Todos os nomes

Segundo li recentemente, os judeus asquenazes, a maioria dos quais a viver na Europa Central, foram dos últimos europeus a adoptarem apelidos e só o fizeram, entre 1787 e 1844, quando a isso foram oficialmente obrigados (era preciso, entre outras coisas, cobrar-lhes impostos e eles fugiam com o rabo à seringa). E mesmo então alguns dos apelidos escolhidos duravam apenas uma geração (espertos), pois, enquanto os filhos eram do pai, as meninas eram – perdoem-me – filhas da mãe (Moyshe ben Mendel seria, à letra, Moisés filho de Mendel, mas a irmã de Moisés chamar-se-ia, por exemplo, Sara bat rivka, ou seja, Sara filha de Rebeca). Só mais tarde se criaram nomes de família que tiveram continuidade, muitos dos quais construídos ainda com a ligação ao nome próprio do pai por meio das partículas «son» ou «sohn» («filho» em alemão) ou «wich» e «witz» («filho» em polaco e russo). São deste tempo nomes como o do compositor Mendelssohn ou do milionário russo Abramovitch e ainda o de uma professora que tive na Faculdade de Letras, Joana Rabinowitch, que, na origem, sei-o agora, significava «filho do rabino». Mas, como as mulheres judias por vezes suplantavam os homens em importância e prestígio nos negócios, também surgiram apelidos que remetiam para elas, tal como Goldman (como em Goldman Sachs), que era, nem mais nem menos, «o marido da Golda» (as Golda sempre tiveram tendência para sobressair). Os lugares de proveniência foram igualmente um recurso para a formação de nomes de família judeus – e descobri que o Bayer da aspirina quer tão-só dizer «da Baviera». Por outro lado, muitos outros nomes judeus que existem até hoje nasceram da profissão exercida por quem os escolheu – e o nosso querido Einstein da teoria da relatividade deve o seu apelido a um pedreiro (é o que quer dizer a palavra) enquanto (George) Steiner descende inequivocamente de um joalheiro (não faltariam comerciantes de jóias entre os judeus, como calculam). Mas, tal como em toda a parte, e não só entre judeus, os traços físicos também serviram muitas vezes para definir o apelido e, assim, Grossman (como o do escritor Vassili Grossman) era, antes de tudo, um homem grande (gross + mann) e Alfredo Krauss, um cantor lírico que foi muito apreciado em Portugal, teve um antepassado de cabelo encaracolado (ainda hoje krausen é amachucar em alemão).

Comentários

  1. "
    Quem terá dado nome tão correto
    a Helena bela, essa esposa de espadas,
    envolta em desavenças, dor e ruínas,
    nascida para destruir armadas
    e perdição dos homens e cidades?
    "

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  2. Claudia da Silva Tomazi28 de janeiro de 2014 às 02:54

    Apreciar nomenclatura.Gostei deste tema!

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  3. António Luiz Pacheco28 de janeiro de 2014 às 03:03

    Não sou judeu... embora um primo direito de meu pai tenha casado com uma senhora de apelido judeu, conhecido em Viana do Castelo e ligado à indústria das moagens (Jácome).

    Do lado da minha avó Maria Cecília de Carvalho Malato Olbeche Fino, de Portalegre, muita gente tem fortes características físicas que me parecem judaicas, não pelo Holbech (inglês) mas que pelos apelidos Carvalho (árvore) Malato (borrego pré-adulto) e Fino (estreito) podem denunciar essa origem, a par das ligações a indústrias como as da fiação e moagens ou a atividades nas leis (tive daquele lado dois tios-avós juízes e um primo de minha mãe diretor-geral dos serviços prisionais) e na farmacêutica. Já o tio-bisavô Malato foi Cónego.

    Da família do meu cunhado mais-novo há uma óbvia e não escondida origem judaica, de Salvaterra do Extremo onde mantêm casa e o apelido de Coimbra, fora os narizes inconfundíveis e um forte apego materialista como a tendência para a engenharia mecânica (reminiscências de relojoeiros?).

    Na família do meu cunhado mais-velho, há uma forte tradição pelo exercício da medicina. O apelido Branco, assim como os narizes, tom de pele e feitio o indiciam.

    Creio que não há família em Portugal que não tenha mistura com judeus... e nem com povo nenhum, pois esta nossa terra sempre foi um corredor de passagem e "uma porta para o Mundo".
    (in Casablanca - o filme).

    Do tipo físico dos lusitanos - a tribo mais alargada e numerosa das muitas que preenchiam a nossa península, pouco se sabe pois queimavam os cadáveres e não eram dados às artes figurativas, mas pela descrição de Diodoro Sículo e Estrabão, seriam braquicéfalos, medianos, escuros de pele, com cabelo áspero, ondulado, castanho escuro, de olhos castanhos.
    A minha mulher (Sátão-Viseu) e o meu sobrinho por afinidade (Torréon de los Rubios - Cáceres) encaixam neste quadro típico lusitano.

    Da minha família, Pacheco vieram da Galiza ao tempo do Conde D. Henrique, espalhando-se pelo Vale do Douro e pela Beira Alta. Aliás Pacheco significa "que veio de Espanha". Curiosamente somos gente por tradição ligados à agricultura e alimentação ou militares.
    Cirne, tem a ver com a ave cisne... e os do meu ramo eram gente da política (realistas), do direito (juízes) e da Igreja, por isso se estabeleceram aqui.
    Abreu, pois ignoro... sei apenas que é uma família muito antiga aqui no Bairro Ribatejano, que remonta pelo menos ao tempo da D. Leonor Teles, pois era sargento-mor da praça de Santarém um tal João Gomes d'Abreu quem lhe fechou a porta. Gente da terra sobretudo, detentores de morgadio com cargos como o de sargento-mór (até ao meu trisavô) ou padre e só o meu avô foi o primeiro a ter outra profissão (advogado).

    Há quem possa dizer que é cagança, há quem despreze... mas eu interesso-me muito pela minha gente, e em particular pela família:
    - Gosto de saber de onde venho e quem foram os que me precederam, faço um esforço até em preservar e deixar aos meus esse espólio que herdei e vou recolhendo.
    Ficaram documentos tão antigos quanto o testamento do Padre António Gomes d'Abreu, datado de 1818, onde nomeia herdeiros os meus trisavós, seus sobrinhos, o Sargento-mor António d’Abreu Fragoso e Maria Cândida da Piedade Gomes d’Abreu, desde que se casassem! Estes herdaram a quinta de Santo António do Graínho onde ainda hoje vivo e pertenceu à sua extinta ordem. Segundo a tradição familiar aqui dormiu (na que ainda é hoje a minha cama) Frei Luiz de Sousa e foi quartel general do Massena! Há por aí guardados registos de aforamentos datados de 1600 e tal...
    Os avoengos Pacheco deixaram a sua marca no Douro e no vinho do Porto, como hoje ainda é exemplo da arquitectura de toda uma época a Casa Cimeira.

    É a nossa história familiar!
    Eu gosto de saber de onde venho e até porque sou assim ou assado e mantenho certas qualidades ou defeitos, tal como os observo nos demais.

    Belo post!

    Saudações histórico-familiares cá do Bairro!

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    1. Estou siderada com tanta sabedoria ancestral...

      Por comparação, não sei de onde venho nem para onde vou; sei que não é por aí:))

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    2. António Luiz Pacheco29 de janeiro de 2014 às 09:31

      Hum... então andará perdida Extraordinária Beatriz? Ahahah! Que humor de perdição...

      Eliminar
    3. António Luiz Pacheco29 de janeiro de 2014 às 09:32

      Hum... então andará perdida Extraordinária Beatriz? Ahahah! Que humor de perdição...

      Eliminar
  4. Sim, os nomes quererem dizer alguma coisa na língua de proveniência, faz mais sentido. Em tudo inteligentes os judeus. O meu nome, Nuno Firmino, o que quer dizer em português? A alguém com um nome assim, com certeza que assentaria bem o Pouco Inteligente. Todavia, será sempre sinónimo de Muito Orgulho.

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    1. António Luiz Pacheco28 de janeiro de 2014 às 03:56

      Pelo que diz creio que o que lhe assentaria melhor seria "Humilde" ... meu Caro e Extraordinário Nuno Firmino, aliás qualidade rara!

      Um abraço ribatejano

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  5. Se me dissessem que um dia eu chegava aqui para ler o nome da Joana Rabinowitch eu não acreditaria...:)

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  6. Faço minhas as palavras da Blondwithaphd. Essa senhora também foi minha professora, embora na FCSH da Nova. :)

    Gostei muito do post, não fazia ideia que os apelidos não eram assim tão omnipresentes durante a História como pensava...

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    1. Os apelidos portugueses, como hoje os conhecemos, só começaram a surgir nos séculos XIII, XIV. E só para os nobres. Antes disso, havia a forma "filho de". O mais conhecido será Henriques, filho de Henrique. Outros: Viegas - filho de Egas; Soares - filho de Soeiro; Peres - filho de Pêro; Mendes - filho de Mendo; Gonçalves - filho de Gonçalo; Pais - filho de Paio, etc.

      A estes apelidos juntou-se, muitas vezes, o local de origem: Pero Pais da Maia, por exemplo. Outros, menos nobres, optaram pela profissão: Ferreiro/a, Carpinteiro, etc. E muitos apelidos resultaram de alcunhas medievais.

      Podia falar/escrever ainda muito sobre isto. Se tiver tempo, vou consultar um livro que tenho. Mas não prometo ;)

      Com a permissão da nossa anfitriã:
      o melhor significado para "krausen" será enrugar, ou frisar. "Krauses Haar" (assim declinado porque o substantivo é neutro) significa cabelo frisado, crespo.

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    2. Claudia da Silva Tomazi28 de janeiro de 2014 às 04:44

      Interessante apelido "Torrão".

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    3. António Luiz Pacheco28 de janeiro de 2014 às 05:17

      Ó Cristina, e muitas vezes os servos tomavam o apelido do patrão! Conheço vários casos ainda recentes de assim ter sido, sobretudo quando eram "expostos" ou seja, de pais incógnitos, coisa muito comum até à república. Eram registados no livro paroquial como João (exposto). Depois quando criados nas casas que os recolhiam tomavam o apelido do benfeitor.
      E mesmo sem terem origem incógnita era costume tomarem o apelido dos patrões, o que eu ainda conheço em pessoas ainda vivas.

      Isto dos nomes dava pano para mangas e é do mais interessante!!!!

      Saudações germânicas!

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    4. grande Cláudia. :)

      Tomazi também não é de deitar fora.

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    5. Claudia da Silva Tomazi28 de janeiro de 2014 às 05:36

      Exatamente, caso de meu pai com serventes dos "Quintela".

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    6. Olhe, por acaso, o meu não sei de onde vem, nunca li nada sobre isso. É transmontano (embora seja no Alentejo que existe uma localidade com esse nome), é a única coisa que sei. Mas valeria uma investigação, sem dúvida ;)

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    7. Dava sim, caro Pacheco :)
      Além de Torrão, sou Santos Pinto, mas também não sei a sua origem.

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    8. Ó Tomatzi vai falar com o António Lobo Antunes!

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  7. SEVERINO - (não sei mesmo se terei estas caracteristicas):

    -Sabe o que quer da vida, e também como chegar lá.
    Possui uma sensualidade que não passa despercebida por ninguém, principalmente entre quatro paredes.
    Independente e dinâmico são características de um líder, e é desta forma que é visto.

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  8. Eu também acho este tema interessantíssimo! Espero mais comentários a ver se aparece aí algum Moreira que diga algo sobre este nome. No entanto, pelo que sei da minha família de onde vem esse nome são todos de cá da terra, Vila do Conde e arredores.

    :)

    Abraços!

    Cláudia Moreira

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    1. António Luiz Pacheco28 de janeiro de 2014 às 06:28

      Moreira, vem de amoreira... digo eu. O A inicial suprimido como tanta vez acontece.
      O nome de plantas (Silva, Silveira, Saramago, Beldroega, Roseira, Sobral, Azinheira, Oliveira, Figueira ...) é muito usado entre nós.

      Não sei se tem a ver com a antiga religião peninsular com forte ligação à Natureza (Endovélio era o Sol) e os locais sagrados nos Cabos e Finisterras, o culto estelar e das estações do ano, como depois o culto da Virgem (fertilidade e a mãe-Terra), se vem de alguma cruzada origem celta ou até visigótica, (franceses e espanhóis também têm esta onomástica) ou mesmo latina... ou se vem mais modernamente da renomeação dos "Cristãos -Novos" com apelidos sempre com nome de terras e ainda de plantas.

      Todavia também na tropa é usança chamar-se o pessoal pelo nome da terra: "ó Braga!" "ó Moura", "ó Santarém"...

      Amoreira podia ter a ver com alguma característica, e lembro que a criação intensiva de bichos da seda para a produção de seda, foi uma prática muito difundida e explorada pelo Alto Minho e Nordeste até finais do século XIV.

      De onde vêm todas estas múltiplas interligações, pois não sei... mas repito que é fascinante!

      Saudações do Bairro!

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    2. Muito obrigada!!

      Espero que explicação seja a segunda por ser a mais interessante de todas:)

      Eu gosto de história e gosto de livros e gosto sobretudo de aprender!

      Obrigada, sobretudo pelo seu tempo!

      Abraços!

      Cláudia Moreira

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    3. Merci. Cela confirme certaines données que je savais déjà sur mes noms de famille.

      Eliminar
  9. Uma achega ao texto da Cristina Torrão:
    o nome de família Dias, que nos poderia fazer pensar no calendário, significa, na verdade, ‘filho de Diogo' ( Didacus em latim) e resulta de uma evolução fonética complicada, que não cabe aqui explicar.
    Toda esta questão dos modos de denominação dos filhos fez-me lembrar do sistema dos tria nomina praenomen , nomen e cognomen ) dos velhos romanos e de como, muitas vezes, o praenomen da criança correspondia simplesmente à sua ordem de nascimento: Primus , Secundus ...
    Eram muito pragmáticos, esses romanos!
    Inevitavelmente, ocorre lembrar o velho poeta do «Carpe diem ...» Quintus Horatius Flaccus, cujo nome revela ter sido o quinto filho e que herdou um cognomen que, parece, significava ‘orelhudo’ ou ‘gorducho’.

    Desculpem a latinice !

    ResponderEliminar
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    1. Os apelidos de que falei acima tinham precisamente como base o genitivo do latim, por exemplo: "Menendus filius Gundisalvi" - Mendo filho de Gonçalo, tendo "Gundisalvi" dado Gonçalves. As formas que conhecemos hoje sofreram, claro, evolução fonética.

      Encontrei o capítulo que fala da origem de muitos nomes, na época medieval, mas é grande demais para o transcrever aqui. Pertence à obra "História da Vida Privada em Portugal", no volume refrente à Idade Média, e o capítulo em questão tem o título: "O Nome", incluído na secção dedicada ao corpo e é de autoria de Iria Gonçalves (pp. 198 a 225).

      Uma curiosidade são as alcunhas que deram, mais tarde, apelidos. Os medievais adoravam alcunhas. Mas, se algumas eram inofensivas ou até lisonjeiras (Alto, Louro, Claro, Barba, Amigo, Forte, Verdadeiro, Belo), outras possuíam um tom satírico ou eram mesmo insultuosas (Ranhoso, Madraço, Mata Piolhos, Tinhoso, Pestelença, Ravasco, Roussado). De entre as primeiras, muitas sobreviveram como apelidos, das segundas, por razões óbvias, não se poderá dizer o mesmo ;)

      (quem sabe Torrão tenha sido uma alcunha que escapou)

      Eliminar
    2. António Luiz Pacheco28 de janeiro de 2014 às 12:22

      Ravasco ainda existe... era gente da família do Padre António Vieira e uma família do Alentejo, aliás tidos por de péssimo feitio!

      Roussada... conhecem o Roussada Pinto? Jornalista e escritor de policiais com o pseudónimo ode Ross Pym para americanizar e tornar a coisa credível?

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    3. Agora, também me lembrei do apelido Carrapatoso.

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  10. E que dizer de Breda, nome de cidade holandesa?

    António Breda Carvalho

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    1. António Luiz Pacheco28 de janeiro de 2014 às 06:40

      Mas não só... Breda é uma celebrada marca de armas (pistolas e espingardas) italianas!!!! Na cidade Italiana de Brescia, capital das armas e da metalurgia! São dali os melhores fundidores!
      Breda, sendo corruptela de "brother" é neste caso aplicado a uma irmandade (guilda) de armeiros!

      De resto, pode ter tido um antepassado com origem nessa cidade holandesa, que vindo para cá, assim fosse apelidado e tomasse esse nome.
      Breda fica na província de Brabante e por acaso (ou nem por isso) nós chamamos "barbante" ao fio de esparto! Pode ter tido a ver com alguma antiga indústria ou comércio de cordoaria que foi importantíssima na nossa expansão marítima! Aliás o tratado de Breda foi onde se terminou uma guerra marítima...

      Como se diz nestes casos: "E esta hein?".

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    2. Claudia da Silva Tomazi28 de janeiro de 2014 às 07:05

      Batavo ruivo.

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    3. António Luiz Pacheco28 de janeiro de 2014 às 07:12

      Batávia... outro nome holandês, de uma região e de um tipo de alface!!!

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    4. Muito interessante, caro Pacheco.
      Acrescentaria os aviões de marca Breda e, a nível artístico, a pintura "A Rendição de Breda", de Velásquez, retratando o conflito militar do século XVII.

      ABC

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    5. Claudia da Silva Tomazi28 de janeiro de 2014 às 07:47

      Sabe senhor A.B.C. ainda bem que Santos Dumont era brasileiro!

      Eliminar
    6. Quantos santos du mont(e) existem no Brasil, ilustre Claudia?

      ABC

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    7. Claudia da Silva Tomazi28 de janeiro de 2014 às 08:04

      Era pequenina família.

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  11. Que interessante e informativo o texto de hoje da MRP ! Já agora talvez seja propositado recordar que nós, portugueses, somos uma das populações europeias com maior percentagem de genes judaicos. Em média, cada lusitano herdou cerca de 25% dos seus genes de antepassados hebreus. Foi o que revelou um extenso estudo de biologia molecular realizado em populações das várias regiões da península ibérica e publicado há meia dúzia de anos. Mais: temos uma percentagem significativamente maior de genes judaicos do que os espanhóis. A razão é histórica: em 1492 os judeus foram expulsos de Espanha; em 1496 todos os judeus portugueses foram automaticamente convertidos em cristãos novos por decreto de D. Manuel I. Não seremos meio judeus, mas um quarto lá isso somos !

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  12. Tenho pena de não ter hoje disponibilidade para me envolver nesta interessante troca de comentários.
    Deixem-me apenas num instante dizer que o meu avô materno, aí pelos anos quarenta do século passado, foi encarregado de tratar do Registo Civil da população de uma aldeia piscatória que tinha permanecido, até então, praticamente isolada do resto do mundo. Falava-se ali uma espécie de dialecto. Tratavam-se uns aos outros por alcunhas. De modo que, à falta de melhor, no Registo Civil as alcunhas passaram à categoria de apelidos.
    No Alentejo aconteceu algo semelhante, por isso é tão frequente encontrar os singulares apelidos de tantos alentejanos.

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    1. Se ainda vou a tempo, acrescento um dos episódios que o avô ficcionou para nos divertir:

      Na cerimónia de baptizado e registo civil, estavam todos já com os copos.
      - Então que nome querem dar à menina?
      - Prantelh’Ana, senhor doutor.
      - Você, que é o padrinho, diga-me cá: o que é que ele disse…?
      - Cuid’qu’Ana, senhor doutor…
      - Então pronto, vocês é que sabem, fica Prantelhana Cudecana, está bem assim?
      - O senhor doutor é que sabe…
      E ficou.

      A propósito deste, o tio Jerónimo, irmão do avô, que ficou no Brasil, contava que lá aconteceram episódios idênticos. O mais famoso foi o que, segundo ele, terá dado origem ao registo oficial deste nome: Eduardo Lembrança de Aliás.

      Diria a nossa Tomazi: se non è vero, è ben trovato.

      Eliminar
  13. A despropósito, mas recordado de post anterior sobre os erros:
    "a maioria dos quais a viverem na Europa Central"
    Ou "a viver"?
    O infinitivo flexionado é manhoso...

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    1. Tem toda a razão, jose-catarino. Mas, se for a ver na imprensa e nos livros publicados por autores consagrados, "a maioria" já nunca é sujeito... É que, sabe, a maioria das pessoas "querem" assim... Não seí é por que razão as mesmas pessoas se chateiam com o conhecido "a gente vamos"... É a mesmíssima coisa.

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    2. Se, como penso, houver elipse do verbo "estar" ("a maioria dos quais "está / estão" a viver...") deveria ter sido empregue o infinitivo impessoal e não o infinitivo pessoal ou flexionado.
      Só quis reforçar um comentário meu ao texto anterior sobre os erros, em que defendo que nuns casos nos calamos e noutros bradamos aos céus. O que não significa que não concorde com a Rosário sobre a importância de apresentar textos limpos. Mas no melhor pano cai a nódoa, é sempre mais fácil ver o argueiro no olho alheio do que no nosso, e alguns "erros" então dados como exemplo são apenas variantes estilísticas, outros são pleonasmos, chiques quando empregues por autor consagrado, condenáveis se saem da pena, ou teclado, de aprendiz.
      Seria mais interessante discutirmos a questão dos erros, que me fascina, sem preconceitos. Por exemplo, acima utilizei um particípio passado, de um verbo de particípio duplo, e surgiu-me a dúvida, apesar de bem conhecer a regra -- que, no caso, me não esclarece.

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    3. Empregado
      O verbo empregar só tem um particípio passado: empregado. Usa-se, pois, sempre a forma empregado seja com o auxiliar ter seja com o auxiliar ser. O João tinha empregado bem o dinheiro. O dinheiro foi bem empregado pelo João. O sacrifício dos pais foi muito bem empregado, pois o filho compensou-os com uma carreira brilhante. É incorreta a forma «empregue» que surge provavelmente por analogia com o verbo entregar, que tem dois particípios, um regular, entregado, e um irregular, entregue.
      (Entrada do Dicionário de Dúvidas, Dificuldades e Subtilezas da Língua Portuguesa - Dom Quixote)

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    4. Já agora, depois do post de anteontem da MRP e do ONDE/AONDE que na altura comentei, também este mimo num livro de um consagrado:

      "Sempre chegamos ao sítio AONDE nos esperam." - José Saramago em 'A Viagem do Elefante'.

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    5. Muito obrigado pelo esclarecimento.
      Mas fui conferir ao dicionário Priberam e encontrei os dois particípios... Decididamente, esta é uma das Áreas Críticas da Língua Portuguesa...

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    6. Muito obrigada por colocar aqui um livro muito útil.

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    7. A questão é que "empregue", pretenso particípio do verbo empregar, aparece registado como de uso popular pelo Vocabulário... de Rebelo Gonçalves.

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    8. Ora o uso popular não é erro. E a língua portuguesa evoluiu dramaticamente nos últimos 50 anos. Muitos dos problemas actuais não se colocavam na época. Como comentei no post de hoje, muita falta nos faz o equivalente das academias espanhola e francesa para estabelecer, com saber e autoridade, uma norma. Quanto mais não fosse, para se poder transgredir, porque o que dá vida à língua é a norma, que preserva, e a transgressão, que inova.

      Eliminar
  14. E, já que o post se chama TODOS OS NOMES...

    «José de Sousa teria sido também o meu nome se o funcionário do Registo Civil, por sua própria iniciativa, não lhe tivesse acrescentado a alcunha por que a família de meu pai era conhecida na aldeia: Saramago. (Cabe esclarecer que saramago é uma planta herbácea espontânea, cujas folhas, naqueles tempos, em épocas de carência, serviam como alimento na cozinha dos pobres).»
    José Saramago, Autobiografia

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  15. Eu estou bem (ou bem mal, conforme o ângulo de visão) pois em meu apelido carrego (não se dê conotação de fardo) um nome árabe e um nome judeu. Sim, esta é a ordem, o árabe vem primeiro. Gosto, de jeito igual, de ambos.

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    1. António Luiz Pacheco28 de janeiro de 2014 às 12:25

      Credo ó anónimo... então o título "todo o homem é uma guerra civil", aplica-se especialmente no seu caso?

      Ahahah!

      Eliminar
    2. Ó Extraordinário Pacheco,

      O que escrevi acima é verdadeiro e não inventei nada. Tenho os dois apelidos e, assim sendo, só posso dizer-lhe que "todo o Homem é a Paz". É só querer, ainda que não tenha apelidos assim ou assados ...

      Já imaginou se eu tivesse de viver na Faixa de Gaza, por exemplo? Oh Céus!

      Desejo-lhe muita paz e uma noite feliz.

      Eliminar
    3. António Luiz Pacheco28 de janeiro de 2014 às 15:58

      Um grande abraço e desculpe lá a minha parvoíce, mas às vezes a gente não conseguimos resistir...
      E com esta temos campo aí para mais uma gramaticalização... eheheh!
      Um abraço!

      Eliminar
  16. Retiro de postes dos Extraordinários que Gonçalves é filho de Gonçalo, Mendes filho de Mendo, (Afonso) Henriques filho de (Conde) Henrique. Lembrei-me de Anes (e talvez Eanes), que será então filho de Ano. Não conheço nenhum, mas é estranho não haver masculino de Ana. Ou será que é Ano mas caiu em desuso, talvez por razões óbvias?

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    Respostas
    1. Salvo erro, Anes (e talvez também Eanes) significa filho de João, que, na Idade Média, se dizia Joanne, ou Johanne. A evolução fonética prega destas partidas, por isso, em alguns casos, é difícil saber a origem das palavras.

      Eliminar
  17. Obrigado Cristina pela explicação de Anes (e talvez também de Eanes). Saberá também se existe o masculino de Ana?

    ResponderEliminar
  18. O que eu gostava de ser uma filha da mãe!
    Tenho que dar parabéns à Rosário: aprendi sobre a origem dos nomes judaicos. Muito interessante.

    ResponderEliminar
  19. Importa-se de repetir???????? Diz você ter tido Joana Rabinowitch como professora na Faculdade? Como é possível? Há quanto tempo andou na Faculdade? E já agora, que idade terá a Joana?

    Recebi um implacável "coup de vieux" no espaço de segundos em que vi a referência a essa pessoa. Minha Nossa Senhora!!! Virgem Maria!!! Eu que nunca tinha comentado neste blogue, ainda fui verificar duas ou três vezes para me certificar que tinha sido a Maria do Rosário a escrever este post e que não me enganara. Como é possível?

    ResponderEliminar
  20. Rui Miguel Loureiro Torrão4 de agosto de 2014 às 10:44

    Boa tarde.
    Tenho imensa curiosidade em saber a origem do meu apelido que, à semelhança da Cristina, é Torrão. Até há pelo menos 3 gerações teve origem no Concelho de Penamacor, distrito de Castelo Branco onde o, julgo que actual, Presidente do Município também partilha o apelido.
    A título de curiosidade, tanto meu avô como o pai deste davam pelos únicos nomes de José Torrão.
    Cumprimentos

    ResponderEliminar
  21. Oi! Meu sobrenome é Pedreiro, tudo que sei da minha família é que desde meu pai até o meu tetra avó todos carregam o sobrenome Jorge Pedreiro .Vocês sabem algo sobre esse sobrenome? Desde já grata!

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