Manhãs de nevoeiro
Pois a verdade é que, quando vêm tempos maus, lá regressa a história do nosso rei que se perdeu em Alcácer Quibir e ainda há-de vir salvar-nos, aparecendo numa manhã de nevoeiro. Sebastião, a quem Camões deu Os Lusíadas em mão, tornou-se o Desejado por nunca ter reaparecido e nos ter mergulhado no domínio espanhol durante sessenta anos. Isso já se passou há séculos – e hoje até nos damos bem com os nossos vizinhos –, mas o sebastianismo é ainda uma marca portuguesa, segundo alguns dos nossos maiores pensadores e autores, tais como Eduardo Lourenço, Fernando Pessoa, José Gil, Padre António Vieira ou António Quadros. Agora, é Miguel Real quem se ocupa do tema, na obra Nova Teoria do Sebastianismo, um interessante ensaio que recupera os escritos dos filósofos que se dedicaram a questões como as do Quinto Império ou do Encoberto e no qual, além disso, se explica o sebastianismo como inevitável para um povo que só consegue alguma coisa com cunhas ou através da sujeição a um partido político, quando não com rezas à Senhora de Fátima e sorte no Euromilhões. Isto liga-se, claro, ao recente problema da emigração dos jovens licenciados, o que torna este livro ainda mais actual e necessário. A ler, portanto, em dia de névoa ou não.
sempre fomos melhores em teorias que em práticas.
ResponderEliminarAfonso Henriques, D. Dinis, D. João I e D. João II, são excepções que confirmam a regra.
também vou escrever uma estória, em que o D. Sebastião aparece por ai a pairar de asas, mas pouco brancas. aliás, ele não passa de um "anjo mau". :)
Não li nada do autor em causa.
EliminarDe D. Sebastião sei o que se diz, conheço como toda a gente o seu retrato de menino rei e penso: jovem imberbe, que parece ter sido egoísta e caprichoso, de comportamento pouco avisado, que não cedia a conselhos, menino mimado; azar nosso, era rei.
Levou o país à desgraça e os portugueses desejantes eternos de que regresse. Contudo, se porventura a volta tivesse acontecido, seria péssimo mandante.
Não é a ele que os portugueses querem. Ou quiseram. Querem nele o seu sonho restaurado, quimérico. Apesar de "é pelo sonho que vamos", não me parece que seja esse o sonho de ir.
E agora vou pensar o Miguel Real em euros. A ver se. E quando.
Um bom equinócio da Primavera! Às 16,57. Ou.
Muito bem, é isso mesmo, não diria melhor e muito menos o Eduardo Lourenço que se fartou de tecer loas a uma união europeia, mas agora parece que percebeu que a EU não é sonho, nem quimera, antes, uma parvoíce sebastianina ...
EliminarBom dia.
ResponderEliminarReclamação
Imperdoável, para mim, não mencionar o professor Agostinho da Silva, senhora Rosário.
Miguel Real, sei, conhece e divulga o professor sempre que o tema sebastianismo surge.
Não nos esqueçamos, por favor, do professor Agostinho da Silva.
Por favor.
O autor menciona, isso é o mais importante.
EliminarQue diferença isso faz.
EliminarJá que entende tanto de diferenças, a senhora que enterra gatos (assassinados pelos seus cães) devia informar-se da obra do professor Agostinho da Silva aí pelo Brasil, e verificar a diferença que ele fez.
EliminarQuem sabe faça a diferença também nas suas acções.
E vosso entendimento há despeito.
EliminarSe o meu entendimento errou, desconsidere, por favor. Se acertou, considere.
Eliminarautor d | O Pensamento Português Contemporâneo 1890-2010 | obra imponente e notabilíssima | de quem tenho saudades de ouvir na rádio
ResponderEliminar_de_
A propósito de D. Sebastião, vejo hoje anunciado no Jornal de Notícias on-line que um investigador de Coimbra criou o primeiro poeta artificial.
ResponderEliminar“O primeiro” – notem bem os nossos derradeiros poetas.
Perante isto resta apenas que, à despedida, façais vossos estes versos de António Nobre:
Ó D. Sebastião a ti comparo,
El-Rey de Portugal, a minha sorte,
Se te encontrasse na vida, serias meu amparo,
Ser-m’o-hás talvez depois da morte.
D. Sebastião, rey dos desgraçados,
D. Sebastião, rey dos vencidos,
El-Rey dos que amam sem ser amados
El-Rey dos génios incomprehendidos.
Estrofe + arte.
EliminarEditora D. Quixote.
ResponderEliminarAlguma homenagem espanhola?!
A melhor coisa que o Sebastianismo produziu foi o romance de Aquilino Ribeiro, Aventura Maravilhosa. Nunca tive paciência para as tretas românticas do mito que andam a alimentar arroubos nacionalistas há séculos, mas este romance de aventuras sobre um rei cruel, lunático, arrogante, incompetente e alquebrado pelo destino fascina-me como a Mensagem nunca o fez.
ResponderEliminarVolto ao tema do Sebastianismo qual imensa trajetória ainda dinâmica ocorre fenomenal entusiasmo a Rei Sebastião diria a nordeste do Brasil.
ResponderEliminarRoteiro este que colaborou e colabora certificar a história trata e reduz o impacto diga-se do vazio sentimental preenchido com carinho o folclore brasileiro.
Conceito transformador a realidade eis desperta no povo no ser simples da labuta elevada bravura reflexo a excelência também simples de vosso rei.
Quando li O Sertão, de Euclides da Cunha, achei delicioso que o mito de D. Sebastião tivesse ido encontrar terreno fértil nos jagunços de Canudos. Que mundo bizarro e maravilhoso.
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