Prestígio e dinheiro

Há prémios literários prestigiantes, mas com um valor pecuniário relativamente baixo, e prémios realmente chorudos, mas sem grande reputação. Um prémio literário que reúna ambas as coisas é mais difícil, claro, e é um galardão assim que todos os que escrevem naturalmente almejam. Pois os herdeiros do grande T. S. Eliot e a Poetry Book Society têm há vinte anos o Prémio T. S. Eliot para um livro de poesia, que rende nada mais, nada menos do que quinze mil libras ao seu autor, além, evidentemente, de uma honra sem igual (que poeta não gostaria de ter na sua carreira um prémio cujo patrono fosse um dos maiores poetas de sempre?). Entre os vinte distinguidos até hoje, contam-se, pelo menos, dois autores que receberam o Prémio Nobel da Literatura – o irlandês Seamus Heaney, recentemente falecido, e Derek Walcott, natural da ilha de Santa Lucia, que foi nobelizado em 1992 – e ainda o sobejamente conhecido Ted Hughes. Este ano arrecadou-o uma irlandesa, Sinéad Morrissey, com a obra Parallax (que estou em vias de adquirir), uma poetisa que já somou várias distinções importantes e foi a mais jovem de sempre a ganhar o Prémio Patrick Kavanagh, para inéditos, com dezoito anos, embora a obra só tenha visto a luz muitos anos depois. Convém dizer que todos os seus livros anteriores foram finalistas do prémio que agora lhe foi atribuído e que, portanto, era uma vitória mais ou menos esperada.

Comentários

  1. quem tente fazer uma listagem dos concursos literários, de poesia, em Portugal, com periodicidade regular, que abranja obras não publicadas, deveria considerar, como alternativa mais vantajosa, estética e financeiramente, a captura e colecção de borboletas mórmon || previno ainda, que a maioria das seguradoras, detectando propensões líricas nos seus clientes, agravam fortemente os prémios de seguros de acidentes pessoais || por outro lado, em caso de obtenção prémio monetário, os mesmos consideram-se incrementos patrimoniais, englobando-se, por isso, em categoria residual de incidência, por força do art.º 10.º e 89.º da Lei Geral Tributária, por remissão do art.º 9.º do CIRS, sendo tributados, por força desta categoria, como rendimentos obtidos por jogo ilícito

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  2. Que exemplos daria de prémios avultados mas sem prestígio?

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    1. Muitas das autarquias têm prémios literários de valor respeitável que visam celebrar algum autor nascido no concelho, mas nem o prémio inclui a publicação (e muitos dos livros vencedores não vêem nunca a luz), nem os vencedores alcançam qualquer notoriedade, retirando algum prestígio ao galardão. Também o velho prémio (já não existe) de romance que o Círculo de Leitores dava (e que obrigava a que o autor não publicasse o livro senão no Clube do Livro durante um período de um ou dois anos) tinha um valor pecuniário bastante alto, mas muitos seus vencedores nunca passaram da cepa torta.

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    2. Muito obrigado pela resposta. Tem toda a razão...

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    3. Mais do que «Prestígio e Dinheiro» há preferências racionais como este espaço de gente Extraordinária onde podemos, pela generosidade da nossa hospedeira, exercer a partilha para ouvidos atentos e educados no prazer da palavra. Prestígio e dinheiro, não serão eles assim A Ilusão?
      Deixo-vos com a V/compreensão e da nossa hospedeira este poema do meu novo livro de poemas «Viagem A Dali».

      Lê, são estes os nomes das coisas que deixaste – eu, livros, o teu perfume espalhado pelo quarto… e eu, eu que ainda acredito que vais voltar, que voltas, mesmo que seja só pelos teus livros.
      (Maria do Rosário Pedreira; Poesia Reunida; Quetzal; 2012)

      ilusão

      De ilusão em ilusão
      Muitas vezes caminhamos
      Em territórios que julgamos
      Para sempre abandonados
      (…)
      E perdidos,
      No meio de matagais que nos escondem
      A idade e que nos escondem a felicidade
      Que mora em lugares bem mais rasteiros.

      Já fui lorde e rico
      Senhor de lagares de vinho
      E engenhos de açúcar,

      Já fui caçador de níqueis
      E manga-de-alpaca,

      Faço agora parte da plebe
      Mais rasteira,
      Daquela que se dobra ao carrego
      Mais desumano
      Com que a carregam.

      Já fui nobre e altivo.
      Mas a altivez perdeu-se
      No meio deste carreiro
      Onde nos libertaram
      De todos os fardos
      Mais rendíveis
      Deixando-nos a pele e o osso
      Roubando-nos a carne
      Mais apetecível.

      Ao longe vejo um lago.
      E é nesse lago
      Que irei lavar as minhas feridas
      E as minhas queixas,
      E repousar deste tempo sendeiro
      De gente sem paz na alma
      E com ilusão na vista,
      De querer ser falsa
      E nova-rica.

      É tão fino o caminho
      Que separa o amor do ódio,
      A admiração da repulsa,
      A perda do ganho;

      Nesta ilusão de sermos apenas
      Umas das coisas
      Esquecemo-nos de que somos
      Tudo ou nada
      E que nesse tudo ou nada
      Estamos nós e o tempo
      Que por nós passa.

      É curioso como vivemos
      No medo sombrio e execrável
      De perdermos o emprego,

      Como se o emprego não fosse apenas o uso
      A que sujeitamos o nosso corpo,
      Poucas vezes o espírito,
      E quantas vezes nos conformamos
      A mil e um agonias e sacrifícios,
      Separando esse estado físico
      Daquilo a que chamamos de alma.

      Por perdermos o emprego,
      Perdemos quantas vezes a alma,
      Como se a alma fosse coisa de somenos importância,
      Como se não fossemos nela
      À busca de outros mundos
      Onde a felicidade
      Está postada à nossa porta,
      À nossa espreita,
      E à nossa espera.

      É bom emocionarmo-nos
      Com um pássaro de asa quebrada,
      Sermos empáticos com os nossos vizinhos,
      Respeitarmos as árvores, as flores e os canteiros,
      Adorarmos o deus menino,
      Lutarmos contra o egoísmo,
      A arrogância,
      O acharmo-nos diferentes
      Perdendo a perceção daquilo que somos:
      Uns seres minúsculos, pequeninos,
      Moluscos crescidos na água
      A quem chamamos muitas vezes,
      Enganosamente,
      De,

      “Humanos.”

      (Pedro A. Sande; Viagem A Dali; pág. 112-116; Fev. 2014)

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    4. Prémios da Península Ibérica.

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    5. Cepa torta, isto da cepa torta tem que se lhe diga. Por exemplo, «Ouve lá, endireita-te! Faz assim…». Mas dizer isto ou declamar o Quasi do Mário de Sá-Carneiro não endireita a cepa. Não vai lá com exemplos. Só vai com a persistência da cepa, com o desejo inquebrantável de se virar para o céu e vai com sorte.

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  3. Gosto de poesia. E gostava de propor, se permitirem, que indicassem quais os cinco ou dez poemas que mais gostam?

    Gostaria de os ler, aceitam o desafio, caríssimos extraordinários? (Não precisam de dizer hoje.)

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  4. Claudia da Silva Tomazi4 de fevereiro de 2014 às 04:37

    Exactamente em 1986 meu chefe ganhara a Enciclopédia Britânica (obra de coleccionador).

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  5. o prémio financeiro do Goncourt é simbólico: 10 euros.

    PLFF

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  6. Ainda não descobri os poetas estrangeiros, com exceção de alguns mais populares.
    Gosto de tantos portugueses!

    Aqui fica um poema que é tão simples e tão bonito do nosso grande poeta Jorge de Sena:

    Dissociação

    Aqueles olhos segredando de amor,
    aquelas mãos alongando-se de amor,
    aquele corpo todo ondulando de amor, e em mim
    só um vago desejo de dormir no seu regaço.

    E os meus olhos difusos nos seus olhos,
    e as minhas mãos
    apertando dedo a dedo as suas mãos
    e o meu corpo buscando o seu corpo pele a pele.
    E em mim
    Só um vago desejo de dormir no seu regaço.

    Jorge de Sena in «40 Anos de Servidão»

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  7. foi encontrado [ esta manhã ] um manuscrito contendo quarenta e uma páginas, numeradas de dezassete a cinquenta e nove, estando em falta a página trinta e cinco | da decifração que me foi possível até ao momento | transcrevo:

    O absoluto é primeiro a repugnância
    Esvaídas do andaime com que se insurgem de interesse
    as coisas seriam verdadeiras
    e nenhuma comiseração as poderia derrubar
    Um trompete de espuma devolvido ao mar
    quando a luz reflui na vértebra dorida da pedra
    quando a cólica silenciosa de um diospiro
    abre um acordeão de sombras completas
    Nenhum sentido haveria na tintura das chuvas
    no lasso pêndulo da hora melancólica
    se o infinito principiasse no formigueiro
    de um imenso vulto claro.

    entrego a quem provar pertencer-lhe

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  8. My flower be light, moon!




    Claudia da Silva Tomazi

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  9. Para os interessados, segue um bom link com prémios literários de Portugal (em actualização contínua):

    http://www.dglb.pt/sites/DGLB/Portugues/premios/Paginas/PremiosLiterarios.aspx

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    1. http://www.dglb.pt/sites/DGLB/Portugues/premios/Paginas/PremiosLiterarios.aspx

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