Morte na Ásia

Abro a excepção para publicar na LeYa um autor estrangeiro que me convenceu ao desvio: o sul-coreano Kim Young-ha (se fosse aqui, chamar-se-ia Young-ha Kim, porque «Kim» é o apelido), considerado pela crítica o nome mais vibrante da sua geração e traduzido em mais de dez países. A sua novela, Tenho o Direito de Me Destruir, com uma excelente tradução de Maria do Carmo Figueira, não é para qualquer dente, por algum atrevimento sexual (com chupas-chupas à mistura e bolinha vermelha ocasional) e bem assim por tratar um tema bastante polémico, o da morte assistida. Mas não se pense que o protagonista e narrador, amante da pintura, ajuda caridosamente a morrer doentes terminais. Nada disso. Ele está, sim, especialmente atento aos deprimidos e solitários (as mulheres que viajam sozinhas ou encontra em museus são alvos preferenciais) e, por ser culto e inteligente, põe à sua disposição um maravilhoso serviço de assistência ao suicídio, munindo-se de um catálogo bastante completo. Vive deste estranho ofício e bastam-lhe dois ou três clientes generosos por ano para ter uma vida pacata e sem dificuldades. Quando termina um trabalho, escreve sobre a pessoa que ajudou a livrar dos seus problemas – é através do seu relato fiel, cínico e criativo que conheceremos Se-yeon, a rapariga por quem dois gémeos estavam doidamente apaixonados e desapareceu do carro de um deles no meio de engarrafamento na neve; ou Mimi, uma artista de vanguarda que não deixava que filmassem as suas performances por ter medo de se ver a si própria. Num cenário que usa Seul para espelhar a velocidade do mundo moderno e os dramas actuais da humanidade, Kim herda uma certa obscuridade de Kafka e uma certa ousadia de Brett Easton Ellis para compor um texto admiravelmente seco, sem palha, e ao mesmo tempo perturbador e exótico. A capa portuguesa, belíssima, é de Rui Garrido.


 


Comentários

  1. A capa está incrível, o que é sempre um grande incentivo para adquirir um livro.

    Parabéns pelo seu blog, que tenho seguido com a atenção.

    Cumps.

    http://vicio-dos-livros.blogspot.pt/

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  2. apesar do "açúcar" que a Rosário foi deixando, esta não é a minha temática preferida...

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  3. Há dias assim: parece que tudo ou quase tudo está contra os nossos gostos, os nossos anseios. ainda para mais parece que só temos tendência para a asneira. Num destes fins-de-semana o meu querido Sporting perdeu em toda a linha: futebol , hóquei , atletismo, eu sei lá, ainda por cima foi batido, sem contestação, pelos lampiões, carago ...
    Fui à cozinha, aquilo saiu mesmo mal. Abeirei-me da TV (pantalha miserável) e estive horas a (regarder ) coisas que nem adjectivo merecem : manhãs querida júlia , a tarde é sua de fátima sei lá quê, conversas de jambujal da treta da bola, teleconversa de economistas da falácia. camilo não sei quê: mercados, mercados, janelas de transferências: não tens emprego, saúde e ensino mal? - vai para fora, emigra (como se do outro lado estivesse alguém à nossa espera de mesa posta , cama aberta e um empreguinho à maneira. Queres fazer pela vida e pela tua saúde? - Olha, torna-te empreendedor, abre o teu próprio negócio, pede um crédito à tua medida: olha, faz o teu próprio plano de saúde numa companhia privada...
    Fui ler um livreco do caraças, daqueles que vende que nem castanhas no dia de S. Martinho. Que coisa mais triste e desenxabida , eu sei que que nem todos podem estar para a escrita como o Cristiano Ronaldo, o Jordão, o Manel Fernandes ou o Damas para o pontapé na bola, isso é preciso muito, muito trabalhinho e muito talento ao género de Saramago, Migueis, Aquilino, Bessa-Luís entre outros craques que mesmo assim necessitam de um Mourinho das letras como a Maria do Rosário Pedreira: venham agora para cá com a treta de: publica o teu próprio livro... Tenho saudades, mesmo saudades daqueles artigos de Óscar Lopes e de Armando Castro naquelas revistas que agora faliram, parece que a Vertice ainda resiste...

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    1. Belo naco de prosa, se me permite ...

      Mas eu aconselhava-o a pelo menos 3 medidas radicais:

      - 1º Mudar de Clube! Ou melhor, abandonar de vez a torção clubística (será assim que se diz?). Eu mesmo comecei por mudar, depois de um ano de muita expectativa e grandes desilusões, mudei para o FCP, ansiando por alegrias... e deu no que se sabe! Desisti! Hoje sou do que ganha!

      - 2º Deixar de ver TV! É garantido para a nossa tranquilidade e sossego! Há a TV Cabo com excelentes canais e onde podemos descontrair e até cultivar-nos nem que seja com a Ovelha Choné!

      - 3º Emigrar! Foi o que fiz... claro que como muito bem diz não é um mar de facilidades, mas ...

      Um abraço!

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  4. Ontem Blondewithaphd terminava no seu comentário com uma alusão ao facto de serem os visitantes desta casa denominados (por, presumo, uma massa de anónimos que nestas coisas não gostam de dar a face) de... Nerds .
    Fiquei com dúvida se Nerd ... daquele tipo que exerce intensa actividade intelectual, considerada inadequada para a sua idade em detrimento de outras actividades mais populares, não participante de actividades físicas, solitário, desintegrado socialmente, fascinado pela tecnologia; ou mesmo se do estereótipo do que usa suspensórios, laço vermelho, branco, às bolinhas, calças com menos quinze centímetros de tecido?
    Não! Desculpem! Não se "compagina" com a minha geração (nem o "compagina", bom Deus, e aqui fica que é democrático!)
    Uma geração que ia ao «laboratório do céu», fazia nudismo, de «capa branca», não ritualizado, no Meco, viajava pela Europa (após o fractal da península Ibérica... embora muitos pensem hoje que a fractura se estendeu a Sul), habitava e fazia tenda na viatura, fazia desporto de alta competição, agarrava os touros pelos cornos, etc.
    E tudo isto antes de Portugal se ter tornado definitivamente um país Africano do passado na civilização; e os Africanos (sem exclusão de raça, apenas com inclusão de lugar de nascimento ou paixão) se estarem a tornar Europeus no desenvolvimento.
    Não é uma questão de geração, mas de exclusão, dizem vocês!
    Não! Não é possível! Já que nunca tanta conservação e exclusão andou por aí à solta, embora se diga liberal, reformista e, pior, progressista.
    Definitivamente, em boa verdade - que para os puristas da língua não devia levar o «em em boa verdade» -, só poderemos ser designados de neo Nerds .
    Num tempo em que, como dizia ontem o excluído Capucho, possivelmente para manter a chama viva e não o chamarem de Nerd , a social-democracia deve ser adaptada aos anos setenta (o que nós os neo Nerds achamos mal, já que, como se dizia no "nosso tempo", «social-democracia só há uma e mais nenhuma), o que me fez logo lembrar de que Hitler também era nacional-socialista e logo, logo, adaptou o socialismo à medida da sua estreiteza, ambição e sociopatia.
    Nerds ? Não! Olha lá a Largueza, amigo Pacheco, se isto tem alguma coisa a haver com Nerds !

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    1. Ahahah!

      Gostei, gostei mesmo!

      Ist'hoije tá munta bom!!!!

      Antes nerd's que merd's.... diria eu! Eheheh!

      Um abraço

      - Então e o da Grande Guerra quando sai?

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    2. Um nerd é um tipo assim como o Moedas.

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    3. Olá Pedro,
      No link do post de ontem é que chamam nerds aos amantes de livros (humor brasileiro, digo eu!)
      Aqui no Horas os anónimos ainda não se atreveram a tanto, pelo menos até agora (eheheh).
      :-)
      Antonieta

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    4. Antonieta: será este o Nerd dos emoticon?

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    5. O Pedro fez-me rir logo de manhã.
      Este Nerd de cabelitos em pé (deve ser de tanto ler) trouxe-me à lembrança o Manelinho, da Mafalda/Quito, que por acaso até nem gostava nada de ler.
      Lembra-se dele?
      :-)
      Antonieta

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  5. Tão actual este livro de Kim Young-ha (os Kim parecem particularmente perigosos, mais a mais quando fazem pactos com Marats e parece alimentarem o desejo de nos destruírem, quando o direito maior é de nos construirmos). Por cá também temos os nossos Kims criativos e cínicos. É preciso é que não os deixemos tornar-nos deprimidos, solitários e muito menos terminais.

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  6. | tenho andado distante de romances novelas contos| e quando regresso, regresso aos que não fui capaz de ler devidamente, àqueles que conservaram uma região inacessível , uma profundidade a que não pude descer, uma altura que me induziu certa vertigem receosa || a poesia não impõe estadia prolongada, é casa sem portas sem janelas, não é casa, é a própria paisagem em redor da casa, itinerário de deambulação reveladora, sair em achar-se, e tudo com uma aleatoriedade [temporal ] que os relógios não impedem ou impõem ||| re-ler | re-lutar ||| mas … não chego de todo a dizer, como Eco, que apenas dez anos passados sobre a sua edição, leria um livro, porque essa moratória lhe garante, de facto, que é merecedor de leitura | não | para ler generosamente é preciso tempo generoso | para ler com o corpo todo é preciso não precisar de todo o corpo | para ler à velocidade certa é necessária a sincronização da alma … a … a poesia socorre e perdoa melhor as fraquezas do leitor porque nunca lhe reclama um entendimento definitivo [nem procura-lo seria sensato] porque ela mesma causa imediatamente a fracturação do tempo, dentro e em redor dessa casa onde o leitor não entra, e o reenvia compulsivamente [por vezes] com violência ou prostração inigualáveis, para uma casualidade que já não regressará ao texto | como se, pelo, através do poema, a materialidade corpórea de tudo fosse reenviada para o lugar concreto e virgem da primeira aparição | mas os romances as suas histórias as suas vozes são a melhor forma de nos ancorarmos no mundo com a força imensa da relevância humana | | precisaria de tempo, do tempo que não se gasta, para | se não puder ler completamente “Tenho o Direito de Me Destruir”, procurarei numa livraria um, aberto por si, certamente numa página reveladora, e lerei um parágrafo … |

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    1. Deliciosa esta transgressão da sinalética feita pelo Miguel | melhor | esta reinvenção que fica bem com a temática do poste do dia || e afirma que não há lugar ao luto nem ao nojo || muito menos à normalização | apenas ao direito de nos destruirmos como forma nova de nos construirmos | só discordo do pseudónimo || uma alma destas não está na cave [almacave] está antes no sótão [almasotão] tão clara como a melhor das clarabóias...|

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  7. Perante a excelência dos comentários -todos- anteriores (brilhante o do Luís de Sousa Peixeira, inda por cima do meu clube), tudo o que agora escrevesse pareceria o rol dum merceeiro, mas não posso deixar de registar: QUE MARAVILHA DE CAPA.

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    1. Zuvi zeva novi!

      Ahahah! E Tunga... toma lá ó Severino!

      Um abraço

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  8. O tema é curioso!

    E se me permitem, um pouco de reflexão:

    O suicídio (não assistido) é uma característica lusas, que me lembro até de ter lido uma citação de Estrabão ou Diodoro Sículo onde tal era referido.

    Não é apenas no distrito de Beja, que suponho ter o mais elevado índice de suicídios da UE, mas por todo o nosso território, onde sobretudo os velhos o praticam correntemente.

    Imagine-se alguém a descobrir esse nicho de negócio no nosso deprimido país... se esse alguém for um dos nossos escritores actuais dos que eu classifico de depressivos e deprimentes sairia obra certamente interessante. Por outro lado se fosse alguém com uma boa veia humorística, sairia coisa bem engraçada certamente!

    Pensem nisso!

    Saudações solares e kaluandas.

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  9. Claudia da Silva Tomazi13 de fevereiro de 2014 às 03:54

    Diga-se.Autor estrangeiro "oriental".

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  10. o lugar mais elevado da identidade do Homem, é a cave da sua alma ||| essa, propriamente dita, da soleira para cima, é ocupada pelo infinito que o rodeia e, se é dele, está arrendada ao que não lhe pertence inteira e exclusivamente | sinto assim | sim [obrg]

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    1. assim seja | almacave || antes a identificação do que é nosso do que arrendamento alheio || embora | na cave | estejam muitos e bem guardados pedaços | de almas vindas em directo do sótão || mas antes uma natureza ectópica | do que uma natureza desprovida de lugar | à pena [alma]

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    2. Claudia da Silva Tomazi13 de fevereiro de 2014 às 09:20

      Disciplina.

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  11. Ser um deus em duas maneiras....

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  12. Escolha editorial ousada. Fiquei com vontade de ler. Quanto à capa já não sei... Marat foi assassinado e não consta que tenha sido a pedido do interessado. Mas não deixa de ser uma boa capa: se mais fossem inspiradas em quadros de David seria uma melhoria apreciável.

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    1. Confesso que também não percebo a relação entre a capa e o enredo... Julgo que os criadores de capas muitas vezes, ou quase sempre, não lêem os livros. Quem os leu assobia-lhes umas ideias e eles imaginam o que ficaria bem. Aqui o erro não é do criador da capa mas de quem leu o livro e não lhe disse que, apesar de bela, a capa não está muito de acordo com o enredo...

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    2. Mas está. Porque o protagonista adora pintura e está a olhar para um livro com o quadro em causa quando a história começa. Que mania de falar antes de saber...

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    3. Reagi com o que me foi dado. Que mania de não explicar bem as coisas logo de início... Convencida e arrogante, por muito que tenho visto da senhora MRP.

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  13. Sobre este tema li há uns meses um livro de que muito gostei: "Um Aprazível Suicídio em Grupo" de Arto Paasilinna. Não sei se conhecem?

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    1. Não! Conta lá um bocadinho...
      A coisa é interessante, e leva-me obrigatóriamente ao incontornável "La Grande Bouffe!" - traduzido como "A Grande farra".

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    2. Querer morrer. É necessário um grande desencanto para desistir de tudo. Neste livro o suicídio chega a ser considerado desporto nacional na Finlândia.

      A frustração profissional, as relações de competição e frieza no mercado do trabalho, a falta de amigos, a solidão, o isolamento provocado pelo urbanismo e pela industrialização levam o homem (seja ele finlandês, seja ele americano) ao fim...
      Arto Paasilinna consegue aqui um retrato sobre um grupo de homens e mulheres que viaja pela Europa em busca do precipício ideal para acabar com a vida.

      É uma viagem de quem sente que não tem mais nada a perder.

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    3. Quando eu, como anunciei ontem, tiver a biblioteca organizada por pomares, em qual deles arrumarei estes livros?
      E como os colocarei nos ramos-prateleiras das árvores-estantes? Talvez pendurados por cordas...

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    4. Interessante ó Severino! Lembra-me um filme que vi, sobre um suicida mas acho que era Norueguês... um tipo alcoolizado que viajava pelo Inverno fora para ir ver a filha, pois contava suicidar-se de seguida ... ou coisa parecida...

      Os Nórdicos serão então suicidários? Não sabia... mas a julgar pelo que bebem e como bebem e pela falta de Sol, não me admirava...

      Um abraço

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    5. Extraordinário ALP,
      Acho que iria gostar do livro e até o imagino a dar umas boas gargalhadas.
      Trata-se de um livro muito divertido, com muito sentido de humor e que termina precisamente na Ponta de Sagres.
      Eu diria que, pese embora o título, é um hino à vida.
      Lembrei-me de si quando li recentemente «A Hora do Diabo» do nosso FP.
      Saudações da Beira.
      Antonieta

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    6. Estou a ler um livro curioso em que, a determinada altura, o próprio faz publicar o seu obituário, depois de já ter morrido uma primeira vez:"O PALÁCIO DA LUA", este Paul Auster é realmente um grande escritor (eu gosto muito).

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  14. O meu pai suicidou-se. Assim, nu e cru. Ficou em coma durante um eterno dia (ainda dura) e faleceu oficialmente no último domingo de Páscoa. Não procurou precipícios nem ajudantes para o que queria fazer. Matou-se, simplesmente. E com o seu suicídio, matou também todas as respostas a perguntas que não param de nascer de mãos dadas, sempre, com a gémea Culpa. São os argumentos dos que ficam que fazem brotar os livros, mas, importante, seria o livro que ele levou consigo.

    Por isso, não quero esse livro. Por isso, não quero o livro do extraordinário Severino. Escrevê-lo-ei, eu, quando a distância mo permitir. Porque um acto de morte é como um acto ridículo de amor, apenas sentido e compreendido por quem o pratica.

    Desculpem. Saiu de rajada. Podia ter-me dado para pior.

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    1. Pelo contrário meu Caro e Extraordinário J.Madeira... se me permite foi mais uma boa e humana intervenção neste Extraordinário Post literário-suicidário!

      Podia contar-lhe dezenas de casos a que assisti ou vivi, de muito perto e na minha família.
      Semelhantes mas de esperar, ainda no ano passado o pai do meu companheiro de projecto, se matou (enforcando-se, uma das práticas comuns no meio rural). Matou-se porque viúvo sentia-se só e desprezado, sem utilidade, mas pior: temia vir a ficar dependente...
      Há uma classe de homens assim, que se matam não por cobardia mas por razões de independência e de orgulho, até de honra, como os seareiros arruinados para quem é uma vergonha tamanha não poderem pagar os seus compromissos...

      Um abraço

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  15. Gostei d'A Acabadora, de Michaela Murchia.
    Não sei se me abalanço a este.

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  16. A maravilhosa capa tem dono e é um pormenor do quadro A morte de Marat, feita por Jacques-Louis David. Marat mandou durante uns meses durante a Revolução Francesa e foi assassinado na banheira.

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    1. Foi morto por Charlotte Corday... ele tomava banho de imersão por via de uma doença na pele!
      Eheheh!

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  17. Obscuridade de Kafka não sei o que seja. A mim, que tenho olhos, o Kafka dá-me para rir. E é sempre com o pasmo dos que não têm o hábito de pasmar que reajo quando descubro que há quem veja obscuridade onde devia ver outras coisas.

    Sed5contra.blogspot.pt

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  18. estou muito curiosa em relação à história (a capa nunca me atrairia pelo design mas pelo título), por isso já está na lista para folhear e (talvez) adquirir.

    Barroca

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