Casas de papel
Li há uns anos uma deliciosa novela chamada Casa de Papel, de Carlos María Domínguez, escritor argentino residente no Uruguai, na qual os muros de uma casa eram construídos com livros. Nós, que gostamos muito de ler e não resistimos a comprar sempre mais um livro mesmo em tempos de crise, lutamos de certeza com enormes dificuldades de arrumação. Tenho até um amigo que foi dissuadido de carregar a sua biblioteca para uma nova casa que comprou porque o peso era excessivo e se corria o risco de tornar o apartamento de um só piso o duplex do vizinho de baixo. Pois a revista Casa Vogue do Brasil, a pensar nos nossos problemas, resolveu dedicar várias páginas de um dos seus recentes números a casas realmente fantásticas com soluções arquitectónicas geniais para arrumarmos os livros. Casas que existem por esse mundo fora, do Canadá à Suécia, da Alemanha ao Brasil, e cujos proprietários têm bibliotecas incríveis e incrivelmente arrumadas. Claro que, em muitos casos, a coisa não está ao nosso alcance, temos os bolsos quase vazios e muitos dos orgulhosos donos dos lares fotografados devem ser bastante ricos. Mesmo assim, dá sempre para tirar uma ideia ou outra e sonhar o que poderia ser a nossa biblioteca se nos saísse o Euromilhões. O link vai abaixo.
http://casavogue.globo.com/Interiores/noticia/2012/12/10-casas-ideais-para-amantes-de-livros.html
Lindo !
ResponderEliminarNós, aqueles que sentem um conforto particular em estar rodeados por livros nas suas casas, formamos uma espécie em extinção. Nós até sabemos que nunca leremos uma boa parte desses livros, como recordou o Pacheco Pereira recentemente no seu programa na SIC Notícias ["um grande leitor não lê mais do que 3 a 4 mil livros durante a sua vida inteira"].
Os livros que nos rodeiam formam o "espírito da casa" que nos é essencial ao bem-estar.
O futuro é a leitura em suporte digital e ela tem toda as vantagens. Só não satisfaz os "imprints" emocionais que os livros "em suporte de papel" deixaram nas gerações crescidas e educadas antes da internet.
Que bela casa essa que tem uma cúpula forrada de livros !
Absolutamente fantástico mas, pelo menos para mim, é um sonho impossível.
ResponderEliminarMas é bom saber que há pessoas que adoram livros e os tratam tão bem.
Fiquei com vontade de ler A Casa de Papel, será que está editado em Portugal?
Antonieta
Foi editado pela ASA, é um livro pequeno (menos de cem páginas), não sei se será fácil de encontrar?
EliminarObrigada, ASeverino.
EliminarVou tentar encontrar.
Antonieta
sim senhor!
ResponderEliminarcomo diz o outro, haja dinheiro.
gostei particularmente de "100 nichos do piso ao teto".
Tratamento VIP no quesito biblioteca.
ResponderEliminarE o exemplo arquitetônico que recorda um pouco Brunelesci a decoração navaja (tribal) e a idéia, identidade do saber "milenar" está a ser destaque em meio a livros.
Gostei!
Casas adaptadas ao Horas. Gostei particularmente da «escalada do saber». A minha ilusão do dia, da semana, do mês, sei lá,, de toda uma legislatura, era sentar o círculo do poder pelos seus cantos e escadarias.
ResponderEliminarE, já agora, porque não como lugar de uma universidade de Jotas : a «escalada do poder» de mãos dadas com «a escalada do saber.»
| biblioteca-escada | e |biblioteca-labirinto | uma com extensão vertical finita, outra com extensão horizontal infinita | uma constituída pelo espírito do lido, outra inventada pelo caos babel do a-ler | imagino-me de facto poder entrar numa dimensão atemporal e não topográfica, que contivesse todos os livros alguma vez imaginados ou impressos, completos ou inacabados, colossais ou minúsculos, legíveis ou indecifráveis, amados órfãos supérfluos úteis luxuosos mesquinhos heréticos sublimes » depois « que cada homem tivesse acesso a essa grandeza imaterial, todavia concreta, na qual nada o esperasse senão o maravilhamento puro de divagar pela biblioteca do grande ARQUITECTO | ele possui a biblioteca definitiva, mas só no-la revela se …
ResponderEliminarQueria só dizer que descobri este blog por acaso e que me prendeu de tal forma que levei a cabo a tarefa hercúlea de o ler todo. Um bocadinho todos os dias, até ao fim, ou neste caso, até ao início. Posso dizer que não é algo que faça com regularidade, embora se encontrar realmente algum blog que me prenda mesmo, não resisto a descobrir o que já foi dito. E não me arrependo nada da tarefa, aprendi imenso com o que aqui escreveu, alarguei os horizontes, descobri autores e livros e cresci como pessoa e como escrevinhadora que me considero. Sempre fui uma leitora obsessiva e sôfrega,com ânsia de ler e ler, mas há sempre coisas que não conhecemos, autores, personalidades importantes, há sempre espaço para crescer. E foi isso que aconteceu comigo ao longo destas semanas, em que todos os dias lia alguns posts . Obrigada pela aprendizagem e espero que o continue a fazer durante muito tempo, tenho ainda muita coisa por descobrir.
ResponderEliminarJoana Ribeiro
Eu é que agradeço, Joana! Um grande abraço.
Eliminarhttp://anchelepietrehannopiedi.wordpress
ResponderEliminarBelos poemas !
EliminarObrigado !
Nem fui espreitar, bastou-me a imagem incluída: biblioteca bonita mas demasiado acética e meio inacessível, lá no alto, a apelar a desporto radical, que não é para todas as idades. Só de pensar que tinha aquela escalada de cada vez que me lembrasse dum livro!... ná!, a minha ideia de biblioteca é menos arrumada (e mais à mão).
ResponderEliminarPensei idêntico. Os anos fazem-nos ver as mesmas coisas de outra forma.
EliminarNunca me esqueci de um pequeno apartamento parisiense que visitei cujas paredes e todos os cantinhos disponíveis estavam forrados a livros. Um sonho! Ainda tenho centenas de livros em casa dos pais, à espera do Euromilhões.
ResponderEliminarPeço desculpa por esta intromissão cinéfila, mas não resisto a chamar a atenção para uma comédia francesa que se estreia hoje (em França) e que tem a revolução dos cravos como tema central. É a história de uns jornalistas estrangeiros que são apanhados desprevenidos pelo 25 de Abril quando estavam a investigar um assunto qualquer em Portugal. Vale a pena conferir o trailer no youtube ou no meu blog (abaixo). Chama-se o filme Les grandes ondes (à l\'ouest) e realiza-o Lionel Baier.
João Neves
Parisvertigo.blogspot.fr
Conheço quem tenha comprado um pequeno apartamento numa zona antiga de Lisboa só para pôr livros.
ResponderEliminarHummm... Tanto esse apartamento comprado pela pessoa que conhece só para pôr livros, como o apartamento parisiense que o comentador anterior, João Neves, visitou, «cujas paredes e todos os cantinhos disponíveis estavam forrados a livros», parecem ser de melhor qualidade do que a casa nova do amigo da MRP, que foi dissuadido de carregar a sua biblioteca para lá por causa do peso excessivo.
EliminarDesculpem, mas não resisti...
Eheheh! Graças a Deus no tocante a espaço estou bem e livre dessa dificuldade! Mais... tenho até beneficiado pois com o passamento físico ou mudança de casa, venho herdando até alguns livros!
ResponderEliminarMas são interessantes as propostas!
O Pedro Almeida Vieira podia dar aqui uma boa achega, pois teve de adaptar - e com sucesso - a casa e até o cesto do gato, à sua biblioteca histórica e não só.
Tenho uma amiga arquitecta que adora estes trabalhos!!!!
Quanto a fazer uma casa em livros... lembro-me de ter ido jantar a casa do nosso barqueiro Marco, em Iquique (Norte Grande, Chile) e ver com espanto que a sua cozinha não tinha telhado! No te preocupes - disse-me - que aqui no llove hace uns diez años!
Pois nessas condições seria muito possível!
Enveredando por uma imagem da nossa Extraordinária paixão pela leitura, pergunto: Afinal os livros não são as pedras do nosso castelo?
Saudações kaluandas!
Maria do Rosário Pedreira | talvez seja este o “post” mais apropriado, simbolicamente, para lhe manifestar o meu apreço e gratidão, porque o I M E N S O que tem feito |em prol das LETRAS | fê-lo sempre [sem lacunas] com as qualidades da ética e da estética | com elegância incomum
ResponderEliminarOh, nem tanto ao mar nem tanto à terra. Mas muito obrigada!
EliminarAqui há muitos anos o meu amigo Seminário, que andava a vender livros e enciclopédias disse-me que havia gente que lhe encomendava 30 metros de livros...pois precisava de concluir a decoração da casa que acabava de comprar...não quer dizer que seja este o caso mas também por aqui poderá haver situações semelhantes. Não deixam contudo de ter muito bom gosto, pois adorei, adorei estas casas não só mas sobretudo pela arrumação para livros, naturalmente.
ResponderEliminar(Ora se lá na Casa de Papel as paredes são construídas com livros, quais tijolos, isso significa que se a pessoa lhe dá vontade de ler e calha de sacar um livro, corre o risco de a parede desabar).
ResponderEliminarÉ pena não ser possível colocar imagens na caixa dos comentários, que me dava jeito para vos mostrar umas estantes de design em forma de árvore, com as quais quem me dera arrumar os livros cá em casa.
Assim, poderia (finalmente...) organizar a biblioteca. Ordená-la talvez por pomares: o pomar da literatura portuguesa, o pomar das viagens, o da história da cidade do Porto...
Hmm... a minha não compara nada mal (diz ela sem pudor, sem modéstia e sem rubor).
ResponderEliminarNão achei foi grande piada chamarem-nos "nerds"...
Chamarem-nos o quê? E "nos" quem?
Eliminarhttps://www.facebook.com/amor.omnia.vincit.letters
ResponderEliminarhttp://amoromniavincitletters.blogspot.pt/
Sim, há realmente ideias muito boas para arrumar livros. Mas geralmente essas ideias vêm de mão dada com o dinheiro. :)
ResponderEliminarbeijinho
Adorei esse livro mas dava-me um nó no estômago cada vez que imaginava as paredes da casa. Meus ricos meninos:-)
ResponderEliminarHummm! Que qie iso, nao de verdade ola qe de arqitetura to es bom niso sem duvida.
ResponderEliminarUma biblioteca ótima aqui em São Paulo é a do Mackenzie. Local calma, com arquitetura do começo do século passado, toda em madeira. Lê-se um livro em paz por lá. Dizem que parece Hogwarts.
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