimo ou ter outro nome que também pode ser pseudónimo. Tal como não vejo que o anónimo esteja numa de vingançazinha. Vem-se aqui porque o blogue fala de livros e se considera o tema interessante. Os manuscritos e as pretensões pertencem a outra freguesia.

    Bem...no caso de África o filme era mesmo necessário. E nas escolas não é tão diferente assim...

    Quanto ao alfabeto erótico, que não acredito alguém tenha usado para aprender a ler,...tem a Rosário a certeza que não saiu para aí de um kamasutra qualquer ou afim? mesmo para adultos, não gostava de ter aprendido ou ensinado a ler por tais figuras a despropósito. Para além do mais, os analfabetos teriam imensa dificuldade em saber que essa letra é um v (se fosse auto aprendizagem não chegavam lá; não conheço nenhum que saiba aplicar a palavra vagina que até desconhecem :). Imagino, em 1930, os senhores da estepe russa a dar voltas à cabeça...
    Mas pronto, pode ser erro meu.

    Mas pernas da corista são um espectáculo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ahahah, sem desprimor para os outros, cada vez gosto mais dos seus comentários, extraordinária Beatriz.
      Inteligentes, criativos, sempre "na mouche" e com aquela pitada de humor tão necessária a tudo na vida.
      :-)
      Antonieta

      Eliminar
  8. Assim a beirar a infantilidade (coisa que em mim está sempre viva) eu desenharia assim o "O" (não O de ódio nem O de Oh! nada de espanto pelo post da Senhora Rosário, que essas coisas existem e delas temos de falar, nem O de Ong)

    Um O bem redondinho com uns tracinhos em volta, assim apontando para o Céu.

    Estão a ver um Sol?

    Deixem-no brilhar e tirem aos comentários a escuridão e o negrume dos preconceitos.


    Um "B" Barrigudinho de BOM DIA a todos.

    ResponderEliminar
  9. António Luiz Pacheco24 de março de 2014 às 08:05

    Hoje estou numa de histórias e já que se fala de educação sexual...

    Está um casal, o lord e a lady, na sala da sua mansão rural, e diz a lady:

    John-dear, já viu que o nosso Tim está um homem?
    Ele, fleumático e imerso na leitura do Country&Field: Hum-hum!
    Ela, mais incisiva: Acho que é hora...
    Ele olha por cima do Country&Field: A hora? Dear?
    Sim John-dear, de ter uma conversa de homens com ele... percebe?
    How? Conversa de homens, dear?
    Sim, John, sabe... birds and bees (aves e abelhas)
    Ho! Claro Susan-dear... claro...
    Uns dias mais tarde, o lorde e o jovem Tim passeiam pelas redondezas da sua propriedade, e à tantas diz o lorde na sua postura de pai:
    - Jovem Tim, meu rapaz... reparaste bem naquelas duas camponesas há pouco a juntar o feno? Vendiam saúde... e vigor!
    - Sim papá!
    - Hum... e lembras-te do que fizemos com elas na meda do feno?
    - Sim pai!
    - Bom... olha, pois com as aves e as abelhas passa-se exactamente o mesmo!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ahahah...Extraordinário Pacheco!!! :) :) :)

      Eliminar
  10. Claudia da Silva Tomazi24 de março de 2014 às 10:30

    "Pode secar-se, num coração de mulhe, a seiva de todos os amores; mas nunca se extinguirá a do amor materno".


    Júlio Dantas

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Isso já não sei. Embora não se admita publicamente (não é de bom tom), o amor materno tem os seus limites. Talvez não na maior parte dos casos, mas que "las hay, las hay". Pode crer, amiga Cláudia!

      Eliminar
    2. Claudia da Silva Tomazi24 de março de 2014 às 12:26

      Deveria. Eis a Literatura .

      Eliminar
    3. Deveria sim, Cláudia, sem dúvida ;)

      Eliminar
  11. Rancor... Cobardia... Défice de Caráter...

    Coisas do nosso tempo! Como a opinião mesmo desbragada fosse crime. Ou má educação.

    E logo se cria um argumento de "escritor frustrado"! Será? Não imagino...

    E estamos a falar de "gente" culta!

    Parecem coisa de leitores mais "Rosaristas" que a própria Rosário.

    Ou estarão eles a tentar levantar o braço... para se mostrar. Quem sabe. Quem saberá? Eu não sei!

    Mas sei que apenas quero ser leitor... deste Blog e dos livros que a autora com bons argumentos e palavras arrumadas vai falando. Confesso que esta crónica não foi, na minha modesta opinião, das mais felizes.

    Notas:
    1 - Leio "Horas..." há mt. tempo. Este é o meu primeiro comentário.
    2 - Não preciso de favores, empenhos, opiniões literárias da MRP e menos ainda da Leya. Só preciso das suas linhas por estas paragens e dos seus (alguns) poemas.

    Lopo De La Fuente

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. E de príncipe Hamlet o anónimo passa a filho do Macduff, uma pequena vítima indefesa às mãos de Macbeth que lhe quer cortar a palavra, calá-lo, aniquilá-lo. O anónimo só quis dar a sua singela opinião, sem insinuações, sem maldade, sem ressentimento. Oh, a desumanidade, a injustiça, pobre anónimo!

      Eliminar
  12. Duas perguntinhas:

    1 - Mas então os russos não utilizam o alfabeto cirílico? Não sei como se diz vagina em russo, mas parece-me que o "V" deles se escreve de outra maneira:
    http://www.cursorusso.com.br/alfabeto-russo/

    2 - «se alguns saíam de lá excitados e direitinhos às namoradas» - então e as meninas não tiveram direito ao filme? A educação deve ser para todos, ou os talibãs também já chegaram a África?

    (Afinal, foram três perguntas)

    ResponderEliminar

Enviar um comentário