Aldina Duarte

Hoje vou abrir um parêntese nesta coisa dos livros e aproveitar o post para dar os parabéns à grande fadista Aldina Duarte, que comemora 20 anos de carreira com um concerto (na verdade, dois, porque amanhã há outro) na Culturgest, em Lisboa. Mas é um parêntese muito ténue, garanto, porque a Aldina, que se tornou uma grande amiga e para quem eu tenho o maior prazer em escrever (tenho feito letras para ela desde que nos conhecemos), é uma leitora invulgar – que lê ensaio, que lê poesia, que lê ficção, que não vive sem um livro dentro da mala, vá para onde for, e que tem uma enorme ânsia de saber (passa, aliás, muitas horas em livrarias à procura de livros mesmo difíceis de encontrar). Quando vai jantar a nossa casa, a primeira coisa que a Aldina faz é vasculhar todos os livros novos que temos em cima da mesa e ainda não arrumámos e, se não conhece um ou outro, quer logo saber tudo acerca dele. Por causa do seu amor pela literatura, neste que é o seu 20.º ano de carreira, a Aldina e eu resolvemos trabalhar juntas num projecto que dará origem ao seu próximo CD, a sair lá mais para o fim do ano: nada mais, nada menos do que um «romance» em fados (uma espécie de literatura musical, portanto). Tendo como base as melodias do fado tradicional, conta-se uma história de amor de fio a pavio (e nesta há um triângulo, para criar mais intriga), através de quadras, quintilhas, sextilhas, decassílabos, alexandrinos, fados com refrão e sei lá que mais, que a Aldina nisso não facilita e obrigou esta sua letrista a um enorme leque de «espartilhos». Mas, até o CD estar disponível, espero que este ano de comemorações corra bem à Aldina (ela merece) e que continue sempre a ler e a cantar para todos nós. Parabéns!

Comentários

  1. António Luiz Pacheco7 de março de 2014 às 02:03

    Interessante... será como uma ópera-fadista então?
    Ou mais uma história cantada?
    Lembro-me do "Por este rio acima", que também era uma história... ou do "Jesus" de Frei Hermano da Câmara.

    Alguns Extraordinários veteranos recordarão além do West Side Story (L. Bernstein), as óperas rock de Andrew Lloyd Weber como o "Fantasma da Ópera" e "Jesus Cristo Superstar" ou de Rick Wakeman "Miths and legends of king Arthur and the knights of round table", "Journey to the center of Earth" , o "Yellow submarine" dos Beatles, e "Tommy" dos the Who... etc.

    Saudações kaluandas! Aqui está a pedir chuva... deve ter vindo para cá!


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    Respostas
    1. Caro António,
      Você passa do «Jesus» do Frei Hermano da Câmara para essas modernices anglo saxónicas. Tommy » dos the Who ? Estou espantado consigo. Qualquer dia ainda o apanho a fumar cigarros para rir.
      Não me leve a mal. Estou a brincar consigo. Um abraço.

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    2. António Luiz Pacheco7 de março de 2014 às 05:26

      Hum... eu bem disse que está a pedir chuva!
      Ahahah!

      Sabe, eu já fui jovem... e numa altura curiosa por sinal, que creio dificilmente se repetirá pois apanhei o 25 de Abril nessa altura!
      Tinha 18 anos e foi um Mundo que se abriu de repente, até cigarros para rir fumei... pois!
      Depois aprendi a rir por mim mesmo, mas sobretudo andei sempre de olhos e ouvidos abertos... informando-me e experimentando.
      Eheheh!

      Um abraço kaluanda

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  2. parabéns às duas, por tanta coisa, e também por gostarem de livros e de fado com poesia. :)

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  3. Belo post. Aldina é uma cantora muito especial, cujo trabalho (obra de autor) sempre me interessou. O fado faz muito pelo amor que tenho à poesia. E Aldina está na primeira linha dos que tratam as palavras com carinho. E você também, MRP. Parabéns às duas!

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  4. Não gosto de fado. Mas gosto de Aldina Duarte. Porque conhecendo-a pelo fado julgo-a uma pessoa muito para além da voz. Parece-me inteira.

    E creio que mais que merece que o bem e o bom lhe aconteçam.

    Parabéns Aldina

    da parceria entre a Rosário e a fadista no próximo CD (lembrou-me não sei porquê a ópera do malandro), parece coisa de confiança. Valor seguro. Mas cá estaremos para ouvir. Entretanto, bom trabalho!

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