Mais América

A jornalista e escritora Filipa Melo dinamiza há já vários anos sessões dedicadas à literatura dos Estados Unidos da América na Fundação Luso-Americana, em Lisboa. Hoje mesmo inicia uma nova oficina com vista a ajudar os participantes a escreverem melhor através da leitura de grandes obras (quem está atrasado pode iniciá-la no dia 3 de Abril) intitulada Asas sobre a América, nas quais tratará, em dez sessões, de «folhas de erva, corações solitários, caçadores, reis da chuva, sangue sábio, palmeiras bravas, som e fúria, damas do lago, todo-o-mundo...», ou, menos enigmaticamente, das grandes obras de Walt Whitman, Edgar Allan Poe, Ezra Pound, Philip Roth, Saul Bellow, Carson McCullers, Flannery O'Connor, Emily Dickinson, Faulkner e Chandler (baralhei, para isto parecer um daqueles jogos em que é preciso encontrar correspondências com setas). Sob uma espécie de justo e criativo lema – Ler mais, escrever melhor (grande verdade) – as sessões decorrerão às quintas-feiras em horário pós-laboral (para alguns, pelo menos), entre as 18h00 e as 20h00, e, tendo em conta a escolha de autores, prometem mesmo uma lufada cultural. Os interessados podem inscrever-se através do e-mail fladport@flad.pt, pagando cinco euros por sessão (50 euros no total, 30 euros se forem estudantes). A literatura norte-americana no seu melhor e, ainda por cima, com orientação.

Comentários

  1. lateralizando a questão e "fugindo" da Filipa e das suas "asas", acho que o nosso país, precisa de "menos américa", em quase tudo.

    fomos "colonizados" pelas maravilhas da américa e esquecemos tantas outras coisas, mais próximas de nós e que muitas vezes têm mais que ver com a nossa cultura.

    o cinema então...

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    1. Lamentavelmente, tem toda a razão Extraordinário Luis Eme. Sem desprimor para os escritores americanos - excelentes, mas comuns na excelência de outras paragens menos badaladas - um pouco menos de América seria bem vinda.

      De repente lembrei-me de Amália e o seu "Lisboa, Não Sejas Francesa" e da colagem que sempre fizemos a outros povos. Sonho com o dia em que sejamos somente nós com a nossa personalidade e maneira de ser e, obviamente, a nossa literatura baseada no povo que somos.

      (Isto escrevi eu enquanto comia pipocas e via um vídeo de perseguições acrobáticas e tiros e balas e mortos e o "Bom" e o "Mau" que só morre no fim, quando se me acabaram as pipocas. Claro que os autores mencionados não se incluem nesta descrição mas... "já não quero mais pipocas que me podem fazer mal" (para ser lido a cantar s.f.f. ))

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  2. Claudia da Silva Tomazi27 de março de 2014 às 03:35

    A preferência (minha) W. Whitman.De mais a mais já estão (vocês portugueses) com a vida ganha.

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  3. Tenho um defeito: entrei na literatura americana pelos autores contemporâneos, como o Franzen, o Pynchon o DeLillo...No entanto, já li o que há traduzido da Flannery O'Connor, li "O Som e a Fúria" e aquele que, estranhamente, falta na lista: J.D.Salinger. Fosse eu de Lisboa e não faltaria. Excelente iniciativa.

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  4. António Luiz Pacheco27 de março de 2014 às 04:23

    Li uma boa parte deles... mas não sei porquê, saltou-me à vista, "Henderson o rei da chuva", de Saul Bellow... é um dos muitíssimos livros de que gostei, e de que pouco se fala... se é que há alguma coisa para falar, pois até pensei que só agradaria a um amalucado como eu... e já vão ver porquê.

    Ao contrário do nosso Extraordinário Luis Eme, gosto bastante da literatura americana, e muitos dos melhores livros que li, são americanos... como aliás gosto do cinema americano, embora seja fraquíssimo cliente ou espectador...

    Aprecio o espírito americano expresso em muitos dos seus livros, sobretudo dos clássicos, mas lembro-me logo da Elizabeth Gilbert e de "O último homem americano", que considero um exemplo do que eu admiro nos americanos e noto faltar quase sempre nos europeus, sobretudo aos contemporâneos:
    Virilidade! (me perdoe a Cristina Torrão)

    Acho-nos dúbios, tímidos e hesitantes, nunca assumimos nada... sempre com medo de ferir susceptibilidades ou de "parecer mal". E quando assumimos, somos o extremo, com uma falta de sensibilidade feroz e muito agressivos na nossa imposição.

    O que no escritor americano é natural e fluido
    O americano não tem receio de ser, exprimir e até cultivar essa virilidade, não no conceito machista mas de que se assumem como o que são: Homens! Isto a despeito de terem o lóbi gay mais poderoso do Mundo... só que parece que lá há lugar para todos.

    O espírito do "pioneiro", presente em toda a parte e realizações, tem levado os USA a adiantarem-se sobre os outros países, e se não os admiro e nem sequer venero ao ponto de copiar, há que lhes reconhecer pelo menos esse valor.

    Perdoem-me a divagação e alguma asneira... pois estou longe de saber o que alguns dos extraordinários sabem de literatura, mas pelo menos sou sincero, e talvez ingénuo neste papel de traça, mas continuem a dar-me luz!

    Saudações kaluandas!!!

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    1. Extraordinário Pacheco, mas eu gosto muito da literatura americana (Hemingway e Steinbeck estão entre os meus autores de eleição...).

      eu quis ir mais longe e falar da influência americana em quase tudo na nossa sociedade (nem sempre positiva...).

      focando a atenção na cultura, eles desde os anos cinquenta que dominam o nosso mercado cinematográfico.

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    2. Tal como eu, Extraordinário Pacheco. Nada de confusões até porque, antes de mais, sou anti-coisa nenhuma

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    3. António Luiz Pacheco27 de março de 2014 às 06:59

      Ia dizer OK... bolas, é contagiante... mas quero dizer, compreendido... e neste caso concordo, há uma excessiva "u.s.a.sização" (que não americanização) e até os Starbucks estão a matar os nossos cafés, abrem McDonalds e fecham Tendinhas... etc.
      Abraço!

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  5. Claudia da Silva Tomazi27 de março de 2014 às 05:31

    Mais América : Authors On Tour-Live

    Um podcast (segundo a BELLCO) com os melhores escritores desde Joan Didion, Neil Gaiman, Carl Bernstein, Michael Chabom, Garrissom Keillor, Btrack Obama, Lemony Smicket entre outros.

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    1. António Luiz Pacheco27 de março de 2014 às 07:04

      Ahahah! Se me permite Extraordinária Cláudia...
      Do Btrak Obama nunca li nada... confesso!

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    2. António Luiz Pacheco27 de março de 2014 às 07:08

      Já agora e por Garrissom Keillor... um dos meus filmes favoritos e que não me canso de ver, é "A prairie home companion"... é fabuloso e adoro a banda sonora.

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  6. Não sou de Lisboa...

    Pena minha não poder lá ir.

    E, em jeito de penitência, confesso só ter lido "O Som e a Fúria".

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  7. Eu tirava o Chandler e punha o Bellow duas vezes. E punha o McCharthy (que ainda não morreu mas não é assim tão mais velho que o Bellow). E o David Foster Wallace, que é mais novo que eles todos mas já morreu. E o Wiiliam Gaddis que também.
    A sociedade ocidental está colonizada pela cultura americana, é verdade, mas a literatura portuguesa está muitíssimo mais poluída pela cultura francesa, ainda, e pela hispano-americana (como se nota pelo eterno regresso aos realismos mágicos de que sofre a nossa ficção). E ainda há-de ser hipnotizada pela literatura nórdica antes de se lembrar da América. Acho eu.

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    1. «poluída pela cultura francesa, ainda, e pela hispano-americana» - gostei ;)

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  8. Claudia da Silva Tomazi27 de março de 2014 às 09:13

    Península Ibérica em florescida tradição.

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  9. Concordo com o Paulo Bugalho. Primeiro ainda virá a "onda" nórdica, de policiais (nada contra) cheios de mistério e terror, e depois voltará a corrente americana a dominar (e a francesa também).

    Jonathan Safran Foer é um nome actual da literatura lá prós lados dos USA que admiro, assim como David Foster Wallace (que infelizmente se suicidou - faz falta!), e os ilustres Salinger, Hemingway e Faulkner...

    E porque é que a sô dona Filipa Melo não se lembra do John Kennedy Toole? Porque é que ninguém nunca se lembra de Toole e da sua "Uma Conspiração de Estúpidos"?

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    1. António Luiz Pacheco27 de março de 2014 às 11:53

      Acho que já falei dele aqui... um livro fantástico, e mais porque o personagem é a cópia de um bom e velho amigo meu... um cromo! Ahahah! Com as mesmas manias, até no vestir!

      Porém e se bem me recordo o autor só escreveu esse livro, e suicidou-se... uma pena.

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    2. Meu caro António, Toole escreveu também um romance menos interessante "Neon Bible" que creio que também tradução em Portugal. Acho que li a versão brasileira.
      O Bukowski, estava-me a esquecer do Hank...

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  10. Como sempre, uma lista muito personalizada, Branca e masculina, muito WASP, enfim...
    Harriet Beecher-Stowe, Zora Neal Hurston, Maya Angelou, Martha Gellhorn...

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    1. António Luiz Pacheco28 de março de 2014 às 03:37

      É capaz de ter razão... Richard Wright podia ser incluído... e James Baldwin certamente.

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    2. E há a Toni Morrison, que até ganhou o Nobel...

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    3. Pois é Blonde, não há nada a fazer.
      Dos 100 autores mais criativos da história da literatura, do livro do Harold Bloom, 89 são homens e apenas 11 são mulheres.
      Seremos geniais noutras coisas mas não na escrita... segundo eles, claro!
      :-)
      Antonieta

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    4. Gostei imenso de "A Dádiva", o único livro que li desta escritora.
      :-)
      Antonieta

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    5. Eles tiveram mais tempo para se afirmarem, Antonieta, muito mais. Isto de as mulheres saberem ler e escrever e terem acesso à cultura é muito recente. Ainda na primeira metade do século XX, uma mulher tinha de pedir autorização ao governo para frequentar a Universidade. E só se o fizesse por iniciativa própria, que a família, regra geral, não a levava lá.

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    6. Eu sei, Cristina.
      São séculos e séculos de atraso.
      E ainda assim, que extraordinárias escritoras temos, all over the world, no matter what they say.
      Bom fim de semana!
      :-)
      Antonieta

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  11. Claudia da Silva Tomazi28 de março de 2014 às 06:30

    Diz-se da América pacífica.

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