O que ando a ler

Aconselhada por um ou mais Extraordinários (ou seja, leitores deste blogue) – e apesar da escassez de tempo para o que não é leitura profissional (sim, levo trabalho para casa quase todos os fins-de-semana e ainda tenho mais de sessenta originais em espera) –, pus o dente na saga da família Melrose, de Edward St Aubyn, mais concretamente na primeira das duas novelas que compõem o volume (até agora o único) publicado em Portugal (e que, além de Deixa Lá, inclui Más Novas, mas ainda lá não cheguei). Bastante cínica e um tanto snobe, esta prosa que só podia ser de um inglês que se declara na capa possuir a verve de Oscar Wilde (percebo a ideia, mas não iria tão longe) desconcerta um pouco a princípio, sei lá se por causa de uma tradução vagamente elaborada do poeta Daniel Jonas, mas torna-se rapidamente camisola à medida das figuras e do enredo. A primeira incursão na vida dos Melrose dá-nos a conhecer um David bastante frustrado por não ter podido seguir a carreira de pianista (a febre reumática tramou-lhe os planos), uma Eleanor viciada em álcool e comprimidos (que faz pena, mas irrita bastante) e o pimpolho do casal, Patrick, de cinco anos, que está quase sempre sozinho e, por vezes, parece mais adulto do que os pais (e mais normal). É, de resto, a vida de Patrick, menino bem, filho de gente rica a viver confortavelmente na Provence, que St Aubyn irá acompanhar ao longo de um quinteto de novelas – leio que, em Más Novas, Patrick já terá vinte e dois anos; aqui, porém, ainda é o miúdo dos Melrose que se empoleira no bordo de um poço de costas voltadas para o abismo e leva uma tareia do pai sem perceber porquê (juro que não tem nada que ver com a sua ousadia no poço). Vamos ver no que se transforma. Ainda só li oitenta páginas.

Comentários

  1. Chegou finalmente a hora de descobrir Juan Marsé. Ando a ler "Rabos de lagartixa".

    A culpa é sua, Maria do Rosário, e só tenho a agradecer-lhe por isso. Foi no Horas Extraordinárias que ouvi falar deste escritor. Li apenas umas 70 páginas, mas não tenho dúvidas: é um grande livro, de um enorme escritor.

    Uma boa semana,

    Rui Miguel Almeida

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  2. O comentário seguinte é de António Luiz Pacheco, que me pediu que, dada a sua ausência, aqui o pusesse. Não estranhem, pois, a minha assinatura:

    Vivam os literatos, e, as traças como eu!

    A quem queira perder tempo comigo eis o meu relatório, atrasado embora tal como no mês passado, post esse “O que ando a ler” (de Dezembro) que gostava fossem repescar, chamando a atenção dos Extraordinários de que li em Dezembro e de uma assentada uma boa quantidade de livros de alguns dos nossos Extraordinários!
    Recomendo… não tanto por mim mas por eles, e sem fazer favores!

    Em Janeiro, consegui ainda fazer um bom lote de leituras, enfim sem contar com o “All about oignons” and “All about potatoes” da Tolsma-Grisnich e menos ainda com as “Fichas tecnicas sobre explotaciones ganaderas” del Ministerio de Agricultura-Madrid…

    Estou quase a terminar o interessantíssimo “Exploradores Portugueses e Reis Africanos”, de Frederico Delgado Rosa e Filipe Verde. Excelente trabalho de recolha, cuidada e fundamentada, muito bem organizado e escrito, sobre os nossos exploradores do século XIX ( o meu século!). Pena continuar-se a ignorar o que foi a saga desta classe de homens fora de série, a quem Livingstone e outros roubaram pura e simplesmente!

    Li com expectativa, “Gungunhana o último rei de Moçambique” de Manuel Ricardo Miranda, que começa logo mal, pois Gungunhana era rei de Gaza e não de Moçambique… e se é um trabalho interessante que consegue meter a acção romanceada pelo meio dos factos históricos, não deixa também de saber a pouco pois era tema para o triplo das páginas! Está escrito como um resumo e acho que falha francamente nos diálogos que são curtos e põe os personagens todos a falar da mesma maneira, sem olhar à sua condição, instrucção e nem às circunstâncias. A expectativa saiu-me algo gorada…

    Li o polémico e mui falado (publicitado) “Diamantes de Sangue”, Rafael Marques (7ª edição). Hum… muito fumo e pouco fogo, pois além de pouco acrescentar ao que é sabido, nem justifica ter a cabeça a prémio por uma reportagem que não me parece nada do outro Mundo. Mais um caso de publicidade enganosa – pela parte que me toca… talvez nem tanto para quem apenas vagamente saiba onde fica a Lunda ou quem é Kopelipa e como ainda é tratado o povo do interior de Angola! Óptimo para deteriorar as relações com Angola, quem sabe se para distrair dos Relvas, Sócrates, Vara e quejandos… se formos a ver onde estão as diferenças? Ah… claro nós aí não temos diamantes…

    Portanto seguiu-se outro flop… “Os donos angolanos de Portugal”, da tríade Jorge Costa, João Teixeira Lopes, Francisco Louçã. Mais um livro que pretende ser incómodo (para quê e por quê), de quem se presume impoluto e acredita que está a gritar “vem aí o lobo!”, mas apenas recolhe mais uma quantidade de lugares comuns que se lêem pelos jornais, sendo óbvio que pouco conhecem do assunto e nada acrescentam que não se saiba à exaustão. Preguntaria ao dr. Francisco Louçã e seus comparsas, que nota dariam a um aluno que lhes apresentasse este trabalho? Parece jornalismo de escola secundária!
    Enfim, interessa-me seguir e conhecer os que pensam diferente de mim, e só por esse exercício valeu!

    Já foi diferente “A história da PIDE”, de Irene Flunser Pimentel. Outra boa e exaustiva recolha que vale a pena ler e sobretudo não esquecer!
    Um livro que me pareceu honesto e bem fundamentado… não desconheço o tema pois além de ter conhecido pessoalmente algum dos citados inspectores, meu pai esteve num dos tribunais militares que depois do 25 de Abril julgou os agentes da PIDE.

    Finalmente: “Lendas Trancosanas” do nosso Extraordinário Santos Costa! Outro livro interessantíssimo pela recolha popular e de grande valor cultural e humano.

    Foi assim o meu mês de Janeiro…

    Saudações Kaluandas – se bem que me encontre nesta altura na sempre agradável “Cidade Morena”, Benguela, onde se lava a vista como se diz na minha terra!

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    1. Que grande leitor é o António Luiz Pacheco ! Tomara eu ter tempo para tanto ler.

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    2. Sim senhor, como disse Saramago:" ler é viver, escrever pressupõe ter vivido". o amigo António Luiz não brinca em serviço... Por acaso também li o referido, tanto ao Rafael Marques, como ao Francisco Louçã. Do Rafael Marques fiquei muito aborrecido porque, para mim, não acrescenta nada e chateia-me aquela perspectiva que agora não quero adjectivar. O Louçã desiludiu-me pois aquilo é do que diz e volta a dizer de comentador de TV, nem sei bem qual a sua razão para tamanha hostilidade e se ao menos fosse concludente e assertivo , nem parece grande professor de economia: entende muito pouco do mundo para lá das politiquices dos corredores académicos e das visões do chamado Ocidente, aprecio muito mais a posição de João Ferreira do Amaral com a questão da saída do €, quer se concorde, quer não. De resto, gostei de voltar ao Gonçalo Torrente Ballester , ao Alves Redol (por via da bela exposição do Neo-realismo do Museu de Vila Franca) e, por último, de ter conhecido "O Preto de Coração Branco" de Arthur Japin ; não me interessa tanto o romance enquanto estética literária, mas gostei de ver como o autor andou ali a expor o tema cujo entendimento e compreensão hipotéticas advirão através de pormenores sobretudo por interpostos discursos directos - eu não o escreveria daquela forma, mas gostei e acho que vivi. Ainda fui ao consultório de Lobo Antunes, mas bati com a porta mais uma vez: ele afirmou, numa interessante entrevista, que já não publicará mais - a partir de agora, escreverá e rasgará, como fazia antes, por mim não gosto de ir ao psiquiatra, nem ao psicólogo, porém há quem aprecie muito...

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  3. Depois de ler Juan Marsé (tal como o Rui Almeida descoberto aqui no blogue) com O amante Bilingue, devorei Furacão e A Porta dos Infernos de Laurent Gaudé, este descoberto através de um caríssimo "Manel" que provavelmente já todos ouviram aqui falar. Pois é... E tal o meu encanto por este último escritor, que por acaso vive em Paris, permitiu-me o Manel - generosamente - a devida autorização para contactar o escritor directamente com o objectivo de o ir conhecer e desta feita assinar os três livros que tenho dele.
    Começarei então hoje o último livro dele, A última Viagem, para depois terminar a Caligrafia dos sonhos de Juan Marsé.

    Mais do que um blogue literário, este é também um blogue de momentos felizes...

    Um abraço.

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  4. Debaixo do Vulcão, de Malcolm Lowry.
    Na página 100, com o "vulcão" ainda adormecido.

    António Breda Carvalho

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  5. Só ouço maravilhas do Edward St Aubin. No entanto, não estou com muita pachorra para ler sagas multivolumicas de famílias depravadas da “upper class” inglesa, mesmo que muito bem escritas (à la Wilde). Nem sempre a bela escrita suplanta a repulsa da temática.
    Estou a terminar o “Dublinesca” do Vila-Matas, um autor que nunca me desilude e é originalíssimo ainda que acusado de demasiado metaliterário. Um dia a sua originalidade dar-lhe-á o Nobel.
    Li no fim de semana um curto livro de divulgação científica (e não só) escrito por um nosso grande professor de neurologia, Alexandre Castro Caldas, que tem o título “Um visita politicamente incorrecta ao cérebro humano” (a infeliz primeira parte do título resulta de fazer parte de uma série). Trata algumas das ideias mais recentes sobre o funcionamento da nossa máquina de pensar e de sentir, acompanhando essa revisão por comentários pessoais do autor. Um belo livro de ensaios que ombreia bem com as famosas coletâneas do seu colega João Lobo Antunes.

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  6. Para além do Sol dos Scorta , do Gaudé miou esta semana o Gato de Uppsala da Cristina Carvalho. E o inevitável José com Todos os Nomes e a Segunda Vida de Francisco Xavier, uma antecipação do Papa das Pampas de que cito uma passagem. Fala de Pedro: «Foste pedir a pobres o que pobres não podem fazer: acabar com os ricos... É certo que de vez em quando um pobre torna-se rico... Quando isso acontece... o pobre esquece a pobreza... os ricos pertencem-lhe.»
    Para terminar, a geometria dos Dez cantos de Uma Viagem à Índia de Bloom Gonçalo Tavares. De que aproveitei uma hipotenusa para o meu primeiro livro de poesia: Uma Viagem A Dali!
    E como nem só de leitura e de escrita vive o homem, terminei a semana relendo o Museu Gulbenkian: e que grande releitura me passou pela vista!

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  7. « (…) Uma pessoa, por exemplo, lê na idade madura um livro importante para ela, que a faz dizer: “Como podia viver sem o ter lido!” e ainda: “Que pena não o ter lido quando era jovem!”. Pois bem, estas afirmações não fazem muito sentido, sobretudo a segunda, porque a partir do momento em que ela leu aquele livro, a sua vida torna-se a vida de uma pessoa que leu aquele livro, e pouco importa que o tenha lido cedo ou tarde, porque (sublinhado meu) até a vida que precede a leitura assume agora uma forma marcada por aquela leitura.(…)»

    Isto está nas últimas páginas de “Como Aprender a Estar Morto” – o último texto de “Palomar”, livro escrito em 1983, e que foi o último publicado em vida (1985) por Italo Calvino.

    Li-o aí há uns dez ou onze anos, e reli-o agora em Janeiro de 2014 – sendo que (sublinho) a minha vida que precedeu aquela leitura assume agora uma forma marcada por esta releitura.

    Para entenderem o que quero significar com esta adaptação do que conclui o Sr. Palomar, o sentido que faz para mim este decisivo parágrafo de Italo Calvino, só lendo – e, anos mais tarde, relendo com maturada atenção – os 3 x 9 = 27 textos deste inigualável livro.

    (Continua, depois de ligar o gira-discos)

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    1. (Cont.)

      Também reli – se assim posso dizer – Beethoven: “Fantasia para piano, orquestra e coro, op 80”.

      Vinha sossegadinho no carro a ouvir a Antena 2 quando, a propósito da morte de Claudio Abbado, passaram esta peça.
      Encostei à berma e fiquei ali a ouvir, emocionado, recordando o tempo em que, pelos meus vinte anos, trabalhei num atelier de arquitectura onde se ouvia música.
      Se a memória ainda não me atraiçoa, era Rodrigo o arquitecto-disc-jockey fan de Beethoven, e esta era a peça que ele mais admirava. Quando a punha a tocar interrompíamos o trabalho para ouvir a sua decifração:

      – Nos primeiros minutos o piano anda por ali a deambular livremente, à procura nem ele sabe bem de quê, mas certamente de harmonia com os instrumentos presentes. Vai dialogando com as secções da orquestra, sugere-lhes hipóteses de melodia, ao que elas vão respondendo com experimentações, cumplicidades, variações, que o piano retoma, desenvolve e contra-propõe, até que finalmente define uma melodia, que depois predominará em toda a peça.

      Na parte final, piano e orquestra desafiam as vozes a alinhar, primeiro os seis elementos (três femininos e três masculinos), que conferem a conjugação dos versos com a melodia para, de seguida, mobilizarem todo o grande coro (a Humanidade...) e, com a orquestra em pleno – e o piano sempre a evidenciar a sua liderança – realizarem o auge triunfal. O triunfo da harmonia.

      O poema cantado pelo coro foi escrito pelo poeta Christoph Kuffner, mas, segundo os estudiosos, sob o rigoroso controlo de Beethoven, que queria uma métrica dos versos que batesse certa com os compassos da melodia, e que a temática de fundo da lírica – genericamente “Harmonia”, no sentido de “Liberdade, igualdade e fraternidade” – acertasse com as tonalidades da música, e vice-versa.

      São menos de trinta minutos. Mas, ouvida com atenção – e devoção, vá – esta peça vale um bom livro.

      Tanto assim é que (sublinho) a minha vida que sucedeu àquela primeira leitura assume agora uma forma marcada por esta releitura.

      Joaquim Jordão, Amarante, Janeiro 2014

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    2. Sendo certo que nada entendo de música, e menos de música clássica. Pois, sendo isso seguro, tenho uma parva paixão por Beethoven. Vá-se lá saber porquê.
      Não me soa a leitura ouvi-lo com todos os sentidos, estando na música sem distância, a morar na vibração. Não leio, não distingo partes, não identifico instrumentos; oiço as vozes como num sonho, ligadas a tudo o resto, pertenço-lhes pelo lado de dentro.
      Beethoven é um dos meus acessos à transcendência. E, se nos transcendemos, a leitura recua.

      Beethoven não me transforma o que já houve, mas acrescenta-me o futuro.

      É certo, o Joaquim aprecia, lê, gosta. Coisas que desconsigo. Sorte de não sermos todos iguais.

      Bom Dia

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    3. Um "excelente" para ambos. Desenvolvimento mais à frente.

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  8. li as "Novels bada Exemplares" de Dalton Trevisan (não fiquei impressionado...)
    e agora estou a acabar "E a Noite Roda", de Alexandra Lucas Coelho, um romance "sui generis", já que é quase um ensaio sobre várias "guerras" do oriente, centrado na Palestina e em Israel, e com uma história de amor pelo meio...

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  9. Haja luz! | Jorge Calado

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  10. Ando a reler (por razões diferentes, mas que levam, ambas, a que a releitura se transforme em trabalho) O Esplendor de Portugal do Lobo Antunes e O Ano da Morte de Ricardo Reis do Saramago.

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  11. Claudia da Silva Tomazi3 de fevereiro de 2014 às 05:38

    Interessante "Melrose" o seriado americano que assisti a década de noventa.

    O livro de minha leitura estou a perceber percebendo-o nível diferenciado a tradução. A minha preferência certamente outra a "Um ano na vida de Shakespeare".

    Justifico:to be our not to be.

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    1. Ó Cláudia conheces aquela canção dos Mler Ife Dada?

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    2. Claudia da Silva Tomazi3 de fevereiro de 2014 às 06:05

      Ó pobre canção, essa, és feliz agora.

      Volta o disco e ouve de vossa outra campanha.

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  12. "OS ESCRITORES (TAMBÉM) TÊM COISAS A DIZER" - Carlos Vaz Marques - 12 entrevistas a 12 escritores.
    Sem ser nada de especial achei interessante.

    Ouvi por exemplo de Agustina Bessa-Luís : "hoje em dia o escândalo já não é escândalo. O escândalo já não existe"

    De António Lobo Antunes:

    - que a palavra intelectual nasceu com o caso Dreyfus ...

    -que fazer livros é uma coisa, ser escritor é outra

    De Manuel António Pina:

    -a bondade é a maior de todas as qualidades. Inclui a beleza, a justiça e a verdade.

    Estou mesmo a terminar com a Hélia Correia (que mulher mais misteriosa...)

    E o "RETORNO" a Dulce Maia Cardoso já está a sorrir para mim...



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    1. Uma frase que nos deixa sempre com um sorriso nos lábios: «fazer livros é uma coisa, ser escritor outra.»
      Meia verdade, já que ser escritor não é escrever para uma multidão mas para si próprio, como o atleta que se procura todos os dias superar. Até a democracia esbarra muitas vezes nos democratas.

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    2. Claudia da Silva Tomazi14 de fevereiro de 2014 às 02:59

      Tenho uma amiga meio grávida.

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  13. Ando entre A Poesia de Jorge Sena de Fazenda Lourenço, que comprei por 5€, e a propriamente dita, no caso Poesia I, que reúne os 4 primeiros livros de poemas de Sena envoltos em 2 prefácios que têm que se lhe diga. St . Aubyn já desfolhei e apelou-me. Antes, li Desumanização, uma estranha prova de amor à Islândia, segundo confissão do autor. Estranha-se, não sei se se entranha, mas dificilmente esquecerei.

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  14. [relendo] O homem sem qualidades de Robert Musil

    de modo permanente mas aleatório, a obra de Maria Gabriela Llansol [ O Jogo da Liberdade da Alma ]

    indefinidamente, Os filosofos pré-socraticos, de G. S Kirk, edição da Gulbenkien

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  15. - Dancer From The Dance, de Andrew Holleran (Harper Perennial)

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  16. Boa tarde. Acabei de ler há dias uma apaixonante biografia de Marina Tsvetaeva (assinada por Henri Troyat). Se quiserem conhecer as minhas impressões de leitura desta obra espreitem o meu diário digital parisvertigo.blogspot.fr. Leio agora outra excelente biografia: Le mystère Olga Tchekhova. Recomendo vivamente. Saudações e boas leituras

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  17. Porque já não passo sem “espreitar” diariamente este espaço, vou também revelar as minhas leituras do mês de Janeiro.
    Li “Rapariga com brinco de pérola" de Tracy Chevalier. Um livro envolvente, emotivo, uma história por detrás do quadro com o mesmo nome do pintor holandês Jan Vermeer. Gostei bastante.

    O último, acabadinho de ler e ainda sob o efeito provocado, “O rio que corre na calçada” de João J. A. Madeira. É o segundo livro que leio deste autor e dou comigo a pensar em qual será o próximo… Este fala-nos da calçada da Ajuda e de alguns recantos de Lisboa, das suas gentes, de vidas tão reais, de uma época tão marcante. Livro que me encantou desde o início, com uma escrita diferente, que não sei classificar mas que me agrada. Tanto, que o li quase sem parar até chegar ao fim. E conforme lia, as imagens iam correndo quase reais, quase palpáveis. É ainda a emoção a falar… Parabéns, João J. A. Madeira. Adorei e recomendo!

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    1. Claudia da Silva Tomazi3 de fevereiro de 2014 às 09:38

      Agradáveis leituras!

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    2. Obrigado, Maria. Respondo mais à frente.

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  18. Li O Complexo de Portnoy, de Philip Roth. Leitura actual: Histórias Falsas, de Gonçalo M. Tavares.

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  19. Li "Underground - O Atentado de Tóquio e a Mentalidade Japonesa" de Haruki Murakami,
    Seguindo para "A Infância de Jesus" de J.M.Coeztzee. Será este lugar que ninguém sabe onde fica, e sem ligações com o mundo, a vida no interior da seita Aum? Inicialmente não me parecia fazer sentido que fosse de outra maneira.
    Porque todas as nossas leituras nos influenciam nas que hão de vir.

    Suzana

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    1. Claudia da Silva Tomazi3 de fevereiro de 2014 às 09:43

      Murakami. Taí um breve estudo oriental. Agradeço!

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  20. Rio e choro, enterneço-me, vivo enfim com a leitura de um pequeno grande livro que conheci neste extraordinário blog: o "Um pinguim na garagem" de Luís Caminha. Obrigada aos comentadores que me deram a conhecer este livro diferente.

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  21. Três excelentes razões me fazem hoje escrever aqui.

    A primeira - porque é esse o tema - para comunicar que nada li para além do meu livro em fase de revisão. Trabalho penoso mas necessário e que, espero, seja gratificante quando o der por concluído.

    Segundo para agradecer à extraordinária Maria pela referência ao meu livro. Se é bom sentirmos que pessoas mais próximas o vão acolhendo muito favoravelmente, muito mais envaidece saber que este "Rio..." já corre por mãos que não conheço. Obrigado por mencioná-lo.

    Terceiro para dar os meus parabéns ao Joaquim Jordão pela segunda parte do comentário de hoje e à resposta da Beatriz Santos ao mesmo. Em ambos, a riqueza de outras formas de leitura.

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  22. Ainda a saborear as minhas prendas de natal: a terminar "A Sentinela" de Richard Zimler e "Como é linda a puta da vida" de Miguel Esteves Cardoso. Releio a prosa de Eugénio de Andrade - Os afluentes do silêncio e Rosto precário. Devia ver a poesia, mas emprestei os dois volumes. O Eugénio tem sempre o mesmo subtil.

    hummm...também leio um livro de poesia de nome "Sopros de alma", edição de autor.

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  23. Li «Para onde vão os guarda-chuvas», de Afonso Cruz. Um livro muito poético e que parece ter como objetivo sermos otimistas - comigo funcionou!
    E comecei a ler «A rapariga que roubava livros».
    A seguir: «Os transparente» e «A noite roda». Mas fevereiro vai ser curto para isto! Infelizmente.

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