Uma questão de economia?
Na minha vida de editora, excluindo as alegrias de publicar textos e autores que estimo, sofro anualmente com a invasão de centenas (sim, centenas) de originais de muitos que querem desesperadamente publicar o que escreveram. O pior é que, a cada ano, aumenta o número de pedidos de apreciação e baixa o nível dos textos recebidos. Não sei porquê, mas creio que a circunstância de bastantes figuras televisivas se terem posto a assinar romances que, se calhar, nem redigiram fez crer a toda a população que também podia escrever uma obra de ficção. E quem, provavelmente, tinha uma ideia ou uma história que parecia boa, e quiçá não havia sido mau aluno a Português, acreditou que isso seria suficiente para fazer obra e, mais grave, para a publicar e partilhar com o público. Ignoro se nas outras artes há tantos aspirantes como na literatura, mas presumo que não, porque esta é, de facto, a arte mais barata de todas (fazer cinema fica caro, de mais a mais sem subsídios, pintar obriga a saber a técnica e comprar tintas e telas, compor música requer, em princípio, um instrumento e, claro, algumas bases). Será então por isso que tantos se atrevem a passar ao papel as suas ideias, convictos de que assim terão um dia lugar em alguma prateleira da eternidade?
fotografia e pintura são ainda mais fáceis, pois exigem, aparentemente, menos esforço.:)
ResponderEliminar(uma fotografia faz-se em segundos e um quadro em horas. já um livro exige mais alguns dias de labuta, por muito medíocre que seja)
e também são mais baratas
as máquinas digitais que revolucionaram o mundo da imagem estão em saldo e as telas e as tintas vendem-se em qualquer loja de "chinesices". :)
sei que a Rósário é uma "desalinhada" e ainda bem, mas quando são as próprias editoras que oferecem "escritores fantasmas" e pagam a figuras públicas para darem a cara e o nome a um livro, não há muito a dizer.
isto para não falar das editoras que "vivem" apenas dos pseudo-escritores, que pagam (e bem) para terem o seu livrinho, mesmo que ao contrário das promessas, não apareça nos escaparates da FNAC ou da Bertrand.
tudo isto é um negócio. é por isso que alguns vendedores de "salsichas & afins" compraram editoras...
É verdade, há outras artes baratas. Quantos músicos de rua esperam dar nas vistas? Seria interessante saber se as chancelas musicais também recebem tanta proposta.
EliminarTambém é verdade que o mediatismo da Maria do Rosário contribui muito para essa quantidade de originais. Este espaço extraordinário, por exemplo, será em grande parte responsável...
Sim, porque não estou a ver o Futre, nem qualquer jogador da bola, redigir duas frases seguidas...
ResponderEliminarO ex-futebolista Norton de Matos parece ser uma excepção à regra, já que recentemente parece ter escrito um livro, mas será certamente mesmo uma excepção.
Parece que outra excepção (no domínio dos homens da bola) será o ex-Director Desportivo do Real Madrid, Jorge Valdano ao que parece um leitor voraz e que já escreveu alguns livros (de contos/crónicas).
e prometo não lhe enviar nenhum original, Rosário. :)
ResponderEliminarNo fim quem vai selecionar são os próprios leitores. Da seleção nascerá a luz, mas cara Rosário veja essa "inundação" como um reconhecimento da sua qualidade de editora.
ResponderEliminarDe qualquer modo esta revelação da Rosário merece uma reflexão mais "escarafunchada".
No meu caso, só há uns dez anos chateei alguém (com um manuscrito escrito há outros dez anos ao qual nem sequer limpei o pó e por demência enviei assim mesmo). Não sei o que me deu, se há coisa que a ignorância faz é ficarmos crédulos.
ResponderEliminarEspero não voltar a maçar.
Esses projectos de escritores com aspiração à fama mundial acabarão por morrer na praia, ao defrontarem-se com as grandes dificuldades de uma carreira literária. Até para quem tem um talento inato, quanto mais para quem não o possui. Requer grande esforço e persistência, para além da capacidade de autocrítica e de evolução.
ResponderEliminarPelo que, a não ser que se tenha uma completa incapacidade de análise própria, não se passará desse primeiro simulacro de voo.
|...| trago reticências, de mim mesmo, que tantas vezes esperei a sorte de conhecer o seu contacto para lhe remeter meia dúzia de poemas. Que não desejo o gáudio da publicação, somente perceber se me devo acanhar em oferece-los.
ResponderEliminarCom eles, eu mesmo prepararia livros, com páginas escritas e por escrever, e os deixaria, um após outro, no cruzamento dos caminhos, com um lápis inédito sobre a capa.
Não sei se entendi bem o que quis dizer, mas achei tão bonito...
EliminarHum...
ResponderEliminarTanto quanto sei acontece isso em quase todos os campos: tanto aspirante a toureiro, a pintor, a fotógrafo, a escritor... são os sonhos legítimos das pessoas, aquilo que afinal nos dá alguma razão pela qual andar por cá!
Claro, há os que têm arte, há os que têm padrinhos, e há os que não têm mais do que a ousadia de pretender ser o que gostariam.
Agora vou entrar em confidências:
- Foi lançado recentemente um romance histórico para o qual um amigo que gosta do género me alertou, eu comprei e estou a terminar:
Quem o escreveu, leu o meu... é óbvio! Como me disse o tal amigo. Não se trata de plágio, não...
Mas a forma como está organizado e escrito, o tema, os personagens, a forma como a acção se desenrola e particularmente o ter incluído uma bibliografia (não é original mas é incomum), fazem ter a presunção de que me leu!
O que me satisfaz e honra, confesso!
Curioso é ter sido publicado e distribuído, coisa que eu não logrei (ser distribuído e logo por quem foi...).
Mas ainda não perdi a esperança de poder vir a ser distribuído pois acho que para quem goste do género aventura e romance ´com base histórica, o meu, creio que tem o seu lugar...
Porque quero ser um escritor famoso? Não... apenas gostaria que as pessoas lessem e gostassem, mais nada... que se inteirassem das coisas que recordo e fui buscar sobre a nossa gente!
Saudações do Bairro Ribatejano!
Caro Pacheco, ainda há muitos candidatos a toureiro? Essa não sabia eu!
EliminarE essa do romance histórico fez-me lembrar uma história passada comigo, há vários anos (ainda antes de haver a LeYa). Não foi tão evidente como a sua parece ser. Enviei um original para várias editoras, era o romance sobre Afonso Henriques, mas uma versão ainda muito "primitiva", com outro título. Foi recusado, claro. Mas não é que, meses mais tarde, saiu um livrinho de sátira política exatamente com o mesmo título? Pode ter sido coincidência. Mas uma pessoa fica sempre a pensar...
O título era: "Nascido para Mandar".
Ahahah!
EliminarCristina, sabe que saiu um novo romance sobre o dito-cujo (um dos meus Heróis!), e que pelo que pude perceber, macacos me mordam se não podia ter sido escrito por si ou por quem lesse o seu... eheheh - lança, veneno... - eheheh!
Por acaso penso comprá-lo pois sou deveras um fanático de el-rei Afonso.
E sim, há imensos candidatos a toureiros, Graças a Deus... as escolas da arte estão a abarrotar, por incrível que pareça... é que ser anti-taurino é uma moda (me perdoe) e ser aficionado é uma forma de estar e cultura ibérica, ainda que isso não seja compreendido e desagrade.
Saudações aí para as Alemanhas!
Se quem toca um instrumento não for para a rua exercitar seus lá-mi-rés, se quem gosta de pintar não "riscar" telas, se quem gosta de fotografar não sair por aí "clicando" e publicando na net, se quem gosta de escrever não abrir as gavetas para deixar que suas letras voem, como poderão eles mostrar seus talentos ou a falta deles? Pois, deixai as pessoas criar, extravasar o que lhes vai na alma. O observador, o leitor, o ouvinte serão o filtro.
ResponderEliminarA obra que um editor pode achar medíocre, lá virá outro que a ache genial.
Uns acharam van Gogh um sem-talento e tanto e depois ....
Até Camões foi considerado um inútil e enterrado como um indigente ...
Deixai o povo criar sem medo dos críticos de plantão!
Na altura em que foi publicado MOBY DICK " não vendeu mais de uma dezena de exemplares, Herman Melville tornou a sua vida familiar absolutamente diabólica, contribuindo até para o suicídio do seu filho mais velho.
EliminarO grande escritor suíço Robert Walser viu rejeitado pelos editores os seus textos e nem sequer lhe aceitavam textos nas revistas nem nos jornais; só a muito custo conseguiu ver publicado o seu 1º. livro, que foi um completo fracasso.
Depois de não conseguir publicar mais nada a humilhação vergou-o e acabou internado num hospital psiquiátrico onde continuou, apesar de tudo, a escrever, mas aí acabou por morrer vinte e três anos depois, devorado pelo silêncio.
E quantos mais não acabaram silenciados e que nunca serão conhecidos?
Criar. Diz bem.
EliminarBoa Malha, Extraordinário Anónimo!
Eliminar"creio que a circunstância de bastantes figuras televisivas se terem posto a assinar romances que, se calhar, nem redigiram..."
ResponderEliminar“Oh inclemência! Oh martírio! Estará porventura periclitante a autoria desses nobres e queridos escritos que muitos andam ai a ler?"
:)
In "O Pai Tirano", minha Cara e Extraordinária Areia às Ondas!
EliminarPenso que é pertinente determinar, na avalanche de originais que a Maria do Rosário recebe para apreciação, a idade dos novos escritores.
ResponderEliminarPresumo que, na generalidade, se trata de jovens que têm o gosto pela escrita literária, mas a quem falta, ainda, capacidade de autocrítica, domínio da técnica narrativa e outras coisas mais.
Assim como um atleta se faz com treinos, também um escritor se faz com treinos de escrita, havendo nele algum talento por emergir. Saramago já tinha calos nos dedos e idade avançada quando escreveu as obras que o catapultaram para o êxito. O ideal, na minha opinião, seria a existência de um consultório literário (não gratuito, é claro), disponibilizado pelas editoras, para explicar aos escritores neófitos os erros cometidos.
No post anterior opinou-se que o importante é ler. Neste, também entendo que o importante é escrever. O tempo fará o resto, tratará de separar o trigo do joio. Até lá, haja paciência.
António Breda Carvalho
Francamente, não sei responder a esta questão. Ainda por cima é um tipo de eternidade que não me interessa.
ResponderEliminarMas, quem sabe, as pessoas julgam que a escrita redime a não existência.
Bom dia,
ResponderEliminarHá aqui, realmente e como refere a Maria do Rosário, um fenómeno potenciado pelo advento das redes sociais, principalmente o facebook.
São poetas e escritores aos "milhares"!
Tenho um artigo escrito sobre este assunto que em breve publicarei num jornal. Os "fenómenos" estudam-se e verificam-se sociologicamente. Nada é tão imediato como possa parecer. Haverá - como há para tudo - uma razão para tanta publicação e desejo de publicação. Geralmente, não existe da parte dos "artistas" nem conhecimento, nem auto-crítica nem auto-censura.
É assunto complicado.
Cristina Carvalho
Antes do mais quero agradecer à Rosário tudo o que nos tem ensinado nos seus postes, nas suas entrelinhas, sobre o mundo da edição.
ResponderEliminarE que cruzado com o mundo de quem escreve, ou escrevinha, permitiu-me em vinte minutos alinhavar alguns "elementos", a que podemos chamar de A APRENDIZAGEM DO ASPIRANTE DA ESCRITA:
1) É indubitável a importância e influência dos editores na "carreira" de qualquer putativo aspirante a escritor.
2) A escrita é hoje um lugar tão banal, tão igual, que a escolha já se permite (nem sempre, mas às vezes) critérios pouco transparentes; que os imaginativos, mentes verdadeiramente criativas (embora até a criatividade tenha dias, graus e passos cumulativos), antevêem como os podres da sociedade - que muitas vezes não são podres, mas apenas inevitabilidades, regularidades ou sobrevivências.
3) Os editores tem alguma "responsabilidade" no caminho da escrita, porque replicam tendências, criam repetições, omitem novidades, sugerem gostos. Mas é uma "responsabilidade" fruto do seu próprio trabalho: a selecção a seu gosto, onde casam temática com forma, forma com perfeição sintáctica, perfeição sintáctica com ortográfica, inovação com percepção de sucesso, sucesso com lucro, etc.
4) A escrita é ainda, na opinião de muitos neófitos aprendizes sem mestre, um caminho para a eternidade... falso!
5) Mas a escrita conquista-se, experiencia-se, não se toma como um fruto de uma árvore.
6) Ninguém hoje fica fora da escrita! A escrita está no nosso mail, antes de ter estado no nosso SMS, no nosso Iphone, no nosso portátil... Um escritor não é aquele que escreve um ou dois livros, mas aquele que consegue começar a emocionar ao seu décimo livro. Como já bem avisaram muitos, começar prematuramente a querer "fazer flores" não dá saúde aos rizomas e hoje o parecer tem, como sabemos, mais importância de que o ser; afinal, só existimos... quando aparecemos!
7) As novas editoras (gráficas sem revisores, editores e toda a panóplia de gente que encarece o produto) jogam com a ilusão de muitos. Cumprem sonhos a troco de dinheiro em caixa... para as próprias. São como seguradoras a contratar vendedores de seguros, para segurarem os seus familiares, mas podem criar pesadelos.
8) A nova economia, a que destrói, não a que cria, exponencia até enganados candidatos à escrita como remuneração/rendimento. Muitos dos que antevêem um futuro na escrita ainda não se aperceberam que a escrita hoje não é remuneração, mas sacerdócio com um custo.
9) Outros não se apercebem que a gratidão do leitor não existe e que não há já lugar no panteão da escrita, apenas a certeza de um empobrecimento feliz (para os desempregados uma ilusão de ocupação) e uma gratidão inexistente ou na melhor das hipóteses temporal. E para além disso não há Leitor mas Leitores, como não há Editor mas Editores.
10) No espaço da palavra há um enorme espaço de nichos a explorar. Os nichos podem ser tão pequenos, no entanto, como os propiciados por amigos - a precisar de lupa.
11) Se queres ser um escritor instantâneo, aumenta os peitos, torna-te prostituto ou, mais fácil, começa uma carreira de apresentador de televisão, insiste nos Ídolos ou põe-te "em pelota" em Casas, de Irmãos, tenebrosas. Se fores novo, belo, famoso, rico, poderás ser sempre escolhido por algum desses elementos para consolidares o balanço e contas.
12) Há uma larga margem entre o gosto e a qualidade. O que um vê como uma obra-prima, outro pode ver como uma obra-madrasta.
13) Cada um de nós tem em si inúmeros livros por escrever, na razão inversa do nosso tempo de vida e sensações percepcionadas. O problema para um escritor destes, um desses de lágrimas e afectos, é quando a sua temática, os seus afectos, se esgotam... ou repetem ad nausea.
14) Se um tipo de escritor é aquele que escreve tudo o que lhe dói, outro tipo de escritor é aquele que faz da escrita tudo o que vive no dia a dia.
No interior de cada um há histórias por/para contar. O problema é quando essas histórias são apenas sentimentos, amores e des
16) O mundo da Edição e dos Escritores é um mundo de Grande Família. Todos (mas mesmo todos, mesmo que digam o contrário ou se façam de rogados) a ela querem pertencer (mais não seja, parecendo um paradoxo, na sensação de ausência). Ser para ela escolhido como irmão ou primo afastado, não depende do candidato, mas do padrinho. Porque haveria de ser diferente das outras corporações?
Eliminar17) Um escritor não deve, sob nenhum pretexto, se expor abertamente nas redes. Isso tira-lhe todo o valor facial, dizem alguns. E de preferência deve começar a aparecer (igual a publicar, não a escrever) em meados dos seus trinta, no máximo aos quarenta; isso permite (permite-lhe?) a gestão da sua carreira (esqueçam Saramago, que foi um mago, um teimoso incurável).
17) Há olhares que de tão já gastos, abatem todas as árvores da floresta, excepto clones de outras árvores. Clonar árvores, é cómodo e evita o risco de desabamentos, catástrofes ou tipos chatos.
18) Tordo (não o Fernando pai que se quer ir embora), que fez uma aprendizagem regular de escrita (a escrita também se aprende e apreende), tem uma frase que só ela deixa perceber a diferença entre contar uma história e fazer literatura: «abrir uma brecha no muro de pedra em que a realidade se constitui». É sabido que há muros mais difíceis de quebrar que outros, mas não nos esqueçamos que a esperança renasceu em Berlim: hoje, já não temos tantas certezas (grande Tordo, "somos manos", estou contigo!)
19) Como a grande maioria de nós já somos crescidos, feitos de lugares onde a ilusão e a ingenuidade já cedeu o lugar ao realismo, percebemos que não há caminho, há caminhos: minados, é certo, difíceis, é mais do que certo, solitários... tão verdade que já não se lhe dá adjectivo.
20) Não basta teclar em nossas casas. É preciso fazer o som da(s) tecla(s), soar forte do outro lado (rugir, como o meu velho teclado de teclas de plástico duro: que faz um estrondo a cada golpe, bem mais forte do que o mais tímido passo de ganso).
21) Se eu sou escritor? Não, não sou! Porque eu escrevo baseado num já alargado tempo de vida, na imaginação, mas não sou pela idade, pela plasticidade, um dos quase iguais e inúmeros escritores de afectos.
22) O mundo dos livros e da edição, é um mundo, à semelhança daquilo que muitos criticam (mas criticar e praticar tem uma sílaba idêntica) um mundo de sorte, empatias, favores e interesses. Porque haveria de ser diferente de tudo o resto?
23) Hoje quase tudo está dito (desvalorizado?) de múltiplas e inúmeras maneiras. A sensação é que um robot, um algoritmo, conseguiria escrever grandes obras-primas que se diluiriam (desvalorizariam) em pouco tempo, na razão inversa da revisão da prateleira (e todos, pelo menos aqueles que, como eu, tiveram a sua dose de princípios de gestão) conhecemos a racionalidade da gestão de stocks).
E muito mais haveria a dizer sobre o "Enganoso mundo da Escrita". E do gajo que escreve, que tanto pode ser um escritor como um escrevinhador, desde que se reja por estes postulados aqui descritos e enunciados, a BEM DO ASPIRANTE DA ESCRITA.
PAS
Caro Pedro Almeida Sande,
EliminarApreciei muito seu romance “OBSESSÃO”!
Parabéns!
Irei hoje iniciar a releitura dessa sua segunda obra de ficção. A releitura é exigida pelas múltiplas ressonâncias do “OBSESSÃO”, com um narrador muito especial lembrando um pouco o modo como Saramago o usou nos seus livros.
Entre a descoberta do suicida inicial e o suicídio final que culmina o enredo, muito acontece na história por si contada; a talhe de foice, isto é em paralelo à história, vai tratando no seu "OBSESSÃO" temas bem diversos, entre os quais o que hoje aqui está em discussão e o papel dos blogs literários na vida de quem os frequenta.
Dar-lhe-ei notícia mais circunstanciada do “OBSESSÃO” quando concluir a releitura do seu livro.
Um excelente ensaio sobre... a cegueira?
EliminarSei lá...
Muito bem, temos aqui uma espécie de diário ou de caderno de encargos do proto-escritor!
Um abraço PAS!
Creio que alguém já aqui referiu a selecção natural acabará por acontecer, dado que o bom escritor só sabe escrever bem, da mesma forma que o mau só é capaz de escrever mal
ResponderEliminarmas o mau, de tanto treinar, pode melhorar um "cadinho", não?
EliminarJá ouviste (ó anónimo) que cá na nossa se ouve: quem torto nasce tarde ou nunca se endireita.
EliminarÉ como aqueles pais que querem que os filhos sejam Ronaldo's e vá de os meter na escola de fetebol - mas aquilo não se aprende aquilo nasce.
ó Severino, claro que o sei. talento não se compra ali na lojinha da esquina. nasce ca gente e prontos. ou não nasce e prontos tãobém.
Eliminarmas ó Severino, o senhor num sabe que tãobém há público de toda a sorte? cumo m´explica o senhor o tremendo sucesso de Paulo Coelho? ele nasceu cu talento da escrita ou cu talento da enganação? ou cus 2? hum?
O sucesso de Paulo Coelho explica o sucesso do Dan Brown, do JRS-orelhas (o 575), e outras espécies best-sellers que o consumismo (global) criou!
EliminarE a beleza de um não?
ResponderEliminarFui dos que enviou um texto para ser avaliado... e, não me envergonho disso.
E dou muito valor ao "não" que recebi - franco, directo ao alvo, sem meia-palavras ou mentiras de circunstância.
Agradeço esta negativa da Editora sem rancores ou maledicências porque foi merecido.
Escrevo diariamente, nos intervalos do daquilo que me põe o pão à mesa, não o faço por vaidade ou na esperança de uma eternidade que não terei.
Será tão mau gostarmos de escrever (e ler)? Não poderá ser apenas pelo gozo, o de levar a bom termo um pensamento ou ideia que nos surgiu em dado momento? Será hediondo crime levá-lo a outra pessoa para que seja feita uma critica?
Por favor, não me faça sentir um vilão por, um dia, ter tido a (aparente) má ideia de pensar: Vamos lá ver o que um profissional dirá disto.
Não tenho a precisão... a noção de ritmo, a certeza de pensamento ou aprumo de um verdadeiro escritor. Mas, será que não posso ter o prazer de plasmar em papel um pensamento ou ideia?
E dos que são melhores do que eu? Pois que sejam editados os que merecem!
Entre as cinzas das nossas ideias haverá sempre quem arda com mais intensidade e fulgor.
E isso não faz de mim uma nulidade.
Boa tarde!
Não pus todas a minhas esperanças e aspirações no texto que enviei. Pus a minha inexperiência e ingenuidade, e a negativa que recebi foi um reflexo disso.
EliminarBem haja à editora pela ética e franqueza dessa posição, quanto ao resto... A prática leva à perfeição.
encostado ao mundo, o ser encontra na arte o subterfugio de si mesmo, o andaime com que procura alcançar-se, do lado de fora, podando as silhuetas bravias que florescem sem som. enviúva-se de alegrias e dores, e mastiga cada eco como se lhe extraísse uma música ou a cor densa de um diospiro. porém, a eternidade anteceder e precede o existir, por si própria, sem cânone, com o mesmo preceito com que lavra as águas, desenha os musgos e a transparência das medusas. a perpetuidade do tempo não cabe na eternidade da arte. o que nela cabe é talvez a querença na claridade de universos por inventar
ResponderEliminarLITERATURA (na definição de JOÃO TORDO no seu blog, [já acima citado por Pedro A. Sande ao transportar para aqui a frase do Tordo: "abrir uma brecha no muro de pedra em que a realidade se constitui"]):
ResponderEliminar"A literatura é linguagem: ponto final. É forma de contar, é "maneira" de dizer, é a construção de uma voz inequívoca que conta e que diz; aí reside a originalidade de um escritor e a sua arte. Qualquer pessoa pode "contar uma história" - o meu vizinho, o senhor do café, a minha avó que faz hoje anos (a minha avó conta excelentes histórias)."
Magnífica definição !
Boa noite, caros extraordinários. Mais do que os desabafos da Rosário pelas agruras do seu trabalho, impressionou-me a erudição, o burilar da palavra em alguns dos comentários. De tal forma que dei comigo a pensar "Que raio quer isto dizer?" E sou grande apreciador do Barroco! Assim, para evitar que a minha nulidade desse em depressão, reli, em socorro da minha ignorância mestre Camilo:
ResponderEliminar"-- Isso que diz em vernáculo? (...) Entendi quase nada, porque (...) não falou português de gente (risos nas galerias). As laranjas, espremidas demais, dão sumo azedo, que corra a língua. (...) Se a linguagem portuguesa fosse aquilo que eu acabo de ouvir, devia de estar no vocabulário da língua bunda. Parece-me que os obreiros da torre de Babel, quando Deus o puniu do atrevimento ímpio, falaram daquele feitio!"
Não levem a mal, o problema é seguramente meu, que faço questão de entender o que leio e desconfio da adjectivação "expressiva" tanto quanto do sal em excesso na comida...
Corta a língua e não corra a língua.
EliminarAplausos, José Catarino! O que é demais...enjoa bastante!
EliminarEu também escrevo, mas na água, ou seja, aqui, quando o assunto tal me sugere. Uma pessoa escreve e a escrita escorre, depois de amanhã já nem eu me lembro. Para mim chega assim mas ainda bem que há muitos outros que se levam a sério. Haja é talento!
ResponderEliminarAh!, perdão, fui eu. Anónimo na mesma, mas com nome verdadeiro.
EliminarInfelizmente, este é um problema que atravessa todas as artes. Sendo que há tanta gente a fazer rios de dinheiro com lixo, não é de admirar que muitos queiram tentar a sua sorte.
ResponderEliminarOlá Maria do Rosário,
ResponderEliminarmuitas vezes recebo alguns desses manuscritos "piores" digamos assim para analisar ou dar uma opinião.
Eu leio as primeiras 50 páginas e depois envio um e-mail com tudo o que precisa de ser trabalho - estrutura, personagens, algumas vezes erros ortográficos graves.
No entanto o e-mail dos autores é sempre o mesmo: enviei e as editoras não me responderam, sequer a dizer o porquê da recusa. Eu entendo que recebendo centenas de exemplares, não haja tempo para haver uma resposta personalizada e explico a situação: as editoras têm tanto trabalho a seleccionar os bons que se andassem a mandar e-mails personalizados nunca mais saíam do sítio! E eles resmungam mas aceitam aos poucos, com tempo.
Contudo porque não criam respostas "pré-feitas" onde agradecem à pessoa a atenção de ter enviado o manuscrito e alguns conselhos de escrita? Para aqueles manuscritos mais parados com uma estrutura confusa, enviavam uma carta X para aqueles com graves erros ortográficos mandavam o modelo da carta Y?
Porquê deixar as pessoas a "boiar" na esperança e virarem-se para as vanities que sugam o dinheiro das pessoas que vão iludidas que alguém acredita nelas e que as editoras é que são más, que só querem publicar famosos?
Obrigada pela atenção
Ana