Sozinhos

Quando um autor nos deixa, não conseguimos falar disso durante muito tempo. Não, embora possa parecer – até pelo destaque que os jornais deram ao assunto –, não me refiro a desacordo de herdeiros em relação a condições contratuais (há mais viúvas e filhos na história da literatura que nos prepararam para não estranharmos certas decisões); e também não falo dos que, mesmo sem queixas de maior, alegam precisar de uma experiência nova – porque, apesar da mágoa (e do prejuízo), tenho consciência de que, com a idade, nos arrependemos sobretudo do que não fizemos e, portanto, aceito e, pelo menos, tento compreender. Falo, sim, de alguém que teria gostado de ficar, de repetir a velha experiência fossem quais fossem as condições contratuais – mas não pôde, porque a morte simplesmente pôde mais, embora ele lhe tenha dado três anos de luta cerrada em que escreveu um romance inesperadamente bem-disposto, três anos de uma força que admiro e invejo e foi uma lição de vida para mim e para quem a soube, sentiu e assistiu, mesmo que às vezes só de longe, só por telefone. Falo de Paulo Bandeira Faria, autor e amigo, que me deixou sozinha no fim do ano passado, que me deixou sem ele e sem os livros que ainda teria podido escrever – e que bons seriam – se a morte, desta vez, não tivesse podido mais do que ele. O último – A Despedida de José Alemparte – anda de novo pelas livrarias a lembrá-lo, e eu aqui a lembrar-vos que não deixem de o ler, porque é um livro que celebra a vida e foi escrito por um homem que a estava a perder. (A Extraordinária Ana B., que também nos tem deixado sozinhos aqui no blogue, elogiou-o muito quando o leu.)


 


Comentários


  1. [não conheço o livro]

    tão tocado pelo seu texto nada mais posso [sei] que não seja partilhar as palavras com que tentei conformar-me com a perda de ALGUÉM

    Sem gestos
    a tua mão seria um mapa inútil
    sobre a mesa do corpo
    Constrói uma casa
    com as vértebras da árvore
    e adormece. Ergue-a por dentro
    para que não tenha porta nem exterior que aconteça
    Cautelosamente
    entalha cada tábua como um silêncio
    que te possa ocultar
    Entra nesse alçapão circular e brinca contigo
    apaziguado num tempo acabado
    Fica, aceitando
    Morrerás quando a árvore morrer
    e um metafórico suspiro verde
    te cingirá

    []

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    1. Miguel,

      Tenho seguido os seus textos nesta caixa de comentários e admira-me ainda ninguém aqui lhe ter dito que são pérolas. Creio que, nos tempos que correm, muita gente não gostará deles porque quando alguém sobressai pelo estilo é logo criticado por querer mostrar-se e por privilegiar o trabalho da escrita em vez da história e blá-blá-blá... Ficam aqui, no entanto, os meus sinceros parabéns. Escreve melhor numa frase do que muitos autores publicados (parto do princípio de que não está publicado...) num livro inteiro.

      Já agora, os meus parabéns também pelo texto sentido da MRP. E como me atrevi a deixar hoje aqui um comentário, e porque a MRP me deixou há tempos à vontade para não ficar calado quando visse algum erro nos seus textos, eu acho que este tem pelo menos um. Sei que muita gente não concordará comigo (e, quem sabe, a própria MRP), mas onde está "um homem que a estava a perder" eu acho mais de acordo com as regras do bom português "um homem que estava a perdê-la".

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    2. Concordo com todo o conteúdo do seu comentário (os elogios à escrita do Miguel, embora o excesso de parênteses e barras verticais por vezes me desagrade, e ao post da Rosário), mas discordo do "erro" que assinala. Repare, por exemplo, nestas orações relativas sintacticamente idênticas àquela que rejeita:
      1. [Vida] um homem que a perdeu.
      2. [Vida] um homem que perdeu-a.
      Concordará comigo que 2. está mal formada. O "que" é um atractor, i.e., uma partícula que tem a propriedade de atrair a si o clítico, pelo que se realiza em posição proclítica e não enclítica. Desculpe o palavreado técnico, foi para abreviar.

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    3. Embora não seja especialista em português (sou apenas uma grande leitora) concordo com o José Catarino.
      Para mim, a frase da Maria do Rosário está correctíssima.
      :-) Antonieta

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    4. Gostei da explicação - atraiem-me estas definições -, mas não sei se percebi inteiramente. Isto é, se 2 me soa obviamente mal, já "um homem que estava a perdê-la" nem por isso, pelo que pergunto: apesar de não estar(tão) de acordo com a regra, estará errada esta última formulação? Obrigado.

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    5. Concordo consigo, são palavras cheias e novas as do Miguel. Não porque as invente ele, mas a arte de misturá-las pertence-lhe.

      Uma vénia ao Miguel e a quem soube reconhecê-lo.

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    6. Caro jose-catarino,

      Os exemplos que apresenta não são equivalentes ao erro (mantenho) que MRP cometeu. Não se deve dizer, por exemplo, "eu sei que tu o foste ver". Dz-se... e em diálogos tudo bem, até Eça de Queirós cometia este erro, mas diz-se mal. Deve escrever-se, em discurso indirecto, "eu sei que tu foste vê-lo". Tenho a certeza de que a MRP saberá que cometeu um erro.

      O facto de, para alguns, soar mal a correcção que eu proponho tem que ver com o hábito: realmente, fala-se mal.

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    7. Esqueci-me de assinar: Pedro Meira

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    8. Neste caso, não acho ter cometido qualquer erro. Penso que ambas as versões são correctas. Já fiz consultas anteriormente em frases do mesmo tipo e concluí que ambas as formulações são aceites.

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    9. Muito interessante esta conversa à volta dos erros gramaticais, mas sinceramente, vamos fazer deste espaço de visita uma aula de português?! É que de repente, fico a pensar se terei as credenciais necessárias para livremente deixar os meus comentários pelo prazer de partilhar ideias com desconhecidos...
      Fico aflita a rever o texto sabendo que alguém não perderá a chance de mostar quanto sabe a quem erra. Então fico-me pela leitura...

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    10. Olá, MRP. Aceito a sua perspectiva, até porque já percebi que a alguns gramáticos de referência tanto se lhe dá. Mas ao contrário da maioria, prefiro (com o Lindley Cintra, por exemplo) a proposta que fiz: o pronome de complemento directo diz respeito ao "perder" e não ao "estar" (a expressão continuaria a fazer sentido se se escrevesse "é um livro que celebra a vida e foi escrito por um homem que a perdia" mas nunca por "é um livro que celebra a vida e foi escrito por um homem que a estava"...), e por isso prefiro pô-lo depois e juntinho do verbo 'perder' e não longe dele, antes do verbo 'estar'. A construção que a MRP usou é, para mim, mais típica do castelhano.

      Mas para não deixar de ir ao que realmente interessa, o livro de Paulo Bandeira Faria, que já li, é um portento de sentido de humor, sensibilidade e ironia. Fiquei com vontade de voltar a lê-lo (ai, que nunca seria capaz de escrever "de o voltar a ler"..., embora fosse capaz de o dizer :))

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    11. "se lhes" em vez de "se lhe"... Bem, haverá outros erros nas minhas intervenções. Sou apenas um apaixonado por estas questões, um apaixonado que comete imensos erros.

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    12. Caro Pedro Meira:
      Concordo consigo quanto à colocação do pronome pessoal de complemento directo a seguir ao verbo que o exige, por exemplo, "tu foste vê-lo" e não "tu foste-o ver". Mas repare que se existir um atractor, o clítico é realizado em posição proclítica:
      Tu não o foste ver.
      ??Tu não foste vê-lo.
      Ora o mesmo sucede nas orações subordinadas relativas e nas completivas (ou integrantes) da nossa discussão, pelo que prefiro as frases a) às b).:
      1. a) [Vida] Um homem que a estava a perder.
      1.b) [Vida] ?Um homem que estava a perdê-la.
      1.b) A vida que um homem estava a
      2.a) Eu sei que tu o foste ver.
      2.b) ?Eu sei que tu foste vê-lo.
      A relativa aceitabilidade das frases b) deve-se, suponho, à maior distância do clítico relativamente ao atractor.
      Parece que a nossa discussão fez zangar leitores deste blogue. Não percebo a razão, uma vez que a nossa anfitriã tem insistido na necessidade de reflexão sobre a nossa língua. Por mim, estou sempre disponível para aprender, e pronto a reconhecer que estou errado se me convencerem disso.

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    13. Precisamos todos de muitas aulas de Português. Quanto às credenciais, a principal chama-se humildade. A segunda, vontade de aprender com os outros.

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    14. Só à noite verifiquei que baralhei os comentários e respondi ao José Catarino, que tinha percebido completamente, como se estivesse respondendo ao Pedro Meira. Não é importante, mas fez-me pensar melhor no tema. Apesar da formulação de Meira ser talvez mais acertada, a de MRP , ao colocar o tal clítico mais perto do "que", como Catarino esclarece, está afinal a dar mais ênfase ao essencial da frase, isto é , à vida que o autor estava, infelizmente, a perder, celebrando-a tão bem no seu livro. Uma opinião de leigo, já que aqui ando interessado, mas sem formação específica na área, nem com aspirações a escritor, logo mais descontraído.

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    15. Olha!, e agora respondi a mim próprio. Descontração a mais, talvez...

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  2. Pois... essa é que é a verdadeira perda. Essa, a máxima solidão.

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  3. Compreendo a Nossa Extraordinária Anfitriã.
    Sendo de carne, osso e sentimentos é natural que assim seja, e creio que é a diferença entre a editora-pessoa e a editora-empresa, mas isso era assunto para outro post...

    Lembro-lhe no entanto que, falando como o leitor (traça) que sou e não como o Editor ou o Amigo, o autor nunca morre, perpetua-se na sua obra! A prova está que ao ser reeditado reencarna, e assim das leis da morte se liberta.
    Será uma frase feita e lugar-comum, até uma baboseira se de facto existia uma ligação de amizade, mas não deixa de ser verdade.

    Só não concordo lá muito com a sua afirmação:
    - "com a idade, nos arrependemos sobretudo do que não fizemos"... hum... isso aplica-se a quem pouco ou nada tenha feito, digo eu...
    Mas seria ainda tema para mais um outro post!

    Saudações kaluandas

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    1. PS -

      Desculpem... mas já agora e para alguns dos meus Extraordinários Amigos deste Extraordinário Blog, logo pelas 21H na rubrica da RTP África, Mar de Letras, estará a minha querida amiga Cristina Malhão-Pereira a falar dos seus livros, e fará uma referência ao meu Largueza... o que me deixa bem vaidoso e me faz sentir distinguido.

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    2. Tem todo o direito de ficar "vaidoso".
      Obrigada pela dica,

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    3. Arrependemo-nos. Ponto. Do que não. E do que sim.
      Até em simultaneidade.
      Tudo o que não fizemos foi substituído por algum outro fazer. E de nada vale pensar ao retardador se teria sido melhor de outra forma. Teria sido diferente. Porém, se não fomos capazes da diferença, é que talvez não se coadune connosco. Lagos não podem ser mares.

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  4. Lembro-me perfeitamente de estar a espreitar, numa livraria, vários livros que tinha bem referenciados. Este acabou por lá ficar (até me recordo para quem "perdeu") e, com o tempo, ficou para trás. O seu post de hoje deu-me vontade de lhe dar outra oportunidade, agora com outros olhos.

    Rui Miguel Almeida

    PS: concordo com o Pedro Meira, o Miguel de Almacave, numa linguagem "futeboleira", foi uma óptima contratação para os comentários deste blogue. Continue a jogar assim Miguel! :)

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  5. Sendo embora das pessoas menos categorizadas aqui neste Extraordinário espaço para me abalançar a comentários sobre o que foi dito quanto à escrita do nosso Extraordinário Miguel de Almacave, eu traça literária, sei do que gosto de roer e por isso vos digo que aprecio muito o seu estilo com os parêntesis, etc. É que condimentam muito bem a sua leitura!

    Saudações kaluandas!

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  6. Claudia da Silva Tomazi10 de fevereiro de 2014 às 05:48

    A emoção racional rendeu uma bela cantilena.

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    1. Claudia da Silva Tomazi10 de fevereiro de 2014 às 11:59

      Vamos lá Severino. Era uma vez uma criança que gostava de ouvir conto de fadas era maravilhoso e fascínante o sentido lá ir vê-lo eis que: bastasse sorrir.

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    2. Finalmente te entendi, Cláudia.

      Bem haja!

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  7. Nunca li esse autor. Mas como sigo num comboio a carvão, pode que um dia me chegue a ele.

    Concordo com quem afirmou que os livros conduzem os bons autores à imortalidade. A obra leva o autor pela mão. Mas, por vezes, temos de esperar a poeira dos anos.

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  8. gostei da forma como a Rosário focou as "perdas" dos últimos tempos.

    não me lembro de ter ouvido falar de Paulo Bandeira Faria... gosto da capa.

    embora a Rosário não precise de advogado, acho de muito mau gosto a tentativa de a "corrigir" (não é a primeira vez) por insignificâncias.

    eu, como comento "à pressa" e quase sempre sem verificar a ortografia... erro muitas vezes.

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    1. Luís Eme,

      Corrigi há tempos a MRP por ela ter cometido um erro em que ela própria desancava (trocou um 'onde' por um 'aonde') e eu achei muita piada a isso. Chamei hoje a atenção para o que considero ser um erro (mas a MRP não e eu percebo, como aliás tinha ressalvado antes de ela me responder) porque ela, na altura, me deixou à vontade para isso e porque pensei que tinha alguma pertinência. Não corrijo nenhum dos comentários apesar de encontrar por aqui imensos erros. Até nos meus, depois de os libertar... Também não corrijo a MRP sempre que acho que cometeu um erro e deixe-me dizer que frequento este blog desde o seu primeiro dia...

      Mas talvez tenha alguma razão, passarei a ser ainda mais comedido. Nos tempos de hoje as pessoas também não gostam muito destas gramatiquices e tenho tido algumas chatices ou criado maus ambientes quando reparo, por exemplo, um erro na lista de um restaurante...

      Enfim, resta-me pedir perdão à MRP e a todos os que sentiram que fui indelicado. E fale-se mais do maravilhoso livro do Paulo Faria! Ou da escrita diferente do Miguel de Almacave :).

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    2. Vou continuar a vir aqui diariamente porque gosto muito do que a MRP escreve e também dos comentadores 'residentes'.
      Agora que é irritante pensar que estou a fazer um teste de português, é!
      E ser corrigida por anónimos ou por pessoas cuja competência desconheço, também o é!
      Posto isto, muito boa tarde a todos.
      :-( Antonieta

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    3. Confesso que me irritou um pouco por causa da correcção aos erros que encontrava nos textos, contudo este seu comentário é de uma gentileza que muito me tocou.Está "perdoado", pois.
      ps: até gosto muito de o ler.

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    4. Estou obviamente a falar de Pedro Meira.

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  9. Espanto-me sempre perante um grande talento.

    Arregalo os olhos.

    Também há gente tão talentosa no quesito "picuinhas". Oh se há! E frequentam o HE. Vejo-os amiúde por aqui.

    E espanto-me sempre.

    E arregalo os olhos.

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  10. Hum... isto está a precisar é de um zuvi zeva novi!
    Onde é que andas ó A. Severino?
    Ahahah!

    Dado que o falecido era de reconhecido humor, pois façamos-lhe uma homenagem nesse sentido!
    Aposto que lá onde esteja, se está a rir!
    Pessoas assim merecem ser recordadas com boa disposição e não com pesar!

    Saudações kaluandas e calorosas (no sentido calorimétrico do adjectivo).

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  11. É verdade, Maria de Rosário Pedreira. Recordo-me bem de tê-lo referido num dos post do início do mês. Excelente livro, sem dúvida. Adquiri-o de forma absolutamente fortuita. Também desconhecia o autor mas, no último almoço promovido pela LER ,esse livro foi um dos que sobraram do sorteio que fizeram no final do encontro. O João Pombeiro, que é um querido, colocou-os à disposição dos leitores resistentes :) . Eu, confesso, abarbatei-me logo a dois ou três que me pareceram muito bons. E acertei. O livro é maravilhoso. Um dos meus preferidos de sempre. E, no meu sentir, um dos melhores da literatura portuguesa contemporânea.
    Não conhecia o autor mas quando soube da sua morte, senti uma enorme tristeza. Quando os livros ecoam e me tocam a alma sinto-me próxima do autor. É quase com se ele fizesse parte do meu mundo interior. Da minha vida afetiva.

    E não, como se pode constatar, eu não deixei de cá vir. Faço-o todos os dias. Sem falta. É um dos meus vícios diários. Apenas deixei de comentar. Fartei-me de me andarem a corrigir o português. Dei por mim a pensar quinhentas vezes antes de publicar o comentário, com receio de levar nas orelhas. Era só o que me faltava. Tenho mais que fazer, que a minha vida não é isto... :)

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    1. Vá confesse lá...o silêncio como estratégia para ser o centro das atenções eheheh! E não é que resultou!!?

      ana b, tenho tantas, tantas saudades dos seus comentários, sempre tão bem escritos, tão cheios de alma. Sempre que lia algum comentário seu sobre um livro que desconhecia, só me apetecia correr para a livraria!!! De resto, sinto a falta também do João Courinha, do Ruffino...
      Não me vou alongar mais, tenho medo de cometer uns erros, ai que stress!!!
      Isabel

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    2. Olá, ana b.
      É bom tê-la de volta.
      Um beijinho
      antonieta

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    3. eheheheh É uma estratégia eficaz, sim. :) Mas não, nada disso...

      Obrigada pelas suas palavras. Fiquei muito contente por saber que o meu entusiasmo por um livro transparece nos meus comentários e que contagia outros leitores. Em especial a Isabel que era a minha alma gémea aqui no blog. :)
      Beijinho

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    4. Obrigada, Antonieta :)
      Beijinhos

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    5. Mea culpa, mea culpa!! Então não é que fui cometer um erro, este sim, terrível?!! Mário Rufino, mil perdões, acrescentei um F ao seu nome (foi o stress, ehehehe)!!!
      Um bom dia a todos estes amigos que por cá passam, e que este livro lembrado hoje pela MRP seja o pretexto para passarmos bons momentos.
      Isabel

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  12. Começo com um erro Hortográfico para este assunto ficar logo resolvido... :)

    Sou casado com uma estrangeira. Numa conversa, poucos se apercebem do seu levissímo sotaque. Curiosamente, uma das palavras que mais a trai é HORAS.

    Ela aprendeu Português sozinha. Comete muitos erros ortográficos, que eu vou corrigindo a pedido dela. Olho para esses erros com ternura, relembro os tempos em que ela aprendia a nossa língua e confundia palavras, chover com chorar, por exemplo. Nos últimos anos, também ela me corrije os erros ortográficos, mas sempre em forma de pergunta, sempre um "é assim que se escreve a palavra xpto?", a dúvidar que eu tenha dado aquele erro. É giro, acreditem.

    Não dou muita importância a estas questões de ortografia e gramática. Nunca prestei atenção nas aulas de Português no Liceu e não é agora, burro velho, que o vou começar a fazer.

    Gosto muito deste blog, é o único que sigo.
    Se leio os posts da Rosário logo de manhã cedo, volto aqui mais tarde, para ler os comentários. Não passo sem eles, para mim são parte integrante do blog.
    Gosto de encontrar pessoas com afinidades literárias parecidas com as minhas, gosto do bom sentido de humor que por aqui anda, gosto de uma boa troca de argumentos sobre um determinado autor ou acerca da indústria do livro.

    Ao longo destes tempos, desenvolvi uma espécie de "ternura virtual" acerca de muitos dos habituais comentadores extraordinários deste espaço.
    A razão principal é ter descoberto grandes autores grandes livros graças aos seus comentários. Sei que muitos outros estarão a caminho. Por isso, por me terem proporcionado tantas Horas Extraordinárias, sinto-me grato. Pessoas de carne e osso que desconheço por completo, ignoro se são altos ou baixos, gordos ou magros, mais novos ou mais velhos. Nada disso importa, o que aqui interessa é esta partilha do amor pelos livros.

    Confesso que fiquei triste (à falta de melhor palavra que me ocorra aqui e agora) quando li que algumas pessoas que gosto de ler aqui na caixa dos comentários se abstém de o fazer, receando ser corrigidas.
    À hora em que teclo estas palavras no meu computador, que não irei corrigir assim que terminar, temo já ser tarde para poder ser lido. Ainda assim, a "ternura virtual" que me merecem, leva-me a que lhes deixe ainda estas linhas:

    Não deixem de comentar este blog. Quem perde somos todos nós. Sei que tenho ainda muito a descobrir neste fascinante mundo dos livros, muito que vem até mim através de vocês, dos vossos comentários.

    Este é um espaço que enriquece, mas apenas se cada um der o seu contributo, sempre que achar que tem alguma coisa a dizer sobre o tópico em assunto em cada dia. Comparado com esta maravilha de partilhar o amor pelos livros, o que pode um ou outro erro ortográfico?

    Deixo-vos com um dos grandes, daqueles que até aleijam:

    Saudassões a todos,

    Rui Miguel Almeida

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    1. Gostei imenso do seu comentário, Rui.
      Obrigada pela partilha e pelo humor.

      Saudassões!
      Antonieta

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    2. Sinto o mesmo Rui... mas cito sempre um pensamento de Bento de Jesus Caraça que me tem animado a fazer tanta coisa (e quantas delas erradas...):
      - "Não tenho medo de errar pois estou pronto a corrigir".
      Comentemos, erremos, corrijam!
      Hum! A nós as letras... "Adoro escrever!" disse a Cristina Malhão-Pereira, que dá erros que se farta e nunca teve medo de errar, por isso fez coisas que nem ao diabo lembrava!

      Agora vou dormir, saio às 4 para a Quibala, por uma estrada em muito mau estado! Por falar em erros, o Alfredo conseguiu partir a direção do meu Toyota Land Cruiser VX e vou levar um dos Ford Escape de duvidosa solidez... vamos ver se será um erro!

      Saudações kaluandas e um abraço ao Rui!

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    3. Excelente comentário, extraordinário Rui.

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    4. é isso mesmo, Rui.

      o amor e a partilha dos livros ultrapassam tudo.

      e é aquilo que nos faz fazer tantas "horas extraordinárias" com a Rosário (sem a Leya saber, claro...)
      :)

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  13. MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA ||| ANÓNIMO | A SEVERINO | AMALIVROS | ANA FILIPA FERREIRA | ANABELA F | ANA B. | ANTONIETA | ANTÓNIO BREDA CARVALHO | ANTÓNIO LUIZ PACHECO | AREIA ÀS ONDAS | ARTUR ÁGUAS | BEATRIZ SANTOS | BLONDEWITHAPHD | CARLA PAIS | CLAUDIA DA SILVA TOMAZI | CRISTINA CARVALHO | CRISTINA TORRÃO | D.S. | FRANCISCO P. LACERDA | ISA | ISABEL | JOÃO J. A. MADEIRA | JOAQUIM JORDÃO | JOSÉ CATARINO | JOÃO REBOCHO PAIS | LIVROS E OUTRAS MANIAS | LUÍS DE SOUSA PEIXEIRA | LUÍS EME | LUNNA | M. SANTOS | MJCARRILHO | MAGNOLIA | MIGUEL DE ALMACAVE | MARIA | MARIA ALMIRA SOARES | MARIA EMÍLIA | MÁRIO RUFINO | MIGUEL | MINERVA | NUNO FIRMINO | PAULO BUGALHO | PAULO OLIVEIRA | PEDRO A. SANDE | PEDRO MEIRA | ROSÁRIO DUARTE DA COSTA | RUI CONCEIÇÃO SILVA | RUI MIGUEL ALMEIDA | SANDRA NEVES | SIMÃO | STILETTO | SUZANA | TÍMIDA | VESPINHA | VÍTOR FERREIRA ||| MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA

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  14. Se há algo que me toca é a luta de um Homem pela sua própria existência. Não conhecia a escrita do Paulo Bandeira Vieira - por mais que queiramos vivemos sempre confinados a uma finitude incompleta. Mas fiz o meu trabalho de casa... e o agendamento possível. Antes da «Despedida de José Alemparte » que tem o "som" de uma despedida para um lugar melhor, PBV deixou-nos «As estradinhas de Catete », editado pela Quidnovi em 2007, livro que tem o som dos ritmos Africanos de mais um expatriado, de um outro tempo, na sua própria terra. Poesia e Antologia fecham o círculo de mais outro Português que continuará a sua vida alemparte " através dos testemunhos nos deixados. Afinal, escrever vai bem "da lei da morte nos libertando."

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